Picks of a Heart
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Notas iniciais
Depois de uma conversa breve com Fury sobre o que exatamente eu fiz nos últimos dois meses ─ não nego que achei engraçado a tentativa dele de ser um pai mais presente em minha vida e ouvi-lo admitir que o tempo que passei trabalhando com Tony fez bem para minha socialização ─, me encaminhei em direção ao laboratório do doutor Bruce a pedido de Stark.
Mas antes acabei esbarrando com Thor no corredor.
Ele me olhou da mesma forma que Loki me olhara na Alemanha.
─ Tá legal, já chega. ─ resmunguei e Thor me olhou um pouco tenso ─ O que é isso tudo? ─ apontei para ele.
─ Isso tudo... o que? ─ ele parecia confuso.
─ Essa coisa que você e seu irmão fazem toda vez que me olham. ─ expliquei irritada ─ O que. É. Isso?
─ Hã... Sinto muito por olhá-la de forma que pareça ser estranha, lady- ─ eu o cortei.
─ Chega desse negócio de Lady. Meu nome é Ellizabeth. Pode me chamar de Ellizabeth.
─ Tá. Tudo bem. Ellizabeth. ─ ele assentiu.
─ Olha, eu sei que vocês vieram lá do mundinho de Asgard e tudo mais, mas... Já chega de me olhar assim! Da próxima vez eu vou arrancar os olhos dos dois, estamos entendidos?
─ A senhorita é muito bruta para uma mulher com sua estatura.
─ O quê? ─ olhie-o furiosa ─ Minha... estatura?
─ Apesar de seu acessório nos pés, é notável que sua altura é, de certa forma... inferior.
─ Você está me chamando de anã? ─ encarei-o perplexa ─ Já parou para perceber o seu tamanho? Senhor gigante pré-histórico que ainda usa martelo como arma?
─ Lilly. Tem como você andar rápido? Precisamos da sua ajuda aqui. ─ a voz de Stark soou no comunicador.
─ Sorte sua que eu sou solicitada agora. ─ semicerrei os olhos ao encará-lo antes de voltar a andar em direção ao laboratório.
⊱❋⊰
Eu havia alocado minhas armas dentro de um armário a pedido do doutor Banner. O que me levou a pensar que ele não se dá muito bem com armas pontiagudas, já que no momento em que entrei na sala ele ficou me encarando tenso de cima a baixo e toda vez que eu chegava perto, ele dava um passo para longe. Até, claro, ele sugerir que eu guardasse minhas armas em um armário igualmente sugerido por ele ─ e o mais longe possível ─, porque pensava que iria facilitar meu trabalho.
No inicio foi um pouco perturbador trabalhar ao lado do suposto Hulk, mas no fim das contas tornou-se entediante a cada momento em que ele abria a boca para falar daquele jeitinho lento dele. Tony estava a todo momento avaliando o cara e tentando adivinhar em qual momento ele iria revelar sua outra face. Até fizemos uma aposta, para passar o tempo enquanto o doutor Banner preparava o material para analisar o cetro. Quanto tempo levaria para ele ficar irritado? Stark apostou no mínimo possível e eu disse que, se ele conseguisse superar todo o tempo ao nosso lado, já seria uma grande vitória.
─ Posso perguntar uma coisa, senhori.. agen.. é... Lilly. ─ Bruce indagou enquanto eu o ajudava a a verificar a magnitude do cetro de Loki.
Uma das especificações que eu fiz quando fomos apresentados foi que ele me chamasse de Lilly. Certamente foi uma tática para manter o clima amigável, já que Tony a todo momento estava instigando a segunda personalidade do homem.
─ Vai perguntar por que eu cortei o cabelo? ─ indaguei e sorri rápido quando percebi como ele ficava tenso perto de mulheres. Coloquei meu pacote de batatas em cima da mesa para voltar ao trabalho.
─ Não... Não... É... A propósito, ficou muito bom. ─ ele suspirou e voltou ao trabalho.
Era a primeira vez que nos víamos pessoalmente, mas ele revelou que Fury mostrou meus arquivos.
─ Pode perguntar, doutor Banner. ─ sorri levemente ─ Eu não mordo.
─ Mentira! ─ gritou Tony do outro lado da sala.
Revirei os olhos e bufei.
─ O que... há entre você e o capitão Steve Rogers?
Acabei esbarrando em alguma ferramenta e deixando-a cair.
─ É... Como assim? ─ O que? Como assim? Como assim eu e Steve? O que tem eu e Steve?
─ Bom. Eu posso ver como você o olha e... ele retribui.
─ Eu não olho pra ele. ─ o cortei por reflexo.
─ E como você fica ao falar dele. ─ ele murmurou voltando ao trabalho.
─ Steve e Lilly se pegaram há alguns meses. ─ Stark se intrometeu.
─ Tony! ─ esbravejei irritada.
─ Que foi? A tripulação inteira já deve ter percebido isso. Aposto que aquela sua amiga... Hill? É. Hill. Ela deve ter contado pra todo mundo que ele te beijou e você gostou, blá, blá, blá.
─ Cala a boca! Agora! ─ grunhi para ele ─ Eu e ele não temos nada! Nada!
─ Tá, tudo bem. ─ ele revirou os olhos e se aproximou da nossa mesa ─ Devia passar na Torre Stark qualquer dia desses, doutor Banner. Vai adorar meus brinquedinhos.
─ Obrigado, mas... Da última vez que estive em Nova York quase destruí o Harley. ─ doutor Banner virou a aerotela para que pudéssemos observar juntos a funcionalidade do cetro.
─ Que seja! ─ ele desdenhou ─ Eu prometo um ambiente calmo e sem stress. ─ no mesmo segundo ele pressionou uma agulha de choque na cintura do doutor Banner.
─ Ou! ─ eu e mais alguém dissemos em uníssono.
Steve havia acabado de entrar na sala.
Malditos olhos perfeitos.
Ele ainda vestia seu uniforme de Capitão e estava realmente ─ realmente ─ muito bem com ele. Um pensamento rápido passou por minha mente: Como será que ele ficaria sem o uniforme?
Voltei-me para o computador enquanto ele se aproximava falando:
─ Você é louco?
─ Quem sabe? ─ assim que Tony rebateu ouvi Bruce soltar uma risada sem graça ─ Você é travado mesmo, né? ─ voltou-se para o doutor ─ Qual é o segredo? Um Jazzinho? Uns bongôs? Bolinho? Suco de maracujá?
─ Tudo pra você é piada? ─ Steve olhava injuriado para Stark.
─ Só o que tem graça. ─ Tony rebateu novamente e piscou.
─ Ameaçar a segurança de todos nesta nave não tem graça. ─ e lá estava o Steve Rogers, moralista e defensor da pátria ─ Sem ofensas. ─ ele completou ao dirigir-se ao doutor Banner.
─ Tá tudo bem, eu não embarcaria se não pudesse lidar com coisas... pontiagudas. ─ ele pareceu levar numa boa enquanto me ajudava a tomar notas da atividade do cetro.
Enquanto o Bruce falava, Tony deu a volta na mesa e parou próximo ao Steve.
─ Se está pisando em ovos, tem que pisar forte. ─ ele começou a dissertar mais uma de suas filosofias starkianas.
─ E você tem que focar no problema, senhor Stark. ─ Steve moralista ataca novamente.
─ Acha que não estou? Porque o Fury convocou a gente agora e não antes? Até a Ellizabeth, sua filha do coração, foi envolvida nisso. ─ Steve desviou o olhar para mim enquanto Tony falava ─ O que ele não contou pra gente? Não posso fazer a equação sem as variáveis.
─ Acha que ele está escondendo alguma coisa? ─ Rogers indagou, um pouco mais calmo agora.
─ Ele é um espião. ─ Tony respondeu ─ Capitão, ele é o espião. Seus segredos tem segredos. ─ roubou uma das minhas batatas e comeu.
─ Eles estão incomodados também. ─ apontou para mim e Bruce.
─ É... eu só quero acabar o meu trabalho aqui e... ─ ele enrolou-se ao explicar.
─ Doutor, tá tudo bem. Eu sou uma agente dupla. ─ pisquei para ele percebendo que o motivo para ele não querer falar era a minha presença ─ Steve ─ resolvi me prontificar ─ não acha estranho o fato deles trabalharem com o cubo? Quer dizer... trabalhar com o cubo e não revelar seus objetivos a nós? Não somos nós a Iniciativa Vingadores? ─ virei-me para encará-lo pela primeira vez e tive de desviar o olhar algumas vezes para não me perder em no oceano profundo que eram os olhos dele.
─ Uma luz para toda a humanidade. ─ por fim, Bruce resolveu falar ─ Foi o que Loki disse ao Fury sobre o cubo.
─ Eu ouvi. ─ Steve concordou.
─ Acho que foi direcionado a você. ─ o doutor apontou para Stark ─ Mesmo que o Barton não tenha contado ao Loki sobre a torre, saiu nos jornais.
─ A torre Stark? ─ Steve indagou demonstrando sua surpresa ─ Aquela coisa feia...
Tony e eu encaramos indignados Steve.
Stark, obviamente por ser o dono da torre e eu por perceber que o homem não tinha trava na língua.
─ Hã... o prédio em Nova York? ─ ele logo se recompôs.
─ Ele é alimentado por um reator ark, uma fonte de energia própria. ─ prosseguiu Banner ─ Pode ser auto suficiente por quanto tempo, um ano?
─ É só o protótipo. ─ eu falei ─ Ainda estamos desenvolvendo uma linha mais progressiva.
─ Eu sou meio que o único nome em energia limpa. ─ Stark encarou irritado Rogers enquanto falava ─ É disso o que ele tá falando.
O-oh.
─ Então... Por que a S.H.I.E.L.D. não o chamou para o projeto do Tesseract? E por que razão eles estão mexendo com energia? ─ o doutor Bruce voltou a discursar.
─ Ah... eu devia dar uma olhada nisso depois que o meu programa de decodificação invadir todos os arquivos protegidos e que a Lilly não conseguiu acessar da S.H.I.E.L.D.. ─ Tony desfilou pela sala, deu a volta na mesa e parou ao meu lado.
─ Então foi ele que você instalou aqui? ─ perguntei surpresa a Stark ─ Achei que ele ainda estava em desenvolvimento.
─ Menti pra você. Pois é. Achei que você ia acabar me impedindo quando eu invadisse seu computador e desse uma xeretada nos seus arquivos também. ─ ele sorriu frio para mim. Enfurecida, dei uma leve cotovelada em seu quadril.
─ Mas você disse que- ─ Steve foi interrompido por Tony que já lhe mostrava os dados em seu celular legal.
─ O Jarvis está rodando o programa desde que cheguei aqui. Já já vou conhecer todos os segredos sujos que a S.H.I.E.L.D. tentou esconder. ─ ergueu o meu pacote de batatas e ofereceu-o a Steve ─ Quer?
E, então, ambos voltaram ao troca-troca de palavras.
─ E ainda se pergunta porque não o queriam aqui.
─ Uma organização de inteligencia que teme inteligência historicamente não é legal. ─ Tony abaixou o pacote enquanto falava.
─ Acho que o Loki quer nos deixar nervosos. Ele quer começar uma guerra e se não nos focarmos ele vai conseguir. ─ Steve olhou pra Bruce e depois para Stark novamente ─ Nós temos ordens. Devemos segui-las.
─ Ah... Seguir ordens não faz muito meu estilo. ─ Tony desdenhou.
─ Só quer saber de estilo, não é?
Ai que merda. Isso não tá seguindo para um bom caminho.
─ É... Das pessoas que estão aqui, alternativa a: Quem está com uma roupa reluzente? e b: não está ajudando?
─ Steve. ─ Bruce tentou intervir ─ Nada disso te soa estranho?
─ Vamos achar o cubo. ─ Rogers ergueu sua postura e eu revirei os olhos.
Hora de intervir!
─ Ok! Já chega! ─ apoiei a planilha que eu segurava na mesa e comecei a caminhar para a porta ─ Capitão Rogers. ─ chamei-o e não esperei por uma confirmação. Saí da sala do doutor Banner e segui caminho até não conseguir ser vista pelos homens dentro da sala. Steve me seguiu.
─ O que foi? ─ ele ainda usava seu tom estressado e superior quando parou de frente para mim. Apesar de todo seu stress em relação a briga com Stark, senti que ele ainda me olhava daquele jeito.
─ Preciso pedir um favor. ─ antes que eu pudesse continuar ele já foi logo falando:
─ Você não está em posição de pedir favores.
As palavras doeram em mim.
─ Tudo bem. ─ suspirei ─ Não sei o que você e Fury conversaram enquanto eu estive fora, mas-
E mais uma vez ele me interrompeu.
─ Não conversei com Fury depois... ─ ele ergueu o olhar e fitou um ponto fixo acima da minha cabeça ─ Depois daquela noite.
Ah, que beleza. Ele deve ter achado que dei um bolo nele... Se bem que eu realmente dei um bolo nele.
─ Eu me demiti naquela noite, porque Fury não queria nos ver junto. ─ Uou. Não achei que as palavras pudessem sair com tanta facilidade assim.
─ Achei que você tivesse se demitido dois dias depois. ─ ele se quer prestara atenção no que eu tinha dito direito.
─ E eu achei que você e Fury não conversaram depois daquela noite.
─ Não foi ele quem me contou. Foi a agente Hill.
Cruzei o braço e semicerrei os olhos.
─ Então você e a agente Hill se tornaram amiguinhos?
─ Ela é uma boa agente.
─ Uma boa mulher, você gostaria de dizer. ─ rebati.
─ O que? ─ ele me olhou sem entender muito bem o que eu queria dizer.
Homens!
─ Tá... tanto faz. O ponto é: Fique fora do laboratório do doutor Banner. Stark e você realmente não parecem se dar muito bem e eu preciso manter os homens focados no trabalho.
─ Eu pude perceber exatamente onde o senhor Stark estava focado. ─ ele me encarou cético.
─ Como assim? ─ franzi o cenho. Do que esse homem estava falando agora?
─ Você sabe do que eu estou falando. Você e Stark.
O que?
─ Espera... O que? Stark e eu? Hã... ─ eu tive de fazer a maior força do mundo para não rir da situação ─ Se eu fosse ruiva, tivesse lindos olhos verdes, me chamasse Pepper Potts e não tivesse um corpo muito bem definido, possivelmente ele se encantaria por mim.
─ O que você quer dizer com isso?
─ Stark tem namorada. ─ fui direto ao ponto ─ E eles são muito felizes juntos. A propósito, Pepper é uma grande amiga minha. Se é que eu posso chamá-la assim.
─ Ah... ─ ele suspirou ─ Que seja... Hã... Preciso fazer uma coisa agora... ─ ele se afastou em passos largos e desapareceu no corredor.
E lá se vai o furação Steve Rogers.
Suspirei.
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