Pesarosa

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Esse é meu primeiro One-Shot, escrevi ele há um bom tempo e só criei coragem para posta-lo agora. Por favor comentem, favoritem indiquem, tanto faz!!! Vocês não tem noção do quanto um review faz uma autora feliz!

Naquela noite, as ruas estavam desconfortavelmente vazias e silenciosas. O céu negro, estava com poucas estrelas devido à neblina e a brisa fria e úmida roçava meu rosto desafiadoramente. Alguns raios e trovões soavam próximos, indicando uma possível tempestade.

Apesar das vozes escandalosas vindo de algum bar próximo, eu ainda conseguia escutar meus passos ecoando pela escuridão, deixando-me ainda mais pesarosa sobre o que estava prestes a fazer.

A ruela parecia ainda mais assustadora agora que estava vazia, se é que isso era possível. Eu me lembrava detalhadamente de cada casa, cada canteiro de flores e de cada árvore agora escondidos sob a escuridão, as mémorias me atingindo feito navalhas, me assustando o suficiente para trazer a tona a vontade de desistir.

Segui ruela acima sozinha, escondendo minhas mãos dentro dos bolsos de meu suéter fino e velho, enquanto o vento frio cortava meu rosto e fazia minhas mandíbulas baterem.

...

Parei de caminhar, estava em frente a uma majestosa casa, respirei fundo e empurrei o portão. Conforme ia me aproximando do edifício, podia sentir minha respiração ficando mais pesada e meu coração querendo sair pela boca. Com passos curtos e preguiçosos, atravessei o tenebroso jardim, a cada passo tentando relembrar os motivos pelos quais estava fazendo isso, e espantando a idéia de desistir já que havia chegado tão longe. Depois de muito enrolar e de refletir, cheguei á porta dos fundos, de onde ouvi vozes.

Eu sabia que ali dentro uma família estava reunida, lembrava exatamente de seus rostos duros e de suas vozes frias e autoritárias. Enquanto tomava coragem para entrar, a tempestade desabou sobre mim, fazendo com que um calafrio percorresse meu corpo. Respirei fundo e com a mão ainda trêmula, abri a porta.

...

Esgueirei-me para dentro da casa sem me importar com as gotas de água que agora escorriam por meu corpo frio, encharcado pela tempestade. Tateei os bolsos fundos de meu suéter em busca do objeto de que precisava. Quando, enfim, o encontrei, suspirei aliviada e continuei meu trajeto, escondi-me atrás de uma estante e engatilhei a arma.

Fiquei abaixada por uns bons 15 minutos, somente ouvindo os passos e as risadas felizes que volta e meia ressonavam pela sala. Fiquei ali esperando e deixando que as lembranças me atingissem como balas.

Antes que eu perdesse toda a minha coragem, saí silenciosamente de trás da estante e tremulamente mirei a arma na cabeça do homem que se encontrava sentado em uma enorme poltrona negra, de costas para mim. Quando percebeu que eu estava atrás dele, me encarou perplexo. Atirei.

Sem que a mulher que estava a seu lado pudesse sequer reagir, disparei dois tiros em sua direção, fazendo com que ela caísse agonizante ao lado de seu marido. Encarei os dois corpos inertes com um certo aperto no coração, mas decidi sair em busca de meu último alvo.

Corri os olhos desesperados pela sala. Nada. Nenhum sinal de meu alvo. Foi quando, de repente, ouvi um estampido e, então, senti uma pontada de dor em minha panturrilha. Não precisava sequer me virar para saber quem havia atirado em mim e eu, sinceramente, não me importava em morrer, desde que tivesse minha vingança.

–Você? Pensei que tivesse cuidado de você há alguns anos, querida! Uma voz debochada soou atrás de mim.

Sem que eu pudesse responder, senti uma bala perfurando meu tronco. Sequer me importando com a quantidade de sangue que jorrava de meus ferimentos, tentei correr. Podia perceber agora meus sentidos ficando obscuros. Por mais que tentasse me manter em pé, a dor me consumia, enfraquecendo-me cada vez mais. Caí de joelhos, agora podia sentir a vida se esvaindo de meu corpo junto a meu sangue. Deixei-me recordar, pela primeira vez em muito tempo, a vida feliz que um dia eu havia tido, da família que um dia eu havia amado. E, dolorosamente, permiti que uma fria e solitária lágrima escorresse de meus olhos, agora quase inexpressivos. Ouvi ao longe, uma arma sendo engatilhada e, com o resto de minhas forças, virei-me apenas a tempo de ver uma arma apontada para minha cabeça. Então, minha irmã puxou o gatilho.

Notas finais
Bem, se você está lendo isso, então muito obrigada por ler! Não se esqueça de deixar um comentário (mesmo que seja dizendo o quanto você odiou, se esse for o caso)!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!