Notas iniciais
Gira em torno de Roxanne. Cara. Eu odiei esse capítulo, mas amei escrevê-lo. (P.S a música do qual Scorpius se refere como sendo "uma música mais velha que nós dois, provavelmente" é Lying Is The Most Fun A Girl Can Have Without Taking Her Clothes Off, do Panic! At The Disco, de 2005.)

Dei um suspiro longo e demorado, me encostando ao degrau de cima da arquibancada do campo de Quadribol.

– Malfoy! – Lorcan gritou. A final de Quadribol entre a Corvinal e a Sonserina estava perto, e, quando se tratava de esfregar na cara do irmão o troféu do ano, nenhum dos Scamander pensava duas vezes. A Grifinória perdeu da Sonserina no último segundo, perdendo de dez pontos (digamos que ou Lily Luna era muito boa artilheira, ou o goleiro da Sonserina era realmente péssimo) e a Corvinal ganhou da Lufa-Lufa, mesmo com esse tendo capturado o pomo.

Olhei para o loiro que se aproximava. Lorcan Scamander, um ano mais velho que eu, cursava seu sétimo ano. Não era monitor, não era o melhor aluno da sala, sequer o capitão do time. Era só Lorcan, filho da mulher que deu origem ao nome da filha caçula dos Potter e de um parente distante do escritor de Animais Fantásticos e Onde Habitam, batedor da Corvinal e namorado da garota com o melhor corpo de Hogwarts inteira (e minha melhor amiga) Roxanne Weasley. Um dos motivos, talvez, pelo qual o garoto não gostava de mim.

Olhei para o garoto, estralando os ossos dos meus dedos da mão direita, inocentemente.

– Vai treinar ou vai ficar sentado aí, esperando a morte chegar?

– Prefiro ficar sentado, a morte parece uma boa opção, obrigada.

O garoto jogou um balaço em direção à minha cabeça. Esquivei no último segundo.

– Sua morte antes da final está completamente proibida – Ele sorriu de lado e me jogou minha vassoura.

– Ah, e o que vão fazer, caso eu morra? Me matar de novo? – Sussurrei para mim mesmo, enquanto subia na vassoura. Enxerguei Rose, enquanto o ar me carregava, apoiada em um dos gols, de braços cruzados. Pude ouvir um pouco do seu “deixa de ser mulherzinha, Malfoy” sumir junto com o vento. Não entendi a comparação, levando em conta que ela era uma “mulherzinha”. Seus braços estavam cruzados e seu cabelo estava preso num coque. Ela sorriu, olhando para o alto – em minha direção! – e quase me fez cair.

Era isso, talvez ela estivesse aqui para me ver.

– O campo é nosso, Weasley! – Escutei o goleiro gritar, e então eu quase caí mesmo da vassoura. Era óbvio que não. Ela só queria entender nossas táticas e aprender a defendê-las.

– Só vim assistir – ela disse, com tom de súplica.

– Uma semana antes da final? – Ele riu, sádico.

Ela deu de ombros e fez uma cara que, caso fosse eu quem discutia com a ruiva, provavelmente deixaria até mesmo ela pegar um binóculo, um caderno e um lápis para ficar anotando todos os passes, todas as manobras e todos os gritos do capitão.

– Não hoje, Rose. – Ele retribuiu, virando para a gente com uma mexida de cabelo, e, sabe-se Merlin como, Rose Jane Weasley o obedeceu. E, entre todos os meus indecisos “talvez”, eu tenho quase certeza de que aquele foi o pior:

Talvez eu saiba como o Scamander se sente em relação a mim e à Roxie. E é horrível.

– Você está bem, Scorpius? Podemos começar?

Olhei para o lado e assenti. Scamander apitou e começamos a jogar. Com o canto do olho eu vi Rose, olhando o campo atentamente de longe. Sorri de lado, perguntando o quanto isso nos arruinaria na final. Provavelmente muito, mas não ficaria muito. A garota não perderia uma chance de ganhar.

Você nunca será melhor que ela. Essa é a lei.

Deixei escapar um riso curto, então Rose desapareceu, como em um borrão. Eu conhecia aquela sensação confortável desde que tinha 13 anos e entrei para o time. Os gritos das pessoas, os balaços, as goles, toda Hogwarts era um vulto, um ruído no vácuo. Enquanto eu jogasse, meu mundo ficava focado em uma vassoura, meus braços e o barulho das asas do pomo. E lá estava ele, sorrindo para mim, uma criança de sete anos – o eu do passado que nunca me pertenceu – fazendo caretas no meio de uma brincadeira de pega-pega. Ele provavelmente achava que eu nunca o pegaria, e eu fingia que não mesmo, do mesmo jeito que um adulto finge que não vê o bebê quando ele se esconde entre os dedos pequenos e gordos.

Meus dedos estavam em sua volta, pressionando-o contra meu corpo e, de verdade, tudo virou um borrão e uma dor insuportável no meu braço e o chão sobre mim. Era toda a verdade que eu sabia naquele momento. O resto girava, ia e vinha, como o efeito de uma LSD.

– Ele agarrou o pomo, pelo menos – disse Lorcan, sarcástico, e eu senti a raiva misturada com a preocupação em sua voz. – Mais cento e cinquenta.

“Maldito balaço”, eu pensei.

E então, preto.

~

O branco da sala era exatamente o oposto do que eu esperava quando acordei. A pele morena de Roxie ao meu lado me reconfortava, contrastando com o restante da sala. Ela lia uma revista de capa colorida e estava sentada em uma poltrona do meu lado. Roxanne Weasley era sonho de qualquer bom menino de Hogwarts, para o azar de Fred. Eu só tive sorte. Ela era grifinória, tinha cabelos como a mulher de uma lenda da América do Sul, mas não lembro qual. Sua risada era paradisíaca, e seu toque era confortável a ponto de acalmar qualquer coração acelerado.

A famosa garota irritada, mas sempre calma.

Ela olhou para cima e me viu a observando.

– Pode parar de me olhar com essa cara. Aquilo foi só uma vez. – Ela sorriu e eu ri, o que fez minha cabeça arder, como se estivessem espetando alfinetes em pontos mortíferos da acupuntura. A menina se levantou, preocupada. – Não se force muito, Scorp.

– Foi involuntário! E culpa sua.

– Ahn... Na verdade foi culpa do balaço do meu idiota do meu namorado que te atingiu. Não tive a menor das culpas.

– Por que o idiota do seu namorado me acertou um balaço?

– Porque é a função dele como batedor, oras!

Eu dei outro riso curto, o que fez minha nuca explodir novamente. Pus minha mão na minha nuca.

– O que diabos ele fez comigo?

– Você caiu, bateu a cabeça, resultado: uma concussão.

– E eu vou poder jogar ou vou acabar com uma depressão?

Roxanne colocou a mão em minha cabeça e acariciou minha testa com seu polegar. Fiquei mais calmo.

– Você vai jogar. – Ela abaixou o tom de voz: – E espero que pegue aquele pomo antes da minha prima.

Rosie. Eu já tinha me esquecido dela. Pensei, por um segundo, que ela tivesse finalmente desaparecido da minha mente e ficado no chão, no lugar onde eu caí. Mas, não, lá estava ela, presente o tempo todo, perambulando por um dos cantos do meu corpo, fazendo cócegas em meus dedos, mexendo com meus pensamentos, reorganizando minhas gavetas de documento. Era quase uma esquizofrenia, eu estava ficando louco.

Olhei pela janela, e observei as pessoas andando lá fora.

– Scorpius, você precisa esquecer essa menina. Ela não quer nada. Com ninguém. Ela só vai...

– Partir meu coração, eu sei Roxie. Você fala isso o tempo todo. Adivinhe, ele não está partido ainda.

– Machucado?

– Cale sua boca! – Eu tirei sarro. – E pra sua informação, foi duas vezes. Não uma.

Ela escancarou a boca, de raiva e surpresa.

– Aquela vez não contou.

Pedi para ela se aproximar, e sussurrei:

– Tudo conta, querida. – Apesar da dor, eu ri, e ela também, dando tapas no meu corpo, até uma enfermeira chegar e a mandar sair, por favor, porque eu precisava descansar (mas de acordo com o relógio da parede eu já tinha dormido tempo o suficiente).

~

Entre o branco da enfermaria, eu pensei se delírio, ilusão ou coisas do gênero eram efeitos da concussão, pois eu via o fogo queimar tudo ao redor de um céu levemente nublado, com chances de a. indiferença e b. desinteresse.

Perguntei-me se era por conta de alguma anestesia ou algum analgésico que me deram para a dor passar. Então me dei conta de que erámos bruxos. Pensei no que meu pai faria comigo caso descobrisse que eu sabia o que era uma aspirina. Era só uma concussão, aliás. Quem gastaria saliva fazendo um feitiço para o que pode ser curado com o tempo, sabendo que nem os trouxas gastam medicamentos com isso?

Eu ri de mim mesmo, era só uma garota, percebi, focando a visão.

– Acordou, Malfoy? – eu ouvi sua voz, seguida de um riso curto. Resmunguei, me levantando e encarando a porta se fechando alguns metros atrás dela. Provavelmente uma enfermeira. A ruiva arrumou suas vestes. – Sabe, no livro, em Peter Pan, a Wendy é tipo uma mãe para os meninos. Peter seria o pai. Você não tem noção do quanto a pequena Darling cuidou dele.

Eu não sabia qual era o motivo que fazia a garota ser tão viciada nas palavras que Barrie colocou naquele livro, e nem sabia o motivo de ela estar falando dele agora. Eu não sabia se ela o amava, ou o odiava, e essa era ela – você nunca saberia como ela realmente se sentia. Mesmo se ela te dissesse, seria confuso demais para sua pequena mente de garoto.

– Sim, eu tenho.

– Ela era uma enfermeira, cozinha, faxineira – ela me ignorou.

– Eu li o conto, Weasley.

Ela continuou fingindo não escutar.

– E ainda sim – ela pôs a mão em meu peito e apoiou seu peso em mim, me tirando o ar e fazendo meu corpo arder em 220 volts. Ela aproximou seu rosto do meu. Consegui sentir seu hálito quente, e meu desejo (antes uma faísca) explodiu como fogos de artifício em 4 de julho dentro de mim –, ele a abandonou.

Rose se afastou, fazendo meu sistema cardiovascular e respiratório voltar a funcionar de maneira lenta e normal. Com o que me restava de fôlego, suspirei de raiva e alívio.

– Weasley – serrei meus dentes –, nem todos os homens são ridículos como o merdinha do Peter Pan.

Ela deu de ombros e sorriu de lado. Era aquele tipo de sorriso que fazia você se sentir como um urso que acabou de cair na armadilha de um caçador.

– E nem todas as garotas são como a apaixonadinha da Wendy Angela.

Revirei meus olhos e coloquei minhas mãos ao redor da cabeça, apoiando-as em meus joelhos, possuído pela raiva.

– Você acha que é melhor que todo mundo, não é, Jane Weasley? Esse negócio de partir o coração de todo mundo que cai aos seus pés, esse seu medo de que alguém vá partir o seu coração de pedra, você acha que é maravilhoso, não acha? Você não deixa ninguém atravessar esse muro de Berlim que você construiu ao redor de seu peito, e acha bonito? Adivinhe, não estamos na Guerra Fria! E sim, eu estudei essa droga de história trouxa para entender mais do seu mundo. Weasley, quantas pessoas se matam pelo seus lábios diariamente? Você tem alguma ideia?

– Malfoy, cale a sua...

Eu dei uma risada nasal, olhando para a janela, o que fazia minha visão arder. Era um dia quente de primavera e eu estava trancado aqui, tendo uma discussão que eu não queria ter.

– Rose, você é a droga da garota mais bonita que eu conheci. E a melhor apanhadora que a Sonserina já teve – ri, irônico –, e olha que meu pai jogou nessa posição em mil novecentos e alguma coisa. Mas esse seu jeito, o jeito que você fala, o jeito que finge ser algo que não é te torna horrível. Digo, você é inteligente e muito, muito sociável. Do que diabos você se esconde, Weasley? E por quê?

Eu não conseguia respirar direito. A adrenalina caía incessantemente em meu sangue, o que fez a dor de cabeça que eu sentia desaparecer. Melhor que aspirinas, sorri internamente. A garota piscava loucamente, massageando a têmpora com o polegar, olhando para todos os lugares, menos para mim. Tive a impressão de que ela choraria na minha frente, pela primeira vez desde que a conheci. Sorri tímida e distraidamente.

– Ninguém te conhece, não é? – Soou mais como uma resposta. Pronunciei essas palavras de maneira carinhosa dessa vez. –Você já disse algo verdadeiro para alguém? Jane, você... Você tem algum amigo?

Ela sorriu, mais pensando nas primeiras perguntas do que na última.

– Eu odeio rosas.

– E eu sou de Câncer, mas meus pais não queriam ter um filho com o nome de uma doença terrivelmente perigosa.

A sala ecoou alguns risos verdadeiros que saiam das nossas bocas. Mesmo não querendo, tive que voltar e encerrar o assunto:

– Viu, eu sei o que é uma trégua – olhei fundo nos olhos dela e quase não percebi quando ela deu de ombros.

– Agora é só esquecer tudo isso.

Neguei veemente, com um sorriso de canto.

– Impossível. – Eu disse, quase que implorando para que ela jogasse seu corpo contra o meu naquele exato momento, naquele exato lugar. Nada mais importaria. A menina, porém, ergueu os ombros, reprendeu o cabelo e saiu do quarto, me deixando sozinho, com o sentimento de solidão me deixando mais só, com as paredes e macas e travesseiros brancos, do que realmente estava.

~

– Eu queria ser lésbica – ela caiu na grama e eu a olhei, abraçando meus joelhos e rindo. Sua pele, razoavelmente escura, brilhava, e seus cabelos escuros e encaracolados emolduravam seus olhos âmbar, feitos os dos gatos, que fitavam o céu.

– Por quê? Enlouqueceu? – Aquele sentimento de sentir-se completo me preencheu de maneira arrebatadora, quase como me dando um soco na face, porém de maneira estranhamente carinhosa.

– Deve ser gostoso – ela fingiu um gemido, me fazendo erguer uma sobrancelha e rir.

– Um homem pode fazer isso.

– Hm... Acho que não.

Aproximei o meu rosto do dela.

– Tem certeza?

– Scorpius! – Ela me empurrou, dando risada histericamente. – Eu tenho um namorado!

– Roxie, Roxie... – Ela não parava de rir, enquanto eu usava todas as minhas forças para permanecer sério – Você me teve. Sabe que eu tenho um beijo melhor – sussurrei –, uma pegada ainda melhor e uma foda incrível –, eu suspirei essas últimas palavras enquanto ela revirava os olhos, ainda sorrindo, pronunciando algo como “e um ego incrivelmente maior”, o que me fez rir, enquanto ela me empurrava. – E você sabe que sempre será apenas eu.

Ela conhecia a música, e isso a fez explodir em risos de vez. Era uma música mais velha que nós dois, provavelmente.

– Saia daqui, Malfoy – a menina arfava, tentando reencontrar o ar, me empurrando para debaixo dela, e me prendendo com os braços.

– Com você em cima de mim não dá. – A garota saiu de cima de mim, respirando descompassadamente. Albus sempre nos dizia que a tensão sexual de Hogwarts inteira explodia quando nossos olhos se encontravam. “A tensão sexual de qualquer homem explode quando seus olhos se encontram com o de Roxanne Weasley”, eu dizia, mas Severus, sempre com a resposta na ponta da língua, sorria torto: “Aí é que está – só você consegue fazer a dela ficar tão densa a ponto de ser palpável!”, e essas conversas acabavam me deixando sem jeito e ligeiramente vermelho, como se sexo fosse um motivo de extrema vergonha para mim. A morena dava risada da minha falta de jeito perto dos meus dois melhores amigos, e que eu precisava ser muito cara de pau mesmo para ficar assim perto dos dois, e eles davam risada, mesmo que eu não entendesse de fato o porquê. Eu sempre tinha a sensação de que os Potter e os Weasley escondiam algo de mim, mas tinha quase certeza de que era apenas paranoia.

– Pronto. Passou. – Eu conseguia sentir o ar entrar e sair por seus pulmões pelas suas longas e pesadas respirações. Respirava pelo nariz, inspirava pela boca.

– Por Merlin, seria cruel se eu estivesse com uma vontade imensa de te beijar agora.

– Seria. E, provavelmente, eu te odiaria pelo resto da sua vida miserável.

– Impossível. Você me ama.

Ela esticou os braços, como se fosse fazer um anjo na grama.

– Infelizmente.

– Obrigado por fazer eu me sentir amado – respondi, irônico. Ela sorriu de lado:

– É sempre um prazer, Scorpius.

Era isso. Roxanne, para mim, era o extremo oposto de Rose. A gente deveria estudar isso, daria longas aulas de filosofia. A diferença entre os dois “erres” da família Wealsey. Roxanne era gentil e livre, eu tinha vontade de abraçá-la o tempo todo, e só fazer isso. Eu tinha raiva de alguns abraços, mas o dela era extremamente reconfortante. Essa primeira Weasley também era mais calma e tinha um senso de humor mais suave, um riso mais fácil. Tinha compaixão e sabia amar. Rose, não. Eu não tinha vontade de abraçar Rose. Não seria o suficiente, nem que eu a abraçasse vinte e quatro horas por dia, durante todos os dias de minha vida. Muito pelo contrário, ela só sugaria mais partes de mim, deixando um vazio cada vez maior. A ruiva tinha um riso ácido e difícil e não se importava com os outros. Roxie acreditava no que os outros dizia. Rose sempre duvidava, achando que tudo era um mistério. Ela achava que ninguém se importava com ela, que ninguém a amaria. A Weasley morena sabia do poder que tinha em mãos, e usava sabiamente. A ruiva era como um feiticeiro descobrindo do que era capaz naquele momento, derrubando vidros de ácido sem querer, sem nem ter ideia do que estava fazendo.

Eu amava Roxanne Weasley. Ela fazia eu me sentir completo e imenso.

O que eu sentia por Rose era algo inexplicavelmente maior, que fazia com que eu me sentisse imensamente vazio por dentro. Nunca era suficiente. Nunca estava preenchido. Era como tentar cobrir a Galáxia de areia, sempre precisara de mais.

E cá estou eu, fazendo analogias horríveis. A pessoa que deveria estar montada em uma vassoura, pensando em como diabos faríamos para ganhar da Sonserina na final, porque aquela filha da mãe era uma ótima apanhadora, porque estavam duvidando da minha concentração nos últimos dias, e, Deus!, inclusive eu o fazia. Eu não sabia se deveria entrar em desespero e treinar loucamente, ou se deveria ficar calmo já que o – péssimo, ouso dizer – plano da equipe era fazer a maior quantidade de gols possíveis, e defender o máximo possível. Eu, a pessoa mais bem decidida, um destruidor de egos masculinos, segundo Potter, estava sendo tomado pela indecisão dos ‘talvez’, tornando a vida um eterno ‘se’. Eu queria dar risada na cara de todos aqueles escritores, trouxas e bruxos, que escreviam que o amor era bom. Eu queria dizia querer dar risada na cara deles, mas eu queria, na verdade, chorar. O amor não é Paraíso.

Rose Weasley estava longe de ser meu Paraíso. Seus cabelos eram meu inferno particular – minha vontade era de me perder neles. Me disseram que o caminho para baixo era mais fácil. Acho que foi Virgílio. “Se não posso subir aos Céus, elevarei o Inferno”, algo assim. Ele também estava errado.

Dizem que a morte é representada pelo infinito. Pode ter começo, mas não pode ter fim. O “Reino de Deus” é infinito em sua perfeição e paz. A “Casa de Lúcifer” poderia ser representada como seu maior medo sendo repetido infinitas vezes. Ela insistia em voltar, insistia em voltar, em dar voltas, ir e vir, mas nunca, de fato, sair. Eu sentia minha lucidez ir embora. Era como estar preso. Sozinho, em uma escada, eu pensava na minha loucura chegando aos poucos, dando um suspiro pesado. E sua voz apertou meu coração. Eu queria lhe dar um tapa, pedir para sair da minha mente. Eu queria nunca mais vê-la. Eu queria...

– Oi Malfoy.

Dei um suspiro, pensando no que ela faria se eu a beijasse.

– Oi Weasley.

Notas finais
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