Picks of a Heart
28 Epílogo
Notas iniciais
Ilidia estava forçando passos firmes por todo o corredor rodeado de soldados por todos os lados, como se as paredes precisassem de sustento além das colunas cristalizadas que ali estavam.
Em pensamentos profundos, ela ousava pensar que a única que precisava de sustento era ela. Apesar do falso sorriso estampado no rosto, suas pernas tremiam a cada passo e ela precisava disfarçar todo o desconforto muito bem. Desde que Heimdall veio com a notícia ao pai de todos, toda a Asgard pareceu entrar em uma camada única de festa.
Como podiam estar contentes? Ilidia pensava enquanto terminava de atravessar o corredor prateado. Não pararam para pensar que a volta dela pode significar uma guerra eminente?
─ Ilidia, querida. ─ sua mãe, doce mãe, caminhou em sua direção com uma caixa cristalizada em mãos ─ Venha ver o que a rainha e eu separamos para sua irmã. ─ e então entrou no quarto de Ilidia sem hesitação.
Ela soltou um longo suspiro, porém negou-se a continuar a disfarçar alegria quando entrou também no quarto.
─ Mamãe... Não sente medo? ─ a voz de Ilida soou fraca, temerosa, cheia de sentimentos negros e assustados.
─ Claro que não! Por que ficaria? Não existem notícia melhor para se ter em um momento como esse, querida. Loki foi finalmente capturado, laços com Midgard estabelecidos e ela finalmente foi perdoada.
─ Heimdall disse que ela já não é mais a mesma... Ele contou que-
─ Esqueça Heimdall! Ele não conhece o poder de uma fênix. ─ as feições da mulher mudaram de alegres para ferozes, mas logo foi estabilizada ─ Muito em breve minha herdeira estará de volta e poderemos finalmente consagrar os laços entre nosso reino e o de Odin. ─ a mulher pouco caso fazia da filha que estava ali, já que retirava a fina camada de tecido rosa de dentro da caixa e esticava-a sobre a cama.
Era uma peça longa, assim como a maioria dos vestidos que sua irmã usou no passado. Com detalhes franzidos no peito e completamente solto, o oposto do tipo de peça que Ilidia costumava usar. A mãe retirou dali também uma tiara, um colar, um bracelete e um par de sapatos: todos dourados e dignos da realeza.
─ Então é este o vestido? Que ela usaria no...
─ Sim, sim... Não é mesmo magnífico? ─ a mãe de Ilidia suspirou e pousou ambas as mãos sob o tecido ─ Ela ficará tão feliz em vê-lo.
─ Será que sou apenas eu que percebo a verdade? ─ finalmente Ilidia explodiu ─ Mamãe ela não ficará feliz quando voltar! Ela não ficará contente em rever a nós e, principalmente, contente quando souber dos seus planos!
─ Ilidia! ─ a mãe a repreendeu, parecendo zangada e irada pelas palavras da filha ─ Não ouse contrariar a sua mãe. Este vestido ─ ela segurou a ponta dele enquanto dizia ─ será, no mínimo, suficiente para trazer Thor a tona e fazê-lo voltar a si e repensar no casamento.
─ Mas o noivado foi cancelado, mamãe... Como a senhora ainda pensa que...
─ Ilidia, não há tempo para pensar. Venha! Ajude-me a colocar tudo de volta na caixa. ─ a mãe voltou-se para a caixa e colocou lá dentro novamente os acessórios que a primogênita usaria.
Ilidia encarou a mulher arruivada a sua frente pensando no quanto ela mudara desde que sua irmã fora banida de Asgard. Ela não era mais a mesma doce e meiga rainha que um dia conhecera. Agora era uma mulher impetuosa, gananciosa, dramática, egoísta e totalmente fria. Literalmente. Desde que sua irmã partira, Semha aderiu a um poder misteriosamente congelante e todos que a tocavam sentiam um frio tremendo e desgostoso durante dias e dias sem fim.
Todos sabiam que Semha se culpava pelo banimento da filha. Isso tornou-se óbvio quando no dia da expulsão, ela fez questão de acompanhar a menina até Midgard e deixá-la em um lugar que considerava seguro. Quando voltou, já não era mais a mesma mulher. Passou dias a fio chorando, reclamando e isolada de todos. Empregado que ousasse invadir seus cômodos particulares, não saiam com vida de lá.
─ Com sua licença, majestade. ─ um servente surgiu na entrada do quarto e fez uma breve reverência ─ O pai de todos pediu que lhe informasse que o regresso dos Príncipes Thor e Loki e de sua filha, a princesa Ignis, acaba de tornar-se real. Eles acabam de iniciar o trajeto pela Ponte Bifröst.
─ Certo. Já estamos a caminho. ─ Semha tampou a caixa e passou a mão pelo vestido verde que usava. Soltou um longo suspiro e encarou Ilidia ─ Vamos, querida. Vamos reencontrar nossa fênix.
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