Pertenço a ti
7 Capítulo 7 — Decepção
Notas iniciais
Acabei de ouvir as notícias de hoje
Parece que a minha vida vai mudar
Fechei os meus olhos, comecei a rezar
Lágrimas de felicidade caíram logo pelo meu rosto
— Olá, Elena — disse Isobel.
Elena deu um sorriso fraco, e aproximou-se da mesa da mulher, colocando o cartão de recomendação de Giuseppe em cima da mesma. Isobel olhou de relance para o cartão, pegou-o em suas mãos e o leu. Respirou fundo e o colocou de volta a mesa.
— Então você quer ser uma modelo? — perguntou Isobel, a morena fez que sim com a cabeça — Pois bem, mostre-me o que sabe fazer.
Isobel se levantou e ficou um pouco distante de Elena, cruzou os braços e esperou a garota fazer algo.
A morena foi para o começo da sala e desfilou.
Fez duas voltas.
A mulher deu uma risada e disse:
— É... — começou Isobel — Posso dizer de que de desfile você não entende nada. — ela descruzou os braços e ficou de frente para Elena — Você não tem graça. É uma garota simples. Você tem muita coragem de se apresentar no meu ateliê... Não sei como meu marido te enviou uma recomendação... — lágrimas se formavam nos olhos da morena.
Elena respirou fundo, limpou as lágrimas do rosto e disse:
— Obrigada pela sua sinceridade... — a morena aproximou-se da porta — Eu já vou... E desculpe o meu atrevimento...
— Quem disse que você podia ir? — perguntou Isobel.
— Não precisa... — a garota tentou abrir a porta, mas foi em vão, estava trancada — Senhora, por favor, abre a porta...
— Não, você só vai quando eu mandar.
...
Damon foi até a secretária de Isobel, Lucy e disse:
— A minha mãe está? — perguntou o moreno.
— Oh sim — respondeu a garota — Mas ela está atendendo uma moça que quer ser modelo...
Damon franziu o cenho e perguntou:
— Mas quem não faz isso não é a Jenna?
— Sim, mas ela disse que foi exceção.
Quem será essa moça? perguntou-se Damon.
...
Elena andou em passos firmes até a mesa de Isobel e disse em meio ao choro:
— Eu só vim aqui atrás do meu sonho. E você pisou nele! Dá pra ver que você nunca passou necessidade...
— Como conseguiu a indicação do meu marido? — Isobel perguntou.
— Porque ele é uma pessoa boa. Muito diferente da Senhora.
Elena foi até a porta, e Isobel a destrancou com o botão debaixo da sua mesa.
Isobel respirou fundo, e um arrependimento de ter a tratado mal se apossou de seu peito.
A morena caminhou até o elevador, ainda com o rosto cheio de lágrimas, apertou o botão milhares de vezes. E quando o mesmo se abriu havia milhares de pessoas saindo, ela se afastou um pouco, virou-se de costas para ele e respirou fundo. Quando virou-se novamente, se deparou com Damon. O mesmo franziu o cenho, preocupado:
— O que foi? — perguntou preocupado — Por que está chorando?
— Ela me humilhou... — Elena disse — Destruiu os meus sonhos... Eu... — e a garota começou a soluçar.
Damon a puxou para seu peito e a abraçou, deu um beijo no topo de sua cabeça e Elena afundou seu rosto no peito do rapaz.
...
Jenna adentrou à sala de Isobel com uma xícara de café em mãos, colocou-a em cima da mesa de Isobel e perguntou:
— O que houve com essa menina? Por que ela saiu chorando?
— Eu estive pensando... — Isobel começou — Vou dar uma chance a ela...
— Pela recomendação que trouxe?
— Exatamente — concordou a mulher — Ela me garantiu que não tem nada com o Giuseppe... E para confirmar... Como diz o ditado: "A melhor forma de se defender é ter o inimigo por perto."
...
Após Damon confortar Elena, a convidou para ir um pouco para a lanchonete do lugar. Sentaram-se em uma mesa e fizeram seus pedidos. Elena tomava seu chá para se acalmar e Damon o seu café.
— Eu cheguei aqui cheia de esperanças... Mas ela me tratou muito mal...
— Não se preocupe — disse Damon — Ela não é tão má quanto parece... E os chefes são assim...
— Mas isso não dá a ela o direito de humilhar os outros — Elena fez bico e Damon aproximou a sua mão da dela, a segurando.
— O que faria se ela te oferecesse o trabalho? — perguntou ele, preocupado.
— Ela não faria isso... E mesmo se isso acontecesse eu não a deixaria me maltratar de novo! — exclamou a morena, e Damon pegou a sua xícara e deu um gole — Ela que vá descontar o mau humor dela nos empregados, ou nos filhos! — Damon tossiu e colocou a xícara de volta a mesa.
— Nos filhos?
— É, nos filhos! Em quem ela quiser. Por quê? — perguntou a garota na ofensiva.
— Nada... — disse Damon, sorrindo — É... Ela que desconte nos filhos...
...
Depois de Damon ter se despedido de Elena, dizendo que a encontraria no dia seguinte ou mais tarde ele foi para sua sala, e dizia para Klaus:
— Eu não sei, Klaus — dizia Damon — Mas quando a vi chorando... Fiquei muito mal... Me deu vontade de consola-lá, abraça-lá...
Klaus ficou perplexo e se aproximou-se do amigo:
— Senta, senta cara — Damon franziu o cenho mas logo se sentou, e Klaus colocou a mão na testa do amigo — Você está bem? Está com febre?
— Ah, não seja palhaço — exclamou o moreno.
— Nunca te vi interessado assim por uma moça... — disse Klaus — Aliás, você não disse que ela veio atrás de emprego? E se ela conseguir? E se ela descobrir que você não se chama 'Klaus' e sim 'Damon'? E o pior, que é enteado da Dona Isobel! Como acha que ela vai reagir ao descobrir que foi enganada?
— Ela me garantiu que não trabalharia aqui... Para de ficar assim — disse Damon.
Mas no fundo o moreno estava preocupado.
Como Elena reagiria se descobrisse que foi enganada?
...
Naquele dia mais tarde, mais especificamente na hora da janta, a família Salvatore estava reunida na mesa.
Enquanto os empregados serviam a refeição, Damon ainda estava encabulado com a cena que havia presenciado mais cedo. Olhou para a sua mãe, e disse:
— Eu fiquei sabendo que você recebeu uma nova modelo hoje — disse Damon apoiando ambas mãos na mesa — A Elena Helpless. E a tratou super mal...
— É mesmo, Isobel? — perguntou Giuseppe se intrometendo na conversa — Porque fez isso com a Elena?
— Você a conhece? — questionou Damon para seu pai.
— Sim... Eu a conheci no desfile que sua mãe deu para as freiras — respondeu o homem.
— Eu não devo dizer o que faço na minha empresa para vocês — respondeu Isobel, irritada — Podemos jantar agora?
...
Jenna olhou o endereço no papel que segurava em suas mãos logo para o sobrado vermelho, respirou fundo e entrou nele. Tocou a campainha do "apartamento" e foi recebida por uma loira de cabelos cacheados e olhos azuis.
— Oi — disse Caroline — Posso ajudá-la?
— Sim... — respondeu Jenna — Preciso falar com a Elena...
Elena escutou seu nome e foi até a porta, se recordando da mulher que vira no Ateliê de Isobel.
Que aliás, essa mulher fora uma das que mais a trataram bem naquele lugar.
— Oi, Elena — disse Jenna quebrando o silêncio — Posso entrar?
— Claro... — respondeu a morena dando espaço para Jenna entrar.
— Obrigada.
— Sente-se — disse Elena apontando para o sofá. E Jenna sentou.
— Então Elena, quero primeiramente que me desculpasse por Isobel...
"Ela é assim desde que... Enfim. Isobel vem de uma origem pobre, teve que batalhar muito para ter o que tem agora... Por isso é assim agora, fria, calculista. E desculpe-me novamente por ela insuniar que você poderia ter algo com Giuseppe... Ela ama ele. E tem medo de perdê-lo. E quando você saiu daquele escritório ela pediu para que eu viesse atrás de ti para você trabalhar para ela. E eu realmente espero que você aceite. Saiba, Elena... Que sempre vou estar ao seu lado, está bem? Vou ser como uma..."
— Mãe? — questionou Elena.
— Como uma mãe — afirmou Jenna — E acima de tudo, amiga.
...
Naquele mesmo dia, quando Elena estava na cama, se lembrou do dia anterior:
"É... Posso dizer de que de desfile você não entende nada. Você não tem graça. É uma garota simples. Você tem muita coragem de se apresentar no meu ateliê... Não sei como meu marido te enviou uma recomendação..."
Mordeu os lábios tentando segurar o choro e disse para si mesma:
— Eu vou mostrar para ela que vou ser uma ótima modelo.
...
No dia seguinte de manhã, Elena levantou-se cedo e vestiu-se com sua melhor roupa. Tomou seu café da manhã e foi direto para o Ateliê.
Estava às oito e ponto no lugar.
Encontrava-se sentada na sala de Isobel à espera da mesma, quando ela entrou, ficou-se de pé.
— Não imaginei que viria... Meus parabéns — disse Isobel — Vamos direto ao assunto: Meus termos...
"Sua vida pessoal é minha agora. Tudo que fizer terá que dizer à mim. Mudança de aparência, estilo. Qualquer coisa."
— E aliás, vou usar "Elena Helpless" como seu nome artístico. É original, é belo. Eu me identifico com ele.
Elena sorriu, e Isobel lhe estendeu a mão:
— Contrato fechado?
— Sim — respondeu Elena apertando a mão da mulher.
...
Durante o dia todo Elena conheceu o Ateliê, foi apresentada as modelos, treinou seus passos. Porque naquele mesmo dia, de noite, teria que desfilar para algumas pessoas. E quando chegou a hora, o Pippino deu seu melhor vestido para a morena vestir. Havia se apaixonado por ela:
— Meu deus! Me acuda! — dizia Pippino — Você é maravilhosa, querida! — ele exclamava — Bela, muito bela... Essas curvas... Meu deus, meu deus! Me segurem vou desmaiar!
Todas as modelos da sala riam e acudiam o estilista.
Elena olhou seu reflexo no espelho e se sentiu orgulhosa de si mesma.
Estava realizando seu sonho.
De ser uma modelo.
Usava um vestido preto comprido até os pés, com algumas pedrinhas no mesmo, manga comprida e um decote. E seu cabelo preso em um coque muito bem feito.
Foi quando ouviu seu nome:
— Elena, é a sua vez, querida — disse Jenna — Você está linda. Vá lá.
E ela foi.
Entrou no pequeno palco do Ateliê e fez uma volta no mesmo.
Como era o principal modelo ela teria que dar duas voltas.
E Damon entrou na sala descontraído, estendendo um documento para a Isobel.
— Aqui está o que pediu — disse ele.
E a morena olhou para o rapaz, sorrindo, ainda desfilando.
— Apenas isso, Damon? — questionou Isobel.
"Damon?"
Damon olhou para a morena e viu a decepção nos olhos dela.
— Droga — ele murmurou para si mesmo.
Fale com o autor