O bluco das ondas e o crispar dos pingos gelados me faziam estremecer, mas minha fala era genuína.

A baleia me encarou com seus dentes ensanguentados e pontiagudos e seus olhos vazios como dois cofres trancafiados, enquanto ria horrendamente.

— É? E porquê não?

— Por quê não estou tentando ser gostada. Não me importa se tu vê-me.

A baleia piscou, parecendo não compreender.

— E inclusive, pode ficar com isso também. Saindo sabe-se lá de onde, joguei meu telefone no mar, exasperada.

A baleia pareceu horrorizada, como se um arpão tivesse ferido-a.

— Mas como? como?

Eu sorri, sentindo a frágil liberdade palpitante.