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6 Gouache paint & Promises Idiots
Notas iniciais
POV Ally Dawson
– Eu não pichei nada! Aquilo já estava ali quado cheguei! — menti. Austin não conseguira me alcançar, então pichei aquilo e sai pela porta dos fundos. Plano incrível, não é? Mas tinha um pequeno problema: a porta dos fundos era, na verdade, a porta dos fundos da sala do diretor. Passei o interrogatório praguejando baixinho.
Austin chegou depois dos cinco minutos mais longos da minha vida. O diretor Wade não era exatamente a pessoa que imaginara quando estava com raiva. Distribuía xingamentos e dizia o quanto iria custar para pintar aquilo, mas o loiro teve uma ideia brilhante:
– Por que Ally não limpa? Afinal, foi ela quem pichou aquilo! — o sorriso no rosto do rapaz cresceu de orelha à orelha quando o diretor concordou. Amaldiçoei Austin em meus pensamentos.
"Que uma vaca caia em sua cabeça", "que dentes de lobo perfurem sua garganta"
O diretor me entregou um pano e uma lata de lixo. Disse que os produtos estavam no armário do zelador, e que era bom que eu limpasse aquila parede muito bem.
Mas ele não sabia que eu iria limpar outra coisa além de uma parede; eu iria limpar uma amizade, bem limpinha. Charles Wade nos liberou de sua sala, mas disse que se não fosse meu primeiro dia, eu iria ser expulsa.
Enquanto caminhávamos lado a lado pelo ginásio sem dizer nada, dei um chute leve nas pernas do loiro, que cambaleou em seguida.
– Isto é falta de feijão, loiro de farmácia. — avisei sorrindo. Austin se recompôs e deu um pequeno empurrão com seu ombro. Ele estava respondendo provocações. Que incrível!
– Você consegue ser mais insuportável? — bufou, parando na porta do ginásio e fechando-a. Praguejei enquanto ele trancava a porta de madeira próxima à pratilheira de bolas de basquete.
– Por que trancou a porta? — perguntei e tentei passar por Austin, mas o mesmo me impediu com o corpo. — Quer que eu faça outra frase mas dessa vez em sua cara?! — passei o resto de tinta spray que havia em minha mão no rosto do loiro de farmácia.
– Não, obrigado. — respondeu. Ele pegou o pano em minha mão livre e sem tinta e passou pelo rosto, limpando a tinta. — E não vou discutir com você de novo. — me entregou o pano. — Limpe.
Ri sem acreditar. Ele achava mesmo que podia mandar em mim? Achava mesmo que eu iria limpar aquela parede imensa? Pois estava muito enganado. Se fosse para limpar, teria que ser com ele.
– Eu posso até limpar, mas você vai ter que me ajudar. — falei. Antes que ele pudesse reclamar, concluí, vitoriosa: — Senão deixarei isso aqui até o intervalo. Quando Dallas e Kira virem isso... Nossa! Imagina Kira parar de falar com você para sempre e...
– Eu vou pegar o material de limpeza. — avisou e saiu. Ameaçar garotos era um de meus hobbies.
Peguei o pano e comecei a passar na parede. Era muito difícil tirar aquilo da parede, mas em poucos... dias eles conseguiriam tirar aquela frase completa. Em pouco tempo, Austin voltou com duas latas de tinta e dois pincéis grandes o suficiente para pintar uma barata.
– Temos dez minutos. — avisou.
– Dez minutos? Como vamos pintar tudo isso em dez minutos? — joguei o pano na lata de lixo que o diretor me entregara. Pintar a parede parecia ser mais eficaz que tentar limpar uma parede pichada.
– Tudo é possível! — ele mergulhou o pincel dentro do latão de tinta e começou a passar na parede. Imaginei o quão lixo esta parede ficaria depois de nosso serviço impecável. Repeti o movimento de Austin e coloquei o pincel na lata, mas a tinta não permanecia no lugar. Sempre que passava, ela escorria. Pensei que seria porque eu nunca pintara paredes, apenas papeis; mas então vi Austin tendo o mesmo problema e cheguei à uma conclusão: o problema estava na tinta.
– Austin — chamei. O loiro parou de pintar e voltou sua atenção para onde eu estava apontando. A lata de tinta. -, onde você ACHOU ESTA MERDA?
– No armário do zelador. Eu estava com muita pressa e peguei. Por quê? — ele mergulhou novamente o pincel na lata, um pouco distraído.
– Acontece, senhor Moon, que essa lata de tinta, na verdade, é TINTA GUACHE! — gritei. Austin gritou um "você que me pressionou", mas de uma maneira educada demais para uma discussão.
Contudo, Austin e eu continuamos passando a tinta na parede, mas principalmente nas partes "Austin Moon", "queda", "desfiladeiro", "capitão do time de futebol". Não ficaria assim por muito tempo, mas poderíamos disfarçar enquanto o intervalo não acabava. Minha ideia foi bem estúpida, mas era a única que tínhamos. Eu ficaria encostada durante todo o almoço na parede, escondendo o nome de Austin, enquanto ele tentaria esconder a palavra "queda".
Se está se perguntando por que eu estou o ajudando, é porque ele me ameaçou. Não ameaçar para matar, mas ameaçar do tipo contar para Dallas que tenho uma queda por ele. Eu poderia deixar ele contar para o moreno, mas eu conheci Dallas em minha antiga escola, e sabia que ele dava um jeito de partir o coração e deixar claro para a garota que nada iria acontecer. Mas meu medo realmente seria a reação da namorada dele. Eu não a conhecia, mas provavelmente é uma líder de torcida vingativa.
O sinal tocou quase meio segundo depois que concordamos, finalmente, os lugares que nós dois poderíamos ficar. A tinta guache conseguiu cobrir a frase quase completa, mas se prestassem atenção conseguiriam vê-la.
Aos poucos, alguns garotos entraram no ginásio e nos encararam. Apagamos as luzes antes que entrassem, mas fiquei com receio de que ligassem novamente. Felizmente, os garotos da minha escola são bem abobalhados (pelo menos os que vira até agora, principalmente o que estava ao meu lado), e não ligaram a luz.
Ouvi muitos murmúrios e a palavra "namorando" sendo repetida várias vezes. Respirei fundo e encarei Austin, que queria me dizer alguma coisa há algum tempo.
– Ei, eu acho que eles pensam... bem... — sussurrou.
– Que nós estávamos aqui nos pegando? Sim, acho que sim. — respondi ainda mais baixo que ele. Arrumei um jeito de ficar tapando o nome "Austin" completamente e, por isso, não podia me mexer. Já Austin podeira dar saltos que ninguém conseguiria ler a palavra "queda" atrás dele, mas o loiro não ousava se mexer.
– Dallas, Dez, Gavin vocês não querem jogar hoje. — Austin repetia baixinho para si mesmo enquanto mais garotos entravam no ginásio. Nenhum parecia interessado em nós, mas davam algumas olhadas de soslaio em nossa direção.
– Austin, se sairmos daqui sem que qualquer pessoa descubra esta frase, eu juro que vou te dar um abraço e vou te ajudar com a garota. — disse baixinho.
– É, eu acho que farei isso também. — disse de volta, baixinho também.
A tinta estava escorrendo e os amigos de Austin tinham acabado de entrar no ginásio. Pelo que Dallas disse enquanto nos mostrava a escola, o sinal para que retomassem as aulas tocava quinze minutos depois que tocasse pela primeira vez. Já haviam se passado mais de dez, isso eu tinha certeza.
Talvez essa seja a primeira vez que eu quero que o sinal para voltar às aulas tocasse.
Elliot estava ao lado de Dallas, com os olhos brilhando. O ruivo que parecia o mais elétrico dos quatro, nos encarou e levantou uma sobrancelha. Eu conseguia ouvir Austin grunhindo enquanto Dez se aproximava.
Então o sinal tocou. Todos os alunos correram para suas respectivas salas de aula. O ruivo foi o último a sair, ainda com a sobrancelha levantada.
Com o ginásio vazio, Austin e eu saímos de nossa posição. Soltei o ar que não sabia que prendia.
– Essa foi... por pouco! — Austin disse, ofegante.
– MUITO pouco! — exclamei.
Mas nossa comemoração durou pouco, pois o diretor Charles Wade saiu de sua sala, entrando no ginásio pela porta dos fundos. Ele riu e fez um sinal para que nós saíssemos, mas eu estava muito atordoada com tudo que acontecera e com medo de ser suspensa, mas o diretor pareceu ter feito apenas um brincadeira conosco.
Demos de cara com um corredor vazio e uma escadaria ao lado. Nossas salas de aula ficavam ali em cima.
– Você vei ter que me pagar por essa aula perdida! — Austin disse e então se distanciou de mim e começou a subir a escadaria.
Eu o segui, subindo a escada atrás dele. Eu não fazia ideia de onde seria minha primeira aula, mas andei pelos corredores como se soubesse exatamente para onde ia.
– Acho que terá que me ajudar com a Kira, não é? — Austin perguntou, com um sorriso brincalhão nos lábios. Sorri do mesmo jeito para ele e disse:
– Você também terá que me ajudar com o Dallas, não é?
Ele riu e apontou para a sala que eu devia ir. Então fomos para direções opostas, cada um para sua classe.
Esquecemos uma parte do trato: o abraço. Não que isso fizesse falta.
Continua...
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