Pesadelos

2 Cap. 2 - Ás vezes, precisamos de ajuda pra vencer


— Quem era, Winry? — Perguntou vovó Pinako.

— Era só o Ed. — Ela disse, com a voz calma.

— O Ed? Ligando pra nós? Que milagre! Acho que hoje vai chover... — Disse Pinako brincando.

— É. Chover canivete. É melhor concertar a goteira do telhado... — disse Winry e riu.

Ela sentou no sofá, e Den colocou seu queixo sobre sua coxa, para lhe pedir carinho. Ela afagou a cabeça do cachorro e disse a ele:

— Será que ele vai aprender a pedir ajuda a outras pessoas ao invés de guardar todos os problemas para si mesmo, Den? — Ela perguntou carinhosamente. O cachorro virou a cabeça de lado.

— É... Eu também acho que não. Mas aos poucos... Quem sabe? Mesmo assim, fico feliz dele ter se aberto comigo! — Ela disse, depois se estirou no sofá e olhou pra cima. Bons sonhos, Ed. Durma com os anjos.

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Ao voltar à biblioteca, Ed foi até onde estava Al e falou:

— Vamos, Al, eu quero dormir. — Com uma voz calma.

— Dormir?! Nii-san, aonde você foi? Agora à pouco, você estava assustado! O que foi? — Al estava perplexo.

— Só fui dar um telefonema. Eu disse que ia ser rápido. — Disse Ed, com a cara mais lavada do mundo. — Vamos. Eu estou cansado. —

— Certo. — Disse Al, já sabendo o que aconteceu. Ele tinha ligado para a Winry. Só assim para aquela cara de pânico ficar lavada desse jeito. Mas qual seria o motivo? Al ainda não sabia.

Ao chagarem em casa, antes de ele ter sequer ter a chance de perguntar, Ed disse:

— Desculpe, Al. Eu agi de forma errada com você. Ultimamente, eu tenho tido problemas com pesadelos, que pioraram, eu estava desesperado. Não queria falar com você porque não queria que você me achasse fraco ou coisa do tipo... — Ed parecia arrependido.

— Nii-san... Eu nunca... — A voz de Al foi interrompida por Ed.

— Eu sei, eu sei. Me desculpe. Eu devia ter confiado mais em você. E... Al... Posso te pedir uma coisa? — Ed parecia indeciso se pedia ou não.

— O quê? — Disse Al, curioso.

— Será que você poderia sentar ao meu lado durante a noite? E-eu sei que parece besteira! V-vou entender se você não quiser e... — Ed gaguejava, encabulado por pedir algo tão estúpido.

Al sorriu. Esse Nii-san... Ele só queria isso? Porque não disse antes?

— Claro, nii-san. E quando eu notar que está tendo pesadelos, vou segurar a sua mão para que não se sinta sozinho, porque já que eu não posso dormir mesmo não me custa nada. —

— Obrigado. Muito obrigado, Al! — Ed parecia muito feliz! Al acrescentou uma coisa que o faria dormir como um anjo durante toda a noite! E o melhor: sem pesadelos.

Assim que ele terminou de se desculpar com Al, ele deitou sua cabeça sobre o travesseiro, e o sono chegou bem rápido, o que geralmente não acontecia. Assim que ele começou a dormir, outro pesadelo começou. Dessa vez era com Al. Eram ele e Edward quando ainda eram crianças, e estavam brincando felizes em Resembool. Mas tudo escureceu e nublou, começando a chover e trovejar. Outro pesadelo tinha começado. Ele sentiu ser puxado por um enorme ciclone que se formara absolutamente do nada. Quando o ciclone estava quase levando Alphonse para longe, Edward segura sua mão. Ele estava tentando desesperadamente puxar Alphonse para perto de si, para que ele não fosse levado para longe. Quando tudo parecia perdido, Ed sente uma quinta mão segurar seu pulso, dando-lhe força para puxar Alphonse de vez para fora do ciclone.

Era Al. Ele percebeu o modo como Ed estava agitado e lembrou do que disse. E quando eu notar que está tendo pesadelos, vou segurar a sua mão para que não se sinta sozinho... Al lembrou-se de suas palavras e segurou carinhosamente a mão de Ed, massageando-a, e disse:

— Calma, Nii-san. Não se preocupe. Eu estou aqui. Nada de ruim irá te acontecer enquanto eu estiver aqui. — Al sussurrava palavras de conforto, acalentando o coração atormentado do jovem alquimista. Mas não é que funcionou?

Edward só acorda no dia seguinte, enérgico como sempre, por ter passado uma boa noite de sono. Ele se espreguiçou e olhou para Al sorrindo e disse:

— Vamos, Al! Temos que repor os estudos que perdemos ontem! Vai ser um dia cansativo, mas estou suuuper enérgico hoje! — Ed disse, e riu do seu “suuuper”. Al sorriu e disse:

— Que bom, nii-san! Vamos! — Dito isso, eles foram até a biblioteca.

Eles passaram o dia na biblioteca, até que finalmente eles saíram. Quando estavam indo pra casa, Ed perguntou para Al:

— Al, o que acha de fazermos alguma coisa diferente hoje? — Ed parecia entusiasmado. Al se assustou.

— Tipo o quê, Nii-san? — Era raro eles dois saírem pra algum lugar.

— Porque não vamos à uma churrascaria? Afinal, de que serve ter dinheiro se a gente não gasta não é? O que me diz? — Ed sorriu um sorriso maroto, com o qual Al estava acostumado.

— Claro, Nii-san! — Al sorriu.

Eles foram e como sempre Ed pediu um rodízio que quase fez o dono falir. Ele estava faminto! Desde que chegaram na biblioteca até a saída, ele não havia comido nem uma azeitona, e agora comia como se não houvesse amanhã. Depois da terceira sobremesa, Ed pagou a conta e disse a Al:

— Aaah. Estou satisfeito! — Disse enquanto esfregava a barriga. Al estava feliz por ver que Ed tinha voltado ao normal.

— Ainda bem... — Falou Al. — Senão acho que o dono ia expulsar a gente... — Completou rindo.

Eles riram e foram até o hotel. Ed já havia digerido a comida e então foi dormir, afinal ele não queria virar uma vaca*. ( *Uma lenda japonesa diz que se você comer e logo depois dormir, vai virar uma vaca ) Essa noite ele teve outro pesadelo. Dessa vez ele andava sozinho pelo deserto. Ele chamava Alphonse, mas ele não o encontrava em lugar nenhum. Então de repente um enorme redemoinho se formou na areia, arrastando-o para o fundo. Ele se debatia e tentava escapar, mas era em vão. O redemoinho era forte de mais para ele. Ele desesperadamente gritava por socorro, mas não havia ninguém lá. Quando tudo parecia perdido, ele sente uma terceira mão puxá-lo para fora do redemoinho, colocando-o em um lugar seguro.

Era Al. Ele viu que Ed chamava socorro enquanto dormia, e segurou novamente a sua mão carinhosamente e proferiu as mesmas palavras doces de conforto que ele havia dito na noite anterior. Ed, que antes se debatia nos lençóis, agora estava relaxado e sua respiração voltara ao normal.

— Boa noite, Nii-san. — Al sussurrou ao ouvido de Edward, que agora dormia tranquilamente.

Notas finais
Desculpem por este capítulo estar tão pequeno... -.-
Eu sei que o Ed parece sentimental, mas notaram como ele parece mais maduro e sensível? Gosto de imaginar que ele é assim, apesar de seu comportamento no anime ser mais alterado e nervoso. Mas no fundo dessa casca grossa eu sei que bate um coração puro
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