Notas iniciais
Este capítulo será basicamente o núcleo de tudo, servindo para mostrar como Luke e Major se conheceram. É importante ressaltar que mais personagens aparecerão mais para frente, mas por hora o foco está nesses dois. Boa leitura ♥

Mais uma semana normal na vida de Luke : Suspenso por conta de pichações na escola. Sete dias, e para cada dia, um inferno na vida de sua mãe, que era atormentada por ligações de todos os lugares para falar sobre seu "comportamento imaturo e imprudente".

O loiro não era má pessoa. A rebeldia começou após o divórcio dos pais, que ocorreu durante o começo da adolescência. O conflito interno por ver suas estruturas desmoronarem como um frágil castelo de areia seca em pouco tempo se tornou um surto. Após longos seis meses com frequentes ligações sobre uso abusivo de álcool, vandalismo e outras obscenidades, sua mãe foi orientada a inscrevê-lo em algum programa para explorar sua energia e capacidade criativa.

Os programas eram, em sua maioria, voltados a práticas violentas, como futebol americano e esgrima. O rapaz participou de ambos por uma semana. Uma semana depois, três jogadores deixaram a equipe de futebol e houve um abaixo assinado para sua expulsão do clube de esgrima. O motivo era simples : ele era desagradável e sádico, com uma leve pitada de sarcasmo. Jenna, a garota dos bolinhos, dizia que ele era como um cupcake de baunilha com recheio de chocolate, porém com pimenta e veneno na receita.

Após muito ponderar, foi decidido por sua mãe e pelo diretor colocá-lo no clube de teatro, afinal, não haveria como causar tanto transtorno, uma vez que sempre seria algo que poderia ser trabalhado como forma de atuação. Luke não gostou, mas não teve escolha, uma vez que era o teatro ou a expulsão. Ele iria se esforçar para ser o mais comum possível, torcendo para que as sete da manhã seguissem rapidamente até as nove.

No primeiro dia de curso, às sete, não havia nada na cama além de uma criatura com olheiras e cabelos pretos desgrenhados quando o alarme tocou.

– Puta merda! — gritou o jovem, enquanto pulava da cama.

Luke estava pronto às sete e vinte, chegando na escola dez minutos depois. Tudo parecia tranquilo e ninguém parecia ter notado sua falta, uma vez que era seu primeiro dia e ninguém sequer saberia que ele deveria estar lá. Jenna dos bolinhos estava conversando com um garoto alto e atlético do clube de ginástica e mal havia reparado sua chegada também, porém, antes que pudesse comemorar, sentiu um tapa nas costas seguido de um cumprimento de uma figura um tanto peculiar.

– Olá. Luke, certo? Está atrasado. — Disse um homem alto de cabelos pretos, com um cavanhaque e bastante rímel.

– Desculpe, acabei perdendo a hora e... — O loiro começou a se explicar, mas se perdeu ao perceber a roupa do maior.

O homem usava uma camiseta preta colada, um colete rosa escuro com paetês rosa choque, uma calça ainda mais escura que a camiseta e tão colada que parecia espremer até a alma do homem, terminando com botas pretas com detalhes em prata e rosa. Ao perceber o olhar do menor, sorriu.

– Tudo bem. Será nosso segredo de primeiro dia. Sou Major e sou responsável por você e pelos outros alunos.

Uma figura loira e sorridente apareceu atrás de Major, cutucando-o.

– Bom dia, diretor. O que vamos ensaiar hoje? — O entusiasmo na voz da garota era gritante.

– Bem, estava planejando algo com mais ação, mas acho que seria ótimo fazer algo com a cena do beijo da Branca de Neve. É sempre bom praticar esse tipo de cena, além de que é uma ótima oportunidade de ver as habilidades de improviso do novado. O que acha, Madeleine?

– Acho que será ótimo! — Exclamou a garota em alto e bom som.

Um frio na espinha foi o que Luke sentiu. De invisível passou a ser o centro das atenções, como se um holofote estivesse sobre ele num mundo de sombras.

Todos começaram a arrumar o palco antes mesmo do loiro dar sua resposta, terminando em cerca de cinco minutos. O suficiente para um improviso.

– Eu serei o príncipe — Disse Major, com um sorriso traiçoeiro — Novato, você será a nossa Branca de Neve. Morra, por favor.

Uma piscada foi dada ao menor e o mesmo corou. Por mais estranho que possa parecer, sua relação com uísque era mil vezes melhor que com pessoas, ainda mais nessas condições.

– Todos em seus lugares. Três, dois... Um. Ação!

As luzes se apagaram e os holofotes focaram em Luke e Major. O diretor e ator começou a recitar suas falas. Luke captou algo sobre reviver seu amado e um beijo de amor verdadeiro.

Beijo. A palavra ecoou na mente do mais jovem e seu corpo tremeu. Nunca tivera medo de nada, mas agora estava se sentindo como um rato indefeso. De olhos fechados, sentiu uma respiração cada vez mais perto de seu rosto. Quanto mais a respiração se aproximava, mais suor era exalado. Ao perceber o contato perto de acontecer, o jovem se levantou, empurrou Major e vociferou um não em alto e bom som.

Ao voltar a si, percebeu que estava ofegante, provavelmente vermelho, por conta de sua pele exageradamente branca, e com todos o olhando. A única coisa que poderia ser feita foi estender a mão para ajudar o diretor a se levantar.

– Sinto muito. Não estou acostumado com esse tipo de coisa e... — Tentou se explicar, mas se embolou no meio da explicação.

Major se levantou, deu um sorriso sádico e, aos poucos, se aproximou do ouvido de Luke. Fez questão de respirar o máximo possível para deixar o jovem constrangido. Ao chegar bem perto, respirou mais forte, sentindo o mais novo estremecer e disse :

– Bem vindo ao clube de Teatro, novato.

Notas finais
Bem, é isso. Tivemos duas personagens que aparecerão mais para frente na história, como Jenna dos bolinhos e Madeleine.Mais futuramente postarei alguns desenhos de Major e Luke. Obrigado pela leitura. Até o próximo capítulo.♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.