Petite Bulle de Savon
1 ❤ Pequenina bolha de medo ❤
Notas iniciais
Sim sou eu com mais um Mpreg, mas não se preocupem essa fic já foi finalizada e tem somente cinco capítulos que serão postados todas as quartas. Eu a escrevi dois dias antes do final do ano se não me engano e tive ajuda da linda e maravilhosa Beah Padfoot. Ela me incentivou ainda quando não se passava de uma Oneshot. Fiz essa história, pois a outra é cheia do drama e vocês necessitam de momentos mais fluffys que eu sei.
Espero que gostem dela e desculpe os erros tentei concertar o máximo que pude e a liga dos betas está sem betas disponíveis então é isso ae o/
Eren respirou fundo mais uma vez desde que entrou naquele cômodo, estava completamente ansioso e aterrorizado, já tinha batucado tantas vezes os dedos no tampo de mármore da pia que era capaz de ter leves arranhões no mesmo, ainda que suas unhas não estivessem tão grandes por já tê-las ruído por completo.
Mais foda-se.
Muitas coisas haviam mudado aos longos dos anos e com ela vinha à capacidade de poucos homens gestarem por uma mutação hermafrodita. Homens por fora, mas uma mulher completa por dentro, ou melhor, um sistema reprodutor parecido com o de uma. Fora uma coisa que acontecera depois do grande problema com poluentes e guerras que afetaram o mundo ao ponto de morrer 1/8 da população mundial.
Muitos homens que nasciam com essa características as suprimiam com medicamentos, um homem que poderia engravidar não era obrigado a engravidar, assim como as mulheres. A chance de um homem nascer assim era quase de três para 10 e Eren nascera com a sorte de ser um dos “abençoados”.
Sim ele era gay. Mas não por ter essa característica. Ele nascera daquele jeito _gay_ e morreria assim, mas mesmo que tivesse uma dessas bênçãos em sua vida não queria de jeito nenhum engravidar, pois com certeza ele não seria um cara para se chamar de “melhor pai de todos”. Por Deus ele até gostava de crianças, mas longe e com suas mães/pais por perto.
Eren era sim um dos que não largavam a mão do seu anticoncepcional por nada. Nunca se esquecera de tomar em sua vida, desde que entrara na puberdade tomava _prescrito pelo seu médico, logicamente_ e jamais se deixara de tomar, o que era um milagre já que sua memória para as demais coisas era terrível. Mas ele não contava que com a brincadeira de mal gosto de seus melhores amigos suas pílulas acabassem estragadas.
Simples ele compraria no dia seguinte, não é mesmo? Ou pegaria da sua outra cartela em casa. Mas ele não estava em casa, não ele havia inventado de passar a noite na casa de sua cunhada que dava uma festa e naquela noite seu querido namorado resolvera fazer outra festinha no quarto deles.
E Eren? Bem além de estar bêbado não se lembrou de tomar a pílula do dia seguinte e só voltara a ingerir as malditas pílulas anticoncepcionais uma semana depois. O negócio era que mesmo que já passasse quase um mês do acontecido ele vinha se sentindo meio mal e tonto, cansado, inchado e sem contar as mudanças de humor bruscas.
Normalmente ele não pensaria em gravidez. Não mesmo. Não até a sua sogra falar que Eren parecia uma mulher gravida, claro na brincadeira, pois todos sabiam que ele não queria ter filhos, mas isso o fez lembrar-se da sua burrice há alguns dias atrás. Só que ele não correu para o supermercado assim por brincadeira, foi depois de mais uma semana em que ele quase vomitou ao sentir o perfume do seu namorado e começar a chorar assistindo um programa qualquer _The Voice_, que ele percebeu.
As coisas estão muito estranhas aqui.
Então depois de mais um dia de faculdade ele foi até um supermercado praticamente disfarçado e comprara um teste de gravidez masculino e agora estava ali no seu banheiro depois de urinar nos palitinhos, extremamente nervoso e a fim de urinar novamente.
Ele tinha apenas 23 anos e estava no ultimo ano de sua faculdade de arquitetura. Tinha um estágio dos sonhos e tudo o mais que tinha batalhado para conseguir. Seu apartamento compartilhado com o cara que era o amor de sua vida era pequeno demais para coisas de crianças. E Levi como ficaria? Pois Levi Ackerman era um gênio que com apenas 26 anos era chefe de um departamento de Neurologia e um médico brilhante com mais de 30 artigos publicados, mas com certeza ele não tinha cara de pai.
Pelo amor de Deus Levi tinha horror a qualquer sujeira e se uma criança viesse com certeza não iria...
Não...
Levi jamais o abandonaria se Eren estivesse realmente... Será que...?
Um apito de um alarme que acompanhava o teste indicava que ele já poderia ver o resultado. Respirou fundo e se aproximou do teste como se fosse algo tóxico e o segurou entre os dedos, não tinha reparado que estava com os olhos fechados, mas quando decidiu abri-los e encontrou bem alarmante no visor digital: três semanas e meio.
Okay...
Ele decidiu que podia pirar.
❤
Estava cansado, ou melhor, exausto e a única coisa que queria agora era comer algo e cair duro na cama e dormir por dois dias inteiros com Eren ao seu lado. Estacionou o carro na garagem do prédio, cumprimentou o porteiro e subiu de elevador até o seu apartamento com o castanho mais novo. Eren chegava sempre uma ou duas horas antes de si e pedia ou preparava algo para eles comerem em frente à TV, mas naquele dia não deixou de estranhar o silêncio em que o local se encontrava.
Não havia música ou a televisão fazendo barulho. As luzes não tinham sido acesas e as janelas continuavam fechadas do período da tarde. Acabou sorrindo, pois tinha quase certeza que o pirralho teria caído no sono após um dia cansativo de aulas então caminhou até o quarto depois de ligar as luzes, mas só havia encontrado a bolsa estilo carteiro do moreno e a luz do banheiro acesa.
Talvez tivesse dormido na banheira? Era uma criança realmente.
Abriu a porta, mas não imaginei que encontraria o meu namorado sentado no chão enfrente a pia, desamparado e com lágrimas banhando o rosto, e num ato de preocupação se jogou ao seu lado puxando face dele para si. _Eren? O que aconteceu? Está tudo bem? Sente algo?
O mais novo piscou e como se estivesse o vendo pela primeira vez ali arregalou os olhos: _Levi? Você já chegou...?_ O mais velho poderia ter dado uma resposta bem ao estilo dele, mas havia notado que o seu pirralho estava chocado demais. Limpou as lágrimas debaixo dos olhos verdes que tanto amava e sorriu gentil da melhor forma que conseguia: _Faz alguns minutos.
__Eu nem preparei ou pedi nada para comermos. Desculpe-me. _Eren falou levando as mãos aos olhos e encostou a cabeça em seu meu ombro.
__O que aconteceu?
O mais novo se encolheu mais contra o seu corpo e o abracei da melhor forma que poderia. Havia aprendido muitas coisas com o Jaeger e uma delas era saber quando algo afetava o mais novo, mesmo que fosse a menor delas.
Viviam juntos há cerca de dois anos, mas já estavam engatados em um namoro há quatro anos e tudo porque sua irmã mais nova estudava com o pirralho. Jamais agradeceria Mikasa, afinal o que seria deles sem a boa e velha competição entre Ackermans?
Eren se remexeu um pouco entre seus braços e sentou-se reto no chão: _Você deveria tomar um banho eu vou pedir algo para comermos.
__Eren você...
O mais novo me encarou com os olhos turqueses e sorriu fraco dando-me um leve beijo nos lábios _Depois Levi, agora vamos só comer algo Okay?
Concordei e ele se levantou e saiu do banheiro em silêncio. Continuei encarando a porta por onde o mesmo havia saído. Após colocar-me de pé e fechar a porta do banheiro olhei ao redor não notando nada fora do normal e comecei a despir-me da camisa de botões branca que usava para tomar um banho, mas assim que passei perto do lixeiro do banheiro vi que o mesmo estava cheio a ponto de ficar com a boca um tanto aberta.
Em dias normais ele faria Eren voltar e arrumar aquilo, mas seu moreno estava abalado demais, mesmo que não soubesse com o que, então ele abriu o lixeiro pronto para tirar a sacola de lá, mas seu corpo inteiro paralisou ao avistar uma caixinha colorida em tons roxos e azuis que não permitia o lixeiro fechar.
Era um teste de gravidez.
❤❤
Saiu do banheiro apressado e torcendo para Levi não ter visto o teste de gravidez que havia escondido em suas mãos e que agora estava em sua camisa. Suas mãos tremiam demais, mas não conseguia abrir a boca e contar para o mais baixo que estava acontecendo, não até se dar conta que o Ackerman provavelmente não queria ser pai.
O que ele faria?
E-Ele estava grávido e aquilo não era uma brincadeira boba. Como contaria? Como faria com uma criança crescendo ali dentro de si? Sua vida toda mudaria e daria um giro de 720º. Ele não entendia nada de paternidade e o máximo que entendia de crianças era que se dava bem com elas e elas gostavam de brincar consigo, mas depois disso as entregava para suas mães e tchau.
E agora ele seria pai. Ele, Eren Jaeger o cara que sempre falou para todos que não queria ter filhos estava gravido de três semanas. O que faria? Primeiramente pararia com as merdas das pílulas anticoncepcionais, isso era uma certeza absoluta. Ouviu o som da campainha e com passos incertos foi até a mesma recebendo o seu pedido e o pagando.
Não estava com fome. Pelo amor de Deus ele estava para vomitar seus órgãos para fora, mas sabia que Levi estaria e pelo menos agiria um pouquinho mais normal até tomar uma decisão coerente sobre como prosseguir com a situação. Caminhou até a mesa e colocou a comida italiana sobre a mesma e foi pegar o necessário para arrumá-la.
Após alguns minutos estávamos sentados na mesa. Levi comia calmamente em minha frente enquanto eu apenas dava poucas garfadas o suficiente para fingir comer algo sem vomitar. Havia vinho em duas taças e mesmo que eu não pudesse beber, a minha vontade era encher a cara e acordar no outro dia e descobrir que fora apenas um sonho desgostoso.
__Você só vai comer isso? _o mais velho perguntou e eu continuei sem encará-lo.
__Estou sem fome.
__Vai me dizer agora o que está acontecendo?
__Foi apenas uma discursão que tive com Armin _Falei à mentira que tinha ensaiado enquanto o outro se arrumava. Não podia encará-lo ou ele saberia que estaria mentindo.
Levi sempre sabia.
__Foi algo então bem sério para te deixar daquele jeito _Levi falou levando o garfo aos lábios.
__Sabe como é, fala o que se quer e se ouve o que não quer _falei encarando o vinho sobre a mesa _Como foi o seu dia?
__Tranquilo. Nade de interessante realmente aconteceu _O silêncio se pôs sobre a mesa novamente e o único barulho que o quebrava eram os sons dos talheres de Levi. Não queria mentir para ele, tínhamos uma promessa de jamais o fazer, mas estava tão assustado e com medo das coisas que não podia contar para ele. O maldito teste ainda se encontrava em meu bolso bem escondido e me dava à sensação de ter uma rocha de 50 quilos comigo _Eren você não acha que está um tanto emocional demais ultimamente?
Engoli em seco e o encarei.
__D-Devem ser as pílulas. Sabe como às vezes eu fico mais sensível... _eu levei o polegar aos lábios e mordi a minha unha já ruída.
__Talvez. Acho que você deveria ir a um médico sabe _eu ainda o encarava e o moreno levou a taça aos lábios dando um gole no vinho e me olhando de forma calma _Acho que ele receitará algo que te faça melhor.
__Pode ser...
__Eu posso marcar com a Petra. Afinal ela é obstetra.
__Seria bom.
__Depois eu ligo para ela e quem sabe amanhã mesmo você já não faz um exame _eu voltei a encará-lo.
__Amanhã?
__Sim. Algum problema?
__Ela não está com a agenda lotada Levi? E eu tenho alguns compromissos importantes amanhã de manhã.
__Amanhã você não tem estágio. Só a faculdade e acho que você poderia faltar um dia para cuidar da sua saúde. Sabe como os seus pais são bem preocupados neste quesito, já que você é filho de um médico e uma chefe de mão cheia.
__Eu posso pensar? _perguntei sorrindo de leve para ele que concordou com a cabeça. O moreno mais velho terminou de comer e pegou as louças indo lavá-las. Sabia que Petra pediria um exame de sangue e que veria o resultado, mesmo que ela fosse minha médica e eu pedisse segredo à ideia de outra pessoa estar sabendo antes de eu contar para Levi me apavorava.
__Você quer assistir alguma coisa? _Levi perguntou para mim da pia. Tínhamos uma cozinha americana, uma ideia minha para a organização do nosso cantinho e facilitava na visão dos outros cômodos.
__Estou cansado. Vou deitar um pouco.
O moreno concordou e eu caminhei para o nosso quarto me escondendo entre os lençóis limpos. Peguei o teste e o escondi na ultima gaveta do criado mudo ao meu lado da cama e voltei para o meio dos lençóis. Queria poder falar com a minha mãe ou com qualquer pessoa que pudesse tirar um pouco daquele peso do meu peito. Sabia que a pessoa certa seria o mais baixo, mas o medo da reação dele não me deixava falar nada.
Meus olhos ardiam, mas eu não queria chorar de novo, pois sabia que desta vez não haveria escapatória do moreno. A janela do nosso quarto estava fechada, mas como as cortinas estavam abertas dava para se ter uma boa visão do céu escuro iluminando o ambiente, não havia lua ou nuvens de uma chuva, era apenas o céu meio cinzento de Berlim.
Senti um peso do outro lado da cama e logo braços mais fortes me apertaram e me puxaram contra o peito alheio e com delicadeza Levi colocou sua mão espalmada contra a minha barriga e eu me encolhi. Precisava segurar as malditas lágrimas.
__Eren eu amo você.
A voz rouca soou contra a minha nuca e eu sorri para o nada. Meus olhos ardiam e sentia algumas lágrimas já acumuladas nos cantos dos meus olhos, Levi acariciava minha barriga por cima da camisa que usava de forma tranquilizadora e eu acabei sorrindo.
Era difícil para o moreno falar o que sentia eu sabia disso melhor do que ninguém, e sabia que ele o fazia para me confortar de algum jeito, mas tê-lo acariciando a minha barriga, onde uma criança, um filho nosso estava crescendo me deixava um tanto assustado.
Um filho nosso.
Senti meus olhos marejarem e as malditas lágrimas finalmente virem à tona. Estava gravido do homem que tanto amava: _Eu amo muito você Eren _Levi falou contra o meu ouvido e eu o encarei. O moreno sorria amável para mim e minhas lágrimas desciam ainda mais.
__Eu também amo você.
__ E você sabe que eu vou ficar com você não importa o que aconteça, não é?
__Você vai? _perguntei e ele encostou nossas testas uma na outra e eu fechei os meus olhos.
__Claro que vou pirralho. Ou você duvida de mim?
Acabei dando uma risada e os lábios do moreno colaram-se aos meus _Lógico que eu jamais duvidaria de você.
__Então por que você não me conta o que realmente está acontecendo?
__Porque eu estou com medo.
__Medo do que?
__E se você não gostar do que eu tenho para te contar? E se tudo der errado? Eu não sei o que fazer Levi...
__Então me deixa te ajudar, mas eu só posso saber se você me contar _eu o encarei e nunca tinha visto os olhos cinzelados do mais velho tão brilhante como antes.
Eu o amava e ele me amava também. Tantos anos juntos lutando contra tantas coisas que se abateram contra nós e em nenhum destes anos e eu jamais havia duvidado daquele sentimento. Não era a mesma coisa do início, tinham dores e muito mais felicidades misturadas em todo aquele percurso, mas nenhum arrependimento. Do que eu estava com medo? De ser pai? De não saber cuidar de uma criança? De ela me odiar? Ou de Levi me deixar?
Três em dez. Quantos queriam a chance que eu tenho e não a possuíam? Tanto homens quanto mulheres? Eu estava gravido do homem que eu amava e que me retribuía.
__Levi...
__Sim?
Encarei o mais velho nos olhos. Ele era a minha certeza no meio da escuridão. A pessoa cujo eu sempre pensaria antes de dormir e depois de acordar: _Eu estou gravido.
E realmente não importava todas as certezas de antes. Pois a única coisa que me bastaria era o pequeno infinito construído que possuíamos ali, nada mais e nada menos. Eu e você...
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Notas finais
Não esqueçam de comentar e dizerem o que acham. Beijos da Lae Dragneel ♛
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