Pesadelos

1 Capítulo 1 - Pesadelos


Notas iniciais
O título do capítulo está tão criativo, não acham? *sendo irônica*
Mas eu não achei nenhum outro título que se encaixasse com ele, então vá lá. O que importa é a história, e não o título do capítulo.

Em plena madrugada, Edward acorda assustado e suando frio. Era um pesadelo. Esses pesadelos vem atormentando-o durante um bom tempo, e eles têm ficado piores desde então. Ele já teve pesadelos com homúnculos, com escuridão, com mortes...

Desde que King Bradley manteve a Winry como refém, ele não consegue parar de sonhar o pior. Ele sempre acorda angustiado e perturbado, chegando até, em casos de extremo pânico, deixar escorrer uma lágrima de seus olhos dourados. Alphonse nota o desespero dele e pergunta:

— Nii-san, você está bem? — A voz de Al mostra preocupação.

Edward cobre o rosto, para Alphonse não vê-lo choramingar como uma criancinha. Ele não queria que o seu irmãozinho visse ele, o irmão mais velho chorar. Depois que sua respiração desacelerou, ele respondeu:

— Estou bem, Al. Não se preocupe. — Sua voz não demonstra nenhuma emoção.

O pobre coração de Edward não estava aguentando mais. Eram tantas perguntas borbulhando em sua cabeça. \"Porquê esses pesadelos me atormentam? Será um presságio? O que está acontecendo? Quanto tempo mais nós temos antes que os homúnculos destruam todo o nosso país? Quantas mortes mais terei que suportar? Será que não tenho paz nem nos meus sonhos?\" Edward pensava, enquanto tentava pegar no sono. Já estava sendo difícil ele sequer pegar no sono, e esses pesadelos ainda o atormentavam. Ele ficou rebatendo muitas perguntas em sua cabeça, até que finalmente adormeceu.

Ele amanheceu muito cansado e quase não conseguia ficar de pé. A todo momento deixava escapar um bocejo e se espreguiçava com frequência, e Alphonse percebeu. A tempos ele tem notado o comportamento estranho de Edward. Ele sempre era mais enérgico, sempre indo atrás de pistas sobre a pedra filosofal, sempre falava que iriam recuperar seus corpos em breve, que eles iriam deter os homúnculos e ele também era o mais extrovertido quando estavam sozinhos. Mas não durante esses dias. Ele tem estado muito cansado, bocejando, sem querer conversar e quase nunca sorria. Não aguentando mais de tanta ansiedade, Al se viu perguntando:

— Nii-san, está tudo bem mesmo? — Alphonse demonstrava aflição em sua voz.

— Está sim. — Respondeu Ed, secamente.

— Tem certeza, Nii-san? Não é o que parece. — Al agora mostrava preocupação.

— Já disse que estou bem! — Edward estava nervoso. Percebendo sua grosseria com seu irmão que não tinha nada a ver com isso, ele disse:

— Desculpe, Al. Só não quero falar sobre isso. — Ed agora parecia triste.

— Tudo bem. Só não se esqueça que sempre estarei aqui. — Disse Al.

Edward ouviu o que ele disse e pensou. Será que devo falar sobre isso? Não. Não agora. Não aqui.

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Eles foram para a biblioteca para pesquisar mais sobre Rentanjutsu. Procurar por informações como essas demorava, e nunca obtinham resultado, mas eles não podiam desistir. Não depois de chegarem tão longe. Alphonse estava olhando as prateleiras dos lados norte e sul, enquanto Ed procurava nas prateleiras dos lados leste e oeste. Enquanto folheava um livro, a procura de algo sobre Rentanjutsu, Ed sentiu suas pálpebras pesarem. Elas foram ficando mais e mais pesadas, e sua cabeça começou a pender para baixo e ele não resistiu e caiu no sono. Teve mais um pesadelo. Em seu pesadelo, ele estava em uma campina, com a Winry. Eles estavam sorrindo, felizes, até que o céu nubla, tudo escurece e aí uma enorme fenda se abre no chão, bem entre eles, separando-os. Então aparecem os homúnculos e começam a arrastar Winry para dentro da fenda. Ela grita chamando por seu nome, desesperada, e então Envy faz um corte em sua perna, fazendo ela gritar de dor e agonia enquando o sangue escorre pelos seus pés. Edward grita o nome dela, e tenta fazer alquimia para salvá-la das garras dos homúnculos, mas é em vão. A alquimia não funcionava. Lágrimas escorriam de seus olhos enquanto via o sangue escorrer das pernas de Winry, que ainda se debatia e lutava contra os homúnculos que queriam sequestrá-la. Então Pride dá um golpe em suas costas, a deixando inconsciente. Eles a arrastam para o fundo da fenda enquanto ele gritava desesperado o nome dela.

— WINRY! WINRY! WINRYYYYY! ME PERDOE! EU VOU TE SALVAR! AAAAAAAAAHH! —

Edward acorda transpirando e gritando o nome de Winry. Todos olham para ele, com um ar interrogativo. Ele não aguentava mais. Não pôde conter lágrimas que escorriam de seus olhos. Alphonse olhou para o irmão em pânico, correu até ele e perguntou:

— Nii-san! O que aconteceu? Você está bem? — Alphonse demonstrava pânico em sua voz.

Ed olha para todos em volta. Ele enxuga as lágrimas no casaco vermelho e diz:

— Tudo bem. Eu vou sair rapidinho e já volto. Desculpas a todos. — A voz de Edward estava trêmula. — Al, fique e olhe mais os livros, que eu já volto. —

Ele saiu da biblioteca tropeçando, até chegar à cabine telefônica mais próxima. Ele pegou uma moeda em seu bolso e colocou no telefone, e depois digitou o número que menos digitava, mas o que mais se lembrava. Quando atenderam, aquela voz tão familiar disse:

— Próteses Rockbell, a melhor protética de Auto-mail da região. Posso ajudar?

— Sou eu. — Ed falou, com a voz ainda trêmula. Silêncio por um minuto.

— Ed? — Winry perguntou. — O que foi? Não me diga que o auto-mail quebrou de novo? —

— Não. Eu só quero conversar. — Ed respondeu. Depois de ouvir a voz dela, ele não pode conter as lágrimas que agora escorriam descontroladamente de seus olhos dourados.

— O que aconteceu? Você está bem? Se machucou? — Winry perguntou com uma voz doce, como se estivesse falando com uma criança. Ela sabia que ele não chorava por qualquer coisa.

— Eu tive um pesadelo. —Ed falou, soluçando.

Winry ficou surpresa. Um garoto que não chora nem ao conectar os nervos em uma operação de auto-mail agora chorava por causa de um pesadelo?

— Calma, calma. Não chore. Está tudo bem agora. — Winry falou com uma voz doce e singela.

— Ele foi horrível, Winry! Você não faz ideia! — Ed parou de chorar, mas ainda soluçava.

— Então me conte como foi. — Winry disse, como se falasse com o seu irmãozinho menor.

Então Ed contou todo o sonho, que ainda estava vívido em sua memória, não deixando de soluçar nas piores partes. Winry ficou chocada com a intensidade do terror do sonho. Depois que ele terminou de contar todo o sonho, ela disse:

— Ed, não se preocupe. Eu estou aqui. Estou bem. Isso foi só um pesadelo. Você já acordou. Sempre que estiver aflito por causa de seus pesadelos, sonhe comigo indo e batendo na cabeça dos monstros com a minha chave inglesa igual eu faço com você, certo? Também não esqueça que o Al também está aí e não tenha vergonha de pedir a ele que fique ao seu lado durante a noite, certo? E cuidado que monstros adoram quem dorme com a barriga do lado de fora, ceeerto? — Sua voz era doce e divertida.

— Certo. — Ed respondeu, deixando um risinho substituir os soluços.

— Então, se alegre! Não gosto de ver você triste! Vou fazer uma torta de maçã pra você, o que acha? — Winry disse, agora com a voz costumeira.

— Oba! Eu quero! — Ed agora sorria como sempre, e salivava só de imaginar a deliciosa torta de maçã. — Só que eu não tenho como ir aí pegar a torta... — Ele disse, desapontado.

— Sem problemas! Eu vou aí levar pra você! Aproveitamos e colocamos o papo em dia! — Winry disse, entusiasmada. — Não é comum você ligar pra mim, então vamos comemorar! Mas prometa pra mim que vai falar com o Al sobre os seus pesadelos, promete? —

— Hum... — Ed estava com receio. — Prometo... — Ele disse meio indeciso.

— Acho que é melhor eu levar minha chave inglesa caso alguém decida não cumprir a promessa. — Disse Winry colocando ênfase no “alguém”.

— Guarde sua chave inglesa para os monstros, nos meus pesadelos! — Disse Ed brincando.

— Devo chegar aí depois de amanhã à tarde. Não se esqueçam de ir me pegar! — Disse Winry.

— Isso nunca. — Disse Ed, agora mais relaxado.

— Tudo bem. Então tchau! — Disse Winry.

— Tchau. — Disse Ed.

Quando ele desligou o telefone, se sentiu novo em folha! O cansaço podia continuar, mas ele se sentia mais acordado do que nunca! Como ele foi tão burro de não ter consultado a Winry desde o começo? Isso ele nunca iria entender. Acho que às vezes só tomamos a decisão certa depois que o pior já aconteceu.

Notas finais
A parte sobre Rentanjutsu é do Brotherhood, tá pessoal? Quem não viu vale a pena ver. E aí? Gostaram? Deixem uma review dizendo se gostam. Não dói e me deixa bem feliz, além disso eu posso até melhorar!
No próximo capítulo: "Winry se sente muito feliz ao receber a ligação do seu melhor amigo de infância e Edward está esperando ansioso pela chegada da amiga. Durante o tempo que ele está esperando o que vai acontecer?" Descubra no próximo capítulo!