Notas iniciais
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Capítulo 53

Evitar contato visual durante a aula de autodefesa na manhã de sábado provou ser mais difícil do que se esquivar uma da outra durante economia, mas Santana e eu conseguimos isso pela primeira hora. O mais estranho da semana passada foram as planilhas que ela continuou enviando, mas sem qualquer nota além. O e-mail inteiro consistia em: ― Nova planilha em anexo, MS.

— Quando um chute é mais provável de ser mal calculado pela vítima ou evitado pelo criminoso, uma joelhada de ataque é de curto alcance e mais facilmente executada, então vamos focar nesta defesa primeiro. — A voz de Sebastian me trouxe de volta para a aula de autodefesa. — E eu assumo que as senhoras sabem o que vocês estão visando com o joelho. — Dividindo-se em dois grupos, como fizemos duas semanas atrás, eu fui para ficar no grupo de David e Rachel me seguiu. Ele segurava uma almofada grossa com alças no seu antebraço musculoso para mantê-lo no lugar, explicando o básico do ataque de joelhada e pedindo a um voluntário para ajudar a demonstrar, ao qual Rachel prontamente respondeu. Fiquei orgulhosa de seu sonoro NÃO! Quando ela agarrou os ombros de David e bateu com o joelho no bloco. Eu reconheci o movimento que Santana usou em Finn, embora ela o atingiu no queixo, em vez da virilha. Finn tinha ido direto para o chão. E lá ficou.

Quando foi a minha vez, minha autoconsciente hesitação desapareceu com os gritos de incentivos do meu grupo e de David ― Mais! entre cada ataque. Alegre, eu caminhava de volta para Rachel com os olhos arregalados e tremendo pela adrenalina. Ela riu e disse:

— Eu sei, certo?

Nós evoluímos para chutes, e cada vez que conseguia um e ouvia o grunhido gratificante de David, meu medo de que nunca pudesse replicar estes na vida real diminuiu. Carmem, a mulher de cabelos brancos que tinha, sem saber, me dado coragem de permanecer na aula, há duas semanas, perguntou como, mesmo se bater no lugar certo, com bastante força, poderíamos ganhar contra um homem do seu tamanho. David nos lembrou que não tem que ganhar uma luta que só tinha de fugir.

— A cada segundo, você compra tempo para correr.

Quando Sebastian anunciou uma pequena pausa, eu roubei uma olhada em Santana. Sobre as cabeças de duas meninas, uma das quais estava falando com ela, seus olhos estavam em mim, o seu olhar escuro como a noite do outro lado da sala iluminada. Após a atividade física da manhã, a minha resposta foi avassaladora. Minha respiração estava superficial e rápida, nenhum de nós se afastou até que Rachel enganchou seu braço no meu e puxou.

— Vamos lá, garota apaixonada. — Ela murmurou, inaudível para ninguém além de mim.

Eu corei enquanto a deixava me levar para o corredor, em direção ao vestiário. Inclinando-se sobre a pia, joguei água no meu rosto e olhei para o espelho, perguntando o que Santana viu quando ela olhou para mim. O que Sam viu. O que Finn viu.

— Você está perdidamente apaixonada, não tá? — Rachel me entregou uma toalha de papel e franziu os lábios, inclinando a cabeça, quando ela examinou meu rosto no espelho, também. Seus olhos castanhos encontraram os meus. — Eu deveria ter sabido que ligar você à terapia não iria funcionar. Se isso faz você se sentir melhor, ela não parece menos tensa do que você está.

Revirei os olhos, batendo a água do meu rosto.

— Acredite ou não, isso não me faz sentir melhor. — Ela arqueou uma sobrancelha, o olhar dela se moveu para o seu próprio reflexo quando ela alisou uma imperfeição imaginária sobre o lábio e ajustou seu selvagem rabo de cavalo.

— Mmm-hmm.

Continua...

Notas finais
Eai? Vamos pro proximo.