Picks - Brittana
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Duas semanas atrás:
— Quer entrar? Ou ficar mais? Rachel vai ficar na Quinn neste fim de semana... — Minha voz era brincalhona, cantada. — Seu colega de quarto está fora da cidade. O que significa que eu vou ficar sozinha...
Sam e eu estávamos a um mês do nosso aniversário de três anos. Não havia necessidade de ser tímida. Rachel tinha nos chamado de "um velho casal casado" recentemente. Ao que eu respondi "Invejosa". E depois ela me levantou seu dedo médio.
— Hum, é. Eu vou entrar um pouco. — Ele massageou sua nuca enquanto entrava no estacionamento do dormitório e procurava por uma vaga, sua expressão inescrutável.
Espinhos de apreensão surgiram em meu peito, e eu engoli, inquieta.
— Você está bem? — O esfregar no pescoço era um conhecido sinal de estresse. Ele lançou um olhar em minha direção.
— É claro. — Ele parou no primeiro lugar vago, estacionando sua BMW entre duas caminhonetes. Ele nunca, jamais forçava seu precioso importado em vagas apertadas. O soar das portas o deixou insano. Alguma coisa estava acontecendo. Eu sabia que ele estava preocupado com as provas do semestre que estavam próximas, especialmente pré cálculo. Sua fraternidade estaria dando uma festa na noite seguinte, também, o que era simplesmente estúpido para o fim de semana antes das provas.
Eu nos levei para dentro do prédio e entramos na escada dos fundos que sempre me assustava quando eu estava sozinha. Com Sam atrás de mim, tudo o que eu notei foram as paredes sujas cheias de chiclete e o cheiro velho, quase azedo. Subi rápido até o último lance e saímos para o corredor.
Olhando para trás para ele enquanto eu destrancava minha porta, eu balancei a cabeça para o retrato encantador de um pênis que alguém tinha rabiscado no quadro branco que eu e Rachel usávamos para recados entre nós e de nossos amigos. Dormitórios mistos eram menos maduros do que o descrito nos sites das faculdades. Às vezes era como viver com um grupo de 12 anos de idade.
— Você poderia ligar dizendo que está doente amanhã à noite, sabe. — Eu coloquei a palma da mão em seu braço. — Fique aqui comigo, nós nos escondemos e passamos o fim de semana estudando e pedindo comida... E outras atividades de redução de estresse... — Eu sorri de forma travessa. Ele olhou fixamente para seus sapatos.
Meu coração acelerou e eu de repente me senti totalmente quente. Algo estava definitivamente errado. Eu queria que ele pusesse pra fora, o que quer que fosse, porque minha mente estava conjurando nada além de possibilidades alarmantes. Fazia muito tempo desde que tivemos um problema ou um conflito real que eu me senti surpreendida.
Ele entrou no meu quarto e se sentou na minha cadeira, não na minha cama.
Fui até ele, nossos joelhos batendo, querendo que ele me dissesse que ele estava apenas de mau humor, ou preocupado com os exames próximos. Com meu coração batendo fortemente, eu coloquei a mão em seu ombro.
— Sam?
— Britt, nós precisamos conversar.
O pulso batendo em meus ouvidos ficou mais alto, e minha mão desceu de seu ombro. Eu a agarrei com minha mão e me sentei na cama, a três pés dele. Minha boca estava tão seca que eu não conseguia engolir, muito menos falar.
Ele ficou em silêncio, evitando meus olhos por alguns minutos que pareceram uma eternidade. Finalmente, ele ergueu o olhar para mim. Ele parecia triste. Oh, Deus! Ohdeus-ohdeus-ohdeus!
— Eu tenho tido alguns... Problemas... Ultimamente. Com outras garotas.
Eu pisquei, feliz que estava sentada. Minhas pernas teriam dobrado e me enviado para o chão, se eu estivesse de pé.
— O que você quer dizer? — Eu grasnei. — O que você quer dizer com "problemas" e "outras garotas"?
Ele suspirou profundamente.
— Não desse jeito, não mesmo. Quer dizer, eu não fiz nada! — Ele desviou o olhar e suspirou novamente. — Mas eu acho que eu quero.
Que diabos?
— Eu não entendo. — Minha mente trabalhava freneticamente para decifrar a melhor situação possível disso, mas cada única alternativa remotamente possível era uma merda.
Ele se levantou e passeou pelo quarto, duas vezes, antes de se colocar a meio caminho entre a porta e eu.
— Você sabe o quanto é importante para mim, seguir a carreira de direito e da política. — Eu concordei com a cabeça, ainda atordoada ao silêncio e pedalando muito para tentar me manter. — Você conhece a nossa fraternidade irmã? — Eu balancei a cabeça novamente, reconhecendo a mesma coisa que eu tinha me preocupado quando ele se mudou para a casa da fraternidade. Aparentemente, eu não tinha me preocupado o suficiente. — Há uma garota, duas garotas, na verdade, que... Bem.
Eu tentei manter minha voz racional e equilibrada.
— Sam, isso não faz sentido. Você não está dizendo que você se influenciou por isso, ou que você quer...
Ele olhou em meus olhos, de modo que não haveria erro.
— Eu quero!
Realmente, ele poderia ter me dado um soco no estômago, porque o meu cérebro se recusava a compreender as palavras que ele estava dizendo. Uma agressão física, talvez pudesse ser compreendida.
— Você quer? Que diabos você quer dizer, você quer?
Ele escapou da cadeira, foi até a porta e voltou, uma distância de doze pés.
— O que você acha que eu quero dizer? Jesus! Não me faça falar isso!
Eu fiquei boquiaberta.
— Por que não? Por que não dizer, se que você pode se imaginar fazendo isso, então por que é tão foda dizer? E o que isso tem a ver com seus planos de carreira...
— Eu estava chegando lá. Olha, todo mundo sabe que uma das piores coisas que um candidato a político ou representante eleito pode fazer é se envolver em algum escândalo sexual. — Seus olhos se prenderam nos meus no que eu reconhecia como sua "cara de debate". — Eu sou apenas um humano, Britt, e se eu tiver estes desejos me tentando agora, ou o que quer que seja e eu os reprimir, eu provavelmente vou ter o mesmo desejo mais tarde, até pior. Mas agir de acordo com eles nesse momento, seria matar a minha carreira. — Ele abriu as mãos, impotente. — Eu não tenho escolha a não ser tirá-lo do meu sistema, enquanto eu posso fazer isso sem aniquilar minha posição em meu futuro profissional.
Eu disse a mim mesma "Isso não está acontecendo!"Meu namorado de três anos não estava terminando comigo para que ele pudesse transar com outras alunas com abandono descarado. Eu pisquei com força e tentei respirar fundo, mas eu não podia. Não havia oxigênio no quarto. Eu olhei para ele, em silêncio.
Sua mandíbula se apertou.
— Ok, então eu achei que seria fácil tentar decepcionar você e foi uma ideia ruim...
— Esta é a sua ideia de me decepcionar fácil? Terminar comigo para que você possa transar com outras garotas? Sem se sentir culpado? Você está falando sério?
— Como um ataque cardíaco.
A última coisa que eu pensei antes de pegar o meu livro de economia e atirá-lo nele: "Como é que ele pode usar esse clichê de merda num momento como este?"
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