Notas iniciais
Finalmente, estamos na SEGUNDA TEMPORADA!!!
Achei melhor iniciar essa continuação em sincronia com a série (para quem não sabe The100 voltou do hiatus nessa semana).
Aos corajosos, persistentes e fiéis leitores que acompanharão esta história, um beijo de coração. E aos novos leitores que estão descobrindo a fic neste instante, um salve também... Afinal, todos são sempre Bem Vindos.

Estão todos pronto(a)s para essa nova aventura?
Estamos CAPITÃO!
Eu não ouvi direito...
Estamos CAPITÃOOOO!!

Ignorem isso... Apenas aproveitem a leitura.

Estava esperando os dois infantis decidirem abandonar o controle do videogame e me dar atenção. Eles ainda optam por se distrair com hobbies e ignorar a tristeza, que, querendo ou não, assola nossas vidas.

Sinto-me orgulhosa pelo modo que as coisas foram gradativamente se estabelecendo. No final tudo voltou ao comum, mas no fundo havia algo que faltava... Ou melhor: alguém. Comecei a rezar durante todas as noites em que eu me sentia sozinha, e minhas preces eram sempre atendidas das formas mais altruístas que um anjo do céu poderia secretamente atender.

E enquanto o vento frio do anoitecer soprava na janela do meu quarto, eu às vezes imaginava que podia ouvir a voz profunda dele.

—Princesa.

Como agora. A lembrança da voz baixa e grossa parecia tão real. O som reverberava pelo meu corpo, como se ele estive do meu lado, sussurrando contra minha pele.

—Espero que seus amigos não inventem de parar com o jogo, e decidam subir e nos atrapalhar.

A voz parecia muito perto desta vez.

Realmente perto.

Minhas mãos tremeram quando eu coloquei o caderno de desenho na cômoda ao lado da janela. Falta de sono e excesso de sonhos estava me causando alucinações, outra vez.

Respirando fundo, virei-me lentamente e desprendendo meu ponto de vista da rua e das árvores lá fora. Bellamy Blake estava parado à minha frente com suas asas enormes entortando nas dimensões da parede.

—Consegui escapar mais uma vez sem que ninguém percebesse. Não tenho muito tempo, mas é o suficiente para vê-la sorrir.

Eu não deveria ter sorrido quando ele terminou de falar, entretanto, foi completamente automático.

—Só tem tempo de me ver sorrir? —Forcei um bico de decepção.

—Você sabe que eu corro riscos a cada segundo que fico aqui.

—Sei disso. —Ergui minhas sobrancelhas. —Assim como sei também o quanto você se importou com as horas que foram perdidas na semana passada, exatamente neste quarto.

—Não considero como horas perdidas, e sim ganhadas.

—Você demorou demais pra voltar. —Andei em sua direção. —Acho que mereço um extra por esse abandono.

—Será que merece? —Ele sorriu maliciosamente. Seus olhos ardiam em algo inebriante.

Meu coração disparou quando senti sua pele quente colando a minha. E com o vermelho notável de minhas bochechas dissipando qualquer fragmento de declínio, o beijei.

Seus lábios pressionaram-se contra os meus como se a principio desejassem apenas um dos famosos selinhos que costumávamos dar e eu fiquei na ponta dos pés prestes a impedir que ele saísse. Ele me encarou um pouco perplexo, mas não deu sinal de qualquer protesto pela minha atitude atrevida. Isso era bom, eu havia gostado da amostra grátis e estava muito afim de adquirir o produto todo.

Nossas línguas roçando uma na outra, gananciosas por mais contato. Desci meus braços até seu ombro, puxando ele para mais perto de mim. Entre seus lábios eu deixei escapar um gemido. Ah! Como eu o quero agora e urgentemente. Não me contento somente em beijá-lo e tocá-lo inocentemente, quero ir mais longe do que sequer chegamos nessas longas semanas de encontros secretos.

Desci meus lábios por seu pescoço, usando minha mão disponível para tocar a pele de seu abdômen por baixo da camisa. Mesmo sentindo prazer ele não me tocava, isso me deixava ainda mais ansiosa. Quando minha mão escorregou por cima de sua calça tocando sua parte de baixo já volumosa, ele tentou me conter.

—Tem certeza? —Questionou.

—Eu que pergunto, Blake. Tem certeza desse risco?

—Por você eu faço qualquer coisa.

Voltamos a nos beijar com volúpia. A boca dele já havia feito absolutamente tudo que poderia ser feito com a minha, e ainda assim eu queria mais. Fui conduzida até a cama e agradeci pela porta estar fechada naquele momento. Suas mãos desceram de minha cintura e escorregaram para minhas pernas, encaixando-as em seus quadris. Ele apertou minhas coxas e antes que eu exclamasse, o seu beijo me calou.

Seus dedos deslizaram diretamente para dentro do vestido e seus beijos não se limitavam mais a minha boca, eles faziam questão de me provocar arrepios cada vez que encontravam meu pescoço e meu colo. Nossa respiração começou a se acelerar, mas nenhum de nós ia recuar. Para o meu deleite, Bellamy sentia tanto calor quanto eu e assim que ele se livrou da camisa, um tremor rasgou meu corpo e ele percebeu.

Ele umedeceu os lábios e começou a distribuir beijos e mordidas por minha barriga; sem dar conta, encontrei-me lutando para abrir sua calça. O Blake facilitou para mim e decidiu tirar por si só. Enquanto isso eu acariciei suas asas. Dedilhei cada espessura das penas negras, até ele sorrir malicioso e alcançar com os dentes a minha intimidade. Minha respiração acelerou violentamente durante a submissão prazerosa. Abri as pernas e deixei que ele deslizasse minha calcinha para bem longe, e fechei os olhos não suportando mais minha explosão hormonal.

Tudo parecia embaçado e envolvido por essa sensação de desejo e prazer. As roupas foram sumindo sem que percebêssemos. Quando o encarei descendo os beijos dos seios para minha virilha, sem pressa... Seus olhos prestavam atenção em cada detalhe, em cada reação que ele me causava, em cada gemido que escapava. Os dedos iniciaram as preliminares, adentrando devagar. Eu queimava em contato, e meu olhar percorreu o corpo masculino me fazendo delirar diante de ombros largos e de músculos bem definidos. A pele levemente morena e suada.

—Você pensa em mim quando está lá?

—Perpetuei você em cada canto do espaço. Levo um pouco de ti por onde eu vou.

A essa altura eu era o único ser vivente cujo coração explodira, mas que ainda se sentia extremamente feliz. Somente ele me completava e eu jamais duvidaria disso novamente.

—Bellamy... —Gemi, ansiando que ele fizesse de uma vez o que nossos corpos já imploravam. —Desde aquela noite quando me deixou...

—Três palavras e eu sou seu, princesa.

Sorri contente em pronunciá-las.

—Eu...

◘◘◘◘

—TE AMO.

—Agora decidiu me amar?

A voz agourenta me despertou. Abri os olhos, incomodada, e visualizei o que eu menos queria no momento. Suja, cabelos brancos amarrados, mão calejadas, sempre vestida com aquele trapo do uniforme azul e com um péssimo hábito de cuspir em mim enquanto falava.

—O doutor quer vê-la. —Aquela mulher era como a própria morte.

—De novo?

—Não discuta comigo! Levanta!

Obedeci.

Abracei a mim mesma e acompanhei-a calmamente para fora do quarto branco, -que agora eu chamo de lar-, ouvindo os passos pesados dela e de outros funcionários e enfermeiros ressoarem pelos corredores da clínica. Evitei observar os outros pacientes, pois encará-los transforma o pouco de esperança que eu tenho em piedade consternada.

Fechei os olhos com força para não ver a mulher de cabelos grisalhos abrindo as portas transparentes que tanto conhecia, no entanto, escutei aquele som esdrúxulo, do metal e do vidro sendo arrastados e logo em seguida, a voz dela feriu minha audição:

—Doutor, ela está aqui.

—Clarke, querida, abra os olhos. —A voz dele era sempre doce, quase comestível, arrastada e extremamente gentil.

Olhei e forcei o maior sorriso que eu conseguia, -que resultou em uma leve levantada nos cantos de minha boca.

—Pode fechar a porta, Martha. Obrigado! —Meu psicólogo colocou a mão em minhas costas e guiou-me até o pequeno divã. —Tenho boas notícias. —Anunciou.

Ele sempre fora gordo, grande e silencioso quando queria. Em vez de olhar superior e arrogante, tem ombros contraídos. Usa paletó curto demais, óculos sem aro, com um fio de ouro encimando o nariz grosso e romano. E eu sou atraída por ele. Não amor, mas atraída pelo seu entusiasmo e pela controlada paciência. Deitei como de costume, e fiquei analisando a felicidade estampada em seu rosto.

—Mas antes, vamos conversar um pouco. Ok? —Ele continuou, percebendo que eu não me empolguei igualmente.

—Já não conversamos o suficiente ontem? E durante todos os dias anteriores?

—Clarke, você sabe que é meu trabalho entender como está sua mente. Se os remédios estão fazendo efeito dessa vez.

—Vai fazer um ano que estou presa aqui. Não quero mais conversar.

—Sua mãe confiou você a mim. Ela sabia que interna-la era a melhor solução.

—A pobre filha maluca dela.

—Nós já falamos sobre isso... Você passou por um trauma muito grande, e isso muda as pessoas. A perda de alguém extremamente importante faz algumas pessoas quererem fugir da realidade. Isso não é loucura, são apenas surtos passageiros.

—É... são apenas surtos passageiros. —Repeti com um gosto amargo na boca.

—Diga-me, como você se sente? —Ele encaixou o óculos na ponta do nariz, e segurou o bloco de anotações.

—Quer saber sobre minha saúde mental?

—Só diga como se sente...

—Me sinto diferente. Cada vez que tomo o remédio, sinto que o efeito é essencial pra minha sanidade. —Menti.

—Descreva o que aconteceu realmente na noite em que você foi internada.

Descrever... Como eu descreveria cada detalhe sem que meu estômago embrulhasse repentinamente? Como descreveria a verdade, -assim como fiz aos policiais naquela noite-, sem ser considerada louca novamente?

Descrever não era a melhor opção, e eu havia percebido isso depois de milhões de tentativas. Nenhum adulto quer que eu diga o que aconteceu, porque senão eles teriam que acreditar em contos de fadas mirabolantes. E isso não existe, não é?

—Naquela noite, eu e meus melhores amigos decidimos fazer uma despedida definitiva ao colégio. —Sequei a traiçoeira lágrima que por pouco escorreu pela minha bochecha. —A gente estava feliz porque tínhamos conseguido entrar na mesma faculdade, então eu fugi de casa pela janela e fui em direção da escola. Nós só queríamos brincar, se divertir... Mas, dois assaltantes entraram naquela mesma hora. Um homem e uma mulher, eles não sabiam que tinha adolescentes idiotas lá. Assim como a gente também não sabia que havia outras pessoas ali com intenções diferentes de uma simples brincadeira.

—Está me confirmando que aquela versão, no qual você repetiu decididamente para todos, não é real?

—Sim. Eu inventei aquilo porque não queria aceitar o que tinha acabado de acontecer. Eu surtei, assim como surtei da ultima vez.

—Clarke, estou muito contente que tenha avançado. Você não quis falar sobre isso ontem, e eu ainda estava relutante sobre minha decisão. Mas agora que assumiu isso... Justamente hoje que você vai ser liberada...

—Vou ser liberada?

—Sim, a sua mãe assinou os papéis semana passada.

—Ela assinou? —Eu perguntava retoricamente, mais por minha descrença do que confirmação.

—Como eu disse, você não é igual 90% dos pacientes daqui. Seus problemas são psicológicos, não psiquiátricos. Era preciso descanso pra poder retomar a ordem dos pensamentos. É óbvio que você vai continuar com os remédios, eu já preparei uma receita.

Senti minhas pálpebras tremerem levemente. Fiquei extasiada com a notícia, mas ao mesmo tempo incomodada. Por meses eu havia implorado para ir embora, pois me sentia como um detento. Porém, um receio acendeu-se no meu amago. Afinal, como seria minha vida do lado de fora?

—Avisarei Martha para buscar suas roupas e seus pertences.

—Vou sair agora? —Outra lágrima quis surgir, mas dessa vez era de felicidade e alivio.

—Tenho alguns pacientes para atender. Daqui uma hora meu turno aqui na clinica acaba... Até lá você vai ter tempo pra ajeitar suas coisas. Eu vou te dar uma carona.

—Minha mãe não veio me buscar? —Meu sorriso se desfez.

—Você sabe que eu conheço sua mãe do hospital, e nós somos amigos. Esse mês ela te ligou várias vezes, mas não veio te visitar. Na verdade, ela não pôde vir aqui. Abby não está nos Estados Unidos, ela comprou as passagens em seu nome. Vou levá-la ao aeroporto.

Minha respiração começou falhar de repente, e meu coração gelou.

—Nos m-mudamos? Ela v-vendeu nossa c-casa?

—Acho que não. Ela me disse que está ficando um tempo na Inglaterra com seu padrinho. Eu e os outros psicólogos achamos melhor você completar um ano aqui na clinica, mas se fosse por ela você já estava lá mês passado.

—Vou voltar pra Londres?

—Sim. —Ele sorriu simpaticamente, sem entender o conflito interno que eu acabara de entrar.

•••

O avião começou a decolar e eu fiquei tensa. Iria sair do país e retornar para o lugar que meu pai prometeu que nunca mais voltaríamos. Eu sempre detestei aviões. Só entrei em um uma única vez, quando vim para Coldwater, e esperava nunca mais ter que fazer essa viagem de novo.

Como se não bastasse os solavancos inúteis da aeronave na hora de decolar, a altura me deixava nervosa. Olhei para a pequena janela e vi as pessoas tornarem-se formigas, e logo depois desaparecerem com as camadas de nuvens.

Olhei para o papel que o doutor havia me entregado. Era um questionário que ele sempre disponibilizava para que eu preenchesse depois das consultas. Comecei a responder mentalmente:

Amizade? A coisa mais importante pra mim.

Conforto? Minha mãe. Ou, pelo menos, era...

Saudade? Meu pai.

Felicidade? Inexistente.

Medo? Máscara de esqui.

Pesadelo? Revólver.

Sonho? Ser perdoada.

Confiança? Perdi.

Sensatez? Não conheço mais.

Verdade? Estou sozinha!

Quando eu perdi todas as minhas chances de ser feliz. Quando não tive coragem suficiente para encarar minhas vitimas. Quando o meu tudo se tornou totalmente nada. Minhas lágrimas cessaram porque cada dia e cada noite solitária me fez não aguentar mais chorar. Estou sozinha!

Não é a distância que separa as pessoas. Mas sim a frieza, a falta de diálogo, a indiferença, o tanto faz, a mágoa... Isso sim forma abismos entre pessoas. Passei um ano de desdém e indiferença, sem meus amigos. Jasper não retornava minhas ligações, e Monty havia me visitado um dia apenas. Ele contara que meu outro melhor amigo tinha se afastado de todos.

Desejei ter ido ao enterro de Maya, olhado nos olhos do pai dela e de Jasper. Mas não me deixaram sair da internação, pois como fui diagnosticada: ‘Ela fala insanidades sobre anjos e demônios’.

Não sabia como estava Octavia e Raven, e o pior, Bellamy tinha desaparecido como todos eles. Nenhuma das minhas preces foi ouvida, e o que me restou foram apenas sonhos.

Ás vezes, acho que o sentimento de segurança é uma mera ilusão criada por nós mesmos. Afinal, em nenhuma parte e em nenhum momento estamos seguros; somos seres soltos por aí, à mercê do acaso e do destino, sujeitos a qualquer coisa que possa acontecer. Meu porto foi levado pela maré, e não tem nada que consigo fazer para resgatar.

Tão rápido quanto eu me recordo, eu havia passado da adolescência prematura para vida adulta. E não foi preciso muito para isso acontecer... Durante toda viagem, fui chorando. O tipo de choro que é silencioso e secreto. O tipo de choro que só eu percebia.

Desci do avião, imersa no barulho mais agonizante que eu poderia ouvir. Enquanto tudo ao meu redor se silenciava, minha mente gritava. Era um turbilhão de pensamentos girando e debatendo-se dentro de mim. Me deixando tonta, me dando dor por não conseguir administrar aquelas várias vozes acusadoras que gritavam ao mesmo tempo. Sair da clinica tinha sido confuso e intenso.

Depois de rodar aquele lugar, finalmente achei-os no portão de desembarque. Minha mãe segurava uma plaquinha com meu nome, e balançava acima da cabeça. Meu primo Wells estava ao lado esquerdo dela, e meu padrinho Jaha a sua direita. Ambos acenavam em minha direção, e isso me desconcentrou. Quase derrubei minha mochila, e o papel que estava em minha mão voou. Todavia, assim que segurei, uma frase no final daquele questionário fez minha consciência alertar da exatidão:

“Nem teus piores inimigos podem fazer tanto dano, como teus próprios pensamentos.”

Concordei, sabendo que meu maior inimigo no momento, era fazer minha mente se adaptar a essa nova realidade.

Notas finais
E então? O que acharam?
Será que a Clarke vai ficar em Londres permanentemente?
E todos os outros personagens?
Estarei postando o próximo, de forma regular, na semana que vem.
Beijos