Persecutor
12 Ele não vai me esperar?
Notas iniciais
● Lis Fontaine ●
Tudo aquilo foi um tanto curioso e inusitado, mas ignorei o último acontecimento, claro que, isso despertou uma curiosidade em mim, gostaria de saber o que Nathaniel planejava dizer naquele momento em que me viu. Se bem que a resposta era óbvia: mais uma vez pediria para que eu mantivesse tudo em segredo. Eu iria tentar esconder meu passado com todas as fibras de meu ser, ele ainda não havia percebido isso? Revelar o segredo dele, seria revelar o meu.
O sinal soou assim que voltei para a mesa reencontrar com as meninas, me despedi rapidamente e fui para o meu armário pegar parte do material para as próximas aulas. Encontrei com o Castiel entrando na sala, o ruivo lançou um olhar acima do ombro para mim e seguiu em frente.
“Ele não vai me esperar?”, pensei.
Castiel continuou sua marcha para dentro da sala.
“Não”. Dei de ombros e me direcionei para o tumulto de pessoas que tentavam entrar na sala de aula em busca que um bom lugar — já que eles não eram fixos.
Fui uma das últimas a entrar na sala, e os únicos lugares vagos eram: ao lado de um garoto loiro e a primeira carteira coladinha com a mesa do professor. Sem dúvida alguma, sentar ao lado do garoto loiro não me parecia algo ruim. Ele bufou quando ocupei o assento.
– Você tava guardando o lugar pra alguém?
– Sim… — ele resmungou.
– Me desculpe. — um sorriso travesso se formou no rosto do garoto.
– Não tem problema nenhum, afinal, não tem como ficar bravo com uma menina bonita dessas. — uma de suas sobrancelhas se elevou, agora eu estava mais sem graça do que nunca.
– Obrigada.
– Elogio para pessoas como você são de graça. — ele piscou e voltou sua atenção para o professor que adentrava a sala de aula.
Após esse pequeno acontecimento, a aula fluiu bem e passou depressa, quando o sinal tocou o garoto loiro se levantou e veio em minha direção.
Seus cabelos estavam presos de maneira desleixada em um coque mal feito, alguns fios dourados e descoloridos pelo sol estavam soltos, os olhos esmeraldas me observavam de cima a baixo, ele se agaixou ao lado da minha carteira e disse:
– Você vai na festa de hoje a noite?
– Sim…
– Já tem acompanhante?
– Mais ou menos isso.
– Hmmm, entendi. Então acho que vamos nos ver hoje noite. — ele sorriu e piscou para mim, voltou a ficar a em pé e voltou para o seu lugar.
Sorri internamente, nenhum garoto, nunca na minha vida havia flertado comigo. Receber esse tipo de “carinho extra” dos garotos nunca foi algo comum para mim, eles sempre me evitavam e por mais que eu odeie admitir, esse tipo de atenção é ótimo.
As últimas aulas passaram em um piscar de olhos, e antes de eu reencontrar Castiel — que estava sentado do outro lado da sala — o loiro alto, de pele bronzeada veio falar comigo.
– Meu nome é Dakota, mas pode me chamar de Dake, eu deixo. — ele se virou e saiu andando, sem ao menos me dar oportunidade de dizer a ele meu nome.
– Quem era? — a voz de Castiel estava um pouco estranha.
– Eu sentei ao lado dele durante a aula.
– Hmm, mas, quem era?
– Dake.
– Nunca ouvi falar, e pelo tipinho… Nem quero.
Olhei para o ruivo de canto e levantei uma das sobrancelhas.
– Como assim?!
– Nada. — ele respondeu, enquanto revirava as orbitais e respirava fundo. — Vou te buscar as 19h.
– Me buscar?
– É, me passa seu endereço.
– Não, eu…
– Ah, pelo amor de Deus, se não quiser ir comigo vai com o seu amiguinho.
– O quê?!
– É,é, eu vi quando ele te chamou pra ir a festa com ele. Se quiser ir com ele, pode ir.
– Meu Deus! Castiel, eu vou com você, eu nem conheço o garoto, conheci ele hoje.
– Tanto faz, vai querer que eu te busco?
– Não. As meninas vão passar em casa e nós vamos juntas. — menti.
– Tudo bem então. Faz o que quiser.
Mentalmente mandei Castiel se danar, deixei ele pra trás e fui guardar minhas coisas em meu armário pra em seguida ir embora. Ir embora, era tudo o que eu queria. Castiel estava esquisito demais e eu ainda teria que escolher uma roupa bacana para poder passar uma boa impressão.
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