Jin acordou mais do que cansado no dia seguinte, mirou o outro lado da cama e não achou o loiro. Os dois haviam trocado alguns beijos na noite anterior e acabaram indo dormir. Jin não sabia se Namjoon estava envergonhado por ter sido tão cínico, ou se ele apenas tinha compromisso, mas aquilo não importava, por isso Jin correu para o banheiro, tomou banho, se arrumou, ajeitou sua bolsa com todos os seus pertences para o trabalho e saiu do quarto. Havia uma bela de uma mesa, pronta para o café da manhã, Namjoon também estava ali, arrumado com sua farda de auror.

— Pensei que tinha ido embora – Jin diz com as bochechas vermelhas, de repente se sentindo bobo – bom dia.

— Bom dia — Namjoon sorri, tímido como o outro, mas ao contrário de Seokjin ele se aproximou do moreno e o segurou pela cintura, conectando seus olhares — não poderia ir embora sem me despedir, então vim fazer o café da manhã, vamos comer.

— Não quebrou minha cozinha não né? — Jin ri, enquanto se acomodava na cadeira.

— Quem você pensa que eu sou? — Namjoon fala com uma falsa indignação — talvez eu tenha quebrado uma colher.

O moreno o encara incrédulo e ele apenas dá de ombros rindo, fazendo o mais velho negar.

— Você não existe — Jin nega, e pega uma panqueca, se deliciando — isso está ótimo, obrigado Namie.

— Coma bastante, você precisa de energia para cuidar dos seus pacientes — Namjoon sorri mostrando suas covinhas, e pega um pedaço para si.

— Se depender do que chegou semana passada, realmente vou precisar — ele suspira, definitivamente mostrando cansaço, aquele paciente estava sendo o mais difícil até aquele momento, ele não sabia o que o rapaz tinha, apenas havia aparecido desacordado e não conseguia distinguir que doença era aquela.

— É tão difícil assim? — o loiro arqueia a sobrancelha e vê o outro assentir com a cabeça — o que houve?

— Não sei, um homem apareceu desacordado, não consigo de jeito nenhum achar o núcleo dele, chegou sem varinha, sem nada, tinha apenas um caderno dentro da roupa — Jin diz distraído e Namjoon arregala os olhos.

Não era possível que seu andarilho estava no St. Mungus. Se aquilo fosse real, Yerin estava salva, sem nem ter se esforçado, que mulher sortuda.

— Um caderno? — Namjoon pergunta em dúvida e Jin assente — Jin, eu poderia ir com você hoje e dar uma olhada nesse paciente?

Jin franze o cenho, mas assente, não haveria problema nenhum em autorizar a entrada de Namjoon, afinal, ele era auror, então tinha passe livre. Mas aquilo gerou uma curiosidade nele, por que aquele homem misterioso era tão importante?

— Eu juro que não vou atrapalhar seu trabalho, é coisa do ministério, uma investigação em andamento — Namjoon diz sorrindo — te conto tudo se for mesmo o que eu acho que é.

— Tudo bem, podemos ir então? — Jin termina seu café e sorri, vendo Namjoon assentir.

Os dois tomaram o caminho do St. Mungus, e chegaram no mesmo momento em que Draco chegava, junto com Lilá.

— O que um auror faz no St. Mungus? Se machucou Namie? — Draco debocha, fazendo Namjoon mostrar o dedo do meio a ele – que agressividade.

— Cala a boca Malfoy — Lilá diz rindo e tromba no ombro do amigo — vamos trabalhar que pacientes não se curam sozinhos — ela sai empurrando-o para dentro — bom dia pra vocês meninos.

— Deve ser um saco trabalhar com ele — Namjoon retruca, acompanhando Jin para dentro do prédio.

— Ele tem dias piores — Jin assente rindo e os dois finalmente chegam à recepção — me espere aqui, eu já volto.

Namjoon não disse mais nada, apenas assentiu e Jin deixou a recepção, mas não demorou para voltar com Malfoy pendurado em seu pescoço, ele havia pedido a ajuda do loiro para aquele caso, e como Jin o comunicou que Namjoon estava ali para ver o desconhecido, o Malfoy se interessou em estar junto.

Os três se encaminharam até um quarto isolado, onde só havia uma cama preenchida e o homem parecia em sono profundo.

— Tem certeza de que ele não está morto? — Namjoon pergunta analisando o homem, enquanto estava de pé ao lado da cama.

— Humanos são resistentes, ele vai acordar em breve — Draco afirma, fazendo Jin olhar para ele com o cenho franzido — que foi? Nunca viu um trouxa na vida?

— Como sabe que é um trouxa? — Jin pergunta confuso.

— Bem, eu fiz uma pesquisa ontem, além de ter estudado um pouco mais sobre ele — Draco diz indo até o lado do homem — ele não tem núcleo, então é um ser não mágico, ele não tem nada que indique que ele é um bruxo.

— E como veio parar aqui?

— Isso que estou tentando descobrir — Namjoon diz olhando o caderno em cima da mesa de cabeceira, ele pega e se levanta aos olhos dos dois — isso é da Yerin, acreditamos que esse homem entrou na Filter e roubou a caderno.

— O que tem nesse caderno? — Draco pergunta curioso.

— Anotações de todos os aurores em serviço que estão utilizando poções — Namjoon diz olhando do caderno para o homem — mas não sei por que isso interessaria um trouxa.

— Talvez não fosse isso que ele estivesse procurando — Jin diz indo até o lado do homem e o analisando, logo tratando de um examiná-lo novamente — agora que você me deu mais informações, fez mais sentido, ele devia estar procurando uma poção.

— Acha que ele está envenenado? — Draco questiona, indo até o lado de Jin.

— Talvez — Jin diz em dúvida — vamos dar um antídoto a ele, se ele acordar, acertamos, se não, bem, aí teremos que mandá-lo para um hospital trouxa.

Os outros dois apenas assentem e Jin prepara o soro que serviria como um antídoto, ele só faria efeito nas próximas duas horas, mas prometeu a Namjoon que o informaria caso algo mudasse. Por isso o loiro apenas se despediu rapidamente e aparatou direto na Filter, assustando as quatro mulheres ali.

— Santo Merlin, quase me matou de susto — Agnes diz com a mão no coração.

— O que faz aqui Namjoon? — Amélia pergunta de mal humor, ela estava sempre de mal humor.

Namjoon não precisou dizer nada, apenas levantou o caderno e ergueu a sobrancelha, com um sorrisinho cínico. Yerin saiu de traz do balcão, quase como se estivesse em uma Firebolt. Ela tomou o caderno e abriu para olhar se estava tudo ali.

— Onde o achou? — ela olha do caderno para o loiro sorridente a sua frente.

— No St. Mungus, o nosso ladrão está internado lá — Namjoon cruza os braços com um sorriso.

— Como você descobriu? — Mihee pergunta genuinamente curiosa.

— Agradeçam ao Jin, o homem está como paciente dele, ainda desacordado, não sabemos o que ele tem — Namjoon diz, fazendo quatro sorrisinhos surgirem.

— Com o Jin, é? — Amélia sai de trás do balcão para rodear o loiro, que começou a ficar nervoso de repente.

— É, sabe o que é? — ele olha de um lado para o outro, procurando uma desculpa — eu, eu fui buscá-lo — o olhar dele recai sobre Yerin, que arqueia a sobrancelha, sendo debochada como sempre — tá legal, eu dormi lá depois da festa.

— Já sabíamos disso — Yerin debocha, o mira de cima a baixo e sai dando risada.

Ela definitivamente aprovava Namjoon, ele e Seokjin faziam um belo casal. Só eles dois não haviam se dado conta daquilo.

— Vai trabalhar Namie, Jungkook está atolado em papelada — Agnes diz se escorando no balcão.

— Vejo vocês depois — ele diz sorrindo — qualquer novidade eu te aviso Yê.

— Pra você é cunhada — ela diz sugestiva e ele ri.

— Tchau Yerin — e do mesmo jeito que ele chegou, ele foi embora.

— Acham que a Filter pode ser salva? — Mihee pergunta em dúvida, ainda olhando para o lugar onde Namjoon estava.

— Salvaremos ela — Yerin diz firme — daremos um jeito.

— Não importa como, nós superaremos, juntas — Amélia diz e as outras três afirmam.

É verdade de que a Filter era de Yerin e Amélia, mas aquelas duas faziam tanto parte daquilo, quanto elas. O que elas não esperavam é que aquele clima seria estragado em breve, porque elas tinham muitos segredos e tudo que não é revelado, um dia vem à tona.