Pictures of Us

29 Famous Last Words || Oliver


Notas iniciais
Olá, pessoas! Apareceu a margarida! Nem vou perder tempo explicando o longo sumiço, só preciso que saibam que não foi por maldade e eu estava ansiosa por retornar logo. Muito obrigada pela paciência, reviews, mensagens, e à PatriciaFlor, pela adorável recomendação. Por vocês nunca desisti dessa história (e nem vou!). Então vamos ao capítulo... No último, descobrimos que Oliver e Felicity terão uma menina. Vamos pular uns meses à frente para ver como anda nosso casal. Ah, leiam as notas finais, tem novidade por lá... Boa leitura! Bjs*

― A gente não vai mais fazer isso ― decretei.

― Claro que não ― Tommy concordou, mas piscou para mim, demonstrando que não ia seguir o que tinha acabado de concordar.

― É sério, cara, tenho uma esposa e uma filha que vai nascer em algumas semanas, não posso mais fazer essas coisas com você.

― Tudo bem, eu concordo. ― E sorriu, tirando todo o crédito de suas palavras. ― Foi divertido, não negue.

― Aí foi. ― Também sorri. ― E nunca mais falaremos sobre isso. Quase fomos presos ― murmurei a última frase, como um segredo, o que de fato era.

― Imagina a cena: o capitão sendo chamado em outro distrito para nos tirar na cadeia. Eu, seu melhor detetive, e você, seu pupilo quase sargento, ia ser engraçado.

― Nem me fala. Pior foi que tiraram fotos.

― Que eu vou guardar comigo, pertinho do coração, para sempre! ― Abraçou um envelope pardo, o dobrando para colocar no bolso interno da jaqueta.

― Você não tem jeito. ― Balancei a cabeça em negação, tentar consertá-lo era tarefa inútil. ― Faz muita coisa errada para um policial.

― Um policial badboy e sexy que pilota uma moto, tem um coração de ouro e quebra as regras em nome da justiça.

― Quase nenhuma dessas afirmações é verdade.

― Você está certo, nem tudo é em nome da justiça, e por falar nela… ― O visor do carro acendeu anunciando uma chamada de Felicity. ― Meu Deus, é como se ela farejasse quando você faz alguma coisa errada! ― Arregalou os olhos impressionado.

― Assim que funciona no casamento, parceiro. Fica quieto, eu vou atender. ― Tommy fez sinal de um zíper fechando a boca, só então apertei o botão de atender o telefone e colocar no viva-voz. ― Hey, babe!

― Hey, babe! ― Olhei para meu amigo com cara feia quando ele falou junto comigo ao atender a ligação.

Hey, Peixinho... E Tommy. Já está chegando?

― Quase, precisa de mais alguma coisa?

Comprou presunto de peru?

― Sim.

E o pão integral de nove grãos diferentes?

― Sim, onde você disse que teria.

Geleia de manga?

― Essa tive que mandar fazer. Você sabe o quão difícil é achar uma geleia de uma fruta que não existe no país?

Amendoim torrado? ― ignorou meus protestos e continuou a recitar sua lista. ― Cream cheese? Alface crespa? Queijo gorgonzola? Doce de leite? Jujubas coloridas?

― Sim para tudo.

Melhor sanduíche da vida! ― exclamou animada e Tommy fez uma careta, murmurando a palavra "nojo" repetidamente.

Meu lindo, você comprou meus absorventes? ― Donna também se fez presente na ligação, e quase ouvi Felicity esconder o rosto nas mãos.

Mãe!

Minha sogra havia tirado suas férias e já estava na cidade para ajudar Felicity nas últimas semanas da gestação e nos primeiros dias com nossa filha. Nem preciso dizer como estava sendo o auge ter as duas Smoaks em constantes e divertidíssimas discussões pela casa. Enquanto eu fazia o máximo para Felicity não se estressar, Donna fazia o oposto, mesmo com as melhores intenções.

― Oi, Donna ― eu e Tommy cumprimentamos em conjunto.

Meu príncipe moreno está aí com você também?! Gostoso como sempre, Tommy Merlyn?

― Finalmente alguém que me trata como mereço. Te amo, Donna!

Fofo.

― Viu, Ollie? Sou fofo ― se gabou, batendo pestanas.

― Cara… ― o repreendi, sem saber ao certo até que ponto aquela história deles dois era apenas brincadeira.

Meu bem, se ainda tiver um tempo, compra umas camisinhas para mim também?

Mãe!

Vou precisar em alguns dias e... Quer saber, tudo bem, eu pego umas suas emprestadas. Tchau, lindos.

Eu vou sair também, tenho que ir ali enfiar minha cara no forno aceso. Até já, amor.

― Até já ― foi Tommy que respondeu na cara de pau.

― Mano, você tem que parar de provocar Felicity, ela pode finalmente aceitar os apelos de Caitlin e te tirar do cargo de padrinho. E para de cantar minha sogra!

― Donna é gata, fazer o quê?

― Só para, ok? Tem certeza que não quer que eu te deixe em casa?

― Não, eu me viro ― dispensou minha carona. ― Não vou pra casa de todo jeito.

― Por isso você só trabalha com preguiça o dia todo, Tommy, passa a noite andando por aí como um cão sem dono.

― Sem dona, jamais, meu querido. Donna, sacou?! ― Piscou de novo para mim e eu balancei a cabeça em negação. Ele não tinha jeito mesmo. ― E pare de falar como meu pai, minha afilhada nem nasceu e já tenho pena dela. Vou estragá-la, espero que esteja ciente disso.

― Ué. ― Franzi a testa ao estacionar na frente de casa, ignorando Tommy. ― Tem algo estranho. ― Agitação e música vinham da sala, mas deveria ser só Donna fazendo seus exercícios diários de dança.

― Eu não sei de nada! ― Meu amigo gritou, só aí comecei a achar que alguma coisa estranha estava mesmo acontecendo.

― Tá bom.

― Ok, eu falo: tem uma festa surpresa para você. ― Soltou a confissão que ninguém pediu.

― Festa surpresa? Mas por quê?

― Eu não sei de nada! ― gritou novamente como um desesperado, e sem que eu conseguisse abrir a boca para falar nada, ele já prosseguiu. ― Ok, eu falo: você passou na prova pra sargento.

― Eu passei?! Uau, isso é tão… Uau! ― Não sabia dizer se estava mais animado ou surpreso.

― É, e agora você vai entrar lá bonitinho e fingir que não sabe, ou a doida da sua mulher e a doida da amiga dela vão bater em mim por te contar.

― Por isso me arrastou a tarde toda para aquele parque? Elas sabem que você não sabe guardar segredo de mim.

― Viu, erro todo delas! Agora vamos, já sabe, cara de surpresa.

― Eu posso ser ator, relaxe ― me gabei.

― Tô ferrado ― resmungou, me seguindo até a entrada.

Quando abri a porta, havia uma dezena de pessoas gritando surpresa, confete voando na minha cara, e uma faixa com os dizeres "PARABÉNS, SARGENTO", que só com segui ler depois de tirar os papéis picados e coloridos dos meus olhos.

― Meu Deus, eu passei! Eu nem acredito! ― exclamei, o mais verdadeiro que consegui e vi Tommy dar um tapa na própria testa condenando minha atuação. ― Obrigado, galera.

Fui recebendo abraços e felicitações de todos, o capitão me deu até a chave da minha nova sala. Nada mais de mesas separadas por divisórias no meio do pátio, isso sim era a melhor das notícias.

― Parabéns, meu amor. Não que sua aprovação seja alguma surpresa, eu sabia que conseguiria. ― Felicity deixou para me cumprimentar por último. Nosso abraço agora tinha de ser ajustado para abrigar também nossa pequenininha que estava cada dia menos pequena enquanto crescia no ventre da minha mulher.

― Obrigado. ― Beijei seus lábios rapidamente. ― E quando você teve tempo de organizar isso, tivemos um chá de bebê a menos de uma semana atrás.

― Você merece. ― Segurou meus ombros para ficar na ponta dos pés e aproximar a boca do meu ouvido. ― Tommy te contou antes da hora, não contou?

― No minuto que estacionamos ― confessei com um sorriso, cochichando de volta. ― Por favor, não briga com ele ― pedi, por dois motivos. Um, ele não conseguia evitar ser como era, e dois, ele ainda tinha as fotos de hoje.

― Já imaginava, tá tudo bem.

― Eis o que eu estava pensando. ― Tommy chegou até nós sorrindo como um menino prestes a aprontar. Eu tinha certeza disso, pois o seguindo tinha uma Caitlin pronta a corrigi-lo. ― O nome da minha afilhada: Tammy.

― Ela não vai ter seu nome, já basta a pobrezinha ter você como padrinho. É castigo o bastante.

― Cala a boca, sua coisa, é um nome ótimo.

― É um nome péssimo ― refutou. ― Minha afilhada vai carregar um nome de uma mulher forte da história. Joana D'arc, Anne Frank, Valentina Tereshkova, Frida Calo, Kamala Harris...

― Eu já disse, só vamos nomeá-la depois que nascer e dermos a boa olhada na carinha dela.

― Isso é a fala mais incoerente para quem enganou o marido para descobrir o sexo ― Cait criticou Felicity.

― A Medusa está certa. Preciso do nome urgente para mandar fazer para ela um uniforme personalizado do Star City Rockets, combinando com o meu.

― Você não vai levá-la a jogos de hóquei, são violentos, cheios de gente e de germes, e o último lugar que um bebê deve estar. ― E saíram, em mais uma das milhares de discussões que vinham tendo sobre um bebê que nem era deles.

― Peixinho, tem certeza que não ficou chateado sobre a revelação do sexo? Eu sei que Tommy e Caitlin jogam isso na nossa cara direto.

― Não fiquei, juro. Foi bom saber logo, me deu tempo de ver todos os filmes de princesas que ainda não tinha assistido. Se ela for fã de hóquei, tudo bem, mas se curtir a Disney, quero estar preparado.

― Fofo. ― Segurou meu queixo e beijou meu rosto. ― Mas ela não vai para jogos de hóquei até não ter mais ossos que não quebrem como galhos se aqueles discos passarem a dois metros deles, e a cabeça vulnerável como um jogo de montar.

― Eu acho um jogo legal, eu e Tommy frequentávamos desde bebês com nossos pais. ― Sorri com a lembrança. ― Uma vez um disco acertou a cabeça do Tommy, ele só tinha uns cinco anos.

― Isso explica muita coisa.

― Ahn?

― Melhor nos isentarmos e deixar essa discussão sobre hóquei com Tommy e Caitlin, o que acha? ― desconversou.

― Concordo.

― Ah, já ia esquecendo de te dizer, odeio meu cérebro lerdo de grávida ― resmungou. Essa era a maior e mais constante de suas reclamações, seu sempre super afiado e brilhante intelecto estava mais devagar. Só assim mesmo para eu conseguir acompanhar em passo de igualdade. ― Sua irmã passou mais cedo e deixou um presente pela promoção, está em nosso quarto. E sua mãe está lá em cima, ela não se sentiu bem.

― Como assim? O que ela tem?

― Uma fraqueza e tontura. Disse que não era nada de mais e queria ficar até você chegar, mas pra mim pareceu mais do que isso, Oliver. Deveria ir vê-la.

― Eu vou agora, obrigada. ― A beijei mais uma vez, subindo as escadas. ― Mãe? ― A encontrei no quartinho pronto da minha filha, pegando em alguns objetos aleatórios que ficavam em cima da cômoda.

― Oi, meu filho. Tudo ficou muito lindo ― elogiou, olhando ao redor.

― E eu posso tomar zero créditos por isso, foi tudo Thea e Felicity. ― Me aproximei dela e beijei sua testa, que sorriu fraco. ― Tem certeza que deveria estar de pé, soube que passou mal.

― Não foi nada de mais, todo mundo é muito exagerado. ― Não acreditei em seu bem-estar nem por um segundo. Conhecia demais a necessidade dela de sempre parecer forte para cair nessa, e tinha também aspecto cansado que ela aparentava. ― E parabéns pela aprovação, meu bem!

― Obrigado ― agradeci. ― Interessante como você e Felicity tinham certeza que eu passaria antes mesmo que eu fizesse a prova.

― A gente te conhece melhor que todo mundo, melhor às vezes do que você mesmo, filho.

― É, vocês conhecem.

Encostei o quadril na cômoda, observando ela olhar um a um os detalhes dos enfeites pendurados sobre o berço. Ia perguntar sobre como ela estava se sentindo, mas quando ouvi uma coisa completamente diferente já havia saído da minha boca.

― Eu entendo agora, sabe?

― Entende? ― Se virou pra mim, dúvida em sua expressão.

― As atitudes, suas e do papai. Ainda não concordo e jamais vou com algumas delas, mas entendo. Meu bebê ainda nem nasceu, mas eu sinto que poderia morrer e matar por ela. E isso às vezes é tão... ― Deixei as palavras no ar, sem saber como descrever o sentimento.

― Tudo bem ficar assustado.

― Não posso ficar assustado, mãe. Felicity tem tudo sob controle e já tem surtos o bastante sozinha. É um mundo cruel, eu só quero ser bom pra essa criança. ― Minha mãe sorriu, chegando mais perto e fazendo um carinho em meu rosto.

― E é esse desejo que faz de você um bom pai, querido. Eu e Robert teríamos sido melhores para você se pensássemos assim desde o início.

― Obrigado.

― Obrigada a você por me perdoar. Eu amo você, meu filho. ― E sem dizer mais nenhuma palavra, minha mãe desfaleceu à minha frente e só não caiu no chão porque eu estava perto o bastante para segurá-la em meus braços.

Tudo a partir daí virou um caos generalizado, minha festa surpresa sendo mesclada à confusão com ambulâncias e hospital. Uma cirurgia que o oncologista dela achou melhor adiar ou não fazer, começou a ser realizada com emergência, e eu só pensava que, mesmo que tivessem sido lindas palavras dela para mim, eu não queria que fossem as últimas.

~

― Amor, fica calmo, vai dar tudo certo. ― Felicity tinha o queixo apoiado em minhas costas enquanto fazia carinho em meus ombros, e eu estava inclinado para a frente, cotovelos sobre os joelhos, as mãos no rosto.

― E se não der?

― Vai dar, sua mãe ainda vai encher nosso juízo por muitos anos. ― Dei um pequeno sorriso sem graça. ― Não se preocupe, sua mãe vai conhecer nossa filha, e discutir sobre tudo relacionado a ela com minha mãe. Vai ser um show de horrores, nós vamos nos estressar, vai ser lindo e bem como toda família é.

― Eu estive pensando… Eu sei que só decidiríamos o nome da nossa bebê quando ela nascesse, mas um nome veio à mente. ― A olhei e ela me encarava de volta com expectativa. ― Mia.

― Mais curto pra Moira?

Eu sei que poderia não fazer sentido, eu e minha mãe mal havíamos nos conectado de volta, mas ao ter seu corpo desmaiado em meus braços, e sem saber o que o futuro guardava para nossa relação, ou se sequer haveria alguma, eu só conseguia pensar em como a amava. A mulher difícil, intransigente e autoritária conseguia ser também uma boa mãe, cuidadora e dedicada aos filhos. Como falei para ela mais cedo, eu seria pai em algumas semanas, conseguia entender o sentimento.

Também não poderia exigir de Felicity que aceitasse, Moira havia tentado abalar nosso relacionamento tantas vezes no passado, não a culparia se dissesse não.

― Eu sei que seria pedir muito, mas…

― É um nome perfeito. ― Sorriu. ― Curto, forte, simples, combina bem com nossos sobrenomes. É perfeito, peixinho.

― Sério? Podemos usar esse?

― Vamos usar esse, mas com uma condição. Não vai ser uma homenagem porque sua mãe não estará mais conosco, vai ser minha promessa a você que ela vai ficar viva, hoje e por mais muito tempo. Sério, a briga entre o short jeans curto e o terninho de alfaiataria da Mia ainda vai acontecer. ― Beijou meu rosto e eu amava por estar sendo tão otimista.

― Obrigado. Eu te amo.

― Eu te amo ― retribuiu.

― Família de Moira Queen. ― Fiquei em pé e ajudei Felicity a levantar, Thea voltando pelo corredor onde andava de um lado a outro com um copo de café em mãos. Minha irmã estava agitada e não ficou quieta um segundo a madrugada toda.

― Nós, somos os filhos dela. ― Minha irmã apertou forte minha mão que Felicity não segurava.

― A cirurgia correu bem, senhora Queen já está na sala de recuperação. ― Meu suspiro de alívio saiu alto, e minha esposa me abraçou mais forte. ― Claro, ainda temos um longo caminho pela frente, mas foi bom termos feito a cirurgia de emergência. Eu mesmo não a recomendaria, mas agora que tudo terminou, foi o melhor caminho. Estou otimista sobre a recuperação dela.

― Podemos vê-la? ― perguntei ansioso.

― Não agora, ela ainda está desacordada da anestesia e vai passar um bom tempo assim. Foi uma longa noite, vocês deviam ir para casa descansar e voltar mais tarde.

― Obrigado, doutor. ― Apertei sua mão, enquanto Thea também murmurava um obrigada.

Quando ele saiu, abracei minha irmã forte. Mais um desafio vencido e superado, e pela primeira vez desde a noite passada, consegui me permitir ser otimista de que tudo iria ficar bem.

― Você não vai para casa, não é? ― Felicity chamou minha atenção com um carinho em minhas costas. Me virei para ela com o rosto tenso, sabia que estava a dois segundos de começar uma discussão.

― Não, mas você vai.

― Sem chance, Oliver. Se você fica, eu fico ― afirmou determinada, assim como naquela vez que havíamos perdido contato com Sara em serviço e fizemos vigília na delegacia. Mas tinha uma enorme diferença dessa vez, a mais importante de todas.

― Eu te amo e te agradeço muito por isso, mas, babe… Você está grávida de quase oito meses.

― E daí?

― E daí que seus pés incham se fica muito tempo em pé ou sentada, você come a cada duas horas e precisa de repouso. Já passamos a noite inteira aqui, excedemos todas as recomendações do médico para você.

― Mas não quero te deixar aqui sozinho.

― Eu vou ficar também, Lissy. ― Thea assegurou.

― Por favor? ― pedi. ― Por nossa Mia?

― Agora você apelou ― rebateu, mas já estava cedendo.

As últimas semanas estavam sendo de aumento do desconforto e cansaço, não sei nem como conseguiu ficar esse tempo todo aqui sem nenhuma reclamação ou queixa. Aliás, eu sabia, ela tinha ficado por mim.

― Tá bom, mas você vai me ligar a cada mínima novidade.

― Prometo. ― Beijei meus indicadores cruzados em um gesto infantil.

― Me dá a chave do carro, Thea pode te dar uma carona na volta, não pode?

― Você não vai dirigir, tem cada ideia. ― Rolei olhos, pegando meu celular do bolso, já digitando. ― Estou mandando mensagem pro Tommy, ele vem te buscar.

― Peixinho, isso não é mesmo necessário, posso pegar um táxi. E outra, a essa hora ele deve estar dormindo, não vai nem…

― Respondeu. E está a caminho. ― Guardei o telefone no bolso depois de responder à sua mensagem.

Havia deixado meu amigo de sobreaviso. Tommy podia ser inconsequente e irresponsável em muitas coisas de sua vida, mas quando o assunto era sério, ele nunca falhava.

― Ela não vai se chamar Mia. ― Foi a primeira coisa que ele falou logo que chegou, alguns minutos depois. Felicity levantou a cabeça do meu ombro, me olhando em repreensão.

― Quando contou isso a ele? ― Ela me deu um tapa com as costas das mãos em meu peito, e encolhi os ombros, havia sido por mensagem. ― Vocês dois são impressionantes, não sei porque ainda me surpreendo.

― Eu já saí com uma Mia uma vez e ela foi uma total babaca comigo. Ela me chamou de mimado, egoísta e narcisista, dá pra acreditar? Logo eu?! ― exclamou, ofendidíssimo.

― Realmente, a maior das injustiças. ― Thea ironizou, o cumprimentando com um beijo no rosto. ― Maninho, te mandei por mensagem uma lista de coisas para você comprar e deixar aqui até meio dia.

― Mas… ― Tentou argumentar, mas Thea o cortou.

― Não é você que não é mais mimado, egoísta e narcisista? Então vai fazer esse favor pra sua irmãzinha sim, coisa linda. ― Apertou uma bochecha dele.

― Tá bom, me dá seu cartão.

― Você paga, depois a gente se acerta.

― Você nunca me paga, Speedy! E é você que tem uma conta bancária milionária, não eu. Ollie! ― apelou pra mim.

― Eu paguei o conserto da sua moto mês passado ― Thea alegou de volta. ― Ollie, me ajuda aqui!

― Não, não, me incluam fora dessa. Eu sei que sempre um "Ollie, me ajuda aqui" de vocês vem seguido por "cala a boca, Ollie, quem te perguntou?". ― Felicity riu, mas os outros dois me olharam de cara feia por não tomar nenhum lado.

― Tá bom, sua insuportável! ― Tommy se rendeu quando viu que era uma batalha perdida. ― Melhor eu sair daqui antes que esses dois me deem mais trabalho, aproveitadores! ― resmungou, mas beijou a testa de Thea em despedida. ― E, você, cuida da minha filha como se fosse a sua. ― Me entregou as chaves de sua motocicleta, enquanto eu lhe passava as do carro.

― Já pedi que parasse de comparar sua moto com meu bebê.

― Cuida. Bem. Dela. ― Enfatizou cada palavra, me olhando sério. ― Vem, sua capeta, você vai pagar meu café da manhã. ― Passou um braço pelos ombros de Felicity.

― Tchau, peixinho. Me liga qualquer coisa.

― Te amo, e amo você também, minha pequenininha. ― Fiz carinho na barriga dela. ― Pode deixar que eu ligo. ― Mal tivemos tempo de trocar um selinho e Felicity já era levada para fora pelo meu melhor amigo.

― Eu não estou muito no clima de café da manhã, Tommy.

― Tudo bem, você me assiste comer. E minha princesinha, como vai? ― Perdi os dois de vista ao dobrarem em uma esquina no fim do corredor.

― Conheci o Oliver filho, irmão, amigo, playboy, policial, marido, mas acho que sua versão pai vai ser a mais bonita de todas, Ollie. ― Thea envolveu o braço no meu, deitando a cabeça em meu ombro. Sorri com o comentário, torcendo mesmo para que ela estivesse certa. ― Acha que a mamãe vai ficar bem? Gostei da homenagem, Mia é um nome lindo.

― Não é uma homenagem, é uma promessa. Ela vai ficar bem, Speedy, todos vamos ficar bem.

Sempre fui presenteado com mulheres fortes em minha vida. Minha mãe, minha irmã, minhas namoradas, amigas, e Felicity, minha esposa e amor da minha vida. Agora pensando sobre, foi como se tudo me preparasse para esse momento, para minha filha. Minha Mia.

Notas finais
Mia está quase chegando! ~alerta de spoiler~ Sim, próximo capítulo já é o nascimento dessa criaturinha que chega para mudar a vida de todo mundo, e como não podia ser diferente, não vai ser nada normal. E sem querer elevar expectativas, é um dos meus capítulos preferidos. Já está quase pronto, então não demoro a voltar aqui. Agora a novidade... Durante esse período que estive longe, escrevi uma história completa. Isso aí, meu povo, tem fic nova vindo aí, ainda essa semana. Ela é um pouco diferente do estilo de POU, mas vai chegar para fazer a gente se apaixonar por mais uma versão de Oliver e Felicity. Será postada ainda essa semana, aguardem. Enfim... Espero que tenham curtido o capítulo, ele foi meio de transição, por isso não tão longo, mas com eventos que mudarão o rumo da história, como o início da cura de Moira e a promoção de Oliver. Me contem o que acharam nos reviews, estou ansiosa e com saudades de falar com vocês por aqui. Até lá... Bjs* p.s: O que Oliver e Tommy estavam aprontando antes de começar o capítulo? Isso deixo para a imaginação de vocês... hahahahaha