Phaeleh I

27 Capítulo 27 – A fé de Meine


Notas iniciais
Miky: Olá meus amores *-* Trouxe mais um capítulo recheado para vocês, espero que gostem do que preparei :3 Apreciem a leitura ♥

Meine engoliu um gemido depois da queda desde a janela do banheiro do chalé de Alasd. Seu pé torceu, mas depois de movimentá-lo um pouco, voltou ao normal. Levantando-se, espreitou todo o redor para ver se alguém estava por perto e tivesse visto sua fuga. Livre, Meine foi devagar e atento, de volta pelo caminho que tinha vindo, atrás dos chalés e por entre uma série de árvores que ajudavam-lhe a ser menos perceptível. Ele tinha também a touca em sua cabeça.

– Onde será que Gefiona foi parar? — Murmurou ele a si próprio. — Ela deve ter ficado com Hayliel. — Concluiu.

Meine estava entrando em pânico. Parou uma série de vezes em seus pés, considerando se deveria ou não voltar por Svan. Ele era o problema, os Berserkers não tinham culpa de tê-lo ali. Mas o que ele podia fazer para ajudar o seu líder? Sim, Svan era o seu líder, porque Meine já se sentia da família. Claro, ele não se sentia um Berserker, jamais poderia ser, desde que era uma raça tão grandiosa e ele era um elfo pequeno e fraco, apenas com um nome estampado na testa. Phaeleh.

Porque diabos tinha de ser ele o problema? Meine deixou seus joelhos tocarem o chão e se recostou em uma árvore, tão preocupado como nunca tinha estado. Levou uma mão em punho ao peito e fechou os olhos em uma oração silenciosa a Odin, o único deus que ele realmente tinha certa confiança, certa crença, desde que ele nunca teve um estudo aprofundado à sua própria religião, se é que ele tinha mesmo uma.

Sua avó Mona lhe ensinou um par de coisas, mas ainda sim lhe faltou alumiar outras. Se sentia ser doutrinado melhor em tudo do que a vida poderia ensinar com Svan ao seu lado. Embora seu líder lhe encondeu muitas coisas que lhe eram importantes. Como o que ele realmente era. Embora Meine não o culpasse, porque o próprio Berserker não tinha exatamente uma certeza do fato de Meine ser o Phaeleh.

Por que tinha ele de ser tão importante? Que propósito tinha ele de existir? Era para ser o propósito de uma guerra? De ser a ruína do clã que em vivia agora? Seria destruir Svan?

As vezes tinha certo impulso em querer desaparecer. Sumir de uma vez da vida de todos quando imaginava ser ele o fruto de revolta, onde poderia ser ele o sinônimo de devastamento de uma vila inteira.

– Não sei mais o que fazer... Não sei mais como ajudar... Eu... — As lágrimas inundaram os olhos de Meine, e ele sentiu algo quente surgir em seu peito. Quando ele abriu os olhos, algo reluzia no lugar aonde ficava o seu coração. Era uma luz azul, brilhante, mas não era ofuscante o suficiente para cegar. — Um pedaço do céu... — Meine murmurou de olhos arregalados e lacrimosos.

Uma voz suave e macia falou no centro de sua mente. Parecia tão gentil e amorosa, que o fez querer segurar aquele pedacinho do céu em seu peito.

Não se sinta tão perdido Phaeleh... És tão belo como a luz do sol. Tens uma magia inexplicável, tome-a, use-a, não tema usufruí-la... Mas tenha sabedoria.

Meine não sabia de onde aquela voz estava vindo, mas seus olhos debulhavam lágrimas atrás de lágrimas, apenas por uma emoção inexplicável. Ele abriu a boca a fim de dizer algo, de perguntar, tirar suas dúvidas, mas sua voz simplesmente não saía.

Suas mãos foram trêmulas até aquela luz em seu peito, e ele conseguiu pegá-la em suas palmas. Era quente e tão reconfortante.

– O-O que é... Isso? — Sussurrou, erguendo os olhos para o céu. — Quem é você?

Sou Frigga e serei sua amiga...Esta é sua magia, Phaeleh. Não há no mundo um ser que seja tão especial como és... Os deuses da terra se curvam, as divindades élficas ajoelham-se perante a tua presença... Não há um ser que não possa sentir quão poderosa é sua magia. Embora os líderes da terra lutem e batalhem por ti, tenha fé e confiança de que os deuses irão amparar o teu caminho.

A luz sobre as mãos de Meine se infiltrou em sua pele. Sentia-se relaxando por dentro, e a luminosidade se estabeleceu em seu coração e mente. De repente Meine sentia que podia seguir em frente, porque deu-lhe confiança, deu lhe expectativa de que realmente poderia ajudar, que realmente poderia fazer algo.

O garoto se levantou com as pernas trêmulas, ele sacudiu as roupas e seguiu em frente, se perguntando quem diabos era Frigga. Ele já tinha ouvido esse nome antes? Parecia familiar, seria alguma espécie de divindade mágica? Ele não fazia ideia, mas aquela voz afagou o seu coração e aliviou a amargura que ameaçava matá-lo somente com preocupação.

Se perguntou o que faria agora? Ele tinha que ver Wray...

"Tens uma magia inexplicável, tome-a, use-a, não tema usufruí-la... Mas tenha sabedoria."

Aquela voz... Aquela frase... Ficou martelando em sua mente.

Ele podia realmente usufruir de sua magia? Como ele faria isso?

–*-*-

Skoll caminhava tranquilamente pelas vias do vilarejo, acompanhado de Niels. Eles tinham sido grandes amigos no começo da adolescência e amadureceram juntos com o tempo. Embora fossem de clãs diferentes, eles tinham sido submetidos ao mesmo tratamento sobre se tornar um grande guerreiro.

Tantos Berserker como Ulfhednar, eram clãs distintos, mas tinham suas semelhanças. Ursos e lobos eram considerados como irmãos, por bravura e por união.

– Temo que Darius não se importe com as consequências de uma guerra, Niels. Ele está pronto para lutar por aquilo que considera dele. Ele é um elfo afinal de contas... E acredita que Phaeleh faça parte de seu povo.

Niels olhou para Skoll com uma expressão zombeteira.

– Eu pouco me importo com "aquela" criatura. Não quero me envolver nos assuntos de meu irmão, mas também não quero que ele faça a besteira de iniciar uma guerra por conta de algo tão sem valor como Meine.

Os olhos de Skoll se arregalaram.

– Quem disse a você que ele não tem valor? — Perguntou entre os dentes, suspirando em seguida. — Não é somente os elfos que o querem... Se outros clãs descobrem, vocês estarão completamente ferrados.

– Mas os elfos não são os piores a se temer? — Niels parecia tão despreocupado.

– Eles são uns dos piores. — Skoll fechou o semblante, olhando o movimento dos trabalhadores. — Imagine se a Corte Seelie e Unseelie descobrem? Será a fim de todos que saibam da existência dele.

Niels olhou-o com um misto de horror e pânico em seus olhos.

– Cale a boca, Skoll. Isso vai se resolver logo, eu estou preocupado somente com uma guerra entre os elfos. — Ele apertou o ombro de Skoll e então saiu para a direção de um dos escravos, provavelmente o escravo pessoal dele.

O líder Ufhednar observou suas costas, e então, parado e analisando o vilarejo, suspirou de novo.

– Ele está tão nervoso que mal consegue disfarçar. — Sorriu para si mesmo.

Niels estava lhe vendo somente como um amigo e não acreditando que ele realmente poderia vir a guerrear por Phaeleh.

Bem, ele estava seriamente ponderando se essa era a melhor forma.

Ele tinha tido uma recente conversa com Svan...

Era uma noite tranquila, um dia após os estragos das últimas chuvas. Skoll e Svan tinham se encontrado em um local à beira da floresta, um pouco afastado das residências. Era silêncioso, apenas interrompido pelo ulular de corujas e os sons noturnos bastante familiares da floresta de Saranmir.

– Por que mentiu para nós, Svan? Eu posso tentar entender por que mentiu para os outros líderes, mas não posso aceitar que tenha o feito para mim também. — Skoll parecia irredutível e parcialmente ferido pelo que seu irmão por consideração omitiu dele.

– Eu sinto, Skoll. Não foi minha intenção... De verdade eu não tinha certeza o quanto Meine poderia ser Phaeleh. Eu nem mesmo podia aceitar que uma criatura assim vivesse em meu vilarejo e fosse o meu escravo. Eu o obtive em uma compra, paguei o preço oferecido por sua beleza, nada mais do que isso. — Svan tinha os braços apoiados nos joelhos e sentado sobre um tronco caído. Olhava em um ponto qualquer sobre o cascalho.

Skoll ainda não podia se manter parado, ele andava de um lado para o outro na frente daquele que considerava tanto.

– Mas por que não quer negociá-lo comigo? Eu posso obter todo o tesouro dos meus antepassados e nossos bens comerciais à sua troca.

Svan olhou bem nos olhos raivosos de Skoll. Ele parecia realmente ponderar sobre o que dizer.

– Pense bem, Skoll. Se outros descobrem sobre Meine... Virão querer negociá-lo também. Agora veja, qual beneficio aquele que chamam "Phaeleh" tem nos trazido? Absolutamente nada... A única coisa que tem nos acontecido até hoje, foram essas tragédias.

Skoll perdeu a razão e puxou Svan pelo colarinho, recebendo um olhar de morte.

– Vocês provavelmente não estão sabendo usá-lo! Ele está aqui como um escravo!

Svan soltou-se do aperto facilmente e empurrou Skoll para longe, se levantando. Ambos eram da mesma altura, não se sabia qual era o mais forte líder.

– Entenda uma coisa, Skoll, embora Meine seja um escravo porque nós pagamos por ele, nunca quis dizer que ele é obrigado a estar em nosso vilarejo, essa é nossa política. E claro, enquanto ele estiver, será tratado da maneira que se deve e eu serei o seu líder, mas isso não quer dizer que ele não esteja livre para sair no momento em que desejar. Estou ciente de que ele seja quase uma divindade para os elfos e outras tribos, e dado a sua importância, apenas está comigo porque ele deseja estar. — Svan deu as costas ao lobo. — Eu particularmente quero que ele fique comigo, porque eu o vejo da maneira que ninguém mais o vê. Portanto, é apenas uma escolha dele.

Svan se foi e Skoll estava de queixo caído.

Já de volta a realidade, a expressão no rosto do líder Ulfhednar era cômica. Ele sacudiu a face, escondendo um sorriso com uma mão.

Svan está apaixonado... Não é possível!

Com o tanto que conhecia o Berserker, além de todos os relatos sobre ele vindo dos outros guerreiros, Svan tinha sido o Berserker mais desejado pelas mulheres, mas também o mais solitário. Ninguém nunca o viu ter quaisquer sentimentos melosos por outra pessoa.

Imaginava que Svan nunca se casaria realmente, ele sempre teve asco de apenas falar sobre o tema. Era mais fácil Niels se casar e ter uma dezena de herdeiros, do que Svan ter apenas um. A não ser que fosse sem querer, bebês poderiam vir ao mundo sem querer também.

Sem ter ideia de para onde ele estava indo, percebeu que estava próximo a um dos chalés que ele se lembrava um pouco vagamente de sua última visita aos seus irmãos ursos. De alguma forma ele teve um impulso muito grande de tornar-se animal. Não compreendendo aquele sentimento, ele foi para trás da casa de Wray, notando como de fato ela precisava de reparos depois da chuva porque parte dela estava destruída e bem visível vista por trás.

Skoll transformou-se em lobo e se escondeu, à espreita. Suas orelhas sensíveis a uma audição superior a três vezes mais do que a de um Berserker, captaram os passos de pés pequenos caminhando direto para o chalé. Seus olhos dourados se arregalaram com a visão de um garoto que acabara de chegar e entrou pela porta dos fundos.

Este cheiro... Ele sabia bem de quem se tratava. Por Freya! Aquele aroma era um bálsamo para as narinas de Skoll.

Ele seguiu, analisando todo o ambiente para não ser visto logo de cara. Ele entrou pela brecha da porta em silêncio, andando apenas pelas almofadas macias das patas, notando quando o garoto retirou da cabeça a touca e deixou as medeixas brancas caírem por seus ombros. Seus cabelos estavam um pouco bagunçados, mas de alguma forma foi para a adimiração de Skoll.

Era muito grande para um lobo comum, então ao esconder-se atrás de uma poltrona, tivera que se deitar e manter seu focinho a espreitar Meine.

– Uh... Preciso de toalhas! — Ele correu até um armário conseguindo um conjunto delas. — Água! Preciso de água também! — Ele divagava sozinho.

Skoll semicerrou os olhos quando Meine travou em seus pés, olhando ao redor depois que ele já tinha escondido seu focinho. Sentiu certo alivio quando os passos de Meine tinham ido longe para onde pensou ser a cozinha. Notou o mesmo apressadamente ir até a parte mais devastada da casa, driblando uma grande árvore que tomava quase todo o corredor até a porta do que imaginou ser um quarto, Skoll arregalou os olhos.

Era o cheiro de Wray, não o cheiro habitual do perfume de Wray que havia sobre cada objeto naquela casa, mas sim a presença quente de que o homem estava situado naquele quarto.

– Aguente Wray! — Meine sibilou quando entrou no quarto, deixando a porta entreaberta.

Skoll saiu detrás da poltrona e seguiu alguns passos até que estava próximo da grande árvore. Aquela árvore parecia ter sido vítima de uma baita descarga elétrica.

Havia mais cheiros na casa, como se outras pessoas tivessem estado aqui antes, isso ele notou, mas também havia uma sensação estranha que parecia indecifrável. Seria aquela árvore? Ele cheirou próximo e espirrou. Nada. Seu nariz grande e gélido inspirou o cheiro de tudo. A casa de Wray cheirava a madeira velha, parecia com o aroma de sua própria casa.

De repente as orelhas de Skoll ficaram altivas e ele olhou fixamente para a porta. Meine estava lá, paralisado e de queixo caído.

– Um-Um lobo? — Ele murmurou perplexo.

Skoll ficou quieto. Embora fosse um lobo, ele era o líder e fora abençoado com o dom de falar, mesmo em sua forma animal. Mas por agora ele fingiu ser apenas um lobo comum — monstruoso — mas comum.

– Oh meus santos! — Meine levou as mãos a boca.

O que era aquilo, um sorriso?

Skoll ainda olhou-o como um predador.

– Um lobo, céus! — Meine bateu os pés como se estivesse em pânico, mas um pânico feliz? Skoll ergueu ainda mais suas orelhas e enrugou a testa, cheirando no garoto uma espécie de alegria infantil.

– Frigga deve ter me enviado um lobo de presente! — Ele olhou para cima como se esperasse alguma resposta dos céus.

O que Frigga tinha a ver com sua presença ali? Que diabos esse garoto estava pensando?

– Oh, veja... Você é tão bonito! Eu nunca antes tinha visto um lobo tão grande! — Meine estava tão empolgado, mas abrandou e olhou para trás. Então fechou a porta atrás dele, sem trancá-la realmente e se aproximou. A árvore estava entre eles.

Skoll não tinha qualquer vontade de atacá-lo, era diferente e ele sabia sobre isso, porque seu lado lobo que costumava ser irracional e nervoso, estava tão calmo como um cachorrinho chacoalhando a cauda.

Seu rabo queria balançar!

Ele grunhiu, o que quase saiu como um choramingar de filhote.

Os olhos de Meine brilhavam. Skoll nunca tinha se sentido um lobo tão bonito antes. E Meine não parecia ter medo dele em hipótese nenhuma, ele apenas se aproximava.

Skoll pulou a árvore, no impulso ele foi para cima de Meine que no susto caiu em seu traseiro e começou a rir.

– Você é tão grande! — Ele ria. — Deixe eu te abraçar? Por favor! — Ele arrastava suas falas de uma forma como se Skoll fosse um filhotinho fofo. Que garoto mais estranho! Ele não devia bater bem da cabeça...

Mas ele travou completamente quando o elfo simplesmente abraçou o seu pescoço e ficou afagando o seu pelo das costas.

– Que macio! — Ele apertava Skoll, e seu calor era tão bom que Skoll sentia-se enrubescer por debaixo do pelo. O cheiro era irresistível e sentia-se um tanto faminto como que desejando acasalar com aquela criatura.

Acalme-se!

Seus olhos arregalaram. Ele afastou um pouco e seu focinho era da altura do rosto de Meine. Permitiu-se apenas um gosto, uma longa lambida em sua bochecha. Meine caiu na gargalhada, e era tão gratificante faze-lo rir que ele repetiu o ato e o albino voltou a rir mais e mais.

Que lindo. Pensou extasiado.

– Meine! — Ele ouviu o grito de Svan e rapidamente se colocou a frente do rapaz, rosnando profundamente. — O que pensa que está fazendo com ele Skoll?! — Svan rugiu tão alto que abalou as estruturas.

– Suvan! — Meine gritou com ele, confuso. — É só um lobo! — Disse ele na inocência. — Deixe-me ficar com ele? Por favor?

Svan pareceu aliviar o ódio recente e passou as mãos pelo rosto.

– Pensei que ele estivesse te devorando. — Disse aliviado.

– Você disse Skoll? — Meine percebeu depois e então olhou para o lobo que grunhiu baixo e então se metamorfoseou de volta em seu tamanho impressionante de um guerreiro Ulfhednar.

Meine caiu em seu traseiro novamente.

Skoll estendeu a mão para ele, mas ficou de olho em Svan.

O garoto hesitou antes de aceitar sua mão, e Skoll sentiu seu coração estranho com como o rosto dele tinha ficado tão vermelho. Meine não ousou olhar para ele, muito envergonhado para fazê-lo.

Oh, que lindo.

Queria ser abraçado mais uma vez. Tinha sido tão bom.

– O que está fazendo aqui, Skoll? — Svan parecia um tanto tranquilo, mas desconfiado.

Por que ninguém o temia? Céus, Skoll pensava que já estava perdendo o jeito da coisa. Ninguém imaginava o quão forte lider que ele era? Ninguém tinha medo de sua mandíbula poderosa cheia de dentes pontiagudos? Nem o fato de que ele podia forjar uma guerra assim que desejasse?

– Eu... Er... Vim para uma visita a Wray. Onde ele está?

Notou a face de Meine decair para algo triste, assim como Svan que pareceu derrotado até que mascarasse. O que havia com Wray? Até mesmo ele se sentiu preocupado.

Momentos depois, ele descobriu.

Doeu ver como Wray estava praticamente em coma naquela cama. Não era como se ele tivesse tido uma grande amizade com o homem, mas o conheceu bem e teve sua cota de conselhos dele. Ele nunca tinha dito a ninguém, mas ele tinha suas suspeitas sobre Wray ser realmente um Berserker. Ou ser apenas um Berserker.

Entretudo, ainda havia em Skoll uma sensação estranha, um cheiro além de todos naquela casa.

Um cheiro vivo.

– Escutem... Não quero interrompê-los, nem nada, mas... Tenho algumas suspeitas. — Disse ele depois de algum tempo em silêncio, vendo Meine tratar da febre de Wray e Svan apenas assistir com preocupação.

– Diga. — O Líder olhou-o. Inclusive Meine o fez.

– Tem mais alguém nesta casa. — Disse ele, o que fez os olhos de ambos se arregalarem.

– O que está dizendo? Alguém invadiu? — Svan estava prestes a ir até a porta quando Skoll puxou-o pelo braço.

– Não é isso! Tem alguém sim, mas não está encondido... É estranho dizer isso, desde que eu sinto todos os cheiros dessa casa. E em minha forma de lobo eu detectei algo vivo... E eu... — Os olhos de Skoll se abriram amplos. — A árvore! Temos que remover a árvore!

Ambos se viraram quando Meine gritou em desespero.

– Aricin! — Gritou ele.

Svan ficou petrificado. — O que está dizendo Meine?

– É Aricin! Agora eu sei o que sentia... Aquele desespero em meu peito! — Os olhos de Meine eram de puro terror. — Aricin desapareceu desde a noite das chuvas, e não se teve qualquer sinal dele!

Svan saiu como um foguete do quarto e Skoll o seguiu para onde estava a árvore imensa que fora derrubada durante a chuva. Fora certa dificuldade para ambos empurrarem o peso de toneladas do corredor para fora da casa e retiraram os destroços da escada que dava para o sótão. Havia um tapete todo enrugado e úmido que fora rapidamente removido por Svan e revelou-se então uma portinha no assoalho de madeira. Tudo estava aos pedaços, mas se alguém estivesse naquele porão, com tamanha árvore no caminho, seria impossível escapar.

Eles trabalharam juntos em entrar abaixo do pavimento, encontrando uma escada de madeira que não havia sido destruída graças aos deuses. Skoll foi à frente usando de sua audição. Transformou-se em lobo na metade do caminho e assim que chegou ao chão em um pulo, encontrou aquele que eles chamavam "Aricin" caído em posição fetal, porém ainda vivo.

Continua...

Notas finais
Miky: Obrigada por ler ♥ Espero que tenha gostado do conteúdo, perdão se houve errinhos. Até a próxima segunda! Beijinhos