Pessoal, Muito Pessoal
1 Capítulo 1
O ano era 2002. Um ano muito peculiar, digamos. Eu tinha 11 anos e não morava “em casa”. Estava longe do ambiente onde fora criada. Onde mantinha meus tesouros. Onde mantinha meus amigos. Porém algo muito interessante me acontecera naquele ano. Algo que mexeu na minha vida e me dera um significado a mais. O significado da superação e do amor entre amigos.
Bem, comecemos assim:
Era muito comum acontecerem reuniões de amigos nessa minha nova casa. Tais reuniões eram embaladas por muita música, que cá para nós não eram as minhas preferidas, muita cerveja. Muita alegria, trocando em miúdos. Porém, certa vez ao visitar o país vizinho me deparei com um CD (pirata) que vinha com “Os maiores sucessos do pop rock nacional e internacional”. Achei interessante e comprei. Por R$5,00!! Abandonara num canto logo que chegara em casa!!
Na última semana de agosto minha irmã fizera aniversário. Justamente nesse dia resgataram ,dum canto, o tal cd. Colocaram no som e a primeira música era da banda LS Jack: “ô carlaaaa, eu te ameei como jamais...” eu curti. Mas achava meio fossa! Fiquei por ali esperando a próxima música, quando do nada começa a tocar um pagode (detalhe no meio de um cd de rock). Só não descrevo que música era pois não gosto desse estilo!! Mas aí vem a parte que interessa você leitor.
A terceira faixa do cd começava com uma mistura muito melódica de uma bateria e de uma guitarra em harmonia, juntamente com uma batida muito feliz de um baixo. A introdução era perfeita. Quando começa uma voz doce cantando rápido. Essa voz me trouxera uma paz que havia sentido uma única vez na minha vida, que não é necessária a descrição no momento. Eu não entendia inglês, mas sabia que aquela música falava de alguma coisa que tranquilizaria até o mais revoltado coração. A música acabou e eu continuava naquele estado de catarse musical. Porque eu nunca havia escutado algo semelhante antes? Por onde andaram essa pessoas na minha vida? Não fazia idéia de quem eram aquelas pessoas, pois como o cd era de procedência duvidosa, não vinha sequer um papel contendo o nome das faixas.
Começou a faixa 4, e depois a 5, a 6 e eu nem conseguia escutar, pois ficava a melodia daquela música na minha mente, flutuando na doçura daquela voz. A faixa número 12 acabara e eu percebi que estava com cara de babaca no meio da festa. Ainda bem que ninguém dá idéia pra crianças em festas como essas. Continuei ao lado do som. A faixa 15 começa com um acordes de guitarra e de baixo, indo de um tom mais alto para um mais baixo. Quando percebo aquela mesma voz entoando um verso, esse não tão dramático quanto o da outra música, mas mesmo assim me envolvera. Quando de repente estoura uma bateria insana e pesada, acompanhado de um riff louco de uma guitarra e o baixo incessante daquela pessoa. Palavras soltas são percebidas no meio daquela loucura quando finalmente o vocalista começa a fazer uma espécie de rap em meio aquela confusão musical perfeita. A música oscila entre a loucura e a genialidade de tais pessoas. Mais uma vez eu tinha certeza que era daquilo que eu precisava.
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