Picks - Brittana
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Capítulo 9
Chegando um minuto antes da aula de Economia começar na manhã de Quarta-feira, a última coisa que eu esperava ver era Sam, encostado na parede do lado de fora da sala de aula, trocando números de telefone com uma iniciada da Zeta. Rindo depois de tirar uma foto de si mesma, ela entregou seu telefone de volta. Ele fez o mesmo, sorrindo para ela.
Ele nunca sorriria para mim assim de novo.
Eu não sabia que eu estava congelada no lugar até que um colega de turma bateu com o ombro em mim, derrubando minha mochila pesada do meu ombro.
— Desculpa! — Ele murmurou, seu tom mais “Saia do caminho” do que “Desculpe, eu que trombei com você.”
Enquanto eu me abaixava para recuperar minha mochila, rezando para que Sam e sua fã não tivessem me visto, uma mão segurou a alça e pegou a mochila do chão. Eu endireitei-me e olhei em escuridão de olhos negros.
— Os homens são uns idiotas. — Sua voz profunda e calma era a mesma como eu me lembrava da noite de sábado e da tarde de segunda-feira, sobre o balcão da Starbucks.
—Ah?
Ela colocou a alça de volta em meu ombro.
— Nah. Esse cara é só um idiota! — Ela fez um gesto em direção ao cara que tinha colidido em mim, mas eu podia jurar que seus olhos passaram por meu ex, também, que estava atravessando a porta, rindo com a garota. Sua brilhante calça de moletom laranja tinha ZETA escrito através do traseiro. — Você está bem? — Pela terceira vez, essa pergunta, vinda dela, tinha um significado mais profundo do que a costumeira implicação diária.
— Sim, tudo bem. — O que eu poderia fazer além de mentir? — Obrigada! — Eu me virei e entrei na sala, sentando em minha nova cadeira, e passei os primeiros 45 minutos de aula com minha atenção fixada sobre o Dr. Heller, o quadro que ele preencheu e as anotações que fiz. Obedientemente copiando gráficos de equilíbrio de curto prazo e de demanda agregada, tudo aquilo parecendo tanta besteira, eu percebi que teria que implorar pela ajuda de Sarah Lopes depois de tudo. Meu orgulho só iria fazer com que eu me atrasasse ainda mais.
Minutos antes do final da aula, eu me virei e peguei minha mochila como uma desculpa para dar uma olhada para a garota na fileira de trás. Ela estava olhando para mim, um lápis preto solto entre os dedos, digitando no notebook na frente dela. Ela se largou em seu assento, um cotovelo sobre as costas dela, um pé com bota casualmente apoiado no suporte sob sua mesa. Enquanto nossos olhos se prendiam, sua expressão mudou sutilmente de ilegível para sem sorrisos, embora cautelosa. Ela não desviou o olhar, mesmo quando eu olhei em minha bolsa e então de volta para ela.
Eu virei pra frente, meu rosto quente.
Algumas garotas já tinham mostrado interesse em mim ao longo do ano juntos com garotos, mas a não ser por dois de curta duração, certamente nunca se revelaram ou assumiram a paixonite, um era meu próprio tutor de baixo com idade de faculdade e outra, a minha parceira de laboratório de química, eu não tinha me sentido atraída por ninguém além de Sam.
A palestra de Economia tinha reduzido a tagarelice ao fundo, eu não conseguia decidir se a minha resposta a esta estranha era constrangimento persistente, gratidão por ter me salvado de Finn, ou uma simples atração. Talvez os três. Quando a aula acabou, eu arrumei meu livro em minha mochila e resisti ao impulso de olhar em sua direção novamente. Eu me ocupei pelo tempo suficiente até que Sam e sua fã saíssem. Quando me levantei para ir, o cara persistentemente sonolento que se sentava ao meu lado falou.
— Ei, quais foram às perguntas que ele falou para fazermos para o crédito extra? Devo ter nocauteado por alguns segundos, justo quando ele as discutiu, minhas anotações estão indecifráveis. — Eu olhei para o local que ele indicou em suas notas, e com certeza, os rabiscos tinham se tornado menos e menos legíveis. — Sou Kurt, a propósito.
— Oh, hum, vamos ver... — Folheei meu caderno e apontei para os detalhes da tarefa escritos na parte superior da página. — Aqui está. — Enquanto ele copiava, acrescentei: — Eu sou Brittany.
Kurt era um desses caras para quem a adolescência tinha sido gentil. O rosto não tinha nenhuma marca de espinha ou alguma outra coisa. Seu cabelo era lindo. Parecia daqueles que se importava com sua aparência. Expressivos olhos castanhos, e um sorriso cativante que mostravam as covinhas adoravelmente, eram sua graça salvadora no departamento dos olhares.
— Obrigado, Brittany! Isso vai salvar minha pele, eu preciso desses pontos do crédito extra. Vejo você sexta-feira. — Ele fechou seu notebook. — A menos que eu acidentalmente durma. — Acrescentou, dando-me um sorriso genuíno.
Voltei a sorrir quando me mudei para o corredor.
— Sem problema.
Talvez eu fosse capaz de fazer amigos fora do meu círculo com Sam. Essa interação, junto com a deserção da maioria de nossos amigos para Sam após o término, me fez perceber como dependente dele eu me tornei. Eu estava um pouco chocada. Por que isso nunca me ocorreu antes? Por que eu nunca tinha pensado que Sam e eu poderíamos terminar?
Suposição tola e ingênua. Obviamente.
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