Claire estava sentada no sofá segurando Richard. O menino brincava com uma colher e parecia ignorar a imagem dos hunters caídos pelo chão.

Já quase não havia mais barulho lá fora, os tiros haviam diminuído. Provavelmente Jill e Leon já haviam limpado a área.

Ela se perguntou como Leon sabia que as duas estavam alí. Leon que a avisara sobre o perigo que Jill corria. Ele disse que sabia que estavam atrás de Jill. Leon tinha suas fontes e ela até poderia imaginar quem tinha dito a ele tal coisa. Mas ela não conseguia entender como se encontraram naquele lugar.

Naquele momento Leon entrou pela porta, seguido de Jill.

_ Vamos partir? — Disse olhando para Claire – Jill me disse que esse não era o destino de vocês, então parece que vocês despistaram eles sem a intenção, pois acredito que eles tenham pensado que vocês estavam vindo para esse lugar.

_E como nos encontrou?

_ Apenas sorte. Eu só sabia qual estrada pegar, não sabia onde parar. Sabia que poderiam precisar de ajuda e ao encontrar o carro abandonado tive certeza.

Jill sorriu agradecida e pegou a mochila sobre a cadeira, se preparando para sair.

_ Esperem, e a mulher? Não podemos deixá-la.

Jill balançou a cabeça e pegou Richard, enquanto Claire e Leon subiram as escadas.

Jill sentia-se profundamente tocada pelas lágrimas daquela mulher. Claire descobrira que seu nome era Marian e ela morava com o marido e alguns funcionários naquele lugar. Sentia-se ainda mais triste porque sentia que tudo o que acontecerá com Marian estava destinado para ela mesma.

Marian chorava há cinquenta minutos ininterruptos, desde que deixara sua casa. Sem outra opção, Claire contou a ela o acontecido de uma forma doce e tentara confortá-la várias vezes.

Embora triste, Jill percebera o quão difícil era para ela lidar com seus sentimentos e com os sentimentos das pessoas. Não conseguira dizer nada a Marian, nem abraçá-la como Claire, sentia-se totalmente sem reação.

Lembrou-se de Isabel, a amiga que também perdera tudo. Mesmo sentindo Isabel como uma mãe, Jill jamais havia lhe dito o quanto ela era importante. E Chris... 'Chris, você é apenas uma confusão na minha mente'.

Estava distraída e não percebeu que Leon já atravessava a porteira. Haviam chegado, finalmente.

Assim que estacionaram, Leon ajudou Marian a caminhar em direção ao carro. Jill levava Richard e Claire a bagagem.

_Todos merecemos um bom banho, uma boa refeição e uma noite de descanso. — disse Claire.

_Sim, seria ótimo – Leon concordou – Acredito que estarão seguras por um bom tempo, já que eles acreditam que vocês não tem mais onde ficar. Precisarei voltar depois de amanhã, o presidente me espera para uma reunião. — Ele então olhou para Jill – Além de buscar seu carro, tem algo mais que gostaria que eu fizesse antes de partir?

Jill sorriu e pensou em Isabel. Então balançou a cabeça confirmando.

Jill olhava pela janela do quarto, admirando a bela visão daquele pôr-do-sol no campo. Já havia mais de um mês que estava naquele lugar e ainda se surpreendia com aquele belo espetáculo da natureza.

Sem internet e sem telefone, sentia-se fora do mundo. Depois de buscar Isabel e partir, Leon não dera mais notícia, o que a levava a crer que ele tivera algum problema ou missão importante. Claire ficara duas semanas ali com ela, mas partiu para uma reunião no TerraSave, levando Marian consigo e não retornara mais. Para Claire, Marian se sentiria melhor ficando com mais pessoas e ela precisava de cuidados médicos.

Jill, Richard, Isabel e dois funcionários da fazenda, Johnson e Daniele, permaneciam sem notícias. Dois dias atrás Jill enviara Johnson a cidade para ligar para Claire, mas como não obtiveram nenhuma noticia, ela começava a ficar preocupada.

Decidiu que assim que amanhecesse faria alguma coisa. Iria atrás de Claire. Só não sabia por onde começar, uma vez que Claire disse que não retornaria ao seu apartamento antes que Leon as informasse sobre a situação.

Jill beijara a testa de Richard antes de sair do quarto. O menino adormecia tranquilamente.

_ Eu vou voltar para você. Eu sempre vou – sussurrou.

Isabel a esperava na sala segurando algumas das coisas que levaria.

_ Você vai ficar bem Isabel — ela disse arrumando a peruca ruiva – Não pretendo demorar.

Isabel não disse nada, mas seu olhar demonstrava a preocupação que sentia. No fundo ela entendeu que Jill não pertencia a uma vida tranquila, pacata. Sentia que ela estava diferente desde o ocorrido no mês passado, ela parecia ter retornado a vida, pois estava fazendo planos novamente.

Jill deu um forte abraço na amiga e saiu pela porta. Entrou no carro e seguiu sem olhar para trás.

Sem outra opção, Jill dirigia há horas rumo a agência norte americana da BSAA. Não tinha ideia de onde poderia encontrar Claire e só confiaria neles para ajudá-la.

Esperava não chamar a atenção e por isso optou por um visual e veículo diferente, pegara a caminhonete de Johnson.

Percebeu que já estava chegando e começou a pensar em todas as lembranças vividas ali dentro desde sua fundação. Embora frequentassem mais a Sede na Europa, Chris e Jill estavam visitavam aquela raiz, por ser o mais perto.

Jill se perguntou se O'Brian estaria por ali. Naquele momento era o único que precisava, que poderia ajudá-la. Precisava que a ajudassem a encontrar alguma informação confiável do possível paradeiro de Claire.

Estacionou a caminhonete e colocou um parte do cabelo sobre seu rosto, caminhando em direção a entrada.

O chão espelhado daquele lugar refletia a mobília moderna daquela recepção. Jill observou brevemente as poucas pessoas ali e percebeu que não conhecia ninguém. Aparentemente alguns colegas mudaram de cargo. Mas se deu conta que muito tempo havia passado.

Uma mulher de óculos se aproximou dela.

_ Posso ajudá-la?

_ Sim. Na realidade preciso muito falar com Clive O'Brian. Somos amigos desde quando a BSAA era uma ONG pequena com poucos recursos, conheço a importância da Bioterrorism Security Assessment Alliance e tenho certeza que ele deve estar muito ocupado, talvez esteja na Sede na Europa. Mas só preciso de cinco minutos com ele, mesmo que seja por conferência online. Por favor.

A mulher olhou para Jill impressionada:

_ Seu nome, por favor?

Jill olhou para ela amigavelmente, mesmo sendo difificil.

_ Eu não represento nenhum perigo. Já passei pelo detector de metais. Só preciso de cinco minutos, ele irá me reconhecer. Podem me revistar novamente, se quiserem. Mas não posso falar mais nada.

A mulher se afastou olhando para ela. Jill percebeu que ela falava ao telefone.

_ Recebi ordens para que a senhora espere em uma sala. Um dos responsáveis presentes vai conversar com a senhora e analisar a possibilidade de conferência.

Jill mordeu o lábio. Queria que as coisas fossem mais fáceis. Ela sabia que se tivesse dito o próprio nome muitas portas teriam sido abertas para ela, tudo seria diferente. Mas naquela momento não confiava em ninguém.

Jill fora levada para uma sala de espera no terceiro andar do edifício. Se aproximara da janela para se distrair um pouco enquanto olhava para as ruas movimentadas.

Escutou alguns passos no corredor , em direção a sala que estava. Era um oficial nunca visto antes. Ele apenas olhou para dentro da sala, cumprimentou-a com um sinal e seguiu pelo corredor.

Jill voltou a olhar pela janela. Deixou seus pensamentos voarem livres, lembrando todas as vezes que estivera entre seus parceiros da BSAA. Muitos momentos foram agradáveis, outros engraçados e alguns difíceis. Sentia saudades.

_ Com licença Senhora, poderia se sentar por favor. — Jill abriu os olhos assustada – Assim poderei analisar seu pedido.

Jill sentiu o coração disparado ao ouvir aquela voz. Um misto de emoções tomou sua alma e ela se sentiu confusa. Virou para trás, tentando evitar os olhos do interlocutor. Mas foi fraca, acabou olhando para ele. "Aquela voz... Aqueles olhos..." E tudo que conseguiu fazer foi sussurrar:

_ Chris?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.