Persona

11 Capítulo Nove


Notas iniciais
A autora ficou louca, agora sai atualização quando Deus quer. Boa leitura. bjs

Saí da casa de Han Mimo querendo ficar lá. Nada do que Madame Min tinha dito fazia sentido. Então eu tenho que me dar bem com o Jungkook? Ok, isso acho que vai ser fácil, ele é um dos sete caras que eu mais amo na vida, não deve ser difícil. É teimoso, verdade. Grosso também. Ele não precisava, por exemplo, jogar na minha cara que eu vou mal na escola. Eu sei disso, Mimo sabe disso, meu pai sabe disso... desnecessário.

Soltei um suspiro frustrado e tentei jogar o cabelo de lado enquanto colocava um braço para fora do vidro do carro, mas não tinha mais cabelo para jogar de lado. Nem esse prazer eu posso ter, cultivei meu cabelo à toa. Obrigada, tia Min Seo. Um cara passou buzinando e mostrando o dedo do meio. Talvez eu esteja dirigindo muito devagar.

— FODA-SE!!!! – gritei pela janela, mostrando o dedo do meio. Agora além de estar no corpo de um garoto eu tenho que dirigir rápido? Faça-me o favor, né?

Liguei o rádio do carro e apertei o volante com força, criando coragem para acelerar um pouquinho mais aquele carrão que nunca na vida vou dirigir de novo. Mas o rádio começou a tocar Boy with luv e tudo o que consegui fazer foi sentir vontade de chorar. Senti os olhos arderem, mas tentei segurar.

— Eu estou muito na merda, puta que pariu... Por quê, Deus?

As lágrimas vieram sozinhas e eu me vi dirigindo ainda mais devagar. O número de carros buzinando e motoristas me xingando triplicou, mas eu já não conseguia ouvir nada, presa na minha própria dor. A verdade é que eu sei qual das milhares de profecias da tia Min Seo eu deixei de cumprir. Foi aquele maldito ferro-velho, aquele cachorro do inferno e o encontrão que dei no tal idol. Agora eu sei que o idol em questão era Jungkook. Que ideia besta ir correr justo naquele bairro!

Chorei como nunca na vida. É muito injusto ser punida por algo que deveria me ajudar a seguir minha vida e não a ferrar mais ainda com ela. Já não bastava ser só eu e meu pai, ainda tinha que lidar com essa coisa toda.

— O que eu vou fazer, Deus?

Como resposta o telefone começou a tocar e, graças a riqueza que nunca mais vou ter quando voltar ao meu corpo, o carro inteiro começou a tocar por conta da conexão entre o celular caríssimo e o sistema do veículo. Apertei um botão com a imagem de um telefone e a voz de Taehyung imediatamente invadiu o carro todo.

— Alô?

— To meio ocupado, o que foi?

— Tá dirigindo?

— Como sabe?

— Tem uma foto sua dentro do carro com o dedo do meio levantado correndo toda a internet. Você ficou louco?

— Venha já para casa, temos reunião! – a voz de Namjoon sobrepôs com a de Taehyung e eu encolhi. Não podia ver ele, mas era como se pudesse. Tenho certeza que ele vai me matar assim que eu chegar. Tudo por causa de um maldito dedo do meio e um palavrão.

— Caralho de vida. – sussurrei.

— AGORA, JUNGKOOK! – dei um pulo no volante, assustada.

— TÁ BOM, MÃE! – Nunca vi nenhum dos meninos bravos, acho que hoje acaba a minha ilusão de fã. Desliguei e a vontade de chorar veio mais forte ainda, mas tentei segurar porque tinha que me concentrar em dirigir mais rápido.

***

Cruzei os braços e abaixei a cabeça enquanto todos os outros membros do grupo, sem exceção, me olhavam como se eu tivesse matado alguém. Tudo isso por causa de um dedo. Sério, Coreia, vocês são muito sensíveis.

— Primeiro você esquece a coreografia, suas linhas, sua posição... até aí de boa, todo mundo já passou um dia estressante. Mas onde caralhos você foi?!

Decidi me manter quieta. Essa é só mais uma das infinitas situações onde eu não sei fingir que sou o Jungkook. Se eu for Nina agora, a merda vai feder bem mais e pela segurança de todo mundo é melhor eu ficar quietinha de cabeça baixa. Vamos ver até onde minha paciência vai.

— Aconteceu alguma coisa? – perguntou Jimin, sentado de braços cruzados a dois lugares de distância de mim no mesmo sofá.

— Não... – respondi dando de ombros.

— Então porque raios você foi de carro sei-lá-onde?? – emendou Namjoon cada vez mais furioso.

Pausa no drama para um comentário army. Perdi a conta de quantas vezes eu falei que esse cara é gato quando está assim, os braços cruzados, o queixo para frente, visivelmente puto da vida. Volta para o meu drama: pessoalmente não é nada gostoso de ver.

— Eu tive que resolver umas coisas...

— Que coisas? – foi a vez de Seokjin perguntar.

— Coisas... – respondi dando de ombros.

— Eu vou matar esse punk! – jogou os braços para o alto, mas não tentou se aproximar, pelo contrário, se afastou bufando.

É muito legal ver essas mini-discussões nos documentários deles ou nos episódios de Run, mas pessoalmente não é nada legal. O jeito que eles me olhavam fez com que eu me sentisse muito pequena.

Em algum momento o pensamento "o que o JK faria nesse momento?" passou pela minha cabeça. Nunca quis tanto que ele estivesse presente como nesse momento, mesmo com a mania de me criticar a cada dois minutos. Olhei para Taehyung e Jimin e eles pareciam ser os únicos inclinados para o meu lado, preocupados com a minha sanidade mental. Também estou, confesso.

— Fui ver uma pessoa. – falei de supetão, começando a improvisar antes de começar a soltar os cachorros em cima deles. O silêncio imediatamente tomou a sala e eu vi uma coisa que se estivesse vendo pela tv acharia a coisa mais fofa do mundo, mas em pessoa não é. Todos cruzaram os braços ao mesmo tempo, me encarando. Engoli seco, pensando que Deus não podia falhar nos meus dons de inventar alguma coisa para me safar de aula chata agora.

— Sabe hoje, quando eu vomitei? Então, uma vidente tinha me avisado... – dica de uma mentirosa compulsiva: sempre coloque uma pitada de verdade na sua historia, faz com que as pessoas não duvidem dela. – Fiquei em pânico, porque eu realmente não consegui lembrar minhas linhas, ou a coreografia... fui pedir ajuda.

— E depois saiu dirigindo como uma lesma, mandando as pessoas se foderem e mostrando o dedo do meio para qualquer um com um celular fotografar? – perguntou Namjoon, ainda muito bravo.

— Bom... eu estou no meio de uma crise, você pode me julgar? – perguntei em tom desafiador.

Ele desfez a pose de líder e saiu massageando a cabeça, indignado. Mas acho que minha mentira colou, porque os outros começaram a amenizar o olhar duro sobre mim. Abaixei a cabeça de novo, tentando pensar no próximo passo, mas tudo o que vinha a minha cabeça é que eu preciso urgentemente colocar o Jungkook perto de mim, ou então vou ferrar com tudo.

— Ela disse que eu precisava procurar duas garotas e, bem... elas são army, não achei que fosse dar mer...

— VOCÊ O QUE? – gritou Taehyung, agora de pé ao lado do líder do grupo. Magoei, achei que ele estivesse do meu lado nessa.

— ...da. – completei abaixando a cabeça de novo.

— Duas garotas? Army? – tentou raciocinar Yoongi. – E qual a relação delas? Como elas te ajudariam?

— Preciso colocá-las como estagiarias na equipe...

— Eu vou matar esse punk! – voltou a gritar Seokjin, mas ninguém deu atenção.

Eu estou muito na merda, eu sei.