Photograph
10 O começo de uma história de amor
Notas iniciais
Flashback – China, janeiro de 2004 –
Sakura ainda não estava acreditando no que estava acontecendo. Ela e Gaara ficaram vivendo na China pelos últimos três anos e então ele recebeu um telegrama de urgência avisando que seu pai, Rasa no Sabaku tinha falecido há duas semanas e que só agora conseguiram contatá-lo.
Foi completamente inesperado e a Haruno sentiu seu coração apertar, aquilo queria dizer que ele ia embora e a relação deles acabar, entretanto, engoliu todo seu egoísmo para consolá-lo. O ruivo nunca tinha falado muito sobre a família, sabia que ele era o filho mais novo de três, que a mãe havia morrido prematuramente quando era criança, que trabalhava em uma empresa em Dubai antes de perder a noiva e ir viajar pelo mundo no programa de médicos sem fronteiras.
E agora ele havia perdido o pai.
Se ele estava indo embora, talvez também fosse sua hora de voltar ao Japão. Sarada em dois anos estaria em idade escolar e ela merecia uma estabilidade maior do que viver viajando por pequenas cidade do interior da China. Em Konoha havia um programa de residência médica e Shizune poderia dar-lhe uma carta de recomendação para conseguir um emprego lá.
Ser adulto era muito difícil, ainda mais quando se tem um bebê para cuidar, havia muitas variáveis envolvidas antes de tomar qualquer decisão. Tinha atendido seus pacientes de rotina e foi para o pequeno alojamento onde ela e os outros voluntários moravam. Viu a filha vir correndo em sua direção e se abaixou para pegá-la no colo. Sarada era o grande amor de sua vida e tinha muito orgulho da pequena. Ganhou um beijo babado e viu o namorado/caso/relacionamento. Eles nunca tinham de fato definido as linhas daquela relação, ela apenas foi acontecendo.
Gaara tinha ficado junto todas as vinte horas de trabalho de parto e depois se tornou uma figura muito presente nos dias dela e de Sarada. E com isso eles foram se aproximando, as linhas se bagunçando e ao final de quatro anos, eles eram uma pequena família.
— Terminou o trabalho de hoje? – viu ele vindo em sua direção.
— Sim, ela não deveria estar com as outras crianças da vila?
— Eu busquei ela. – deu os ombros – A gente se dá muito bem como você sabe.
— Eu pensei que estivesse arrumando as coisas para ir embora.
— E eu estou, já está tudo organizado. Eu viajo para Pequim em dois dias de onde vou pegar meu voo.
Sakura sorriu mesmo sentindo o coração apertado.
— Que bom que conseguiu, seus irmãos devem estar precisando de você.
— Certamente estão, eu gostaria de conversar. Acho que temos alguns pontos a acertar.
Aquela era a conversa da qual estava fugindo, despedidas eram tão difíceis. Sabia que em algum momento aquela vidinha que viviam ia acabar e teria que cair na dura realidade.
— Sim, nós temos. Sarada já comeu? Se já, podemos sentar e conversar um pouco.
— Ela já comeu sim e bastante, alguém estava com fome. – disse passando uma mão no cabelo preto da menina
Eles foram andando e se sentaram na pequena varanda que tinha ao redor do alojamento. Sarada foi brincar com alguns blocos de madeira que havia ganho de Sasori, o outro médico do grupo e a rosada suspirou.
— Você sabe que não me deve nada, Gaara, uma hora você ia ter que voltar para casa... Mas não se sinta culpado ou nada assim, você tem sido uma ótima parte da nossa vida, mas tem sua própria vida para viver.
Disse olhando para o chão.
— Sakura, a última coisa que eu achei que encontraria quando sai de casa foi encontrar uma outra pessoa. Só que a vida me surpreendeu e apareceram vocês duas. – sorriu – No ano que você chegou, eu pretendia voltar para Dubai em nove meses, eu já tinha visto tudo o que precisava e curado as minhas feridas, mas eu não consegui. A gente se aproximou, a Sarada nasceu e eu não queria estar em outro lugar. Então eu fui ficando, nosso relacionamento foi evoluindo... E cá estamos nós.
— E cá estamos nós... — Disse olhando de lado para ele. – Mas você tem que ir embora.
— Tenho, mas eu não preciso ir sozinho.
Aquelas palavras bateram forte e Sakura quase engasgou.
— Como?
— Estou aqui para te oferecer vir comigo, a Sarada precisa ir para escola, você já me disse que quer fazer residência médica e nós podemos ter tudo isso em Dubai.
— Em Dubai? Com você? Oh... Oh...
— Sim. Já está mais que claro qual é o nosso relacionamento aqui. Nós somos uma família e eu quero viver com você.
— Gaara, eu... nossa... eu não esperava por isso, mas você sabe que não é tão simples. Eu não sei se meu diploma é válido para trabalhar fora do japão sem estar no programa, meus pais vivem lá e tem a Sarada...
— Não se preocupe com nenhuma questão legal sobre visto ou validação do seu diploma, isso pode ser facilmente resolvido. Seus pais certamente vão entender sobre os caminhos que a vida te levou e você sempre vai poder vê-los e sobre a Sarada eu não acho que seja um problema.
— A Sarada tem um pai biológico que está no Japão e...
— Sakura, você quer voltar para tentar reatar com o pai dela? É isso que está me dizendo?
— Não. Não! Não mesmo! Eu não quero o Sasuke de volta, mas ele tem responsabilidades!
— Você está fora do país a quatro anos, não tem nenhum vínculo estudantil ou empregatício lá, nem sabe para onde esse cara foi...
— Eu também não tenho um emprego em Dubai.
— Isso tudo pode ser resolvido e nós começaremos nossa vida juntos lá. Haruno Sakura, eu não tenho um anel aqui para te dar, mas isso não muda o que eu sinto por você ou por aquela criança... – segurou a mão dela – E tudo o que eu quero é continuar levando minha vida ao lado de vocês. Você aceita se casar comigo?
A rosada ficou quase sem chão com aquela proposta a última coisa que imaginou que sairia daquela conversa foi um pedido de casamento. Olhou para ele e respirou fundo apertando ele num abraço.
— Gaara...
— Eu quero me casar com você e dar o meu nome a... nossa filha. Se esqueça desse Uchiha, nem ela, nem você precisam dele.
— Gaara isso é a coisa que eu menos esperava ouvir, mas a melhor coisa que eu poderia querer! Eu não sei até hoje quando a gente ultrapassou a linha da amizade, mas nesses últimos quatro anos eu não sei o que teria sido de mim sem você.
— Então isso é um sim? – disse segurando o rosto dela.
— Oh... Sim, é um sim. Mas você não precisa dar seu nome a minha filha, isso é...
— Isso não está sob discussão. Olhe para mim, nós vamos começar uma vida em Dubai e ninguém precisa saber de nada além do necessário. Sarada é a minha filha, vai ter o nome no registro e nós nunca mais falaremos sobre um Uchiha. Ele fez a escolha dele e você tem direito de fazer a sua.
— Nunca mais... Você sabe o que significa essa decisão?
— Eu não sou um homem que age sem pensar.
Sakura viu nos olhos dele a intensidade de quem tinha profunda certeza do que estava fazendo. Sabia que se aceitasse aquilo teria de deixar toda a vida no Japão para trás, afinal, muita gente os conheceu e poderia juntar os pontos. Era uma decisão definitiva.
— E o que vamos falar para... sua família?
— Nós nos conhecemos no programa, nos envolvemos e a Sarada veio de surpresa. Nós decidimos permanecer aqui por mais tempo aqui e com a convivência o que era só um caso virou casamento.
— Ninguém vai acreditar que você teve um filho e não avisou.
— Eles vão ter que viver com isso. Você só precisa conversar com seus pais para que esse assunto nunca mais venha a tona. Eu vi como você sofreu por esse cara, mas eu também vejo nos seus olhos o que aprendeu a sentir por mim, só que eu não quero nenhuma sombra na nossa vida. Está disposta a deixar tudo isso para trás, mais nada de Sasuke, nada de paternidade, nossa vida nova começa bem aqui!
Se fosse algum tempo antes, Sakura até pensaria mais sobre aquilo. Entretanto, Sasuke nunca respondeu nenhuma carta que mandou, ele apenas a deixou em mais um de seus silêncios. E agora quase quatro anos depois muito provavelmente ou ele tinha se afundado nas drogas ou tinha se envolvido com Karin ou outra garota. Não valia a pena voltar para lutar por reconhecimento de alguém que a jogou no lixo.
— Nossa vida começa aqui e agora! Eu não sei bem o que pensar sobre ir para Dubai, mas se eu puder ser médica lá, nossa vida vai se resolver.
— Eu vou cuidar de tudo, as passagens e a documentação para viajarmos está pronta. Vamos chegar e o meu advogado vai cuidar de toda questão da documentação da nossa filha e quando formos ver minha família já estará tudo como deve.
— Você já arrumou tudo?
— Eu faço apostas altas, Sakura. Vai chegar um médico novo em dez dias, eu já conversei com o Sasori, só precisa falar com a Shizune quando estivermos em Pequim.
— Oh... nossa... Eu não posso dizer que você não se empenhou.
— A gente só precisa acertar mais uma coisa. Eu tenho que te contar sobre algumas coisas da minha família e vida nos Emirados Árabes.
Sarada veio se sentar no colo da mãe e o ruivo se aproximou das duas.
— Você não é por acaso algum psicopata, certo?
— Não. – riu – E mesmo que fosse, eu não acho que ia te falar.
Essa era uma das coisas que gostava em Sakura, ela era muito sincera em suas reações.
— Você não tem uma esposa e dois filhos, certo?
— Sakura... me deixe contar, esse seu bingo de possibilidades é bastante aleatório.
A rosada riu levemente de nervoso.
— Tudo bem, estamos ouvindo.
E foi então que Sabaku no Gaara foi contar quem ele era e quem era sua família. Aquela que seria agora a família de Sakura também.
Flashback off
Sarada estava no refeitório da empresa comendo com o chefe e Karin. Sasuke não gostava de sair para comer por considerar que poderia gastar mais tempo que o necessário. A comida lá era boa e eles estavam sentado em uma mesa mais discreta. Ele não gostava de chamar atenção.
Karin tinha contava algumas coisas sobre a empresa, falou sobre como a família uzumaki tinha ações na Uchiha Corp, que Naruto Uzumaki era seu primo e brevemente que foi um acidente que a deixou paraplégica.
— Não fique sem graça, muitas pessoas querem saber, mas e você? De onde veio essa garota prodígio?
A garota ficou meio sem jeito, Sasuke estava em silêncio como a maioria do tempo, mas era bom participar daquela rotina.
— Minha mãe é japonesa e foi trabalhar na China quando se formou. – tomava cuidado com as palavras para não falar demais – Onde conheceu meu... pai e onde eu nasci. Nós moramos lá até eu fazer quase quatro anos e então meu avô paterno morreu e tivemos que ir para os Emirados Árabes. De onde é a família do meu pai.
— E o que seus pais fazem? – Karin era curiosa –
— Me pai faleceu há dois anos, ele era executivo da SUNA & CO e minha mãe é médica cirurgiã. Nós viemos para o Japão porque a minha mãe quis ficar com meus avós depois de tudo.
— Oh desculpe, eu não sabia, sinto muito.
— Seu pai trabalhava na SUNA & CO, a petroleira? – Sasuke olhou a menina –
— Hm... – ficou meio sem jeito com o olhar dele – Sim, ele trabalhava lá.
Agora boa parte da boa educação da estagiária estava explicada. Ela era filha de um executivo e de uma cirurgiã, muito provavelmente teve uma educação muito acima da média, mesmo para os padrões Japoneses.
— Como está minha agenda para amanhã?
— Tem duas reuniões pela manhã e seus pais chegam a tarde, Sasuke-san. Eu já marquei hora no Shigeki para almoçarem, Karin-san comentou que era o restaurante favorito da sua mãe na cidade. E tem uma rosa do deserto em sua mesa para presenteá-la, eu acho que ouvi alguém dizer que sua mãe cultiva um jardim.
Sarada estava levando muito melhor que a encomenda aquele estágio, Karin tinha passado o trabalho de cuidar da agenda de Sasuke todo para ela e com isso podia se dedicar a outros assuntos da empresa com ele. Ela organizava as reuniões, fazia as atas, fazia alguns trabalhos de banco de dados. Podia quase dizer que o Uchiha gostava dela.
Na verdade Karin via uma admiração muito grande nos olhos da menina, mas não era como se ela estivesse... apaixonadinha. Não era minimamente parecido com isso. Estava mais para... ela queria ser como ele. O que não era impressionante, Sasuke era um grande programador e se ela queria seguir aquela carreira era um bom modelo.
Já ouvia algumas pequenas fofocas de gente desocupada falando que ela estava envolvida com ele e aquilo era ridículo. Sasuke tinha idade para ser pai dela e definitivamente ele não saia com garotinhas. As pessoas tinham que manter a língua mais dentro da boca.
— Você pode acompanhar o Sasuke na reunião amanhã cedo, eu tenho uma consulta médica, vou pedir alguém para ficar na sua mesa atendendo aos telefonemas.
— Claro, vou fazer ata da reunião e colocar no sistema. E vou imprimir os balancetes do último trimestre.
— Muito esperta, Sarada-san, estou achando que quer roubar o meu emprego.
A menina ficou sem graça e tentou se desculpar fazendo Karin rir. Aquele jeitinho a lembrava de alguém. Não sabia bem quem.
— Calma, foi só uma brincadeira. Acho que você está mais para uma futura executiva do que para uma secretária particular.
A menina riu levemente e o Uchiha franziu o cenho levemente. Aquele jeito de rir só lembrava ele de uma pessoa que estava perdida no fundo de sua mente há anos demais. Mas vê-la rindo, foi quase como se pudesse ouvir a risada de Sakura novamente em seus ouvidos. E aquilo foi muito estranho.
Naruto contando como Hinata tinha reencontrado Sakura na cidade devia ter mexido com lembranças que ele tentava não tocar. Sakura tinha deixado o Japão quando finalmente tinha se recuperado do acidente e voltado da Reahb, ninguém mais sabia dela e quando tentou contatar os familiares Mebuki Haruno o colocou para correr a base de vassouradas deixando claro que ele não era bem vindo na casa deles e que Sakura não era mais da sua conta.
Procurou por ela um ano inteiro, mas no final a única coisa que soube foi que ela tinha entrado para o médicos sem fronteiras. Era como se ela tivesse sido engolida pela terra. Aquele acidente custou muito caro a ele, muito mais caro do que podia imaginar.
Continua...
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