Peço Silêncio
4 Não quero ser, sem que me olhes.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
— EU não.. faço ideia. Tentei falar com ela antes, mas ela disse que nunca mais quer olhar na minha cara. — Respondeu com uma tristeza sincera na voz. Eu estraguei tudo, Naruto.
— Talvez se você se esforçar um pouquinho mais ela te perdoe..? Todos nós sabemos que ela ama você. Sempre amou. Até mesmo quando não deveria. — Naruto respondeu, enquanto Hinata ia em direção a cozinha, deixando os amigos na conversa. — Você devia ser sincero. Assim como foi conosco. E talvez devesse entregar alguma coisa para ela.
— Eu não tenho nada pra entregar para Sakura, Naruto. Não faço ideia de como me desculpar pelo que fiz..
Hinata voltou na sala segurando duas rosas vermelhas, que pareciam recém colhidas e molhadas com algumas gotículas de água. Naruto observou a esposa que lhe sorriu gentilmente e então entregou-as para Sasuke.
— Eu plantei. Estavam na minha cozinha, arrumei-as de enfeite. Mas acho que você precisa mais delas do que eu. — A amiga disse enquanto colocava suas mãos na frente de sua camisola.
Sasuke sentiu uma enorme vontade de chorar e um grande alívio por ter amigos como eles. Que mesmo quando ele fazia coisas que um amigo não deveria fazer, o casal lhe perdoava. Abriu um pequeno sorriso para transparecer gratidão para a mulher que estava ao lado de seu marido.
— Obrigado. Por tudo.
Naruto começou a empurrar o amigo para a porta de entrada, antes que ele mudasse de ideia e desistisse do que já tinha reunido coragem para fazer: Pedir desculpas à Sakura. Sasuke bufou enquanto era levado pelo amigo.
— Eu confio em você. Você consegue fazer isso, Sasuke. Vai lá. Tenho certeza de que ela vai te ouvir.
Sasuke assentiu com a cabeça e sumiu na noite, segurando as duas rosas entregues para ele por Hinata.
Alguns passos aqui, alguns passos ali, e logo estava na frente de sua casa. As luzes estavam apagadas e ele temeu acordar sua esposa e deixar a situação pior do que já estava, mas era algo que ele precisava fazer. Talvez se deixasse para se desculpar amanhã, já não teria mais coragem.
Respirou fundo e bateu na porta. Nada. Bateu mais uma vez. As luzes se acenderam e ele sentiu um nervosismo que nunca havia lhe acometido antes instaurar-se em si. Cronometrou os passos da mulher que conhecia tão bem, sabendo que naquele instante ela descia as escadas. Quinze passos até a porta e era seu momento de falar.
Quatorze.. Quinze.
Juntou toda a sua coragem e observou os olhos verdes lhe fitarem furiosos quando a porta foi aberta. Ela fez menção de que iria fechar a porta, mas Sasuke colocou seu pé direito ali, interrompendo o movimento de Sakura.
As bochechas ficaram rosas, como o tom de seus cabelos, e ela furiosa, e sua esposa cruzou os braços enquanto observava as duas rosas vermelhas nos braços do homem. Sasuke queria rir da situação e dizer que ela estava mais bonita do que nunca. Sakura ficava linda quando brava. Mas aquele não era o momento.
— Eu sinto muito, Sakura.
— Pelo que? — Ela arqueou a sobrancelha, enquanto permanecia com sua face irritada.
— Por ter te acusado de traição e ter saído de nossa casa sem mais nem menos. Eu não deveria ter feito isso. Eu tinha que ter escutado sua versão, mas eu estava tão cansado...
— Pois é, Sasuke-kun. Eu também estou cansada de chorar por você. Eu fiquei muito mal, sabia? Creio que Naruto te contou.
— Sim. Eu sei. E também sei que essas rosas não são nem o mínimo para que me desculpe, mas foi tudo o que consegui arranjar. — Ele suspirou e tocou na mão de sua esposa, puxando seu braço e fazendo-a colocar sua mão sobre seu peito. — E isso. Meu coração. É seu. Espero que seja o suficiente, senhora Uchiha.
Ela corou e então ficou um pouco mais enfurecida enquanto sentia o coração do marido palpitar forte dentro do peito.
— Você vai precisar fazer um pouco mais do que isso.
— Eu abro mão de qualquer coisa, Sakura.
Ela fitou-o, curiosa.
— Qualquer coisa?
— Até mesmo das estações, para que você permaneça ao meu lado. Só não abro mão da primavera. Que me remete a você. Quero que minha primavera continue me olhando. As outras estações.. tanto faz. Eu só preciso de você na minha vida. Por favor, permita-me recomeçar.
Ela levou seu dedo indicador em sua boca, surpresa com as palavras do rapaz. Pensou alguns segundos e se aproximou dele, passando seus braços pelo pescoço do marido e abriu um sorriso doce.
— Eu nunca parei de te olhar.
— E eu espero que nunca pare. Eu amo você, Sakura.
— Você ainda não me convenceu.. mas vou te dar uma chance de me mostrar o que tem, além das rosas e palavras sinceras. — Ela disse, simples.
E Sasuke conheceu o terceiro dia mais feliz de sua vida:
Quando sua esposa sorriu para ele e entregou-se em seus braços.
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