Picks of a Heart
17 Heart pierced
Notas iniciais
Depois de destruir a centopeia gigante, nosso grupo se reuniu no centro da rua e observou atentamente o descontentamento do exército chitauri após a derrota da minhoca. Todos eles começaram a gritar em desgosto e foi a vez de Hulk gritar em resposta. Senti meu coração bombear meu sangue mais depressa e minha visão ficar turva, mas respirei fundo e desviei minha atenção para Steve que se preparava mais uma vez para a batalha. Depois passei o olho em Clint, Natasha, Thor, Hulk e Tony. Uma estranha sensação de familiaridade apossou-se de meu coração e eu acabei deixando escapar um rápido sorriso. Brigávamos feito família, discutíamos feito família, mas nos defendíamos feito o mesmo e tínhamos um ideal e comum: salvar a humanidade e destruir Loki.
Minha sensação de familiaridade foi substituída por desgosto total assim que mais duas minhocas monstruosas e gigantes emergiram da fenda.
─ Ah, fala sério. ─ grunhi e levei a mão até o cabelo em desespero.
─ Gente. ─ Natasha percebeu meu desespero e olhou para a fenda igualmente chocada.
─ Qual o plano, capitão? ─ a voz metálica de Tony surgiu da armadura.
─ Escutem então: ─ Steve começou a discursar seu plano ─ Até fecharmos o portal, a prioridade é contenção. Barton quero você no telhado, de olho em tudo. Identifique os desgarrados. Stark, cuide do perímetro. Qualquer coisa que se distanciar muito, faça voltar ou destrua.
─ Me dá uma carona? ─ Clint olhou para Tony.
─ Claro. Melhor se segurar Légolas. ─ e eles partiram sem esperar um adeus.
─ Thor. Tem que tentar obstruir o portal. Atrasá-los. Você tem o raio, queime os desgraçados. ─ Thor não demorou a partir também, assim que Steve deu suas ordens de capitão.
─ Natasha e Lilly fiquem comigo no solo. Precisamos manter a luta aqui. ─ ele nos olhou rapidamente antes de encarar o enorme Hulk a espera de uma ordem ─ E Hulk. Esmague-os.
⊱❋⊰
No fim das contas eu literalmente perdi a conta de quantas vezes fui acertada por lasers, quantas vezes tive de socorrer Steve e Natasha, quantas vezes decapitei chitauris e soltei algumas ironias aos corpos desfalecidos, quantas vezes precisei livrar um civil de ataques... Os segundos se transformavam em minutos e esses minutos pareciam horas e nada de algo se resolver.
Natasha foi lançada a uma das motos voadoras por Steve na tentativa de deter Loki que passeava pelo céu com seu exército. Stark ironizava, atacava, impedia que os outros fugissem de nosso perímetro demarcado. Clint era nosso gavião de prontidão em cima de um prédio, nos alertando de qualquer transgressão ou mudança de rota do exército. Thor estava tentando destruir a barreira do Tesseract enquanto Steve invadira um prédio que fora trancado com reféns dentro. Eu fiquei nas ruas, limpando as calçadas e socorrendo civis. Já Hulk? Bom. Hulk esmagou cada chitauri que encontrou pela frente.
Como a luta em chão foi intensificada, Stark surgiu do meio do nada e começou a me auxiliar.
─ Está tudo bem aí, loira? ─ ele perguntou entre uma de suas investidas de ataque.
─ Eu estava indo muito bem sem sua ajuda. ─ rebati e sorri irônica após destruir três chitauris ao mesmo tempo.
─ Vejo você daqui a pouco. ─ ele acenou para mim e voltou a voar já que a luta perdeu o ritmo no chão e eu daria conta dos chitauris que se aproximavam.
Em uma de minhas investidas, dois chitauris aproximaram-se de mim ao mesmo tempo e em direções opostas. Precisei usar meu chicote para atrasar um enquanto explodia a cabeça de outro. Usei minha corrente elétrica para queimar as mãos do chitauri e, para completar, acionei as chamas e terminei o trabalho.
Alguma coisa explodiu dentro do banco em que Steve estava e não tive tempo para me proteger dos cacos que sobrevoaram da janela juntamente de um vulto azul que caiu em cima de um carro.
─ Steve! ─ gritei depois de limpar meu rosto com respingos mínimos de cacos. Corri ao seu encontro e o ajudei a se levantar.
─ Eu... estou bem. ─ ele forçou as palavras.
─ E os outros? ─ apontei para o banco.
─ Estão a salvo. ─ ele confirmou e endireitou a postura arrumando o escudo já com tintura arranhada ─ E você? Está bem?
Olhei em volta antes de responder. Eu estava bem?
Alguma coisa no fundo de meu coração dizia que possivelmente eu era a causa de tudo aquilo. Aquela sensação brotou em meu peito logo após Loki ter me captado e discursado sobre a humanidade. As pessoas a minha volta corriam em busca de um local seguro com a ajuda de bombeiros, a guarda nacional e policiais armados com simples pistolas. Será que essa guerra irá acabar? Olhei de relance para Steve e percebi que ele ainda aguardava uma resposta. Eu não sabia se estava bem. Nunca parei para pensar nas consequências de meus atos até então. E se eu tivesse aceitado desde o princípio trabalhar com Loki? Será que a cidade ainda estaria um caus? Será que eu conseguiria um jeito de mudar os pensamentos de Loki e obrigá-lo a abandonar seus planos para o meu planeta?
Infelizmente não tive tempo para concluir meu pensamento filosófico, pois vários desgarrados se aproximaram e começaram a atirar em nossa direção.
─ Você pega os da direita e eu os da esquerda? ─ eu não precisei esperar por uma confirmação de Steve que já estava atacando o exército que vinha em nossa direção.
Minhas adagas voavam pelos ares, assim como minhas facas que tiveram de tomar outras utilidades de combate, meu chicote ativado em cerdas girava pelo ar de um lado para o outro, tentando impedir que qualquer um se aproximasse mais que dois metros de meu corpo. Minha arma chitauri acabou sendo destruída durante a batalha e minhas adagas acabaram, assim como minhas facas.
Olhei de relance para Steve e vi que estava com tantos problemas como eu. Eu não conseguia encontrar uma brecha entre eles e precisei usar métodos pré-históricos de ataque juntamente das facas de minhas botas e de um combate corpo a corpo. Qualquer destroço era bem-visto como arma, mas nunca era o suficiente.
Eu poderia morrer tentando, mas iria salvar a humanidade ainda hoje. Nem que para isso eu precisasse sacrificar cada parte de meu ser. Nem que eu precise sacrificar cada pedacinho de mim, eu iria salvar a humanidade.
─ Lilly! ─ foi só após Steve me olhar surpreso que dei conta de que estava sendo encurralada por um grupo de quase quinze chitauris. Ele esqueceu-se de seus inimigos e correu em minha direção ─ Lilly! ─ gritou mais uma vez me olhando perplexo, mas eu não compreendi de inicio o que era.
Foi então que alguma coisa começou a penetrar em meu coração e líquido escapar por minhas costas. Sangue. Um chitauri conseguira me pegar desprevenida e lançar uma de suas lanças por trás, acertando em cheio meu coração.
─ Ah... ─ soltei um suspiro e olhei para Steve que lutava contra chitauris para se aproximar de mim.
Aos poucos, minhas forças foram escapando de meu poder e em caí de joelhos no chão. Percebendo minha derrota, os chitauris passaram a investir em Steve e não em mim.
─ A Lilly foi ferida. Preciso de reforços! ─ ouvi a voz de Steve através do comunicador, mas ela soou tão distante que cheguei a pensar ser uma miragem.
Algum vulto negro sobrevoou a minha volta e eu não consegui contê-lo e enviá-lo para longe. Logo ele dominou minha visão e me manteve longe da realidade, substituindo todo e qualquer som a minha volta por um fino e extridente zumbido.
Senti meu corpo cair de lado, mas não encontrei forças para por-me de pé. Logo, o chão desapareceu e deu lugar a um precipício infinito e descomunal.
Fale com o autor