Notas iniciais
Esse vai pegar. Espero que gostem.

Capítulo 58

Até o momento que o nosso motorista designado nos deixou de volta no dormitório, Rachel e eu tínhamos jogado quarters e beer pong para nosso caminho a uma noite de paredes girando na melhor e abraçando o banheiro na pior das hipóteses. Nenhuma de nós falou mais que um sussurro até depois das 03h00min da tarde de domingo. Havia uma reunião da irmandade das mulheres programada para quatro horas mais tarde, e Rachel amaldiçoou a linhagem de quem colocou isso no calendário no dia seguinte a festa da Irmandade.

— Nós não vamos conseguir decidir uma maldita coisa e pelo menos a metade de nós vai matar a primeira pessoa que bater o martelo.

Nós ainda estávamos conversando em meio volume. Eu a vi envolver um lenço preto no pescoço e puxar um par de luvas combinando, enquanto esperava o meu notebook ligar.

— Pelo menos sua miséria terá companhia.

— Yay. — Ela puxou um boné preto sobre seu cabelo castanho e vestiu o casaco.

— Você não está um tanto gótica? — Perguntei enquanto olhava seu traje.

— Preciso demonstrar minha indignaçã. Vejo você em algumas miseráveis horas.

Santana já tinha enviado a planilha de segunda-feira. Ainda não tinha uma nota pessoal. Eu entendi porque ela não podia me ver, e talvez por isso tudo o que vinha fazendo havia acabado. Mas eu não entendo por que nossos e-mails tinham que parar também. Eu as perdi, e me perguntei o que ela faria se eu respondesse. Eu queria dizer a ela sobre a noite passada e Finn, falar sobre eu dizendo não e que me senti morrendo de medo e durona ao mesmo tempo. Restava uma semana de aula, seguida de uma semana de exames finais, e, em seguida, o semestre acabaria. Eu não tinha ideia se iria fazer alguma diferença para ela. Eu fiz pelo menos a lição de casa que com o cérebro martelando eu podia fazer — rotular um gráfico de constelação para o laboratório de astronomia de amanhã — e pendurei a roupa limpa da lavanderia que estava em uma cesta ao pé da minha cama por três dias... Ou quatro... Talvez cinco. Eu perdi meu tempo praticando baixo todo o fim de semana, além do ensaio conjunto, por isso gostaria de estar me empenhando para completar as horas adicionais de prática durante a semana.

No momento em que Rachel voltou, eu estava seriamente considerando apenas ir para a cama e dormir pelo resto remanescente da minha ressaca. Bocejando, eu virei-me para a porta.

— Eu estava pensando em bater. — Rachel não estava sozinha. Debaixo do seu braço estava Kitty, minha parceira de quarters desde a noite anterior. No início, eu pensei que ela estava de ressaca apenas um pouco mais do que eu, então, eu notei a expressão sombria de Rachel, e eu olhei para os olhos avermelhados de Kitty, injetados de sangue. Ela não se sentia como uma merda por muito álcool. Ela estava chorando. Muito. Girei minhas pernas para fora do lado da cama.

— Rachel?

— B, temos um problema. — A porta se fechou atrás delas e Rachel puxou Kitty para se sentar em sua cama. — Ontem à noite, depois que você e eu saímos, Kitty dançou com Finn. — Kitty vacilou e fechou os olhos, e as lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto. Meu coração começou a disparar. Imaginei tudo que Rachel poderia dizer em seguida, e nada era bom. Eu não tinha rezado em um longo tempo, mas eu me encontrei implorando. ― Por favor, Deus, não deixe isso ter ido mais longe do que aquilo que aconteceu comigo. Por favor. Por favor! — Ele a convenceu a ir para o seu quarto. — Com isso, as mãos de Kitty voaram para cobrir seu rosto e ela desabou de cara no ombro de Rachel como uma criança. — Shh, shh! — Rachel cantarolou, encaixando ambos os braços em torno dela. Olhamos uma para a outra sobre a cabeça de Kitty, e eu sabia que não tinha havido nenhuma Santana para ela. — B, temos que dizer. Nós temos que dizer neste momento!

— Ninguém vai acreditar em mim! — Kitty disse asperamente. Ela estava rouca, e eu a imaginei fazendo o que eu tinha feito, pedindo-lhe para parar. Imaginei-a chorando a noite toda, e metade do dia, e eu estava mais chateada do que eu jamais tinha estado, e com medo. — Eu não sou... — A voz dela baixou para um sussurro. — Eu não era virgem.

— Isso não importa! — Rachel disse com firmeza. Engoli em seco o nó em minha garganta e ele deslizou para baixo, mas não sem luta.

— Eles vão acreditar em você! Ele tentou, ele tentou comigo, há um mês. — Kitty ofegou, com o rosto manchado e os olhos arregalados se viraram para mim.

— Ele a estuprou, também?

Eu balancei a cabeça, enquanto calafrios passaram em uma onda do pescoço até os tornozelos.

— Alguém o parou. Eu tive sorte. — Eu não tinha ideia de quanta sorte até este momento. Eu achava que sabia, mas não.

— Oh! — Sua voz gorjeava suavemente, e ela não tinha parado de chorar. — Será que conta?

Rachel persuadiu Kitty a deitar-se, colocando um cobertor sobre ela.

— Vai contar. — Ela se sentou ao lado de Kitty e segurou sua mão. — Será que a Santana irá colaborar com sua história, B? Quer dizer, eu estou supondo, com o que sabemos sobre ela, que ela o fará.

Santana tinha ficado furiosa de eu não ter a deixado chamar a polícia naquela noite. Não me ocorreu que, por não relatar o que tinha acontecido, eu deixei Finn pensar que ele era intocável. Que ele poderia fazer isso de novo. Eu tinha assumido que o que Santana tinha feito para Finn era impedimento suficiente. Não que isso o impediu de fazer o que ele fez na escada... Ou suas ameaças implícitas durante a festa, bem na frente de Sam. Eu balancei a cabeça.

— Ela o fará. — Rachel deu um suspiro e olhou para Kitty.

— Precisamos chamar a polícia ou ir para o hospital ou algo assim, certo? Eu não tenho nenhuma ideia do que fazer primeiro.

— O hospital? — Kitty estava com medo, e eu não podia culpá-la.

— Eles provavelmente vão precisar fazer... Um exame, ou algo assim. — Rachel suavizou sua voz, mas na palavra exame, os olhos de Kitty se arregalaram e se encheram de lágrimas novamente. Os nós dos dedos escaldados, segurando o cobertor.

— Eu não quero um exame! Eu não quero ir para o hospital! — Como eu poderia culpá-la, quando relatórios trariam mais dor e humilhação?

— Nós vamos com você! Você pode fazer isso. — Rachel se virou para mim. — O que devemos fazer primeiro? — Eu balancei a cabeça, pensando na polícia do campus. Alguém, como o Sebastian, provavelmente faria bem nesta situação. Alguém, talvez não. Nós poderíamos ir direto para o hospital, mas eu não tinha certeza quais eram os passos. Eu peguei meu telefone e disquei.

— Olá? — A voz de Santana era cautelosa, e eu percebi que eu nunca tinha a ligado antes.

— Eu preciso de você. — Fazia mais de uma semana desde que tínhamos nos comunicado fora das planilhas que ela tinha me enviado, e da turma de autodefesa ontem de manhã.

— Onde está você?

— No meu quarto. — Eu esperei ela perguntar o que eu queria. Ela não o fez.

— Chego aí em dez minutos.

Fechei os olhos.

— Obrigada! — Ela desligou, e eu desliguei o telefone, e nós esperamos.

Continua...

Notas finais
Finn é um ser horrivel? Super concordo. Olha a Santana aparecendo. Ate o proximo. Beijão.