Piece of Cake
1 Como roubar doce de criança
Apesar do horário o grupo de primos não controlava o volume de suas risadas. Tinham passado o final da tarde e toda a noite nos arredores d’A toca, conversando, jogando e nadando. Àquele momento a lua já ultrapassava a metade do céu, indicando que a madruga já tinha chegado e, se fosse levar em consideração que os mais novos dormiam na grama, era hora de voltar para a casa.
Teddy flutuava Roxanne, Louis, Lily, Lucy e Hugo no caminho de volta, Albus e Rose cambaleavam atrás do mais velho, afirmando que não estavam cansados enquanto lutavam contra o sono. Enquanto isso, Victoire, Gloire, Molly, James, Fred e Dominique corriam pelo campo, ainda sem terem se livrado da animação das últimas horas.
— Ah cara, eu estou com tanta fome que poderia comer um javali. — Fred falou, conforme se aproximavam da velha e confusa construção.
— Oh chérie. Estranho seria se você não pudesse. — Gloire ressaltou, aumentando o volume das risadas dos que permaneciam acordados.
— Hoje eu tenho que concordar com Frederic, eu estou faminta! Se vovó tivesse feito mil cookies, eu comeria os mil. — Victoire foi em socorro ao primo, sua irmã gêmea revirou os olhos antes de lhe tocar o ombro.
— Oh chérie. Estranho seria se você não pudesse. — Voltou a dizer, os demais riram, Victoire lhe mostrou a língua.
— Não é como se estivéssemos há horas sem comer, mas eu afirmo que comeria carne humana se essa fosse a única opção. — Dominique se pronunciou, Victoire parou sua caminhada.
— Ah… você vai para a sonserina. — Lamentou-se, a irmã gêmea animou-se com a ideia, bagunçando os cabelos da mais nova.
— Mostre a eles que nós Weasleys vamos dominar Hogwarts!
— Já poderíamos ter feito isso se você estivesse estudando lá. — Victoire resmungou.
— Tecnicamente falando, vocês não tem quórum na Lufa-Lufa. — Teddy intrometeu-se, todos pararam para lhe encarar com um olhar zangado.
— Se você não é um Wotter eu não sei quem é. — Molly afirmou.
— Então… Vic e Molly Corvinal, Gloire e Domi Sonserina, Teddy Lufa-Lufa, eu grifinória… Jamie Jamie Jamie, o que o futuro lhe reserva? — Fred provocou o primo, James não se deixou abalar.
— Não se preocupe Frederic, em alguns dias eu vou te ensinar como um verdadeiro grifano se comporta.
Ao chegarem mais perto da construção a porta foi aberta e o silêncio da casa foi sentido. Imediatamente as risadas cessaram e as conversas se limitaram a sussurros, Teddy cuidou de subir com os mais novos, Albus e Rose em seu encalço, enquanto Victoire guiou o restante da gangue para a cozinha.
— Eu realmente espero que tenha sobrado bolo. — Molly sonhou, a luz se acendeu.
Sobre a bancada o último pedaço do bolo de abóbora com cobertura de diabinhos de pimenta reluzia ao olhar dos presentes. Victoire babou, James caminhou com o olhar vidrado na direção do doce, Fred gritou.
— Eu disse primeiro, é meu. — Molly afirmou, passando a frente dos primos em direção ao bolo.
— Eu não acho que esse é o conceito de justiça. — Dominique resmungou, colocando-se em frente a prima e impedindo sua passagem.
— Realmente, o justo é quem não está aqui sempre ficar com o pedaço. — Gloire bateu palmas, mas antes de caminhar até a sobremesa sentiu um peso a puxando para trás, Victoire segurava sua blusa.
— Tecnicamente nenhum de nós está aqui sempre, então, o bolo claramente fica com a neta mais velha.
— Ou então com o neto mais guloso. — Fred resmungou.
— Louis está dormindo e com certeza daria para a irmã preferida dele. — Victoire parecia decidida a conquistar o bolo.
— Ou o neto mais novo acordado fica com a fatia. — James sorriu.
— Vinte dias! — Dominique protestou a diferença entre eles que a tirava do pódio. — Mas, bem, como a única representante legítima desta família — A menina jogou os longos cabelos flamejantes no ar. — Eu fico com o bolo.
— Arram. — Molly coçou a garganta.
— Droga! Tinha esquecido de você. — Dominique resmungou.
— Considerando que meu nome é uma homenagem à maravilhosa pessoa que criou essa especiaria única, o bolo fica comigo. — Molly posicionou-se.
— Se nome é questão, o meu significa Vitória, então, eu ganhei.
— O meu é um sinônimo do seu. — Gloire passou a segurar a irmã.
— Você deveria estar na França. — Vic pela primeira vez em todos aqueles anos sentiu que estaria mais feliz se a irmã realmente estivesse com os outros avós.
— Quem chegar primeiro ganha. — Disse Fred, que encontrava-se imediatamente ao lado do bolo.
— Chega! — Victoire gritou, todos congelaram em suas posições. — Se não conseguimos entrar em um consenso ninguém fica com o bolo. — Com seus quinze anos a loira possuía pernas e braços longos o suficiente que a fizeram pegar o pedaço sobrevivente do doce e colocá-lo em segurança acima da geladeira. — Vamos comer outra coisa. — Decretou, dando a discussão como encerrada e retirando da geladeira todo o resto de comida que a avó tinha guardado para eles.
Tudo estava silencioso agora, até mesmo Louis tinha parado de falar enquanto dormia. Gloire estava deitada, os algodões nos ouvidos para que barulhos não atormentassem seu sono e uma máscara para dormir que impediam qualquer luz de lhe perturbar. Victoire teria que agir rápido.
O rangido da porta sendo aberta provocou uma careta no rosto da loira que sentiu seu coração bater mais rápido ao ver a gêmea e Molly revirando-se na cama. Um suspiro aliviado a fez se acalmar quando ambas continuaram a dormir. Usando as técnicas que aprendera na escola da mãe, Victoire cruzou a Toca na ponta dos pés, desviando de cada tábua solta que denunciasse sua estadia fora da cama. Desceu as escadas quase que flutuando, considerando que cada degrau ali fazia barulho se submetido ao menor peso e, uma vez no primeiro andar, jogou-se de quatro no chão, engatinhando até a cozinha.
Lá estava ele. O brilho da lua iluminava o glacê que mais uma vez fez a loira salivar, Vic acelerou até a geladeira, pondo-se de pé para recuperar o bolo e escondendo-se atrás da bancada com ele em mãos. Vitória. Ela riu para si mesma, pescando às cegas um garfo na gaveta mais próxima. Os momentos seguintes foram uma mistura de êxtase e júbilo, o garfo cortando um pedaço do bolo que em segundos estaria em sua boca, dissolvendo-se em uma explosão de sabores de hortelã, pimenta e abóbora. Victoire suspirou deliciando-se com aquilo, o barulho de madeira rangeu a fez engolir antes de terminar de curtir seu momento. Seus olhos arregalaram, ela puxou os pés para perto.
— Você realmente achou que eu não sabia o que você ia fazer? — Gloire surgiu, apesar do escuro Vic sabia que ela lhe olhava de cara feia. — Digo, eu consigo sentir quase que literalmente o prazer que você está sentindo comendo esse bolo, francamente Victoire…
— Shhhh! — A mais velha pediu. — Sente aqui e cala a boca, eu divido com você.
Gloire se deu por satisfeita, mudando a expressão e ajeitando-se no chão ao lado da gêmea.
— Então, como foi enganá-los?
Victoire sorriu, passando o garfo para a mão da irmã e pegando uma migalha que tinha caído em seu pijama.
— A piece of cake.
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