A noite estava calma, dentro de uma pequena taverna saía o único foco de luz por uma estrada enlamaçada. O único som que se ouvia era o trotar de um cavalo e os murmúrios partindo da luz. Pelo menos naquela pequena instalação, as coisas não eram tão calmas assim. Posso confirmar isso pois, em uma roda de velhas cadeiras de madeira, com um barril vazio de vinho no centro, fazia minhas apostas com os ali presentes. Logo me tornei uma atração, mulheres dançavam ao meu redor e analisavam cada jogada, enquanto todo o dinheiro dos clientes passavam para minhas mãos. Quem diria que naquela noite minha sorte seria colocada a prova.

Os passos do cavalo do lado de fora pararam de repente, o silêncio tomou conta do lugar assim que coloquei um royal straight flush virado no barril. Não havia mais apostas a se fazer ali. Levantei e tomei meu rumo à saída. No entanto, fui impedido. Com as duas mãos fechando a saída um senhor recuperava o fôlego para me dizer algo. Seu rosto era cheio de cicatrizes e ele não possuía olho esquerdo. Molhado e maltrapilho ele implorou para que eu ouvisse uma aposta. Senhor sábio, eu com o título de mestre das cartas seria desonrado se pelo menos não ouvisse a proposta.Ao aceno de minha cabeça ele declarou:

– “Todo o dinheiro dessa noite, em troca de 3 moedas antigas e a história que pode mudar o seu modo de pensar em todos aspectos da vida!”

Nunca fui um homem interessado por histórias, mas que tipo de história valeria o dinheiro que ganhei essa noite? Estava disposto a descobrir. Sentamos na ponta de uma lareira com fogo baixo, visto que a lenha estava úmida não poderíamos exigir muito mais.

Seu olhar penetrante de algum modo me desconcentrou, sua face mudou de expressão e parecia cada vez mais determinado embora o jogo estivesse totalmente ao meu favor. De repente em um saque de cartas não acreditava no que via na mesa. Um duplo straight flush. O senhor soltou uma gargalhada, pediu a garçonete uma caneca de cerveja preta e falou:

–“Você nunca fica em desvantagem garoto, as vezes a desvantagem é a maior das forças.”

Concordamos em trocar o que foi apostado. Ele tomou um longo gole de sua cerveja e começou sua história, cada centavo que eu apostei valeu a pena após ouvir suas palavras, elas diziam:

– “Sou um guerreiro experiente da tribo de Rakkor. Em minha gloriosa juventude vi nosso povo em desvantagem inúmeras vezes. Sabia que isso nos tornaria fortes. Cada um de nossos guerreiros valia por 10 de qualquer outra tribo. Eu me superei. Em uma das guerras contra demacia venci na desvantagem de 20 para 1. Todas essas experiências foram necessárias para nossa ascenção. Ao atingir os 60 anos parei de lutar. Decidi passar meu conhecimento aos jovens. Um de meus alunos, hoje conhecido como Artesão da Guerra participa como defensor de Rakkor nos Campos da Justiça. Esses campos são uma forma absurda de se resolver problemas. A guerra sempre foi e sempre será essencial para a humanidade.

Certos rumores começaram a se espalhar sobre uma criatura que possuía o mesmo pensamento, ou então até onde eu sabia. Decidi viajar por Valoran para conhecer mais sobre o que nosso povo chamava de deus da desvantagem. As histórias que ouvi foram incríveis, porém atemorizantes. Essa criatura parece ser onipresente em todas tribos existentes. Há rumores de sua aparição para o rei bárbaro de Freljord, comandantes demacianos e noxianos, campeões nos campos da justiça, todos com a desvantagem como ponto em comum. Mas uma história que me deixou intrigado foi a de sua aparição na ilha das sombras. Os afetados por suas palavras nunca mais voltaram a ser os mesmos. Dizem que pode-se sentir a agonia e medo apenas de falar com um deles.

Aparentemente essa criatura não luta por uma nação, mas pelo prazer da batalha. Isso me deixou animado, uma paixão tão grande deveria ser respeitada. Porém toda essa visão mudou assim que cheguei na próxima cidade. A oeste de Valoran encontrei uma cidade deserta. Estranhamente não parecia tão deserta assim há alguns minutos atrás. Entrei numa taverna e pedi a melhor cerveja preta que possuíam. Ao pagar recebi como troco algumas moedas de formato estranho. Perguntei ao dono do local o que era o símbolo ali registrado. Ele me disse que há 10 anos atrás um grupo de guerreiros decidiu proteger as cidade contra alguns invasores de Noxus. Porém devido a diferença esmagadora de poder apenas 1 guerreiro se manteve de pé. Estava ele em cima de uma pilha de cadáveres de seus próprios companheiros chorando de desespero quando um ser alado desceu dos céus e tocou de leve a sua nuca. O choro se transformou em fúria, esse guerreiro arrancou o próprio olho de tanta raiva e partiu para cima de um exército de 200 noxianos ao lado da criatura alada. No fim do dia apenas ele estava de pé, com sua espada estendida aos céus. Sua aparência? A de um monstro vivo, sedento por sangue. A criatura não se achava mais lá.

Quando perguntei por algum indício desse guerreiro ele pareçeu desentendido, me mostrou uma caixa. Dentro dela, havia um quadro que mais parecia um espelho. Sim, meu caro rapaz, aquele guerreiro enfurecido era eu mesmo. Naquele momento milhares de recordações vieram a cabeça e meu cérebro parecia tingido de vermelho de tanto sangue que foi derramado. Parecia uma luta honrosa mas minhas recordações eram de apenas brutalidades sem fim. Minhas memórias foram alteradas e por isso não conseguia me lembrar de nada. Aquela cidade em sinal de respeito e temor fez com que o símbolo da espada da criatura alada aparecesse em sua moeda local. O desepero de ver uma fera fora de controle novamente fez com que a cidade se esvaziasse antes mesmo de minha chegada. Fiquei amaldiçoado para sempre com visões terríveis e um sentimento que a qualquer momento posso ceder lugar a fúria e destruir tudo novamente. Por isso rapaz, caso esteja em desvantagem, cuidado com o caminho que irá tomar.”

O velho se levantou, mancando em direção a porta. Em volta dele uma aura medonha distorcia a personalidade calma que havia mostrado. A única palavra para descrever o que vi era atrocidade, ele realmente não parecia humano. Montou o seu cavalo e partiu. Posso apostar o que quiser que no seu rosto estava um sorriso sombrio enquanto do seu olho direito lágrimas de desespero caíam.

Aquela história se tornou um alerta de alta consideração. Ouvi rumores que tal criatura estaria entrando nos campos da justiça. Em uma de minhas apostas com o explorador pródigo de piltover descobri que isso pode estar bem próximo de acontecer.Perdi de propósito uma das apostas para lhe entregar essas moedas já que parecia intrigado com o assunto. As moedas que recebi já não faziam diferença, mas as informações que ouvi sim. Se estiver em desvantagem pode ser que seja a minha única oportunidade de vencer,mas com que preço à pagar? Não me pareçe uma aposta interessante após ouvir a história daquele senhor.

Muito do futuro pode ser revelado nas cartas e se essa criatura entrar em League of Legends a única coisa que consigo enxergar é o destino banhado em sangue e caos. Estão preparados para isso?

– Twisted Fate

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