Personal Soldier
24 Enquanto estivermos juntos ficaremos bem.
Notas iniciais
POV LOGAN
Meus olhos tiveram dificuldade de se ajustar à luz acima deles. Aos poucos as formas foram se ajeitando e ganhando clareza. Um teto cinza escuro e com muitas pequenas lâmpadas embutidas. Percorri meus olhos pelo ambiente e tive uma leve sensação de deja-vu. Tentei me mover, mas meu corpo estava pesado e rígido.
Ouvi alguém se movimentando, segundos depois o rosto angelical de Marie apareceu na minha frente. Talvez nós tivéssemos morrido afinal, e ela era o anjo que me daria boas-vindas ao céu. Ou talvez fosse muito ingênuo da minha parte pensar que eu iria para um lugar bom depois de tudo que fiz, depois de toda a matança. Minhas garras estavam sempre sujas de sangue de culpados e de inocentes. Minha conta estava no vermelho desde o início dos meus tempos e não havia mais nada que eu pudesse fazer para quitar a dívida. Eu não merecia o céu, e nem nada que parecesse com isso. Minha alma perdida só achava paz em Marie, e depois da morte não acharia mais.
— Logan... – O sorriso da garota a minha frente era maravilhoso. Seus olhos marejados estavam carregados de emoções. Principalmente, felicidade. – Você acordou... – Praticamente sussurrou tentando segurar o choro.
Pisquei mais algumas vezes. Não era como se eu estivesse sonhando ou em outra dimensão. As mãos quentes de Marie seguraram minha mão direita e parecia real.
— Oi. – O meu movimento de levantar a mão esquerda para acariciá-la foi impedido por um fio ligado a um eletrodo no meu dedo. Puxei o braço com força e me soltei. Um apito chato e contínuo surgiu. Marie apressadamente desligou a máquina. Percebi que várias coisas estavam ligadas a mim. Eletrodos em todo meu peito, agulhas em ambos os braços. Tirei tudo de mim sem a menor paciência e Marie me desaprovou com os olhos. Ergui meu tronco e finalmente consegui tocar o rosto de porcelana da garota sentada em minha cama.
Era real. Estávamos vivos e bem afinal. Uma inexplicável sensação de alívio me atingiu. Eu não merecia um lugar bom depois da morte, mas em vida eu usurparia de um pedaço do paraíso estando ao lado de Marie.
— O que foi? – Perguntei. A expressão dela continuava dura. – Eu estou bem. Novinho em folha.
— Eu estou vendo. – Marie riu pelo nariz desmanchando a carranca. – Fiquei com tanto medo que você não acordasse. – Os olhos castanhos de Marie estavam derretidos. Ela realmente temeu pela minha vida e não tinha noção do quanto eu temi também. Não por mim, mas por ela. Minha vida não valia muita coisa, já a dela era preciosa como um raro diamante. – Tive vontade de te bater por se arriscar daquele jeito por minha causa. Você me salvou Logan.
— Eu não aguentaria te perder Marie. Quando percebi que você estava pegando meus poderes nada mais importava. Eu morreria por você.
— Eu sei. – Com urgência ela se aproximou de mim e encostou sua testa macia na minha. – Mas eu nunca me perdoaria se você tivesse morrido.
Uma tímida lágrima percorreu a bochecha corada de Marie. Usei meu polegar para afastar aquela tristeza e encostei nossos lábios sendo o mais gentil possível. Ela correspondeu o beijo imediatamente e envolveu os braços no meu pescoço mantendo o contato.
— Está tudo bem. Estamos bem. – Tentei acalmá-la sussurrando.
— Prometa-me que nunca mais vamos passar por algo assim Logan. – Nossos olhos se acorrentaram muito próximos.
Marie estava me pedindo algo impossível. Eu nunca teria certeza do que o futuro poderia reservar para nós. Entretanto, eu tinha que me comprometer. Independentemente de qualquer dificuldade a nossa frente eu estaria com ela. Nunca mais eu deixaria Marie sozinha. Eu seria o herói dela, mesmo que ela não precisasse de nenhum.
— Eu prometo. – Minha voz carregada de convicção fez com que a feição aflita dela se dissolvesse.
Beijei-a novamente. Eu nunca me cansaria daquela sensação delirante de ter os lábios rosados de Marie grudados nos meus.
— Nós temos tanta coisa pela frente... – Divagou tirando os olhos de mim por alguns instantes. – Tantas coisas que podemos fazer... Juntos. – Sorriu timidamente.
— Nada vai me separar de você Marie. Eu juro.
A menina assentiu fazendo uma mecha branca de cabelo soltar-se de trás da sua orelha. O cheiro familiar de morango penetrou em minhas narinas.
— O que foi? – Ela franziu o cenho diante da minha expressão divertida. Beijei o topo de sua cabeça aspirando um pouco mais daquele cheiro bom.
— Seu cheiro... de morango. É engraçado.
— Já o seu cheiro não está nada engraçado.
Foi a minha vez de não entender. Levantei meu braço e quase entrei em coma profundo novamente. Eu nem tinha notado o quanto estava suado.
Dei uma boa olhada no espaço. Era a enfermaria do instituto. Várias macas, armários de remédios, computadores, maquinas médicas. Tudo bem cinza e nada aconchegante. Eu já estive ali algumas vezes, visitando colegas, principalmente, já que meus poderes não me deixam precisar realmente de atenção médica. Aquela havia sido a terceira vez que fiquei desacordado ali. As outras foram há tempos, parecia uma vida distante.
— Quanto tempo eu fiquei aqui nessa cama? – Perguntei receoso.
— Semanas. Quase um mês Logan. – A preocupação de Marie fez ainda mais sentido para mim. Demorei menos tempo para recobrar a consciência da outra vez que ela pegou meus poderes.
— Perdi alguma coisa? Por acaso algum maluco tentou matar os mutantes ou invadir o Instituto nesse tempo? – Meu humor ácido fez Marie rir. – Preciso de um banho e um relatório de tudo que aconteceu por aqui nesse tempo. Me ajuda?
— Claro. Só vou te avisando de uma vez que incomodei todo mundo por dias. – Contou travessa. – Sua personalidade mal-humorada se misturou com meu lado meio depressivo. Minha cara emburrada já espantava as pessoas a quilômetros de distância. – Soltei uma pequena gargalhada. Marie sabia ser uma garota chata e mimada quando queria, e as vezes, ela tinha razão. – Ah! Preciso te contar também sobre os comentários gerais a respeito do nosso relacionamento. – A empolgação dela me contagiou.
Antes nosso relacionamento era escondido, e eu o revelei quando pensei que ela morreria. Eu perdi a reação inicial das pessoas, mas certamente elas ainda reagiriam de forma estranha quando nos vissem juntos pelo Instituto.
— Você pode me contar tudo isso durante nosso banho juntos. – Sugeri sendo totalmente atirado e ela encarou o chão, envergonhada.
Levantei-me da cama um pouco desajeitado. Depois de tanto tempo parado meus músculos tinham se esquecido de como fazer os movimentos. Eu precisaria de muitas horas na sala de treinamento para voltar à forma. Afastei-me da cama e só então percebi que havia mais alguém. Aproximei-me da figura imóvel e tive uma surpresa desagradável.
Pyro. O desgraçado que quase matou Marie estava ali bem na minha frente. Meu corpo estremeceu de raiva. Deixei que minhas garras deslizassem para fora de meus punhos e armei o golpe fatal.
— NÃO! – Ouvi Marie gritar. Sua voz estava abafada pelo ódio que eu sentia naquele momento. Aquele idiota merecia morrer. É claro que uma morte lenta e sofrida seria mais adequada e prazerosa de assistir, mas meu impulso de rasgar sua garganta rapidamente era mais forte. Consumia-me. Encostei minhas garras no pescoço de Pyro sentindo a diferença de temperatura. Eu já podia antecipar o jato de sangue que sairia do corte e sujaria todo aquele cinza do ambiente. Aquele pensamento satisfez o animal dentro de mim. O fez sorri feroz e grunhir de antecipação. Aquela morte deixaria a fera sedenta de sangue extasiada por alguns segundos. – POR FAVOR, LOGAN! NÃO O MACHUQUE!
As mãos delicadas de Marie tocaram meu braço. Eu não entendia. Ela estava realmente me pedindo para não o machucar? Encarei-a incrédulo enquanto o animal em meu interior rugia exigindo aquele sangue.
O rosto tenso e desesperado da garota deixou-me ainda mais confuso. O lixo humano naquela maca não merecia misericórdia.
— Eu vou matá-lo Marie. – Bufei entre os dentes. – Deixe-me acabar com a vida desse miserável. Eu não entendo porque ele está aqui, mas entendo que ele tem que morrer. Ele tem que pagar pelo que fez com você.
— Não, Logan. Por favor, não faça isso. – Implorou inquieta.
— Como você pode defendê-lo?! Como você pode me pedir para não o machucar depois de tudo que ele fez com você?! Não entendo Marie. – Continuei tentando colocar um pouco de juízo na cabeça dela. Não fazia sentido algum.
— Ele está em coma Logan. – Explicou afastando meus punhos cerrados de perto de Pyro. Escondi minhas garras e esperei que ela tentasse me convencer daquela loucura. – Bobby o achou completamente desacordado no apartamento, e decidimos que ele ficaria aqui. Seria injusto e desumano atacá-lo assim.
— Eu não estou nem aí! Não se trata de justiça para com ele, e sim com você! Justiça pelo que ele te fez Marie!
— No final das contas, eu sobrevivi Logan. Isso é o que importa. – Ela respondeu como se fosse óbvio. – Eu estou bem. Viva e bem. E você está aqui comigo. – Continuei entendendo ainda menos toda aquela situação. – Eu o odiei no primeiro momento, mas depois compreendi. Pyro é um idiota sim, porém não merece ser morto a sangue frio. Ele está preso na maca Logan, olha. – Observei as algemas em seus braços e pernas. – O Fera disse que os danos que eu causei foram extensos. Provavelmente ele nunca irá acordar desse coma. E caso acorde, não há como ele usar os poderes ou fugir. Você não pode sentenciá-lo a morte e ser o carrasco. Você não pode ser o juiz e o executor. Não é sua decisão.
— E de quem é a decisão?!
— Minha. Eu fui a mais atingida nisso tudo e determino que essa é a punição dele Logan. Viver sem poder realmente viver. Já é um grande castigo. Não precisamos fazer mais nada. Ele está preso no próprio corpo.
Olhei novamente para o rosto de Pyro. Não parecia um sono tranquilo. Desejei que sua mente estivesse imersa em pesadelos. O impulso de matá-lo percorreu-me novamente, mas encarei o rosto de Marie tentando encontrar lucidez para controlar o animal inconsequente dentro de mim. Ela nunca me perdoaria se eu o matasse. Ela já havia se decidido e eu não podia decepcioná-la. Eu só poderia torcer para que ele acordasse um dia e me desse motivo para poupar o mundo de sua existência medíocre. Apenas isso.
As mãos quentes e apaziguadoras de Marie envolveram meu rosto. Ela queria saber se eu tinha entendido. Assenti mostrando a ela que havia escutado muito bem e acataria a decisão. Ela me abraçou forte e eu a apertei ainda mais contra mim. Se amá-la e estar com ela significava engolir meu orgulho e meus instintos, eu aceitaria. Os velhos sentimentos que antes me moviam não me controlavam mais. Ódio, vingança e a sede de sangue... Não havia mais lugar para essas coisas.
Após soltar o abraço a garota sorriu, pegou minha mão e puxou-me para longe dali. Apenas me deixei levar. Deixei as memórias amargas irem e me concentrei na felicidade de Marie.
{...}
POV MARIE
Andei pelos corredores do Instituto praticamente saltando de alegria. Logan estava vivo e tudo ficaria bem. Mesmo que todos me dissessem que ele voltaria para mim logo eu tive medo. Pensar na possibilidade que ele nunca mais acordasse me deixou sem dormir por várias intermináveis noites. Entretanto, eu estava errada. Ele voltou para mim, assim como voltei para ele. Jean tinha razão quando disse que nós tínhamos muito para viver juntos. Ela sempre foi a mais inteligente do grupo.
Ao passar pelo quarto de Warren algo me chamou atenção. Ele jogava coisas dentro de uma mala enorme em cima da cama. Parei na porta e tentei entender a cena. Ele iria viajar?
Ao perceber minha presença ele paralisou por alguns instantes, mas logo voltou a atirar as roupas na mala.
— Warren! – Chamei a atenção dele novamente. – O que está fazendo?
— Não é óbvio?! – A rispidez dele me assustou. – Vou embora do Instituto. – As palavras me atingiram severamente. Nossa amizade estava fragilizada, mas não pensei que ele fosse abandonar tudo.
— Por quê?
— Não importa. – Respondeu seco sem me encarar. – Você não precisa fingir que se importa.
— Eu me importo Warren. – Entrei no quarto e me aproximei dele. – Você é meu amigo! Preciso saber o motivo dessa ideia de ir embora. Principalmente, porque me recuso a pensar que isso tenha a ver comigo e Logan estarmos juntos.
— Como se o mundo girasse ao seu redor Marie! É tudo sempre sobre você, não é mesmo?! – Ele praticamente cuspiu as palavras em mim e me encarou irônico. Depois de uma longa pausa ele respirou fundo e olhou para os lados, desconfiado. – Eu estou indo visitar meu pai. Faz tempo que não o vejo. – Explicou com a voz baixa.
Ninguém podia saber que o pai de Warren estava vivo, e muito menos trabalhando para o governo. Poucas pessoas sabiam, e era esse sigilo que mantinha ele e Warren em segurança. Quando O Fera nos contou ficamos apreensivos. Ororo desaprovou totalmente o projeto, mas com o tempo se conformou. A genialidade do pai de Warren quase nos destruiu, porém, agora era usada para o bem, ajudando mutantes a se adaptar aos poderes e a viver com qualidade de vida. Experiências totalmente voluntárias e supervisionadas. Tentei obter ajuda dele quando meus poderes começaram a voltar, e infelizmente não obtive respostas claras. Tudo sobre o projeto da cura tinha sido apagado dos registros, e mesmo que não, aquele efeito colateral nunca foi esperado.
— Entendo. Você voltará então?
— Não sei Marie. – Só então ele fixou os olhos nos meus. – Não sei se tem lugar para mim aqui. Não é a mesma coisa. Nossa... – Ele demorou certo tempo buscando a palavra certa – amizade não é mais a mesma. Talvez isso seja um pouco por você também. – Admitiu finalmente.
A parte egoísta do meu coração estava satisfeita por saber que Warren ainda tinha sentimentos por mim mesmo com toda decepção de me ver com outro. E a parte altruísta queria poder acabar com aquela dor e fazê-lo não me amar mais. Engoli seco. As palavras se entalaram na minha garganta. Lentamente ele se aproximou e segurou minhas mãos. Seus olhos verdes tristes amoleceram meu coração.
— Eu queria que você ficasse, mas isso é totalmente estúpido da minha parte. – Confessei num quase sussurro.
— Por incrível que pareça, é bom ouvir isso. – Uma das mãos de Warren pousou no meu rosto e fez um leve carinho na minha bochecha. – Você pode não me amar como eu te amo, mas um dia isso irá mudar. Eu sei que um dia você vai perceber quem realmente esteve do seu lado quando você precisou e quem faria tudo por você. Ir embora não quer dizer que desisti de você, Marie. Eu vou lutar por isso. Pode não ser hoje ou amanhã, mas desistir nunca será uma opção para mim. Você e eu vamos ficar juntos.
A melancolia nos olhos de Warren foi substituída por uma profunda determinação. Havia algo forte demais naquelas palavras, entretanto, eu não consegui contrariá-lo. Não consegui responder nada. Minha boca se abriu e se fechou muda sem palavras.
Seus lábios macios tocaram minha bochecha com delicadeza, o que certamente me fez corar. Incapaz de corresponder àqueles sentimentos todos, e muito menos de rejeitá-los deixei que aquele momento fosse nossa despedida. Antes de continuar pelo corredor, dei uma última olhada para ele e sorri.
Apensar de tudo ele sempre foi especial para mim. Não cabia a mim destruir suas esperanças. Eu só poderia esperar que o tempo o fizesse entender que meu coração pertence a Logan e isso nunca mudará.
{...}
POV LOGAN
Terminei de prender as coisas de Marie na moto apertando bem. Surpreendeu-me que ela tenha conseguido colocar tudo que precisava em uma mochila pequena, afinal, mulheres são cheias de frescuras. Marie era uma garota simples no final das contas e isso era encantador. Minha bagagem era ainda menor. Nunca gostei de usar roupas mesmo. E ao lado de Marie eu ficava cada vez mais tempo despido.
— Prometa-me novamente que serão só duas semanas. – Ouvi Ororo se aproximando juntamente com Marie, Melanie, Amy e os outros X-men.
O comitê de partida era meio exagerado para o meu gosto, mas Ororo gosta de fazer de qualquer coisa um grande evento. Tivemos até um jantar de despedida na noite anterior.
— Prometo Ororo! – Marie sorriu e abraçou a diretora superprotetora do Instituto. – Em duas semanas estaremos de volta e Logan começará a dar aula, como conversamos.
Não consegui esconder a minha insatisfação com o lembrete. Após ser pressionado por Ororo e Marie eu me comprometi em ser um professor regular, e não apenas substituto como sempre fazia. Era uma péssima ideia me colocar como mentor daqueles pestinhas, mas elas insistiam que isso faria bem para ambas as partes. Minha esperança era que elas desistissem assim que o primeiro pirralho entrasse na sala de Ororo chorando por alguma coisa que fiz. Isso aconteceria mais cedo ou mais tarde.
— Eu estou ansioso por isso. – Respondi com um sorriso sarcástico. – Eles vão adorar cada lição.
— Colossus irá te vigiar, não é? – Ororo entrelaçou seus dedos nos dedos do cara enorme ao seu lado. Ele a beijou rapidamente nos lábios e assentiu olhando para mim. – Pelo menos nas primeiras aulas. – Ela completou.
Colossus nunca foi um cara de muitas palavras, assim como eu. E talvez por isso fosse o cara no Instituto todo que eu mais me identificava e confiava. Voltar do coma e saber que ele e Ororo estavam juntos me deixou alegre. Ororo merecia alguém bom o bastante. E Colossus era. Por muito tempo ele foi o braço direito dela no Instituto e algo bom saiu dessa parceria. Marie não soube me contar a quanto tempo o relacionamento deles tinha começado, mas veio a público logo que todos souberam sobre nós. Vê-los partilhando sua intimidade na frente dos outros era estranho, mas demonstrava que Marie e eu tínhamos inspirado algo. O instituto era nosso lar e não havia necessidade para constrangimentos ou segredos. Principalmente entre a equipe dos X-men.
— Claro. Tudo que eu preciso é de uma babá. – Provoquei e todos riram.
— Não seja um chorão então Logan! – Bobby devolveu a provocação arrancando mais risadas dos outros mutantes. Resolvi não responder o picolé.
— Nessas duas semanas ele vai se acostumar com a ideia. Vocês verão. – Marie deu o assunto por encerrado e se aproximou de mim. Puxei-a pela cintura e ela entendeu que era hora de partir.
Subimos na moto. Dei uma última olhada naquelas pessoas: Amy e Melanie gargalhando por alguma piada interna, Bobby e Kitty abraçados, Ororo e Colossus ainda de mãos dadas, eu e Marie prestes a partir para uma espécie de viagem romântica para as montanhas. Aquela era a família que eu não havia pedido, mas tive a sorte de ganhar. Escolhi protegê-los com minha vida e estar com eles para o que der e vier.
Todos começaram a acenar e nos desejar uma boa viagem. Acenei com a cabeça também e coloquei o capacete, mesmo que não precisasse dele. Liguei a moto fazendo o barulho do motor abafar as vozes. Os braços de Marie envolveram minha cintura e eu pude ouvir seu coração acelerar com batimentos irregulares. Eu não precisava olhá-la para perceber sua empolgação. Nós não sabíamos o que tínhamos pela frente, mas eu tinha certeza que enquanto estivéssemos juntos ficaríamos bem.
O Instituto é minha casa, um lugar para onde eu poderei voltar e ser quem eu sou. Marie é minha felicidade, algo que antes era inalcançável e agora é real. Enquanto eu os tiver, serei completo.
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