Pictures of Us

22 Jealous || Oliver


Notas iniciais
Olá, pessoas!! Para compensar a falta que sentia de POU e de vocês, voltei rapidinho. Então, esse capítulo segue os eventos do casamento, e estava ansiosa para postar logo, já que estava morrendo de saudades dessa turminha, que voltou mais atacada do que nunca. Me diverti um bocado escrevendo, espero que gostem. Boa leitura!! Bjs*

― Então até segunda-feira, detetive. ― Balancei a cabeça em afirmação para o capitão.

Eu tinha que assumir, estava com muitas saudades do trabalho. A delegacia, as pessoas, os bandidos. Okay, não dos bandidos, mas saudades de prendê-los. Não que aquele tivesse sido um mês ruim, ao contrário disso, foi o melhor da minha vida.

Logo que eu e Felicity chegamos de viagem de lua de mel, nos impomos um auto isolamento. Comida apenas preparada por nós ou delivery, sem visitas recebidas ou feitas, uma verdadeira navegação por todos os serviços de streaming possíveis e uma dose razoavelmente grande de sexo. Na verdade, ninguém nem sabia que já estávamos em Star há duas semanas.

Mas agora nossas férias haviam acabado e era hora de voltar aos nossos empregos que tanto amávamos e sentíamos falta.

Decidi passar na delegacia no fim do expediente da sexta para falar com o pessoal quando saí pra comprar comida, mas até agora, só tinha encontrado o Capitão Lance, com quem eu pegava minha escala de turnos.

― Até segunda, Capitão. ― Apertei sua mão, ficando em pé. ― Ah, só mais uma coisa.

― Sim?

― Como foram as coisas com minha sogrinha depois do casamento, hein?! ― questionei com a voz insinuante. ― Sou ou não um bom cupido, diz aí! ― Lhe dei um soquinho brincalhão no ombro.

― Sabe, Queen… ― Ele sorriu, apoiando os cotovelos na mesa para vir mais em minha direção. Sorri de volta, atestando para mim mesmo como sou bom na coisa de arrumar casais. ― Eu nunca te dei toda essa liberdade pra falar comigo que você acha que tem. ― Fechou a cara, e eu fiz um beicinho contrariado. ― Dispensado.

― Mas essa nem era uma reunião oficial!

― Dispensado. ― Bufei, dando meia volta e saindo da sala.

Não era como se eu não pudesse mandar uma mensagem pra Donna e ela me contaria tudo com todos os desnecessários detalhes sórdidos. Me aguarde, Capitão!

― Oliver! ― Kara me viu primeiro, vindo ao meu encontro logo que deixei o Lance, e me abraçando. ― Não sabia que estava aqui, quando chegou?

― Só faz alguns minutos ― justifiquei. ― Onde estão todos?

― Dig já foi embora, Sara e Tommy na sala de descanso, Barry no laboratório. A gente já estava quase saindo.

― Só passei mesmo pra dar oi, oficialmente só volto na segun…

― Não acredito! ― Nos viramos no susto para o grito, e Tommy, como um bom personagem de dramalhão mexicano, me encarava maravilhado.

― Tommy tá de barba? ― Franzi o cenho surpreso com meu amigo, que sempre ostentava seu rosto limpo, e agora tinha uma barba mais baixa que a minha.

― E mais exagerado do que nunca.

― Ollie, você voltou! ― Ele correu até mim, me agarrando forte como se eu tivesse retornado da guerra ou coisa assim. ― Esse foi um dos piores meses da minha vida com você longe, eu quase não aguento.

― Também senti saudades, parceiro. ― Tentei o afastar, mas ele só me abraçou mais forte.

― Eles ficavam me obrigando a chegar na hora, preencher os relatórios de prisão por completo, arquivar tudo no lugar certo, foi meu inferno pessoal! ― dramatizou.

― Você quer dizer que te obrigaram a fazer o seu trabalho? ― questionei com ironia, e tive que usar um pouco de força pra fazer ele me largar. ― Que injusto!

― Eu sei. ― Me abraçou de novo, deitando a cabeça em meu ombro, não captando meu sarcasmo. ― Promete que nunca mais vai me deixar, nunca!

― Quanto drama, Tommy. ― Sara passou por nós, me dando um tapinha das costas e indo em direção à sua mesa para pegar suas coisas. ― E aí, Queen?

― Sara ― cumprimentei de volta.

Por que Tommy não podia ser desapegado como ela?

― Oliver? ― A voz de Caitlin ali na delegacia me fez virar surpreso para ela, e Tommy me soltou na mesma hora. ― Vocês voltaram! ― Veio até mim e me abraçou rapidamente. ― Como está Felicity? Ah, já sei… Desfazendo malas, sendo a única pessoa do mundo todo que curte fazer isso.

― Você a conhece. ― Dei de ombros. Não falei que não tínhamos chegado hoje, pois, de fato, desfazer as malas e organizar tudo foi a primeira coisa que minha Felicity fez quando voltamos para casa. ― E você, o que faz aqui?

― Eu vim…

― Encher minha paciência! ― Tommy a interrompeu, a afastando segurando em seus ombros. ― Vai saindo, querida, estamos tendo um momento.

― Cala a boca, Thomas, ninguém aqui está falando com você. ― Se soltou dele.

Ninguém está falando com você ― a imitou afinando a voz.

― Vejo que o casal encrenca permanece o mesmo ― atestei.

― E eu lá tenho cara de égua pra fazer par com cavalo? Deus me livre.

― Deus me livre eu ― ele retrucou, e começou a fazer efusivos sinais de cruz.

― Essa frase nem faz sentido gramaticalmente, sua anta.

― Capivara!

É normal dizer que senti falta dessas briguinhas?

― Barry, Caitlin chegou! ― Kara gritou da base da escada, sendo a única coisa capaz de os fazer parar a discussão, que a cada frase mais parecia a descrição dos animais de algum zoológico.

― 'Cause all that it takes is a little reinvention. It's easy to change if you give it your attention. ― Barry já desceu cantando e Cait foi naquela direção, parando perto de Kara, que também se uniu ao coro e à dancinha. ― All you gotta do is just believe you can be who you want to be. Sincerely, me! *― O legista e a secretária trocaram um high-five, ele nem me notando ali.

― Você não cantou, Caitzinha! ― Ele passou um braço por seus ombros, lhe dando um beijo na têmpora. ― Te mandei o link com a playlist de toda a trilha sonora.

Okay. Quanto tempo eu fiquei fora? De onde surgiu essa amizade ou sei lá o quê? Quer dizer que aquela dancinha do casamento tinha evoluído para algo além? E sobre o…

― Coisa ridícula ― Tommy resmungou ao meu lado e o encarei com curiosidade. ― Agora ela não sai mais daqui, estou tendo que mandar dedetizar toda semana, essa insetinha! ― Ele pressionava os lábios e apertava os punhos em irritação.

― Sabe, meu amigo… ― Cheguei mais perto para que apenas ele ouvisse, apertando seu ombro. ― Ciúme é uma emoção tão feia! ― recriminei, rindo em seguida.

― Eu, hein?! ― Tirou minha mão de si. ― É só que o pobre coitado do Barry terminou um namoro de uns duzentos anos só faz um mês e essa Medusa já cai matando em cima.

― Tá chateado porque não é em cima de você que ela está?

― Só fica com a boquinha fechada, Oliver.

Neguei com a cabeça, ele não tinha jeito, e fui na direção do grupinho, cumprimentar Barry, com quem eu ainda não havia falado.

― Onde essa turminha tão animada vai?

― Oliver, você voltou! ― Barry me abraçou animado. Era bom vê-lo assim, já que antes de viajarmos, ele era um coveiro em pessoa ― Não tinha te visto aí.

― Como poderia, estava distraído com toda a… ― Soltei um pigarro nada discreto, mas só as meninas entenderam que eu me referia à Cait. ― …cantoria.

― A gente está indo ver Dear Evan Hansen ― respondeu à minha pergunta. ― O elenco original da Broadway vai estar em apresentação única por aqui e conseguimos ingressos. Thea conseguiu pra gente, na verdade.

― Você só está animado porque Ben Platt é seu crush famoso ― Kara atestou, apertando as bochechas dele. ― Fofo.

― Oh, yeah! ― falou como se fosse óbvio. ― Dear Evan Hansen, The Book of Mórmon, The Pitch Perfect, Run, The Politician. ― Enumerou com os dedos. ― Como não amar o cara que está a um Oscar de completar o EGOT**?

― Cara, absolutamente nenhuma dessas palavras faz sentido pra gente normal. ― Tommy se juntou ao grupo ao meu lado.

― Na verdade, eu vi The Politician com a Felicity, é muito bom. ― O moreno me olhou como se quisesse me matar.

― Eu já não te mandei ficar calado? ― Fechei minha boca para falar, mas não conseguia parar de rir. Tommy com ciúmes era como ver um sapo de duas cabeças: meio estranho, mas não tem como não ficar olhando fixamente.

― Todos amamos Ben Platt, yey. Vamos logo? ― Caitlin fingiu animação, mas só parecia querer sair logo dali. ― Aliás, Curtis avisou que não vai mais, algo sobre Paul ter uma coisa no trabalho.

― Uma pena ― lamentou Barry. ― Quer vir, Tommy?

― Não, ele não quer ― Caitlin negou a ideia, o empurrando para longe, como isso fosse barrar de algum modo que ele aceitasse o convite.

― Ele quis da outra vez, insistiu até ― Kara atestou. Essa também parecia estar se divertindo horrores com a situação, só Barry mesmo que estava voando.

― Porque me disseram que era uma história sobre uma loja de tortas, e no final, era só uma coitada grávida cantando música triste! ― exclamou, parecendo inconformado. ― E outra, meu melhor amigo voltou, sem mais programas nerds pra mim.

― Você que sabe. ― Kara deu de ombros. ― Vamos logo, Monel vai nos encontrar lá.

Caitlin e Barry assentiram e já iam saindo quando assisti quase em sincronia as mãos de Tommy e Cait irem em direção à bolsa desta. Meu amigo alcançou o objeto primeiro, dando um empurrão nada discreto que derrubou a bolsa, vários itens menores espalhando-se pelo chão.

― Que desastre ambulante! Por que você não faz algum seminário de como se mexer? ― Apontou com o polegar para ela, forçando uma risada. ― Mão furada.

― Mas foi você que...

― Vão indo, crianças, titia Caitlin já alcança vocês. ― Tommy dispensou os outros dois, que mesmo sem entender, obedeceram, saindo cantando a mesma música de antes juntos.

― Por que fez isso? ― a advogada reclamou, se agachando para juntar seus pertences, e ele fez o mesmo, parando ao seu lado.

― Que jogada baixa, Snow, que jogada baixa! ― a censurou.

― Do que você está falando, doido?

― Você aí forçando esse encontro duplo com o coitado do Barry que, além de ser uma criança, acabou de terminar um relacionamento.

― Barry tem minha idade e não estou forçando nada, a gente gosta das mesmas coisas.

― Mentira, você passou o último musical lá da torta todo de papo comigo, enquanto ele e Kara choravam com as músicas.

― Você que não me deixou em paz um minuto seq… Quer saber, não vou discutir com você. ― Pegou o batom e uma pequena bolsa que estavam com ele e jogou de qualquer jeito dentro da bolsa maior, ficando em pé. ― Eu e Barry somos amigos. Eu sei que homem ser amigo de uma mulher é um conceito que não se encaixa na sua mentezinha limitada e machista, mas é a verdade. Ponto.

― Tenho amigas com quem eu não dormi ― se defendeu.

― Cite uma ― o desafiou, cruzando os braços. Ele passou um bom tempo pensando sobre, até que a reposta lhe surgiu, seguida por um estalar de dedos.

― Kara!

― Não que você não tenha tentado ― falei quase no automático, e apenas seu olhar cortante fez eu me calar, me encostando na mesa pra apenas continuar a assistir o showzinho.

― Enfim, isso é estratégia muito baixa da sua parte, você se aproveitar do cara que tá sofrendo.

― Mais um motivo pra sermos amigos, e olha… ― Caitlin respirou fundo, buscando paciência. ― Não te devo satisfações, okay? Tchau a todos. Manda um abraço pra Felicity, Oliver. ― E saiu, o deixando rosnando no lugar.

― Sabe, meu amigo… ― Me aproximei dele, segurando uma risada. ― Você está ficando verde. ― Tommy me encarou longamente com aquela cara de desdém que só ele conseguia fazer, antes de suspirar com raiva e se voltar pra Sara, que também só assistia.

― Querem saber, vou sair pra pegar um monte de mulher, programa de adulto. Vocês vêm comigo? Sarita, Oliver?

― Tenho compromisso.

― E eu sou casado ― atestei o óbvio, mostrando minha mão esquerda com minha aliança.

― Argh! ― grunhiu. ― Eu com certeza sou o ser humano mais injustiçado que já viveu na face da Terra! ― dramatizou com as mãos ao alto.

― Sério, cara? ― Sara chamou a atenção dele para o absurdo de sua última fala. ― Homem, branco, hétero, classe média. Você poderia ser a capa de um livro sobre gente privilegiada.

― Dois sem graça! ― Não respondeu à Sara, e apenas colocou a mochila nas costas e saiu resmungando.

― Ele está com ciúmes, não está? ― Sentei na cadeira ao lado da mesa da minha amiga.

― Morrendo. Mas do jeito que ele é, logo passa. ― Dispensou a importância daquilo. ― Mas diz aí, como foi a viagem? E a estadia em casa depois de disso?

― Você sabia que a gente já tinha voltado?

― Eu e Kara ― falou me surpreendendo. ― Descobrimos por acaso, passando na rua de vocês uma noite. Mas relaxa, não contamos a ninguém, ou logo vocês teriam uma companhia sem a mínima noção.

― Valeu. ― Fiquei em pé. ― Melhor eu ir também, estou atrasando o jantar e…

― E sua mulher é a doida dos horários?

― Não, eu ia dizer que estou com fome. Até segunda.

Passei no restaurante preferido italiano preferido de Felicity e comprei o que ela mais gostava de comer daquele lugar, que infelizmente, não fazia entregas. Seria uma surpresinha para minha esposa linda.

― Querida, cheguei! ― gritei ao passar pela porta. ― Sempre quis dizer isso ― falei rindo para mim mesmo.

― Aqui! ― Se manifestou da cozinha.

Felicity usava moletom, cabelo preso e óculos, uma perna sobre o banco e a outra balançando livremente, e tinha feito uma bagunça no balcão, vários papéis coloridos espalhados, fotos e um álbum aberto, nosso álbum.

― Faz um tempo que não vejo isso. ― Me inclinei para beijar seu rosto rapidamente, e fechei o álbum para olhar a capa, passando os dedos pelas letras Pictures of Us.

― Já eu, vejo direto, coloco uma foto nova quase toda semana, transformei em um scrapbook ― soou animada, mordendo uma canetinha vermelha, com a qual ela desenhava pequenos corações nas páginas. ― Estava escolhendo algumas do nosso casamento, o fotógrafo mandou o link do drive mais cedo, e eu imprimi ― explicou. ― Quer escolher alguma?

― Hm… ― Me posicionei atrás dela, analisando as fotos e já me deparando com minha preferida. ― Essa.

Peguei uma da recepção, onde nós dois estávamos dançando e rindo, sem ter a mínima noção que o momento era fotografado. Acho que foi a naturalidade e verdade da foto que me encantou.

― A minha é essa. ― Me mostrou uma foto minha no altar, no momento de sua entrada.

― Ah não, babe, você nem está nela ― reclamei. ― E eu estou com cara de idiota.

― Não é cara de idiota, é cara de apaixonado ― me contradisse. ― Sabe, peixinho, aquele foi um dia complicado, pra dizer o mínimo. Passei ele todo cheia de nervosismo e incertezas, até olhar pra você, esse aqui da foto. Tudo de ruim passou na hora e só o que eu via era o amor da minha vida. ― Sorri maravilhado com as palavras.

― Te amo ― declarei, lhe roubando um selinho.

A ajudei a selecionar mais algumas fotos do casamento e da nossa lua de mel para serem colocadas no álbum, cada fotografia despertando as sensações boas de cada momento vivido.

― Depois a gente continua, nosso jantar vai esfriar. Passei no Tony's e trouxe…

― A lasanha de shiitaki com palmito e molho branco? ― Ela saltou de seu banco, quase correndo para abrir a sacola e aspirar o cheiro que de lá emanava, soltando um gemido. ― Eu te amo tanto!

― Eu também te… Espera, tá falando comigo ou com a lasanha? ― Ela ergueu o rosto, que estava todo enfiado dentro do saco de papel.

― Eu consigo amar os dois ― se justificou rápido e eu ri. Só ela mesmo!

― Então, atacar!

A coitada da lasanha não durou nada, em questão de minutos já tínhamos devorado um prato que teoricamente seria para quatro pessoas.

― Ah, esqueci de te dizer... ― comecei a falar, finalizando minha última garfada. ― Passei na delegacia pra pegar minha escala e sabe quem estava lá? ― Ela me olhou em expectativa. ― Caitlin! Você sabia que ela tem saído com o Barry?

― Não com o Barry, ela tem saído com Barry e Kara e quem mais queira ir ― complementou minha frase.

― Tommy tá morrendo de ciúmes.

― Você não vai ficar quieto até ver os dois juntos, não é? ― questionou sorrindo.

― Eu não fiz nada, hoje só observei. ― Ergui minhas mãos rendidas. ― Se bem que tem algo diferente neles. Ainda brigando por besteira e com apelidos ridículos, mas agora ficam se encostando a cada mínima oportunidade. É estranho.

― Deixe isso pra lá, Oliver. ― Felicity negou com a cabeça, como se me mandasse esquecer o assunto. ― Se for pra acontecer, deixe que as coisas andem sozinhas.

Eu ia seguir o conselho. Por enquanto.

~

― Sara, pensa rápido. ― Me virei para ela, que estava sentada atrás de mim com os pés na mesa, reunidos para o briefing daquela manhã de segunda. ― Top 3 dos acontecimentos mais legais de quando eu estava fora.

― Hm, me deixa ver… ― Ponderou por alguns segundos. ― Okay, em terceiro: trocaram a máquina de bobagens por uma maior e ganhamos mais uma máquina de café.

― Pensei que viria algo mais emocionante, mas ainda assim são boas notícias. Em segundo...

― Em segundo, o tenente fechou aquele caso do assassinato e desaparecimento daquela senhora idosa que vocês estavam trabalhando.

― Foi o neto, não foi?

― Foi sim, você estava certo. ― Diggle falou animado entrando na sala, mas só até olhar para Sara. ― E tira os pés da mesa, Lance! ― Ela ignorou a ordem completamente, rolando olhos.

― Como conseguiram a confissão?

― Trancaram Tommy com o suspeito na sala de interrogatório na hora do almoço e ele encheu o saco do cara até a confissão ― Kara explicou. ― Se as pessoas das outras delegacias soubessem dos métodos de vocês...

― Eles funcionam ― Dig defendeu seu ponto. ― Detetive Merlyn não gostou muito, mas funcionou.

― E em primeiro…

― Em primeiro lugar, tem eu, liderando uma caçada humana para uma fuga em massa do presídio durante uma transferência ― Sara gabou-se, recostando na cadeira com as duas mãos atrás da cabeça. ― Dez prisioneiros perigosos devolvidos às suas celas em menos de 24 horas. O que foi menos da metade do tempo que tivemos que aturar o Merlyn reclamando de preencher os relatórios. Está com inveja, pode dizer.

― Eu estaria, se eu e Felicity não tivéssemos acabado sozinhos, ou quase, com uma quadrilha de tráfico de animais que já se estendia por quase uma década em Aruba.

― Vocês fizeram o quê? ― O tenente perguntou chocado.

― Como ela te deixou fazer isso? ― Kara também parecia impressionada.

― A gente não estava exatamente no nosso normal naquela viagem, vocês ficariam surpresos.

― E essa reunião, começa ou não? Capitão? ― Sara o chamou, já que todo o tempo nem participou da conversa por parecia ocupado em uma ligação.

― Esperando o detetive Merlyn, tenho algo importante que preciso da presença de todos.

― Vai, Oliver, fala aí dessa história de tráfico ― Kara pediu, assumindo o lugar à minha frente e se virando em minha direção.

Contei resumidamente toda a confusão que eu e Felicity nos metemos em Aruba, mas concluindo com o final mais do que feliz.

― Cheguei, cheguei! ― Tommy anunciou sentando na cadeira ao meu lado enquanto ainda terminava de encaixar o distintivo no cós do jeans.

― Você está 37 minutos atrasado, Merlyn! ― O moreno olhou para o capitão, ofendidíssimo.

― Ollie está aqui, porque não está enchendo o saco dele, como sempre fazia, capitão?

― Detetive Queen chegou na hora ― respondeu simplesmente e eu sorri com falsa arrogância.

Mas minha pontualidade só se devia ao fator Felicity na minha vida, ou sozinho eu estaria ainda mais atrasado que ele.

― Você devia aprender mais comigo sobre ser responsável, parceiro ― me gabei.

― Não exagera, Queen! ― Diggle me repreendeu.

― Felicity estragou você. ― Tommy negou de leve com a cabeça, me olhando decepcionado, todos os outros rindo.

― Posso começar o briefing? ― Capitão chamou nossa atenção. ― Antes de dar a oportunidade para que vocês repassem os casos em que estão trabalhando, gostaria de compartilhar uma ação conjunta em que estamos envolvidos agora.

― FBI, FBI, FBI! ― Eu e Tommy torcemos baixinho, dedos cruzados. Amaria a oportunidade de trabalhar com os federais.

― Trabalharemos com a Interpol.

― Isso! ― falamos juntos, fazendo um high-five, conseguindo um rolar de olhos coletivo. Aquilo era melhor ainda, não entendi como só nós dois estávamos empolgados.

― Vocês dois tem que se comportar, sério. ― O Lance nos olhou de cada feia, e ficamos quietinhos no lugar, sentados com as mãos no colo como duas boas crianças prestes a aprontar. ― É um caso de roubo de material de artes, dois quadros, para sermos mais específicos. Uma pista os colocou aqui em Star City e eles enviaram um agente para investigar o caso com um de nós.

Troquei um olhar com Tommy por apenas um segundo. Eu sabia que ele ia querer o caso, assim como eu, e quem pedisse primeiro, talvez fosse o feliz detetive que conseguiria um caso com a Interpol. Quão foda seria isso?

― Eu, eu, eu, eu, eu! ― Erguemos nossas mãos ao mesmo tempo.

― Lá vão eles ― Sara falou segurando uma risada.

― Eu entendo um pouco de arte, a casa dos meus pais tem uma coleção que não faz vergonha a nenhum museu ― argumentei a meu favor.

― Minha antiga mansão também tinha uma coleção bem completa, melhor que a dos Queen, e eu ainda sou fluente em francês e espanhol, caso for preciso ― meu amigo rebateu.

― Sou fluente em francês, espanhol, russo e chinês.

― Sei pilotar todos os meios de transporte terrestres, barcos e até monomotores.

― Eu também sei, e não cheguei atrasado.

― Eu trabalhei no último mês, enquanto o lindão aqui esteve viajando. Estou mais afiado.

― Eu também resolvi casos complicados enquanto não estava aqui, e ele saberia disso se não tivesse chegado atrasado ― dei ênfase ao final da frase.

― Eu sou o rei do esgrima!

― E eu do arco e flecha!

― E eu estou a dois segundos de dar o caso para a detetive Lance, se a ladainha continuar ― o capitão alertou.

― E é assim que eu consigo os melhores casos, meninos ― Sara se aproximou atrás de nós, dando tapinhas em nossos ombros, e grunhimos.

― Como eu dizia, um agente foi enviado da França para trabalhar no caso…

― Sara não fala francês! ― Tommy alegou.

― Ninguém precisa falar francês, pelo amor de Deus! O agente em questão já trabalhou para a SCPD e alguns anos atrás esteve aqui em um de seus casos, só precisaremos dar suporte.

― De que agente estamos falando? ― questionei com cautela, sentindo uma onda de animação me tomar. Se fosse quem eu estava pensando…

― Certo. ― Capitão consultou a informação em seu celular. ― Agente Malone.

― Agente William Malone?

― Exatamente, Queen. Você conhece?

― Não tive a sorte de ser pessoalmente, mas sim, claro que sim! Ele tem tipo, a nossa idade e já está na Interpol! Tinha os melhores indicadores de prisão na época da SCPD, e quando trabalhou em um caso anos atrás, foi convidado a se juntar a uma agência internacional. Isso aí, galera, ele foi convidado para estar na Interpol, e ainda não estou nem falando de como o cara é um ativista social e batia todos os recordes na época dele.

― Parece que achamos o crush famoso do Oliver. ― Kara fez um carinho condescendente na minha cabeça, e quando todos riam de mim, foi que percebi que talvez tenha me empolgado demais.

― Ele não é meu crush famoso, esse seria o Hugh Jackman ― retruquei, tirando sua mão de mim. ― Eu só acho ele o máximo e que conseguiu em pouco tempo, meus objetivos para a polícia, só. ― Dei de ombros.

― Meu juízo não está afetado por ter uma queda pelo agente do caso! ― Tommy falou erguendo a mão, quando nem sabia que ainda estávamos disputando.

― Não quero uma disputa de egos e já que Oliver é tão tiete do agente Malone, o caso é seu. ― Me entregou uma pasta parda.

― Isso! ― Comecei a ler os arquivos, empolgado em começar logo.

― Você parece patético ― Tommy criticou.

― E você parece um perdedor ― respondi teimoso, lhe mostrando a língua.

― O agente chega no fim do dia para uma apresentação formal e vocês já podem ver como trabalharão. Agora, voltando as nossas atividades normais, Lance, seu caso do assalto na joalheria.

Todos repassaram sobre seus casos em aberto que estavam no cronograma para serem explanados, e como eu estava sem nenhum, pois distribuí todos antes de viajar, passei o dia me atualizando o máximo possível e ajudando no que os outros precisassem.

Quando William Malone chegou, o capitão o conduziu direto para sua sala. Confesso que o imaginava mais alto e talvez mais forte, mas seu histórico supria qualquer dúvida que fosse sobre sua competência. O cara era o máximo, até pelo jeito que cumprimentou a todos quando entrou.

― Oliver, o capitão está chamando... ― Nem esperei Kara terminar, já saltei da cadeira, de onde eu espiava e tentava ler os lábios dos dois, em direção à sala.

― Detetive Oliver Queen.

― O capitão informou que trabalharemos juntos. Legal conhecer você, sou o agente Malone ― cumprimentou, apertando minha mão estendida.

― Nossa isso vai ser tão… ― Observei a expressão de "controle-se" do Lance em minha direção, então assumi uma postura mais profissional. ― Espero trabalharmos bem juntos.

― Com certeza. ― Ele sorriu, e só quando recolheu a mão para si, foi que notei que ainda não a havia soltado. ― Então, Queen, seu capitão estava se gabando de ter me colocado com um dos seus melhores detetives. ― Olhei com curiosidade para o capitão que apenas negou com a cabeça como se deixasse aquilo para lá, voltando a sentar na cadeira.

― Se ele está dizendo… ― Sorri. ― Quando começamos, o que preciso fazer?

― Gostei da empolgação, parece comigo quando estava na SCPD. Na verdade, parece comigo todos os dias, eu amo esse trabalho, quer dizer, como não ficar empolgado?

― Exatamente! Viu, capitão, tudo bem ficar empolgado!

― Que seja, só queria que vocês se conhecessem, dispensado. Amanhã vocês começam, tudo bem, agente Malone?!

― Claro, nos encontramos aqui, umas oito horas?

― Perfeito, até amanhã.

Como se combinado, Felicity chegou para me buscar logo que saí da sala. Meu carro estava na revisão, o que, eu tinha descoberto agora que precisava ser feito todos os anos, e estávamos revezando com o dela.

― Hey, babe. ― Corri animado em sua direção, onde ela ainda cumprimentava Sara e Kara, e trocamos um beijo rápido. ― A coisa mais legal do mundo aconteceu hoje.

― Você conheceu Steven Spielberg e ele resolveu te colocar para substituir Chris Pratt como o personagem principal da próxima sequência de filmes com dinossauros? ― Arfou, uma surpresa encenada e as mãos na boca.

― Tudo bem, a segunda coisa mais legal do mundo aconteceu hoje ― me rendi rolando olhos, a ideia dela de "coisa mais legal" era tão melhor que a minha. ― E eu agradeceria se parasse de rir do meu amor pelo universo de Jurassic Park.

― Fala, peixinho. ― Sorriu me abraçando pela cintura.

― Euzinho fui o escolhido pra entrar em uma força conjunta com a Interpol num caso de tráfico de arte, e o melhor? Sou absolutamente fã do cara, eu vou apresentar vocês. ― Segurei sua mão, a levando em direção onde o Malone se despedia do Capitão.

― Com licença, agente Malone, essa é minha esposa, Felicity.

― Billy? ― Felicity franziu a testa ao ver de quem se tratava, sorrindo em seguida.

― Lissy? ― Ele sorriu de volta.

― Não sabia que já tinha voltado da Europa. ― Os dois trocaram um abraço caloroso.

― Vocês se conhecem? ― Formei uma linha com o indicador, mostrando de um para o outro. Aquilo havia sido inusitado.

― A gente namorou ― ela explicou, com uma expressão assustadoramente simples. ― Deus, que coincidência bizarra. Vai ficar muito tempo em Star?

― Até resolvermos isso, não é, detetive Queen? ― Me deu um tapinha amistoso no ombro e eu só sorri meio sem graça, toda minha empolgação de minutos atrás escoando sem motivos.

― Você tem que ir jantar lá em casa um dia desses, não é, amor? Oh, meu Deus, é tão bom te encontrar! ― Ela o abraçou novamente. Então o maravilhoso Billy ex namorado também era o maravilhoso agente William Malone. Excelente.

― Claro, claro. ― Balancei a cabeça em concordância.

― Perfeito! Mas me conta, como foi na Europa?

Os dois conversaram animadamente, encostados na minha mesa e eu só me sentia deslocado. Que coisa era essa que estava apertando meu peito?

― Sabe, parceiro? ―Tommy chegou ao meu lado, segurando meu ombro, e só pela risada em sua voz, já sabia o que ia falar. ― A vida é tão engraçada! Eu jamais pensei que só precisaria de dois dias para te dar o troco, mas aí vai… Ciúme é uma emoção tão feia! ― Soltei um pigarro, desviando o olhar deles para encarar Tommy.

― Não estou com ciúmes ― refutei a ideia.

― Ah, porque essa cara de que vai carbonizar a cabeça do cara com raios lasers que saem do seus belos olhos azuis é conhecida como o quê? Pura alegria? ― falou sarcástico, rindo da minha cara.

― Pare de atormentá-lo, Tommy, não é nada demais. ― Kara falou, parando do outro lado.

― Claro que é algo demais, o ex da mulher dele é o fodão da Interpol que Oliver inclusive acha o máximo. Tá arrependido de ter disputado comigo mais cedo, não está?

― Nada a ver, Oliver, você e Sara são ex namorados e amigos, é a mesma coisa.

― O cara que você vai trabalhar a partir de amanhã já viu sua esposa nua! ― cantarolou.

Era como um anjinho do bem e outro do mal, um em cada lado dos meus ouvidos. Eu não costumava sentir ciúmes, tipo nunca, mas aquilo estava mexendo comigo e eu já me sentia ficando verde também.

*Trecho retirado de uma apresentação ao vivo de Grant Gustin, do refrão da música Sincerely Me, com participação de Darren Criss e Will Roland. Deixei o link marcado para quem desejar ouvir meu lindo Grant cantando.

**EGOT: Sigla para Emmy, Grammy, Oscar e Tony. Apenas um seleto grupo completou as quatro maiores premiações da esfera artística.

Notas finais
Então? Espero que tenham gostado do capítulo e matado um pouco a saudade desse povo todo. Essa história ainda vai render mais um pouco, então continuem por aí. Nos vemos pelos reviews! Favorite, recomende, indique para os coleguinhas. Tia Ellen fica muito feliz quando fazem isso. Obrigada e até mais.. Bjs*