Phatom Thief
1 único
Foi correndo que cheguei lá, embora fosse sedentária. Mas, da janela do meu quarto, eu vi uma luz sair da cidade e ir em direção aos céus junto as estrelas e algo me dominou, me pedia para que eu fosse até o lugar que emitia o clarão. Entrei com muita facilidade na propriedade que me pareceu ser uma boate, minhas dúvidas se encerraram quando escutei uma música muito alta e vi luzes coloridas. Pessoas dançavam, outras se beijavam. Alguém me puxou e me jogou na pista com os demais.
“Estávamos te esperando.” disse o cara mascarado, usando uma cartola e com uma capa.
O medo me dominou, eu estava num lugar que nunca sonhei em estar e muito menos sabia do que aquele mascarado me dizia. Me sentia a Alice no País das Maravilhas e tentei me despertar com um beliscão.
“Não faça isso, queremos você intocável.” ele continuou a me dizer coisas sem sentido.
Alguém bateu o cotovelo no meu braço e eu caí no chão, me levantei e olhei ao redor, o homem mascarado havia sumido. Tentava sair da pista e alisava o meu braço enquanto pensava por que me deram uma cotovelada se me queriam intocável. Eu devia ser importante ali, eu devia ser bem tratada! Perdi o controle e fiquei furiosa, puxei o ombro de uma pessoa que não pude reconhecer seu gênero, mas de alguma forma aquilo não me importou, e sentei em seu assento no balcão do bar. Ela beijava uma pessoa tão andrógina quanto, e tomei os lábios dela no seu lugar. A pessoa que eu beijei me respondeu imediatamente e a que puxei o ombro, se sentou no banco ao lado e esperou por sua vez. Eu a beijei também, até alguém arrancá-la de mim e roubar um beijo meu. Quando reparei, estava beijando todos e adorando.
Me cansei de tudo e continuava aborrecida, bebi uma bebida retirada de um caldeirão espumando de tão quente, o cara da máscara me serviu uma caneca e pediu para que eu bebesse tudo de uma vez. O gosto forte fez com que eu sentisse um estalo na minha cabeça e meus pés passaram a flutuar do chão gelado da boate. Lá de cima vi pessoas se atirando para o caldeirão, outras ajoelhadas e com as palmas das mãos coladas para receber adesivos na boca, agradecendo Abraxas por lhes mostrar a verdade em alguns segundos. Também vi pessoas se beijando até se devorarem e virarem monstros. Voltei a sentir medo, aquele não era o meu lugar. Mas eu só flutuava e nem ao menos conseguia controlar meu corpo para uma direção. Bati no teto. O homem mascarado atirou em mim como se eu fosse um balão, e até mesmo confetes saíram de mim. Caí no meio da pista e todos vieram pra cima de mim para arrancar-me pedaços. Eu não senti dor, porque meus sentidos estavam adormecidos por conta da bebida do caldeirão, eu agradeci.
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