Picks - Brittana
35 Capítulo 35
Notas iniciais
Capítulo 35
Rachel veio irritada ao nosso quarto à 1 da manhã, no celular.
— Você sabe o que? Eu acho que você não respeita minha opinião em muita coisa!
Por sorte, eu estava acordada, vendo vídeos online de autodefesa. Tirando a ânsia de Rachel em chutar bolas e a minha necessidade de aprender essa coisa, a última coisa que eu queria fazer de manhã era levantar e socar e chutar alguns caras com roupas fofas. Eu não podia ver como isso iria correlacionar com escapar de alguém como Finn. Se eu tivesse sido capaz de quebrar seu aperto na outra noite, pudesse chutá-lo, eu teria.
A porta fechou atrás da minha claramente irritada colega de quarto enquanto ela lançava sua bolsa na cama, chutando fora seus saltos.
— Bem, eu não posso estar com alguém que está decidida a apoiar um estuprador de merda.
Oh, Deus! Fechei o YouTube e empurrei meu notebook do meu colo.
— Sim, Quinn, isso é o que realmente penso. — Ela desabotoou sua blusa branca com tanta força, que tinha certeza que iria arrancar um botão ou dois. — Ótimo. Pense o que quiser. Está acabado. — Esmurrando seu celular, ela grunhiu para ele e o atirou em sua cama antes de se virar pra mim, arrancando sua blusa. — Bem. Eu acho que está acabado!
Minha boca se abriu, me sentei, sem palavras, enquanto ela enfiava uma blusa preta por seus quadris e a chutava na direção do cesto de roupa suja. Deslizou seus braceletes de seus braços e tirou seus brincos, deixando-os na mesa cheia de jóias, cartas de tarô, pacotes de chiclete e romances.
— Rachel, você acabou de terminar com Quinn? Por minha causa?
Ela colocou uma blusa que caiu para o meio de suas coxas que claramente pertencia a Quinn. Carrancuda, ela arrancou-a de volta por cima da cabeça, enrolou e jogou-a.
— Não. Eu terminei com Quinn porque ela é uma babaca cabeça oca!
— Mas...
— Brittany. — ela fez um gesto como uma policial de trânsito assinalando Pare. — Não o diga. Eu terminei com Quinn porque ela provou o que era importante para ela. Irmãos antes de vagabundas. Bem, foda-se isso. Eu não vou vir em segundo para um bando de amigos idiotas, e com certeza não vou vir em segundo por um babaca que insulta todas as mulheres. Além disso... Isso nunca seria uma coisa permanente, certo? Quem faz isso na faculdade, afinal?
Ela caminhou em volta e inspecionou a gaveta do topo de seu pequeno guarda-roupas, ostensivamente procurando por uma blusa que-não-seja-de-Quinn. Eu ouvi um suspiro murmurado e sabia que estava chorando. Maldita Quinn! Maldito Finn! Maldita Marie/Santana/quem diabos ela seja!
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O lugar das Aulas de Autodefesa para Mulheres era uma das salas de aula do primeiro andar do prédio de atividades. Nós encontramos a sala e atirei meu copo de café no lixo do corredor, Rachel bocejando depois de uma noite sem dormir, a qual eu sabia porque sua falta de descanso, agitação e fungação me mantiveram acordada. Por volta das 4 da manhã, ela engatinhou para minha cama, se curvando em uma posição fetal contra mim enquanto eu afastava seu cabelo do rosto. Felizmente, ela tinha caído no sono quase imediatamente, e eu tinha seguido o exemplo.
— Ei. Aquela não é...? — Rachel falou sem mover seus lábios, como ventríloquo. Vestido com uma calça preta de moletom e blusa preta, Santana estava na frente da sala com dois homens mais velhos. — Isso explica como ela conseguiu dar uma surra no idiota do Finn. Quero logo essas aulas.
— Sim. — Sussurrei enquanto nós sentávamos nos nossos lugares e olhei para os pacotes de materiais do curso, cuja capa mostrava um homem atacando uma mulher que estava em posição defensiva. — Rachel, eu não acho que posso fazer isso.
— Sim, você pode. — Ela reagiu, tão rápido que devia estar antecipando minha resposta.
— Bom dia, senhoritas! — O homem menor começou, silenciando qualquer protesto de mim. — Sou Sebastian Smythe, o Chefe Auxiliar da Polícia do campus. Esse cara de aparência fraca à minha esquerda é o Sargento Dave Karofsky, e a feia aqui é Nanica quer dizer Santana, uma de nossas oficiais de execução de estacionamento. — Todo mundo riu, enquanto Dave e Santana eram de longe fracos e feios. — Nós estamos satisfeitos que vocês tenham aberto mão das manhãs de sábado para aumentar seu conhecimento de segurança pessoal.
Eu arrisquei um olhar para Rachel quando ela me acotovelou.
— Oficial de execução de estacionamento? Jesus, quantos trabalhos ela tem? — Ela murmurou pela lateral da boca.
— Nem me fale! — Murmurei de volta. Ela nem sabia do trabalho de tutora.
— Poderia ser quente... — Ela sussurrou. — Especialmente se há um uniforme. Ou algemas.
Eu suspirei.
Olhando em volta do semicírculo de cadeiras dobráveis, eu notei que havia apenas uma dúzia de nós, um mix de estudantes, professores e pessoal da administração. A mais velha era uma mulher negra com cabelos brancos que tinha que ter a idade da minha avó. Eu disse a mim mesma que se ela poderia vir aqui e aprender como chutar a bunda de potenciais estupradores, eu também poderia.
Mesmo se Santana estivesse do outro lado da sala, alternadamente me encarando e evitando meu olhar completamente.
Na primeira hora e meia, os princípios básicos de autodefesa foram discutidos. Sebastian nos disse que 90% da autodefesa envolve redução de riscos de ataque em primeiro lugar.
— Em um mundo ideal, nós poderíamos ir para nosso trabalho sem temer ou ser assaltado. Infelizmente, esse ideal não é representação da nossa realidade.
Meu rosto queimou, eu lembrei de Santana me censurando por andar pelo estacionamento escuro atrás da casa da fraternidade e mandando SMS, ao invés de prestar atenção à minha volta. Eu circulei 90% com tinta azul até que escureci as palavras do outro lado. Mas então eu lembrei a última coisa que ela disse naquela noite: “Não foi sua culpa”.
Fomos encorajadas a propor sugestões de segurança, e escrever sobre trancar portas, andar ou se exercitar com um amigo, usar sapatos que não impeçam de correr. A sugestão de Rachel de “Evitar Idiotas era popular”.
— Três coisas são necessárias em um ataque: um atacante, uma vítima, e um propósito. Remova a oportunidade e você dará um grande passo em reduzir a probabilidade de assalto. — Sebastian bateu as mãos juntas de uma vez. — Certo, vamos ter um pequeno intervalo, e quando nós voltarmos, será hora de dar alguns chutes na bunda que vocês garotas se escreveram para infligirem em Dave e Santana, mais em Dave por favor.
Continua...
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