Pesadelo | Amor Imortal 01
11 Capítulo 11
A prisioneira estava sentada na mesma mesa que jantou com Maximus a alguns dias atrás quando ele a apavorou com mentiras que estavam muito longe de serem verdades, dessa vez, seu prato foi colocado ao lado da cadeira que o anjo se sentava e não na ponta oposta. A diferença era que em frente dela estava Diane e ao seu lado Katherine. Ela não conseguia olhar para aquela dama tão esnobe, um lado dela ainda não conseguia gostar dessa mulher que prefiu morar no inferno devido aos seus poderes.
Diane estava conversando por todos naquela mesa, animadamente dizia algo que a prisioneira não prestou atenção e deixou de tentar entender do que estava falando. Ela também não parecia ofendida por ter sido chamada de monstro, até mesmo sorriu diversas vezes para a prisioneira quando seus olhos se cruzavam. A única que realmente parecia ofendida era Katherine, mas essa cara de nojo que lançava para a prisioneira começou no dia de seu julgamento, então, ela decidiu acreditar que o problema estava quando acordou no inferno e não por tê-la chamado de monstro.
A prisioneira também não conseguiu comer nada que estava em seu prato ou naquela mesa, ela apenas estava revirando sua comida em seu prato para acreditarem que tocou em algo e quando percebia que estavam olhando em sua direção, até mesmo engolia a comida para disfarçar.
— Maximus, meu aniversario está chegando.— Diane mudou de assunto depois de tanto falar sobre cavalos marinhos, aparentemente.— Você deve mandar os convites para seus amigos.—
— Eu não tenho amigos.— O anjo loiro disse friamente, interessado mais em seu alimento do que na conversa das duas damas que estavam conversando antes. Katherine parecia ser a única que conseguia acompanhar o falatório de Diane.
— Patrick ficaria horrivelmente ofendido se ouvisse isso.— A dama de nariz empinado disse em um tom provocador.— Talvez peça até mesmo o divorcio.—
Maximus parou de olhar seu prato para encontrar os olhos azuis perfeitos de Katherine, ela sorria com tanto sarcasmo que estava provocando falta de ar na prisioneira.
— Minha experiencia de vida fala que isso é puro cíumes, mas minha educação diz para apenas concordar com as palavras de uma dama.— O arcanjo respondeu ao mesmo tom que ela havia usado.— Estou em um impasse.—
A prisioneira não pode evitar um pequeno sorriso que se formou logo que ela encostou o copo com suco em sua boca. Diane, que era menos discreta, riu sem se importar com o olhar fuzilador de sua amiga.
— De qualquer maneira,— A irmã do anjo voltou a falar, trazendo o assunto que a interessa novamente na conversa.— Você fará isso por mim, Maximus?—
— Você sabe que faço qualquer coisa para você, D.— O anjo olhou para sua irmã, sua expressão era de pura afeição e carinho. A prisioneira teve vontade de sorrir novamente, pois o amor que existia entre eles estava a vista para quem desejasse ver.— Apenas arrume um vestido bonito que eu farei todo o resto para que tenha o melhor baile de aniversário.—
— Você sabe que é meu irmão favorito, certo?— Diane sorriu alegremente por causa da noticia.
— O que eu sei,— O anjo começou.— É que você diz isso para todos nós.—
— E você tem razão, Maximus.— Katherine concordou.
— Não me provoque, Kath, ou será totalmente excluida da festa do meu aniversário.—
— Mas eu até mesmo já tenho um vestido!— Sua amiga se defendeu.— Você não faria algo como isso para mim.—
E foi então que Diane e Katherine começaram uma pequena discussão sobre o que era se sentir excluida de algo para depois passarem a conversar sobre a importância de um vestido digno de uma princesa em bailes de aniversarios.
A única vontade da prisioneira ao ouvir aquela conversa que não a interessava nem um pouco era de se jogar dentro de um lago para morrer de vez. Bainhas e cor-de-rosa eram as palavras mais ditas entre as duas mulheres, a fazendo querer enfiar a faca em suas mãos na jugular de seu pescoço ao invés de sair procurando por um lago.
Ela continuou a remexer sua comida, pois essa era a coisa mais interessante que podia fazer naquele momento em que a conversa estava focada em vestidos longos. Maximus ao seu lado apenas voltou a comer em silencio, mas depois de algum tempo, o anjo percebeu que a prisioneira não estava colocando nada em sua boca.
— Você está bem?— O arcanjo perguntou em um tom baixo para não atrapalhar a conversa que acontecia ao seu lado, seus olhos azuis eram somente da prisioneira naquele momento.
— Sim.—
— Se essa comida não a agrada, podemos resolver isso.— Ele falou sem acreditar na resposta dela, olhando para seu prato ainda cheio, porém, todo bagunçado como se realmente tivesse comido.
— Estou bem, Maximus.— Ela mentiu, pois não desejava dizer que odiava aquela comida na frente de Katherine e Diane.— Não se preocupe.—
— Sua pele se torna cada vez mais palida conforme os dias passam,— Maximus falou a encarando.— Se algo estiver errado, você deve me dizer.—
Suas ultimas palavras haviam soados mais como uma ordem do que um pedido gentil que se preocupava com a saúde da prisioneira, ela abriu sua boca pronta para dizer que ele não dava ordens a ela como fazia com as outras pessoas desse castelo, mas Diane finalmente deixou de falar com Katherine para dar atenção a outras pessoas que estavam presente naquela mesa de jantar enorme.
— Você está definitivamente convidada para meu baile de aniversário,... humana.— Ela disse sorrindo, mas seu sorriso diminiu quando teve de chamá-la assim pela falta de um nome.
— Ah.— Katherine resmungou decepcionadamente por causa do convite e a prisioneira apenas pensou como seria bom se elas voltassem a ter a conversa sobre serem “excluidas”, pois ela tinha muito o que dizer sobre sua relação com aquela mulher que usava luvas até mesmo para jantar.
— Obrigada, Diane.— A prisioneira falou para mostrar que não se importou de ser chamada de humana por não ter um nome, mesmo que isso realmente importasse.
— Eu acho,— Diane sorriu de orelha a orelha quando ficou radiante. Aparentemente ela estava mudando de assunto novamente, mas dessa vez seus olhos escuros iguais aos de Dimitrius e Meridius estavam nela.— Que deviamos escolher um nome para você em quanto vive entre nós!—
— Você está louca?!— Katherine a interrompeu rapidamente antes que disesse qualquer outra coisa.— Isso é como quando encontramos um animal perdido na rua e que depois de nomea-lo, ele é definitivamente adotado pela familia!—
— Não seja grosseira, Kath.— Diane falou com uma ruga se formando em sua testa.— Ela merece um nome, nem mesmo você gostaria de ser chamada apenas de humana se fosse uma.—
— Humph.— Katherine resmungou, agora era ela que colocava toda sua atenção na comida que estava em sua frente.
Diane encontrou os olhos da prisioneira que apenas observava tudo em silencio, mesmo que o assunto fosse sobre ela.
— O que você acha?— A irmã do arcanjo perguntou.— Você gostaria de um nome?—
— Eu...— Ela franziu o cenho por um momento. Afinal, ela poderia ter facilmente escolhido um nome a si mesmo, mas preferiu se auto reconhecer como “prisioneira”, pois não se importava em se chamar assim em quanto não descobria qual era seu verdadeiro nome, mas com um verdadeiro nome, as pessoas não poderiam mais chamá-la de humana. Ela não se sentiria mais humilhada por pertencer a essa raça.— Eu acho que sim.— Disse baixinho.
Maximus olhou para a prisioneira, deixando toda a sua refeição de lado agora que sua voz havia denunciado o quanto ela se importava com um nome.
— Maximus, você a encontrou,— Disse Diane.— Escolha um nome para ela.—
— Isso não convem a mim, Diane.— O anjo falou seriamente.
— Oh, por favor, apenas olhe para ela e pense em algum nome. Não é como se ela mesma pudesse escolher um nome para si mesma.— O deboche apareceu no tom da voz calma de Diane.— Além do mais, você a chamará do que bem entender, mesmo se ela lembrar seu verdadeiro nome.—
Maximus encontrou os olhos da prisioneira quando ela permitiu que aquilo acontecesse, pois os olhos azuis do anjo sempre estiveram nela, mas sua coragem que insistia em fugir não a deixou encontrar aquele olhar tão felino.
— Tudo bem para você?— Ele perguntou calmamente e quase deu a entender que o anjo se importava com essa responsabilidade que sua irmã estava jogando em suas costas.
— Sim.— Ela respondeu.— Eu quero que você me de um nome.—
Diane sorriu sastifeita em sua frente.
Maximus, no entanto, estava a observando de uma maneira que denunciava que o anjo estava olhando para cada detalhe que existia em seu rosto. Um rosto que nem mesmo ela conhecia direito por nunca ter se visto diante de um espelho, mas que o arcanjo do inferno conhecia melhor do que qualquer pessoa, pois a prisioneira havia permitido que ele visse o que sentia em seu interior em alguns momentos. Maximus havia visto o quanto amendrotada ela estava ao saber que passaria a viver no inferno, mesmo que não demonstrasse e ninguém desconfiasse, o anjo loiro parecia ser o único a saber o quanto dificil era para ela.
Maximus a conhecia melhor do que ela mesma.
A prisioneira abaixou seus olhos quando esse pensamento veio com força total em sua mente, quebrando as barras de ferro que a impedia de pensar em Maximus de outra maneira além de alguém muito perigoso. Quando essas barreiras eram quebradas, ela apenas via o quanto gentil o anjo podia ser.
— Ellylan.— Maximus falou, fazendo com que a prisioneira levantasse seus olhos para encontrar o olhar dele que ainda estava nela. Mas depois que Diane soltou uma risadinha e Katherine quase se afogou com o liquido de seu copo, ela apenas conseguiu encarar as duas dama.
— O que isso significa?— Perguntou, desconfiando que Maximus estivesse fazendo alguma piada com ela. De novo. Na verdade, a prisioneira tinha quase certeza e a prova disso era a reação de Katherine.
— Em nossa língua ellylan significa azarada.— Foi o anjo loiro que a respondeu, seus olhos brilharam em puro divertimento mesmo quando não possuía nenhum sorriso esboçado em seus lábios.
A prisioneira deveria ter se sentindo pelo menos um pouco ofendida por causa do significado daquela palavra, mas ela não se sentiu.
— Azarada.— Murmurio.— Eu acho que isso combina comigo, certo?— Perguntou ao anjo.
— Sim, isso combina muito com você.— Ele concordou.
— Esse nome é perfeito para você, humana.— Diane disse gentilmente, concordando com seu irmão.— Pelo menos até descobrirmos como realmente se chama.—
— Ellylan.— A prisioneira repetiu o nome para ver como ele soaria em seu próprio sotaque, já que Maximus dizendo era totalmente diferente. O anjo fazia as vogais soarem mais fortes do que ela conseguia e aparentemente, a palavra ficava mais bonita com seu sotaque e voz. Mas a prisioneira havia gostado.
— Você aprova?— Ele perguntou, ainda a olhando da mesma maneira de quando estava pensando em um nome.
— Sim.— A prisioneira o respondeu.— Eu serei Ellylan.—
Diane sorriu e até mesmo bateu suas palmas uma contra outra em um sinal de aprovação rapidamente. Ela possuía a eletricidade que nenhum de seus outros irmãos possuiam.
— À Ellylan.— A irmã dos arcanjos pegou sua taça de bebida e a levantou diante de seus olhos. Katherine repetiu o mesmo movimento de sua amiga, surpreendendo a todos por participar de algo que não a interessava.
A prisioneira ergueu a sua taça após o anjo ao seu lado fazer o mesmo que as duas damas, percebendo que eles estavam esperando que ela juntasse seu copo ao deles. Eles brindaram e debateram as bordas de seus copos um contra os outros.
— À Ellylan.— Maximus repetiu o que sua irmã disse em um tom mais baixo, apenas para ela ouvir. Seus olhos de um felino calmo ficaram fixos nos dela como se apenas os dois estivessem naquela sala de jantar, Maximus também movimentou sua cabeça em um gesto que apenas seus tenentes faziam a ele. E foi nesse momento que ela percebeu que não era mais uma prisioneira ou apenas uma humana, pois um arcanjo, um lider, nunca faria esse sinal de puro respeito a pessoas que estavam nessa escala.
Ela era Ellylan.
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