Era mais uma cena indigesta.

Eu estava sentada no sofá, assistindo uma série qualquer quando o urro de ódio me atinge.

— Essas merdas não podem passar na minha casa! Pouca vergonha!

Diz ele, esbofetando a mesa de jantar.

Por quê tão afetado?

O brutamontes tem o maxilar trêmulo, os olhos desvairados. Miro a televisão, apenas para ver uma cena pura e ingénua: dois meninos trocando um selinho numa série adolescente.

Ao invés de me contorcer, eu reagi.

— Não acho. Acho lindo.

— Se virar sapatão, sai da minha casa.

"Domais tua cólera, menina. Não precisa provar nada "

Respirei fundo e sai.