Todo aquele sentimento inditoso parecia ter ido embora. Saí da cama, com os pés descalços mesmo, sem me incomodar com o contato com o piso frio das cinco da manhã. Abri as janelas e olhei o sol que ia nascendo lá ao longe, tingindo a rua de um alaranjado vivo. Seu brilho episcopal atravessou os prédios, as copas das árvore e a neblina apenas para brilhar no meu rosto. Era hora de reagir. Um riso débil escapou dos meus lábios com a constatação de que eu era a dona do meu destino. O que antes parecia assustador, era uma benção.