Notas iniciais
Segue o segundo, espero que gostem.

A garota nunca tirou os olhos de Finn enquanto ela dava mais dois socos afiados em seu rosto, balançando para o lado enquanto eles circularam e Finn lançou murros fúteis, sangue jorrando de seu nariz. Finalmente, Finn abaixou a cabeça e correu para frente como um touro, mas esse esforço foi a sua destruição quando a estranha deu um fácil golpe no queixo, acertando sua mandíbula. Quando a cabeça de Finn estalou, um cotovelo rachou em sua têmpora com um ruído surdo. Ele colidiu com a lateral da caminhonete novamente, empurrando e correndo contra a estranha uma segunda vez. Como se toda a luta tivesse sido coreografada, ela agarrou os ombros de Finn e puxou-o para frente, com força, dando joelhadas nele debaixo do queixo. Finn caiu no chão, gemendo e se encolhendo.

A estranha olhou para baixo, punhos fechados, cotovelos ligeiramente dobrados, prestes a dar mais um golpe, se necessário. Não havia necessidade. Finn estava quase inconsciente. Eu me encolhi contra a porta mais distante, ofegante e me curvando em uma bola quando o choque substituiu o pânico. Devo ter choramingado, porque seus olhos se voltaram para os meus. Ela rolou Finn para o lado com o pé numa bota e se aproximou da porta, espiando para dentro.

— Você está bem? — Seu tom era baixo, cuidadoso. Eu queria dizer que sim. Eu queria concordar. Mas eu não podia. Eu não estava nada bem. — Eu vou ligar para a Emergência. Você precisa de assistência médica, ou só da polícia?

Eu imaginava a polícia do campus chegando ao local, os participantes da festa que transbordariam da casa quando as sirenes viessem. Rachel e Quinn eram apenas duas dos muitos amigos que eu tinha lá, mais da metade deles menores de idade e bebendo. Seria culpa minha se a festa se tornasse o foco da polícia. Eu seria uma pária.

Eu balancei a cabeça.

— Não chame. — Minha voz estava rouca.

— Não chame uma ambulância?

Eu limpei minha garganta e balancei a cabeça.

— Não chame ninguém. Não chame a polícia.

Sua mandíbula estava entreaberta e ela olhou em toda a extensão do assento.

— Estou errada, ou esse cara simplesmente tentou estuprar você? — Eu vacilei com a palavra horrível. — E você está me dizendo para não chamar a polícia? — Ela fechou a boca bruscamente, balançou a cabeça uma vez e me olhou novamente. — Ou eu interrompi algo que eu não deveria?

Engoli em seco, os meus olhos irrompendo em lágrimas.

— N-não. Mas eu só quero ir para casa.

Finn gemeu e rolou de costas.

—Pooorra! — Ele disse, sem abrir os olhos, um dos quais estava provavelmente fechado de tão inchado, de qualquer maneira.

Minha salvadora olhou para ele, sua mandíbula estremeceu. Ela virou o pescoço para um lado e depois para trás.

— Tudo bem. Eu levo você.

Eu balancei a cabeça. Eu não estava prestes a escapar de um ataque só para fazer algo tão estúpido como entrar no carro de uma estranha.

— Eu posso dirigir. — Eu disse asperamente. Meus olhos viraram para a minha bolsa presa contra o console, o seu conteúdo derramado no chão do lado do motorista. Ela olhou para baixo, inclinando-se para tirar as minhas chaves dos pedaços de meus objetos pessoais.

— Eu acredito que você estava procurando por elas, antes. — Ela as balançou em seus dedos enquanto eu percebi que eu ainda não tinha chegado mais perto dela.

Eu lambi meu lábio e experimentei sangue pela segunda vez naquela noite. Deslizei rapidamente para a iluminação fraca derramada pela luz minúscula do teto, tive o cuidado de manter a minha saia puxada para baixo. Uma onda de tontura caiu em cima de mim quando fiquei plenamente consciente do que quase tinha acontecido, e minha mão tremia quando a estendi para pegar as minhas chaves.

Franzindo a testa, ela fechou a mão em torno delas e deixou cair o braço de volta para o seu lado.

— Eu não posso deixar você dirigir. — A julgar por sua expressão, meu rosto estava um Desastre.

Eu pisquei, minha mão ainda estendida para as chaves que ela tinha acabado de confiscar.

— O quê? Por quê?

Ela enumerou três razões em seus dedos.

— Você está tremendo, provavelmente por consequência do ataque. Eu não tenho ideia se você não está realmente ferida. E você provavelmente andou bebendo.

— Eu não bebi! — Eu respondi. — Eu sou a motorista designada.

Ela levantou uma sobrancelha e olhou ao redor.

— Para quem exatamente você está designada a dirigir? Se alguém estivesse com você, a propósito, você talvez estivesse segura esta noite. Em vez disso, você saiu andando por um estacionamento escuro, sozinha, prestando absolutamente nenhuma atenção ao seu redor. Responsável de verdade!

De repente, eu estava além da raiva. Com raiva de Sam por partir meu coração há duas semanas e não estar comigo hoje à noite, preocupando-se comigo até a segurança da minha caminhonete. Com raiva de Rachel por ter me falado em vir a esta festa estúpida e ainda com mais raiva de mim mesma por concordar. Furiosa com o babaca semiconsciente, babando e sangrando no concreto a poucos metros de distância. E fervendo com a estranha que estava mantendo reféns as minhas chaves enquanto me acusava de ser desmiolada e descuidada.

— Então é minha culpa que ele me atacou? — Minha garganta estava ferida, mas prossegui sobre a dor. — É minha culpa que eu não possa andar de uma casa até a minha caminhonete sem que um idiota tente me estuprar? Eu nem te conheço. — Eu atirei a palavra de volta nela para deixá-la ver que eu poderia suportar.

— Que? Pensa que vou tentar me aproveitar igual aquele pedaço de merda? — Ela apontou para Finn, mas seus olhos nunca deixaram os meus. — Eu não sou nada parecida com ele!

Foi quando notei o piercing de prata no septu.

Ótimo. Eu estava em um estacionamento, sozinha, com uma estranha facialmente perfurada que se sentia insultada e que ainda tinha as chaves. Eu não aguentaria mais nada nessa noite. Um soluço veio da minha garganta enquanto eu tentava manter a compostura.

— Posso ter minhas chaves, por favor? — Eu estendi minha mão, desejando que os tremores diminuíssem.

Ela engoliu em seco, olhando para mim, e eu olhei de volta dentro de seus olhos negros como a noite. Eu não poderia dizer a sua cor na luz fraca, mas contrastavam convincentemente com seu cabelo escuro. Sua voz era mais suave, menos hostil.

— Você mora no campus? Deixe-me levá-la. Eu posso andar de volta para cá e pegar uma carona depois.

Não havia mais luta em mim e eu concordei, estendendo a mão para tirar minha bolsa do seu caminho. Ela ajudou a recolher o brilho labial, carteira, absorventes internos, laços de cabelo, canetas e lápis espalhados pelo chão e devolvê-los a minha bolsa. O último item que ela pegou foi um pacote de preservativos. Ela limpou a garganta e o estendeu para mim.

— Isso não é meu. — Eu disse, recuando.

Ela franziu a testa.

— Tem certeza?

Eu apertei meu maxilar, tentando não ficar furiosa de novo.

— Afirmativo.

Ela olhou para Finn.

— Bastardo. Ele estava provavelmente... — Ela olhou nos meus olhos e de volta para Finn, carrancuda. — Uh... Ocultando as evidências.

Eu não podia sequer considerar isso. Ela empurrou o pacote quadrado no bolso da frente de seu jeans.

— Eu vou jogar isso fora. Ele, com uma certeza do inferno, não vai ter isso de volta. — Sobrancelha ainda franzida, ela virou seu olhar para mim de novo enquanto subia e dava partida na caminhonete. — Tem certeza que você não quer que eu chame a polícia?

Uma risada soou pela porta dos fundos da casa e eu assenti. Enquadrado exatamente dentro da janela central, Sam dançava com os braços em torno de uma garota vestida com uma fina roupa branca decotada, com asas e uma auréola. Perfeito. Simplesmente perfeito.

Em algum momento durante a minha batalha com Finn, eu tinha perdido a tiara de chifres de diabo que Rachel tinha enfiado na minha cabeça enquanto eu estava sentada na cama, lamentando que eu não queria ir a uma estúpida festa à fantasia. Sem o acessório, eu era apenas uma garota em um reduzido vestido vermelho de paetês, que fora isso, eu não seria encontrada usando nem morta.

— Eu tenho certeza.

Os faróis iluminaram Finn quando nos afastamos da vaga no estacionamento. Jogando uma mão na frente de seus olhos, ele tentou rolar numa posição sentada. Eu podia ver seu lábio partido, nariz deformado e olho inchado, mesmo daquela distância.

Foi melhor que eu não fosse à pessoa por trás do volante. Eu provavelmente o teria atropelado.

Eu dei o nome do meu dormitório quando perguntado, e olhei para fora da janela do passageiro, incapaz de falar outra palavra enquanto serpenteávamos pelo campus. Com um abraço tipo camisa de força, agarrei-me, tentando esconder os tremores que passavam por mim a cada cinco segundos. Eu não queria que ela visse, mas eu não podia fazê-los parar.

O estacionamento do dormitório estava quase cheio; as vagas perto da porta estavam todas ocupadas. Ela inclinou a caminhonete em um espaço atrás e pulou para fora, dando a volta para me encontrar enquanto eu deslizava do lado do passageiro da minha própria caminhonete. Oscilando à beira de ter um colapso e perder a cabeça, eu peguei as chaves depois que ela ativou as travas, e a segui para o edifício.

— Sua identificação? — Ela perguntou quando chegou à porta.

Minhas mãos tremiam enquanto eu desabotoava a aba frontal da minha bolsa e retirava o cartão. Quando ela tirou de meus dedos, eu notei o sangue nos nós de seus dedos e engasguei.

— Oh, meu Deus! Você está sangrando!

Ela olhou para sua mão e balançou a cabeça, uma vez.

— Não. Na maior parte é sangue dele. — Ela pressionou seus lábios afinando-os e se virou para passar o cartão através do acesso à porta, e eu perguntei se ela pretendia me seguir para dentro. Eu não acho que eu poderia me segurar por muito mais tempo.

Depois de abrir a porta, ela me entregou o meu cartão de identificação. Com a luz do vestíbulo de entrada eu podia ver seus olhos de forma mais negro, eles eram a escuridão sob as sobrancelhas levantadas.

— Você tem certeza que está bem? — Ela perguntou, pela segunda vez, e eu senti meu rosto desmoronar.

Com meu queixo para baixo, enfiei o cartão na minha bolsa e acenei com a cabeça, inutilmente.

— Sim. Tudo bem. — Eu menti.

Ela bufou um suspiro incrédula, passando a mão pelo cabelo.

— Posso chamar alguém para você?

Eu balancei a cabeça. Eu tinha que chegar ao meu quarto para que eu pudesse me desintegrar.

— Obrigada, mas não! — Eu escorreguei por ela, cuidando para não roçar contra qualquer parte dela, e me dirigi para as escadas.

— Britt? — Ela chamou suavemente, sem se mover da porta. Eu olhei para trás, agarrando o corrimão, e nossos olhos se encontraram. — Não foi culpa sua!

Mordi o lábio, forte, assentindo uma vez antes de me virar e subir correndo as escadas, meus sapatos batendo contra aos degraus de concreto. No patamar do segundo andar, eu parei abruptamente e virei-me para olhar de volta para a porta. Ela tinha ido. Eu não sei o nome dela, e não podia me lembrar de tê-la visto antes, muito menos conhecêl-a.

Eu teria me lembrado daqueles olhos excepcionalmente negros. Eu não tinha ideia de quem ela era... E ela me chamou pelo nome. Não o nome na minha identidade, Brittany, mas Britt, o apelido que eu usava desde que Sam tinha me renomeado, no nosso primeiro ano do ensino médio.

Notas finais
Então? Deixem sua opinião. Beijão e até o próximo. (Pária: É aquele que não faz seu papel social. Ele se recusa a assumir responsabilidades por seu grupo. É leviano.)