Phaesea

1 Sonâmbula


Notas iniciais
Vamos recomeçar! Espero que gostem. Eu me esforcei muito para escrever, então boa leitura.

Samantha caminhava, calmamente, por uma rua deserta. Era noite, tudo estava escuro.

O único som presente era o de sua respiração. Sam usava um vestido — e não qualquer um. Ele era longo e vermelho, parecendo vir diretamente da idade média. Seus cabelos castanhos estavam soltos, porém, não eram lisos como de costume, e sim levemente ondulados.

Sam parou à frente de uma mansão branca estilo europeu. O portão estava aberto e Sam atravessou-o, caminhando por um extenso jardim até chegar à porta da frente. Entrou nela.

Deparou-se, primeiramente, com o hall. Era grande, com móveis feitos de madeiras nobres e bem polidos, de estilo imperial. No teto havia um lustre de cristal. Subiu a grande escadaria localizada ao fundo do cômodo, que se dividia em duas direções, e foi para a direita.

Nos corredores a diante estava um breu. As únicas fontes de luz eram lamparinas a óleo, que cintilavam em uma fraca chama. Samantha apanhou uma para levar consigo e iluminar seu caminho.

Caminhou por um extenso corredor até chegar em uma porta. Abriu-a, e se deparou com outro corredor. O processo se repetiu várias vezes, como se aquela mansão fosse um labirinto.

Todavia, como a maioria dos labirintos, havia uma saída.

Depois de andar muito, Sam se viu à frente de uma porta dupla feita de mogno, polida e com maçaneta de ouro.

A porta dava para um quarto. Quando Samantha adentrou ele, viu-se cegada durante alguns segundos, pois uma luz forte invadiu seus olhos, como se tivesse amanhecido repentinamente. Apagou a lamparina e deixou sobre uma cômoda presente ali.

Havia uma cama feita de madeira pintada de branco, cabeceira de madeira elegantemente entalhada, lençol de linho cor-de-rosa e um amontoado de travesseiros bordados. Sobre ela, uma garota adormecida, de feições calmas e cabelos ruivos, trajada com uma camisola branca que se estendia até o tornozelo.

Após alguns segundos contemplando aquele rosto, Sam ouviu um grito conhecido ao seu lado. Ao olhar para aquela direção, ela viu um garoto ajoelhado, de olhos azuis e cabelos pretos e, logo atrás dele, uma deusa — que Samantha conhecia muito bem — segurando um punhal.

A deusa levou o objeto pontiagudo ao pescoço do garoto, e ameaçou cortar sua garganta com ele.

— Não! Não mate o Noah! — Sam, instintivamente, gritou.

Desesperada, Samantha correu até a cama, colocou a mão na testa da garota, pronunciou algumas palavras e, então, a ruiva abriu seus olhos.

***

Quando Alexandra acordou, não havia quase ninguém no chalé de Hermes, o que era muito estranho, já que ainda estava bem cedo.

Ela percebeu que a porta estava aberta. Levantou-se e saiu para averiguar se algo havia acontecido.

No chalé seis, o de Atena, vários campistas espiavam, curiosos. Alex se esgueirou entre eles, para encontrar uma cena deplorável.

No chão do chalé, dormindo profundamente e em uma posição toda torta, estava Samantha.

— Eu posso saber o que está acontecendo aqui? — Perguntou a loira.

— Nós acordamos com um barulho. Quando vimos, essa louca estava aqui, jogada no chão. — Respondeu um dos filhos de Atena.

Alexandra se ajoelhou e cutucou o braço de Sam. Uma, duas, três vezes. Sem resposta.

Alex, então, chacoalhou a garota que acordou assustada e visivelmente desorientada. Sam tinha um corte na testa, certamente fruto da sua queda.

Alexandra a pegou no colo com facilidade e chamou Ian, um filho de Hebe — que era apaixonado por Samantha — e entregou-a para ele. O garoto deu uma vacilada, quase derrubando Sam devido ao seu peso.

— Leve-a para a enfermaria. — Alex praticamente ordenou, e Ian o fez.

Quíron não demorou aparecer e mandar todos voltarem aos chalés. Os campistas, no entanto, não pareciam interessados em dormir, mas sim em falar sobre o ocorrido. Vários murmúrios sobre a filha de Quione podiam ser ouvidos. Alexandra tinha certeza que a garota seria o assunto do momento por vários dias.

Algumas horas se passaram e já era o horário do café-da-manhã. Alexandra comia calmamente sua refeição no pavilhão, quando ouviu alguém pisando forte e vindo até sua direção. Era Sam.

Com sua chegada, vários sussurros começaram, entretanto, a filha de Quione parecia tão zangada a ponto de não se importar com eles.

Como não tinha chalé, Sam dormia na casa grande, entretanto, fazia suas refeições na mesa de Hermes.

— O que caralhos você tem na cabeça?

— Como assim?

— Você me entendeu, Alexandra! — Sam estava visivelmente enraivecida. — Você mandou justamente o filho de Hebe me levar até a enfermaria. Ele é apaixonado por mim, se esqueceu disso?

— Não. Na realidade, foi justamente por isso que pedi a ele que o fizesse. — Alex sorriu. — O que você tem contra o coitado? Ian é tão gentil...

— Esse garoto é chato, grudento. Não parava de me importunar com perguntas estúpidas sobre meu estado de saúde. Eu te odeio, Alex.

Alex gargalhou.

— Que tal se mudássemos de assunto e você me falasse sobre o diagnóstico que te deram?

Sam respirou fundo a fim de se acalmar.

— Sonambulismo causado por estresse.

— E você acredita nisso?

— Nem um pouco. — Sam mordeu um pedaço de queijo. — Tive um sonho estranho.

— Poderia me contar?

Então, Samantha fez um resumo sobre tudo o que havia sonhado, sem muitos detalhes, só relatando as coisas mais importantes.

— Então Noah é o nome do seu tão amado garoto dos sonhos? — Alex perguntou, em tom dramático.

Sam, desde pequena, sonhava com um menino desconhecido, o mesmo do sonho que ela havia tido recentemente. Na infância, garota acreditava que aquele menino era sua alma gêmea. Os anos se passaram e, embora Sam negasse, Alexandra acreditava que essa ideia ainda se fazia presente.

— Sim, é o mesmo garoto. — Respondeu Samantha, levemente corada. — Mas essa não é a questão. Eu só acho estranho um conjunto de fatores. Primeiro que eu tranco a porta antes de dormir e deixo a chave no criado-mudo. Como posso ter saído?

— Ah, vários sonâmbulos chegam a tomar banho estando praticamente inconscientes, por que não abrir uma porta?

— Só que eles não sonham com uma deusa grega na mesma noite. E, além do mais, eu fui até o chalé de Atena. Não pode ser coincidência.

— É... — Alex comeu uma uva. — Vendo por esse lado, é bem estranho.

***

Era horário de treinar esgrima. Na arena, os campistas, em dupla, duelavam entre si, sendo que os oponentes mudavam depois de algum tempo.

A primeira oponente de Alex foi Noemi, uma garota de cabelos vermelhos e olhos cinzentos, filha de Tique.

— Reze para que sua mãe esteja a seu lado nesse momento. — Provocou Alex.

— Não seja tão convencida. Você pode ter técnica, porém, eu tenho sorte e técnica. — Noemi revidou.

Elas duelaram. Alex era extremamente boa em esgrima, todavia, a filha de Tique não deixava a desejar. Foi uma disputa acirrada e, no fim, nenhuma delas saiu vencedora.

Do outro lado da arena, Sam não estava indo muito bem. Sua oponente era Scarlet, filha de Nêmesis, considerada a melhor esgrimista do acampamento. Devido a sua falta de habilidade, Samantha foi trucidada. Perdeu três vezes e atualmente se encontrava jogada no chão, com o pé da oponente em seu tórax e a espada em seu pescoço.

— Você devia rever sua presença aqui, Samantha Collins. — Scarlet sorriu, debochada. — Não sabe lutar, nunca fez nada de útil e, ainda por cima, invade o chalé de outros campistas! — Ela riu. — Você não é nada.

Antes que Sam respondesse, Scarlet foi duelar com outro pois já era hora da troca de duplas. Samantha não conseguia tirar aquilo da cabeça. Por mais estúpido que aquilo fosse, ela se sentia humilhada, frustrada e triste. A filha de Nêmesis tinha o poder de deixá-la daquela forma.

O resto do treino foi tranquilo para Alex e constrangedor para Samantha. Alguns campistas, ao se verem como dupla de Sam, a olhavam de diferentes maneiras: uns assustados, outros debochados, curiosos ou desconfiados.

Algumas horas depois do término da esgrima, durante seu tempo livre, Sam e Alex estavam caminhando pelo acampamento e conversando a respeito do sonho de Samantha e seu sonambulismo. Quando elas passavam por alguém, era possível ouvir um murmúrio, o que deixava Alexandra furiosa e Sam, incomodada.

Ao longe, avistaram George, filho de Atena, que corria na direção das duas com uma folha enrolada na mão.

— Finalmente achei vocês! — Exclamou, ofegante. Apoiou uma mão no joelho e esperou a respiração se normalizar. — Hoje cedo, quando, bom... aquilo aconteceu, você deixou algo escapar, Alex. Eu achei melhor te mostrar, talvez seja importante, porque não estava desse jeito da última vez que o vi e, além do mais, havia uma caneta próxima a Sam.

Ele entregou a folha a Alex, que a desenrolou. Era um mapa-múndi. Nele havia uma flecha, que apontava para um círculo — soa familiar, não? — em torno da cidade de Beaufort, Carolina do Sul.

Notas finais
Até mais!