Abri os olhos lentamente. Minha visão estava turva. Sim, meus olhos estavam completamente abertos, mas não via nada em minha frente.

Finalmente vi algumas formas geométricas engraçadas. Depois as formas ganharam cores, e enfim, vida. Árvores, pensei.

Um vento calmo e gélido varria o lugar – que ainda não sabia qual era – fazendo as árvores se agitarem lentamente. Uma delas, feia e cinzenta, me lembrava as árvores que via filmes de terror. Ela parecia ter vida. Pisquei algumas vezes e abri os olhos novamente. Sim, ela parecia se mover.

Levantei-me e tentei firmar os pés no chão frio e seco. Encarei o chão. Areia, pensei. Rastejei meus pés na areia fria e fina, deixando-a fazer cócegas em meus pés. Fui rastejando até a árvore estranha, e percebi que ela era apenas uma sombra de uma outra árvore de folhas secas e amareladas que estava à frente. Apoiei-me na árvore. Meu corpo estava tão leve... Mal sentia minha respiração. Ou melhor, eu não estava respirando!

Alguns passos lentos a seguir, vi alguns brinquedos velhos e quebrados. Eles tinham uma aparência obscura, o que me fez pensar que as crianças não o visitam há anos.

Toquei um balanço velho de ferro enferrujado e frio, que balançou levemente. No mesmo instante um vento gélido varreu a praça – ou parque – onde eu estava. Meu cabelo negro balançou leve, e senti como penas acariciassem minha pele. Fechei os olhos, e quando reabri, vi um corpo lívido jogado entre duas árvores incrivelmente verdes e vivas. Caminhei até ele e o toquei.

Foi quando tive o maior susto da minha vida: esse corpo era meu.

Acordei suando frio e ofegante. Não havia praça, não haviam árvores, não havia corpo. Apenas a cortina branca esvoaçante iluminada pela lua na escuridão do meu quarto.

Notas finais
Digam o que acharam!
Love ya'
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!