Photograph
2 Acidente de Percurso
Notas iniciais
“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.” – Charles Chaplin
As coisas não estavam indo bem para Oliver Queen. Sua única irmã estava se envolvendo com drogas, seus pais estavam separados há anos e travavam uma guerra na justiça, e descobrir que sua irmã não é totalmente sua irmã é um caos, a empresa de aviação que montara estava indo a falência e para fechar com chave de ouro sua ex-mulher Felicity Smoak estava começando a se envolver com o chefe – Ray Palmer–, cujo homem Oliver odiava com todas as suas forças.
Mas se tudo estava ruim... Naquele dia iria piorar.
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Starling City
20/06/2014
22:40
Tudo acontecia exatamente igual, Oliver havia passado a noite anterior em festas, havia chegado a sua casa e apagado até as 16:00 e agora estava no aeroporto pronto para pilotar o avião que sairia de Starling City para Las Vegas.
O celular vibrou no bolso do uniforme de piloto e a foto de seu melhor amigo piscava na tela.
Atrasado.
Foi a primeira palavra que veio a cabeça de Oliver antes de atender a ligação.
– Oliver, eu sei que estou atrasado, mas, por favor, segura o avião aí – a voz ofegante denunciava que o rapaz estava correndo.
– Barry você está sempre atrasado – corrigiu.
– Nem sempre e eu já estou entrando no aeroporto – Barry desligou.
Oliver entrou no avião e foi direito para a cabine do piloto, naquele dia Diggle – seu copiloto – estava de folga, por tanto ele estava sozinho.
Alguns minutos depois todos os passageiros estavam a bordo, as turbinas estavam ligados, tudo estava conferido. E um tempo após as instruções dos comissários de bordo o aviso soou pelo avião, eles iriam decolar.
As nuvens que se formavam eram escuras e logo os ventos começaram a chicotear o avião, a chuva começou a aumentar e o avião começou a ter problemas, chacoalhava de um lado para o outro e Oliver já não tinha mais o controle.
Os passageiros começaram a se dividirem entre orações, desmaios e gritos de horror.
Barry se levantou da poltrona, seus pés escorregavam, suas mãos suadas deslizavam nas poltronas que o impediam de cair.
– Senhor, volte para sua poltrona – uma das comissárias de bordo gritou.
Mas o rapaz resolveu ignorar o pedido da mulher e continuar andando até a cabine do piloto.
– Oliver abra a porta – esmurrava a mesma.
Alguns segundos depois a porta foi aberta e Barry logo entrou encontrando um Oliver desnorteado.
– Acalme-se – Barry pediu enquanto sentava no assento do copiloto.
– Iremos todos morrer e eu não pedi perdão a Felicity pelas coisas que disse da última vez que a vi – reclamou.
– O que você disse a ela? – questionou curioso.
– Coisas horríveis – respondeu.
Oliver praguejava a tempestade, as pessoas que conhecia e muito mais a si mesmo.
– Quando chegarmos a terra firme você terá chance se falar com ela – Barry afirmou.
– Vamos morrer, será que não entende?! – Oliver vociferou cheio de ira e medo.
– Ao menos não verei Caitlin casar – suspirou.
– Você só pode estar de brincadeira – reclamou.
– Qual é Oliver? Ver a garota que você ama se casando com outro cara é pior que a morte – insistiu e Oliver bufou contrariado preferindo o silêncio como resposta.
O vento fazia o avião parecer ser feito de papel, dançava de um lado para o outro e os gritos eram como uma sinfonia de dor.
O avião cortava o ar dançando a valsa da morte tentando se manter firme, mas todos os esforços de Oliver pareciam nada.
Alguns raios dividiam as nuvens e foi fácil atingir uma das turbinas fazendo o avião descer de nariz com toda a velocidade.
Estavam condenados.
– Se você a ama de verdade deveria ter dito – Oliver gritou ao soltar os comandos.
– Eu a amo mais do que qualquer outra coisa – fechou os olhos.
Um baque forte, um estrondo medonho e tudo ficou escuro. Havia fogo por todos os lados.
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Central City
21/06/2014
08:02
A garotinha loira mantinha seus olhos azuis vidrados na televisão, seus olhos brilhavam com o desenho que passava, mas grande foi a sua irritação quando a programação fora interrompida por um noticiário rápido.
A legenda dizia: “Avião cai nas proximidades de Starling City”
– Foi constatado que o avião, de responsabilidade da Linha Aérea Queen, levava cerca de sessenta passageiros de Starling City para Las Vegas – a repórter estava na frente do aeroporto – A todo momento chegam parentes dos desaparecidos – ela apertou o ponto contra o ouvido – Também foi confirmada a identidade do piloto – suspirou ouvindo o que lhe falavam no ponto – Oliver Queen, o piloto do avião era Oliver Queen o qual ainda está desaparecido.
Felicity apareceu na sala, seu coração saltando para fora do peito, as mãos levadas a boca, os olhos cheios d’água.
– Mamãe – a garotinha pulou na frente da mãe – Eles falaram o nome do papai – choramingou.
As primeiras notas da música “All Of Me” ecoou pela casa, a loira caminhou até a mesa e a foto de sua “irmã” piscou na tela.
– Felicity – a voz nervosa de Caitlin soou do outro lado.
– Eu já vi o noticiário – Felicity sentiu uma tontura e se segurou na cadeira.
– Barry também estava naquele avião – a voz agora estava em um misto de angústia e ira.
– Deus! – fechou os olhos.
– Já fiz as devidas ligações e assim que acharem os dois os trarão para o hospital em que trabalho aqui em Central – informou.
– Você viu o estado do avião? Não tem como sobreviver – os dedos finos mergulharam nos fios dourados.
O silêncio de minutos fora quebrado pelos soluços de Felicity.
“Foram encontrados quatro corpos sendo que um é de Oliver Queen” a repórter avisava.
– Caity, mamãe está em casa? – Felicity perguntou.
– Acho que sim.
– Vou arrumar a Kira e vou deixar ela lá e depois vou direto para o hospital – avisou.
– Tudo bem.
Felicity desligou e puxou a garotinha pela mão.
– Papai está no céu? – os olhos azuis estavam imersos em lágrimas.
– Não, meu amor... Seu pai é forte demais para morrer tão cedo – abraçou-a afagando os cachos dourados.
Felicity realmente queria acreditar em suas próprias palavras.
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