Piece of Green
1 O começo parte 1
Notas iniciais
Dia 12 de agosto de 2013, esse era o dia em que as aulas voltaram após as curtas férias que tivemos. Foi longo o período do 1º semestre e eu não estava muito preparado para mais longos dias de estudo. Tudo passou tão rápido que eu quase que não acredito que estou no 2º ano do ensino médio. Antes, ou a algum tempo atrás eu era apenas um menino vivendo o mundo como um espectador, observando tudo que existe nesse mundo, tentando entender o motivo da existência, acompanhando e estudando cada fenômeno que se passava na terra, eu vivia a vida de um filósofo, sempre discutia comigo mesmo tudo que não conseguia entender e nunca consegui uma resposta. Hoje eu tenho 16 anos vivendo a vida de um estudante comum e não tenho muitas esperanças de encontrar mais aquelas respostas, apenas tento me manter em dia com os estudos e ler mangás e livros quando eu tenho tempo, tenho meus amigos que de vez em quando saio com eles, cuido do meu mini-jardim e do meu gato Fadiga. Enfim, eu vivo uma vida comum e saudável.
O segundo semestre logo começou. Eu já havia arrumado meu material escolar e estava pronto para ir à aula.
[Professor Raidenol]: Abraão...
[Abraão]: Presente...
[Professor Raidenol]: Alceno...
[Eu]: Presente...
Sim, meu nome era Alceno, meu pai era um bioquímico e por algum motivo ele me deu esse nome. Professor Raidenol continuava com a chamada...
[Professor Raidenol]: Buruna...
[Buruna]: Presente...
Buruna, essa menina me interessava bastante, não pelo fato do nome ser meio estranho também, mas sim porque definitivamente ela era estranha e muito bonita, ela não falava com muita gente, não se destacava e também não se socializava facilmente como as outras meninas. Eu achava ela parecida comigo de alguma forma. Não sei muito bem o que ela tinha que me atraía. Sou meio que amigo dessa menina e estou de olho nela fazem uns 6 meses. Eu queria me declarar só que eu não sou de ter muita coragem. Sou amigo de outras pessoas também só que eu convivo mais com o grupo de amigos da Buruna.
[Eu]: Boa tarde Buruna.
[Buruna]: Boa tarde Alceno.
Eu estudava de tarde com aquela turma, das 1:00 PM até 6:00 PM, as vezes tinha aula até as 8:00 PM dependendo da situação. Havia também o intervalo no meio entre esses períodos para alimentação. Muitos dos meus amigos me achavam maluco pelo fato de eu ser muito radical em relação a preservação da natureza, pois eu insistia que os humanos só existem pra destruir o mundo e para mim realmente era verdade pois a cada ano mais seres vivos morrem por mãos humanas. Buruna também não me dava atenção, eu era o único cara que me achava legal do jeito que eu sou. A única hora que eu me socializo é quando eu falo de mangás e animes que eu vejo para meus amigos otakus (para quem não sabe otakus são pessoas viciados em cultura japonesa). Buruna se interessa por essas coisas, mas não tanto assim. Por isso eu venho buscando um modo de mostrar meu valor para ela e fazer ela gostar de mim de um jeito original, sem copiar de outros caras, e até agora anda procuro esse modo.
[Eu]: Eu queria que as plantas e animais tivessem um papel na sociedade, onde eles pudessem expressar sua opinião em relação ao que nós fazemos com o mundo, esses seres são muito frágeis por isso não têm como se defender. Os humanos são a praga dos seres vivos e não há ninguém para defender esses seres de nós. Isso é uma injustiça! Nós podemos simplesmente destruí-los se nós quisermos. Como isso pode ser justo?
[Xulas]: Você tá é doido, isso sim.
[Buruna]: Alceno, nem todos os humanos são ruins para a natureza, certo?
[Eu]: Não, todos nós somos, e eu e vocês não somos exceções. O simples fato de nós existirmos, já somos um perigo para a vida na terra. Os humanos não deviam existir na terra e isso é o que eu acho.
[Buruna]: Você é muito radical, todos os humanos também merecem viver, nós também merecemos ter um lugar nesse mundo e vivermos sem destruirmos o resto do mundo. Nós não somos uma praga!
[Eu]: Isso é impossível, não há como vivermos em harmonia. O ser humano foi criado para criar instabilidade.
[Buruna]: Isso não é verdade!
[Eu]: Eu tenho certeza que sim.
Eu afirmava que tinha certeza, mas eu nunca tive certeza absoluta de nada nesse mundo, era simplesmente no que eu queria acreditar, pois a única pureza que eu acreditava que existia nesse mundo era a dos “seres irracionais” como chamam os estudiosos. Eu acreditava que eles eram racionais, só não tinham força suficiente para expressar suas angustias.
A aula havia acabado, eram 8:11 PM e eu precisava voltar pra casa. Minha casa ficava a 1 quilometro do Colégio Hashi, que era o colégio o qual eu estudava. Era uma pequena caminhada até minha casa, por isso eu preferia ir a pé do que ir de ônibus. Enquanto eu caminhava eu pensava em vários problemas desse mundo, talvez um estudante não pudesse salvar o mundo, mas eu gostava de tentar resolver problemas na cabeça, eu queria resolver os problemas que assolavam esse planeta.
No semestre anterior toda vez que eu voltava das aulas eu sentava num banco de um parque ao lado da escola antes de ir para casa. Eu gostava de sentir a brisa que vinha de algum lugar e sentir o cheiro das arvores ao meu redor. Aquilo me fazia sentir paz.
Passei por lá para matar as saldades, fazia tempo que não ia ali. Estava meio escuro pois um dos postes que iluminavam o parque não estava funcionando. Enquanto eu ficava no meu mundo pensativo, eu ouvi passos se aproximando. Eu estava de olhos fechados mas percebi que estavam por perto, então dei uma olhada. Eram dois garotos quase da minha idade, também vi que estavam segurando alguma coisa nas mãos.
Aquilo parecia um cão. Calma aí?! Era um cão! O que dois jovens estariam fazendo com um cão agarrado pelos braços?
[Cão]: Ainnn!
Após ouvir o som do choro do cão, percebi que estavam machucando-o e não pude me conter.
[Eu]: Ei! O que vocês estão fazendo? Por que estão mexendo com o pobre cão?
[Estudante 1]: Porque é divertido, hahahaha!
[Cão]: Aiiiiinnn!
[Eu]: Parem de agir como irracionais! Ele também é um ser vivo e também sente dor! Parem de bater nele, senão...
[Est 2]: Ou então o que? Vai bater na gente? Vamos ver quem apanha mais. Somos dois contra um.
Foi uma questão de alguns segundos até eles me nocautearem. Pelo menos deixaram o cão em paz, então nem tudo foi em vão... Mas ainda sim, eu não entendo como o ser humano pode ser tão cruel assim. Machucar um ser vivo por diversão? Isso é atitude de um “animal racional”? A raça humana nunca deveria existir! Como pode a minha espécie ser a pior de todas? Não há como coexistirmos! Há? Eu me odeio! Eu odeio eles! Eu odeio a todos esses humanos imundos! Eu odeio!! Eu odeio!!! EU ODEIO!!!
[Eu]: EU ODEIO!
[???]: Eu consigo te ouvir...
O que? Alguém acabou de falar comigo dentro da minha cabeça.
[Eu]: Quem está aí?
[???]: Eu consigo sentir seu ódio... Você não é como os outros...
[Eu]: Do que você está falando?
[???]: Eu vi quando você protegeu o cachorro...
[Eu]: Quem é você? Deus?
[???]: Deus!? Hahahaha! Sou bem diferente disso. Você só consegue me ouvir porque no momento compartilhamos o mesmo sentimento... Ódio! E incrivelmente você consegue odiar a sua própia raça. Hahahaha! Interessante.
[Eu]: Eu não preciso dar satisfação a você. Agora me diga quem você é.
[???]: Eu sou uma flor.
[Eu]: Uma flor? Como pode uma flor se comunicar comigo?
[???]: Eu já disse. Você no momento sente ódio e eu também pelo mesmo inimigo. Mas calma. Eu não sou uma flor qualquer. Tem um motivo para eu estar falando com você.
[Eu]: E qual é?
[???]: Primeiro deixe eu me apresentar. Meu nome é Kasa. E eu sou a flor verde na sua frente. Eu conheço vários seres vivos nessa cidade e sou amigo de cada um deles. Consigo me comunicar por telepatia com eles. Só que isso tem um limite.
Como assim?? Eu não conseguia acreditar que eu realmente estava conversando com um vegetal. Eu iria descobrir o que se passava na mente desses seres. Estava deslumbrado mesmo que com ódio em meu coração. Do que ela estava falando. É como se... É como se a natureza pudesse também se expressar... É como se ela pudesse também declarar guerra... Seria aquilo um sonho?
[Kasa]: Eu vim lhe fazer uma proposta... Se torne o meu hospedeiro...
[Eu]: Annnn?
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