Notas iniciais
Olha a sequencia, estou postando enquanto escuto "João de Barro", sou apaixonada por essa musica e varias outras, enfim voltando ao assunto. Ta ai outro.

Capítulo 6

A fila na Starbucks do grêmio estudantil estava ridiculamente longa, mas estava chovendo e eu não estava com vontade de ficar encharcada por atravessar a rua para o café indie fora do campus para pegar minha dose antes da minha aula da tarde. Num raciocínio desvinculado, era lá também onde era mais provável que Sam estivesse; nós íamos lá quase diariamente após o almoço. Em princípio, ele tendia a evitar "monstruosidades corporativas", como a Starbucks, mesmo que o café fosse melhor.

— Não vai ter jeito de atravessar o campus a tempo se eu esperar nesta fila. — Rachel rosnou seu aborrecimento, inclinando-se para verificar quantas pessoas estavam à nossa frente. — Nove pessoas. Nove! E cinco esperando as bebidas! Quem diabos são todas essas pessoas? — O cara na nossa frente olhou por cima do ombro, com uma carranca. Ela fez uma careta para ele e eu pressionei meus lábios para não rir.

— Viciados em cafeína como nós? — Sugeri.

— Ugh. — Ela bufou e depois agarrou meu braço. — Eu quase me esqueci, você ouviu o que aconteceu com Finn sábado à noite?

Meu estômago se soltou. A noite que eu só queria esquecer não me deixava em paz. Eu balancei a cabeça.

— Ele levou uma surra no estacionamento atrás da casa. Dois rapazes queriam sua carteira. Provavelmente pessoas desabrigadas, ele disse, é o que ganhamos por ter um campus bem no meio de uma cidade grande. Eles não conseguiram nada, os bastardos, mas porra, a cara de Finn está destruída! — Ela se inclinou mais perto. — Ele realmente parece um pouco mais quente assim. Rowr, se é que você me entende. — Eu me senti mal, ficando ali muda e fingindo interesse, em vez de refutar a explicação de Finn para os acontecimentos que levaram seu rosto a ser socado. Ter apanhado de uma garota, por estar quase estuprando outra.

— Bem, merda! Eu vou ter que enxugar um Rockstar¹ para me manter com a mente aberta durante Ciências Políticas. Eu não posso chegar atrasada, nós temos um teste. Eu te vejo depois do trabalho. — Ela me deu um abraço rápido e saiu correndo.

Eu corri para frente com a fila, minha mente revisando a noite de sábado pela milésima vez. Eu não podia me livrar do quão vulnerável eu me sentia, ainda. Eu nunca tinha sido cega ao fato de que os caras são mais fortes.

Sam me agarrou em seus braços mais vezes do que eu poderia contar, uma vez jogando-me sobre seu ombro e correndo um lance de escadas comigo agarrada à sua volta, de cabeça para baixo e rindo. Ele facilmente abria frascos que eu não podia abrir, mudava os móveis que eu mal podia mover. Sua força superior tinha sido evidente quando ele se firmava em cima de mim, seus bíceps duros em minhas mãos.

Há duas semanas atrás, ele tinha arrancado meu coração, e eu nunca me senti tão magoada, tão vazia.

Mas ele nunca usou a sua força física contra mim.

Não, isso era todo Finn. Finn, um gostoso do campus que não tinha um problema em conseguir garotas. Um cara que nunca tinha dado qualquer indicação de que ele poderia ou iria me machucar, ou que ele estava ciente de mim, exceto como a namorada de Sam. Eu poderia culpar o álcool... Mas não. Álcool remove inibições. Ele não dispara a violência criminal, onde não havia antes.

— Próximo?

Livrei-me de meu devaneio e olhei por cima do balcão, preparada para passar meu pedido habitual, e lá estava a garota da noite de Sábado. A garota que eu tinha evitado sentar ao lado esta manhã, em Economia. Minha boca estava aberta, mas não saiu nada. E, assim como nessa manhã, a noite de Sábado veio à tona. Meu rosto esquentou, quando me lembrei da posição em que eu estava, o que ela deve ter testemunhado antes de intervir, o quão imprudente ela deve me considerar.

Mas então, ela disse que não era minha culpa. E ela me chamou pelo meu nome. O nome que não é mais usado, desde 16 dias atrás.

Desejei, numa fração de segundo, que ela não estivesse se lembrando de quem eu era, não foi concedido. Eu retornei ao seu olhar penetrante e podia ver que ela se lembrava de tudo, claramente. Cada pedaço humilhante. Meu rosto queimou.

— Você está pronta para pedir? — Sua pergunta me puxou da minha desorientação. Sua voz era calma, mas eu senti o desespero dos clientes inquietos atrás de mim.

— Um grande caffé Americano. Por favor! — Minhas palavras foram tão murmuradas que eu meio que esperava que ela me pedisse para repetir.

Mas ela marcou o copo, e foi quando notei as duas ou três camadas de gaze branca fina enrolada em volta dos nós de seus dedos. Ela passou o copo para o barista e registrou a bebida quando eu entreguei o meu cartão.

— Tudo indo bem hoje? — Ela perguntou, suas palavras tão aparentemente casuais, mas tão cheias de significado entre nós. Ela passou o meu cartão e entregou-o de volta com o recibo.

— Eu estou bem. — Os nós dos dedos da mão esquerda estavam arranhados, mas não severamente esfolados. Enquanto eu pegava o cartão e recibo, seus dedos roçaram sobre os meus. Eu afastei minha mão. — Obrigada!

Seus olhos se arregalaram, mas ela não disse mais nada.

— Eu quero um venti² caramel macchiato, magro, sem creme. — A garota impaciente atrás de mim passou seu pedido sobre o meu ombro, não me tocando, mas pressionando muito no meu espaço pessoal de conforto. A mandíbula dela se esticou de forma quase imperceptível quando ela desviou o olhar para ela.

Marcando o copo, ela deu a ela o total de forma rude, seus olhos passando rapidamente para mim mais uma vez quando eu me afastei. Eu não sei se ela olhou para mim depois disso. Esperei meu café no outro lado do bar, e saí correndo, sem acrescentar o meu habitual pingado de leite e três pacotes de açúcar.

Economia era um curso de pesquisa, e como tal a lista era enorme, provavelmente 200 alunos. Eu poderia evitar o contato visual com meu ex e uma garota misteriosa, no meio de tantas pessoas, nas seis semanas restantes do semestre de outono, não poderia?

CONTINUA...

¹ Tipo de bebida energética.

² Bebidas com volume de 20 onças, aproximadamente 500 ml.

Notas finais
Então? Não sei quando postarei, mas postarei. Beijão e JC poste logo o capítulo antes que eu te mate, beijos e saudades.