Notas iniciais
Espero que gostem.

Era uma madrugada gélida. Mesmo já sendo bem tarde, não estava com nem um pouco de sono.

Decidi que seria uma boa ideia fazer minhas atividades do dia, sendo que teria muito tempo livre. Cerca de três horas depois, terminei tudo o que tinha de fazer. Lembrei-me de um livro que eu estava “paquerando” já fazia mais ou menos um mês. Como minha agenda não é lá muito cheia, decidi lê-lo.

Ainda eram cinco da madrugada, então eu ainda tinha 3 horas livres.

Tomei rumo a biblioteca da casa, fazendo o máximo de silencio possível, pois era a Arme e o Lass quem dormiam do lado. Assim que entrei no recinto, comecei a vagar pelos corredores, á procura do livro, que estava bem empoeirado por sinal.

Depois que o limpei, sentei em uma mesa qualquer. Notei que, a mesa ao lado estava lotada de livro e papéis rabiscados. Por cima de toda aquela bagunça, dormindo, estava uma garota de cabelos curtos azuis, usava um vestido azul-Alice e sandálias pretas.

De acordo com a quantidade de desenhos que havia lá, pude deduzir que ela não dormira á quatro dias- vai por mim, sei bem como é isso.

Comecei a olhar os desenhos que a tecnomaga tinha feito, havia um desenho de um reino antigo, em frente ao castelo, tinha um casal, um rei e uma rainha, a rainha segurava um bebê de olhos heterocromáticos. Mari havia desenhado o antigo reino de Calnat e sua família.

Dei um leve sorriso, estava feliz por ela estar se lembrando de algo. Lembrei-me de que a Comandante Lotos havia mandado colocar uma cama na biblioteca, Carreguei Mari até lá e a ajeitei. Após isto, voltei a minha leitura.

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Quando me dei conta, já eram 07h40min, decidi voltar ao quarto 9- que era o meu, os quartos eram numerados de acordo com a ordem que foram entrando, tirando os três primeiros garotos, essa ordem ainda é confusa-, coloquei o livro por baixo do braço e rumei ao meu quarto.

Ao chegar ao local, deitei-me na cama e fingi que estava dormindo, se passaram exatos 4 minutos, e a ruiva entrou no meu quarto com um megafone gritando: “Acorde seu imortal vagabundo!”

-Já acordei netinha...

-NETINHA??!!!

É muito engraçado ver a Elesis brava, com uma veia saltando de sua testa logo de manhã, não tem preço. Estava com vontade de rir, mas eu iria levar um corte da lança dela, então apenas fiz uma expressão de sono.

-Marchando, idiota!-Gritou ela, me cutucando com sua lança.

-Sim, senhora!- Falei só na brincadeira, mas quando ela veio me atacar com seu montante, brandi minha soluna, tirada de sabe-se-lá-onde, a tempo de só ver as duas se chocarem. -Okay, parei com as brincadeiras Elesis.

A ruiva bufou e deu meia-volta, só escutei o som de um asmodiano perturbado batendo na garota. Ignorei os gritos de socorro da garota e rumei de volta á biblioteca.

Quando cheguei lá, vi que a Tecnomaga ainda estava dormindo, fiquei com dó, mas eu sabia que a Elesis iria aparecer a qualquer momento, assim que ouvi o golpe “Dança das Andorinhas” do Azin, soube que era melhor acordá-la.

Abri a porta e logo em seguida, bati com tudo, o que a fez cair no chão. Mari se aproximou de mim, esfregando os olhos, com feições de sono. A garota pigarreou para chamar minha atenção. Desviei meu olhar para a azulada.

-Sim?- Respondi sem nenhum interesse- O quê desejas?

Ela fez uma careta e depois disse:

-Eu havia dormido sobre os livros daquela mesa- A garota apontou para a mesa qual eu a encontrara dormindo-, mas... Por que acordei em uma cama? E... Não precisa ser tão formal.

Fechei o livro e fiz um gesto para que se sentasse.

-Cheguei aqui faz duas horas, você estava dormindo por cima da mesa, sei como é desconfortável dormir naquela posição. Lembrei-me da cama e a carreguei até lá. E o barulho da porta foi para te acordar antes que a Elesis aparecesse.

-Ouvi meu nome???

Mari e eu quase tivemos um enfarte, a ruiva apareceu entre nós dois.

- Ai deusas!!!!- Exclamei com uma careta- O capeta em forma de uma garota que nem ao menos parece uma garota!

Elesis sacou sua espada e eu, minha lâmina, que é mais fácil de manejar do que a Soluna.

- Gente!- Gritou a Tecnomaga, jogando um livro na cabeça da ruiva e uma enciclopédia na minha.

A espadachim deu meia volta e se retirou. Mari recolheu seus livros e alisou cuidadosamente suas capas. A azulada me encarou, e eu acabei corando no mesmo momento.

Ela estranhou, mas ignorou.

-“Anjos e Demônios”... — Ela começou a dizer- Parece interessante- Ela disse, olhando para o livro sobre a minha mesa.

A garota se virou em minha direção como se esperasse uma resposta da minha parte. Desviei meu olhar para um canto qualquer do local.

-É, é bem interessante.

A tecnomaga sorriu e sentou-se naquela mesa... Eu até queria conversar mais um pouco, mas eu não tinha assunto. Por mais que eu goste da garota, às vezes é impossível “entrar no mundo dela”.

Suspirei, me sentei e voltei a minha leitura.

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Decidi que era melhor parar quando cheguei à metade do livro.

Fui ver como Mari estava, e ela havia dormido novamente. Tinha mais folhas rabiscadas. Comecei a olhar os desenhos e fiquei pasmo.

A primeira folha que estava por cima das outras tinha um desenho completamente sem sentido:

Um menino de cabelos pretos e olhos cinza, vestido com a roupa de um gladiador imortal. Ele sorria como se fosse o melhor dia de sua vida e estava de mãos dadas com uma menina de cabelo azul e olhos bicolores, ela usava a roupa de uma tecnomaga.

Mari havia nos desenhado, como se já nos conhecêssemos antes da Grand chase. No desenho, ela sorria como se nunca quisesse esquecer aquele momento... Mas esqueceu. Eu tenho certeza de uma coisa: aquilo NÃO aconteceu de verdade.

- Mas... — Me assustei ao notar que fora Mari quem havia dito aquilo- Eu queria que tivesse...

Quase me engasguei com a minha própria saliva.

- Como?- Perguntei, encarando- a.

Ela abriu os olhos por completo e bocejou, deu um leve sorriso e depois fez uma expressão interrogativa.

- Hum?- questionou ela, esfregando os olhos- O que?

Será que ela é sonambula? Não, não é possível. Desviei o olhar e disse que não era nada.

- Ah, desculpe, acabei dormindo, de novo... Estou com tanto sono... Mas tenho que fazer a pesquisa...

Acariciei seus cabelos- o que a fez ficar uma pouco confusa- e dei um sorriso largo, tirando o livro de sua mão- o que a fez questionar- e o elevando-o para que ela não pudesse alcança-lo.

- Esquece a pesquisa- Falei pegando um pedaço de papel e colocando no meio do livro para que não perdesse a página-, você vai pro seu quarto e irá descansar... E-Eu arrumo essa bagunça pra você.

Ela hesitou, mas acabou aceitando, levantou-se e me deu um beijo na bochecha... Oque me fez corar e sorrir.

- Obrigada Sieg- a tecnomaga ia terminar sua frase se não tivesse desmaiado na mesma hora. Coitada pensei, enquanto segurava-a para que não caísse. Peguei- a no colo e a levei até seu quarto.

Depois de ajeita-la em sua cama, voltei para a biblioteca para arrumar suas coisas. Após ter feito isso, fui para o meu quarto jogar um pouco de vídeo game...Mas quando cheguei lá, me deparei com a roxinha sentada em minha cama.

- Arme...

-Ah! Oi, Sieg!- Exclamou ela colocando o vídeo game de lado- Você precisa dar uma geral nesse quarto hein... E.... Precisa lavar a roupa... hoje é o seu dia... É só isso! Tchau!

Quando eu abri a boca para falar, a maga saiu correndo, me deixando sozinho. Finalmente, o sono veio. Cai duro na cama.

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Acordei quando a azulada começou a pular em cima de mim, como se eu fosse uma cama elástica.

-Ei, ei, ei, ei!- Acordei com um susto- O quê você está fazendo, Mari?

Ela desceu da cama e ficou me encarando. Olhei-a confuso, a garota notou que eu não estava entendendo nada. Ela sorriu e apontou para a minha escrivaninha. O móvel estava repleto de materiais.

- Você vai me ajudar nas pesquisas.

Não entendi o porquê disso tão de repente, mas decidi ajuda-la. Assenti e levantei-me, andei até a escrivaninha e comecei a folhear um dos livros que estava por lá. Arregalei os olhos quando vi escritas “Pedra da alma” e “Bardinar/ Astaroth”.

Havia algumas frases desconexas como: “Poder total”, “Essências divinas” e” amor eterno por ele “... Olhei para a garota parada ao meu lado.

Ela me encarou e depois olhou para as folhas... A tecnomaga rasgou a folha que estava escrito “amor eterno por ele”. Não entendi exatamente o motivo daquilo.

Depois de um tempo que estávamos pesquisando sobre Calnat e seus reis e herdeiros, Quando li a junção das frases... “–Bardinar... Com as essências divinas, você cria a pedra da alma, e com ela você conseguirá o poder total, certo?”. Senti algo tomando meu corpo, a essência de Thanatos... Depois de alguns segundos, já não estava mais consciente.

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Acordei com Mari ao meu lado, ela parecia estar preocupada, do nada, senti uma dor insuportável no meu tornozelo esquerdo.

- Mari... O que houve?- perguntei com minha voz falhando.

- Bem, depois de ler algumas frases no meu livro, você foi tomado por uma aura negra, e depois saiu descontrolado destruindo tudo, sobre seu tornozelo... Você passou no campo de treinamento da Lire quando ela estava treinando para aperfeiçoar a “Rajada de flechas”, então já dá pra ter uma ideia do resultado, né?

Depois de um tempo, voltei para meu estado normal, e voltamos ao quarto.

Mari começou a dizer sobre como Astaroth e Caxias tinham um relacionamento complicado...

- Falando em relacionamentos complicados...

Após dizer isto, roubei um beijo da azulada,, ela me olhou completamente corada, porém com um leve sorriso, depois disse:

-Acho que estou apaixonada...- depois disto, ela segurou em meu pescoço para outro beijo.

- O que acha de namorar comigo?

- É, pode até rolar...

Notas finais
Obrigada por lerem
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!