Os dias passavam e eu ficava cada vez mais envolvida por aquelas duas músicas. Que banda era essa? Porque me fizera tão bem?

Eu poderia resumir meu inglês em “my name is”, então não fazia idéia de como procurar por aquelas músicas. Cantarolava para umas pessoas, mostrava para outras e ninguém conhecia ou sequer tinham ouvido tais músicas. Assim fiquei um longo tempo, apertando o repeat do som e minha família já não suportando as mesmas músicas dia e noite.

Os meses passaram e eu acabei esquecendo dessa experiência um tanto quanto estranha. Estranha pois não imaginava a possibilidade de haver algo tão lindo e ao mesmo tempo tão deprimente nas músicas. Deprimente por eu não conhecer. Deprimente por ninguém naquela cidade poder me ajudar.

E o ano foi se encaminhando para o seu fim. Músicas novas foram aparecendo. Comecei a escutar os cd’s de “Malhação Internacional” (cá pra nós, era bom em uma época atrás). Conheci um estilo de música e de opinião muito diferente do que eu conhecia. Descobri o Hip Hop. Mas antes de ser uma música “yo nigga” o hip hop é uma forma de expressão e de opinião das classes oprimidas.

Voltando para a cidade de onde eu havia saído antes de me meter nesse fim de mundo, já havia esquecido as batidas pesadas da bateria, em perfeita harmonia com o som palpitante do baixo, os riffs de guitarra e a doçura da voz. Eu havia esquecido, até então, a melhor experiência musical da minha vida.

O tempo passou e se iniciava 2005. Um ano de expectativas para mim, pois iniciaria uma nova etapa na escola: o temido ensino médio. Com 14 anos, a essa altura eu já havia amadurecido o suficiente para formar opinião e diferir o bom do ruim. Me matriculei em um curso de inglês, porém sequer pensava nas músicas. Foi um início de ano complicado, turbulento pois havia muitas coisas na indústria musical e eu queria ouvir de tudo, desde o rock alternativo do Linkin Park até o rap sujo do 50 Cent. Fazia listas e mais listas de músicas a serem baixadas e as escutava até enjoar. Logo, fazia mais e mais listas.

Certo dia, fui convidada a ir a uma social na casa de uma colega, onde mais colegas meus estariam, além de amigos em comum. Conversávamos, jogávamos truco, riamos uns dos outros. Um colega nosso mandava muito bem no violão. Então ele e mais um amigo pegaram seus instrumentos e começaram a dedilhar músicas para acompanharmos cantando. Foi desde músicas internacionais até música regionalista. Em um dado momento, um desses meninos sugeriu tocar uma música do “Red Hot” (foi assim que ele falou). O outro apoiou a idéia então começaram.

A música se iniciava com uma introdução calma e profunda. E eu tinha a sensação de que já havia ouvido algo semelhante antes. O meu colega começou a cantar calmamente. A música era linda, a melodia era tranquilizadora. O pessoal achou um máximo, então um dos meninos falou: “Vamos tocar By the way, que todos conhecem”. E assim começou. Acordes indo de um som mais alto para um mais baixo. Eu pensei “Já ouvi isso”. Eles começam a cantar. É A MÚSICA. É A MINHA MÚSICA. Logicamente eu não berrei que nem louca, mas fiquei feliz com tudo aquilo.

Ao final da social, pedi o nome da banda e esse meu colega me passou uma mensagem pelo celular com o nome:

Red Hot Chili Peppers

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.