Pertenço a ti
2 Capítulo 2 — Olhares
Notas iniciais
Será que estou exagerando por me sentir assim?
E desde que eu te conheci, perdi minha concentração
E a culpa é sua
Hope ft. Jason Mraz — Love, love, love
***
Após as palmas acabarem, Elena foi ajudar a Irmã Clementina a descer do palco, e Isobel olhou de relance para a garota, encarando-a, o que fez Elena olhar para ela sem nenhum sorriso estampado no rosto.
— Tem certeza que não quer conversar com a Dona Isobel? — perguntou a Irmã Clementina, tirando Elena de seus desvaneios.
— Tenho, tenho sim. Ela deve estar ocupada agora.
— Está bem, então vamos, porque o desfile já acabou. — Clementina deu uma pausa enquanto caminhava-se em frente às outras crianças — Vamos, crianças!
Elena olhou para trás, e viu o homem com os olhos azuis sobre ela. O que fez a garota sorrir, e logo virar o rosto novamente com o rosto corado.
Damon deu seu sorriso de canto, enquanto via ela e as outras crianças indo embora. Ele deu um último gole na sua taça de champanhe, e a colocou em cima de uma mesa qualquer enquanto se curvava dos fotográfos, convidados, para ir atrás da garota.
Elena estava entrando no elevador essa hora. Damon viu a hora que o elevador foi fechado, e decidiu ir pelas escadas.
O problema era que:
Eram 7 andares.
Damon saiu em disparada em direção as escadas. Enquanto isso, Elena saia do elevador. Ela e as crianças dirigiam-se ao ônibus, entrando todos. Quando todos entraram, o mesmo deu partida.
E Damon terminou de descer os 7 andares, respirou fundo recuperando o ar. E foi em direção à saída.
Ele pôde ver Elena no fundo do ônibus, olhando para ele. E novamente se olharam.
***
— Pare de dizer besteiras, Isobel! — Giuseppe aumentou o tom de voz nessa hora.
Era só o que faltava, pensou ele. Isobel, além de não dar atenção à ele e a sua família nos últimos dois anos, disse que a garota do elevador estaria dando em cima dele — e viceversa. A garota era de um convento, orfã... Por que daria em cima dele? A garota era pura, inocente.
Os dois estavam discutindo atrás do camarim, ainda no prédio que houvera o desfile.
— Eu vi com meus próprios olhos, Giuseppe! — respondeu ela nervosa.
— Sabe o que é? Você nem fica mais com a sua família, sendo que havia prometido ficar mais com a gente. Então eu vou dizer logo, — ele deu uma pausa — aceitei trabalhar em uma nova série.
E Isobel já sabia o que aquilo significava — ele ficaria menos em casa.
— Giuseppe...
— Isobel, você não pode... Ou melhor, não quer cumprir as suas promessas. E eu, já me cansei — Isobel ficou pasma, e Giuseppe a deixou ali.
Jenna foi até a amiga, e logo falou:
— Vai deixar ele ir assim? Vai atrás dele, Isobel!
E foi o que ela fez, foi atrás de Giuseppe. Quando o encontrou, estava conversando com Davina, a filha dos dois.
— Eu fico feliz que tenha vindo, Davina — disse Isobel cortando a conversa dos dois, com um sorriso no rosto.
O fato era que, Davina não era a filha dos sonhos de Isobel. Era rebelde, irresponsável... E por causa disso, brigavam diariamente.
— É, filha, foi muito bom — reforçou Giuseppe que estava com a mão em cima dos ombros de Davina.
E atrás deles, chegou Damon. Que foi ao lado de sua mãe — que estava em frente à Giuseppe e Davina.
— Que bom que tenha vindo, maninha — disse Damon dando um beijo no rosto da irmã.
— Como estava o desfile? — perguntou Davina.
— Estava muito lindo, como todos os desfiles de sua — mãe são — respondeu Giuseppe à filha.
E ficou um silêncio, apenas eles se olhando. Foi quando Damon cortou o silêncio:
— Já que estamos todos reunidos, que tal comemorarmos?
Todos concordaram, e eles foram jantar fora como uma família.
***
No outro dia...
— Mande chamar o Damon, por favor, Jenna — pediu Isobel à amiga que apenas assentiu a cabeça, saindo da sala da mesma.
A sala de Isobel era bonita e sotisficada — assim como todo o ateliê. As paredes pintadas de laranja, quadros por toda a parte — que a maioria foi Giuseppe que dera à ela. A porta era de vidro e havia um brecha da parte de cima e debaixo, dando um ar a sala. O prédio era de 15 andares e a sala dela ficava no último andar, as janelas eram bem distrubuidas, dando uma bela visão da cidade. Havia duas mesas, uma principal e a outra com vários documentos em cima, e um belo espaço para os sofás.
Após dez minutos Damon apareceu em frente a porta, e Isobel apertou o botão debaixo da mesa, abrindo a porta para ele entrar. Damon está sorridente demais, pensou Isobel.
— Mamãe querida! — Damon deu a volta na mesa dela e deu um beijo estralado no rosto de Isobel, e a abraçando forte por trás.
— Tá bom, Damon — disse ela entre os risos, e Damon a soltou, dando a volta na mesa novamente e ficando de frente para ela — Preciso que vá para Nova Iorque buscar alguns tecidos importantíssimos para mim.
Damon franziu o cenho.
— Tem que ser justo hoje? — perguntou ele. Damon estava planejando em ir ao Convento para se encontrar com a garota. Desde do dia que vera, não tinha conseguido tirar a imagem de Elena de sua cabeça.
— Não é justo hoje, é justo agora! — deu ela ênfase a última palavra.
— Está bem, está bem... — Damon sorriu novamente, mostrando os dentes. Jenna adentrou à sala nesse momento — Mas me diga uma coisa... Tinha uma garota ontem no desfile... Linda, cabelos pretos... E...
— Me poupe Damon, vá antes que você perca o voo! — disse ela ríspida.
— Tá, eu mesmo procuro Dona Isobel! — Damon mostrou a língua para Isobel, o que fez a mesma rir.
Após ele sair da sala, ela comentou para Jenna:
— Só o que me faltava, pai e filho estarem interessadas na mesma mulher! — suspirou.
Jenna balançou a cabeça, fazendo um gesto negativo:
— Você nem sabe a verdadeira história, Isobel! Não diga isso da boca pra fora — repreendeu Jenna. O que fez Isobel revirar os olhos.
***
— Você está doido?! — Klaus ficou surpreso com o que Damon pedira. Claro que Damon já havia contado a história para o seu melhor amigo.
Que conheceu uma garota no desfile, uma linda garota por sinal, que tomou conta de seus pensamentos.
Uma garota de cabelos pretos, olhos cor de chocolate...
— Você quer ir até o Convento para vê-la? — Klaus perguntou novamente — Você está maluco, cara? Você tem que pegar o voo! E se sua mãe souber? Meu deus, eu vou ser demitido!
Damon riu, e logo apressou o amigo:
— Para de tantos "você" e de ter um ataque! Vamos logo, é só dez minutos.
***
Giuseppe estava com o rosário em mãos, em frente ao Convento. E entrou no lugar, indo para a Direção do lugar.
Quando chegou em frente a porta, e deu dois leves toques na mesma. Ele ouviu um "Pode entrar" e entrou na sala onde havia uma freira.
— O que deseja? — perguntou a freira, ela aparentava ter uns 68 anos, deduziu Giuseppe.
— Esse rosário — ele levantou a mão, mostrando o rosário para a freira — É de uma garota que estava ontem no desfile... E...
Ela o cortou, dizendo:
— Ah sim! É da Elena! Ela veio aqui mais cedo, dizendo que havia perdido. Vou chamá-la.
Após alguns minutos, Elena entrou na sala, dando de cara com Giuseppe Salvatore.
— Oi — ela o cumprimentou, sorrindo.
— Isso é seu — ele disse, dando à ela o rosário.
— Oh meu deus! — Elena pegou o rosário da mão de Giuseppe, sorrindo.
— Muito obrigada! Pensei que tinha perdido!
Giuseppe deu um sorriso.
— Ah... E eu quero te pedir desculpas novamente pela minha esposa... Mas saiba de uma coisa — Elena levantou os olhos para olhá-lo, e ele continuou: — Nunca, jamais, desista de seus sonhos! Por isso — Giuseppe pegou um papel e uma caneta de cima da mesa da freira, e começou a escrever algo — Te escrevo essa carta de recomendação. Com certeza isso vai te ajudar muito a conseguir algum emprego de modelo.
Elena deu seu melhor sorriso para o homem:
— Muito obrigada, nossa... Eu não consigo acreditar! Você é um bom homem, Doutor Giuseppe. Obrigada novamente.
— Não há de quê... — ele sorriu — E boa sorte na vida menina — despediu-se de Elena, indo embora do convento.
***
Klaus e Damon chegaram em frente ao convento, e Damon respirou fundo tomando coragem para ir.
— Não precisa fazer isso, cara. Isso é loucura! — disse Klaus.
— Para de drama — disse Damon, e Klaus revirou os olhos.
E quando saiu do carro, virou para trás e pôde ver Klaus fazendo um gesto negativo com a cabeça, o que fez Damon revirar os olhos e rir.
Foi nisso que se virou para frente e bateu de frente com Elena.
E os olhos deles se encontraram novamente.
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