Persecutor
7 A Vida Já te Vingou
● Nathaniel Lambert ●
Eu estava tenso, e sentia queimação no estômago. Lis Fonatine estava em Sweet Amoris, nesse exato momento! Respire Nathaniel, preste atenção na aula, você pode resolver isso depois, as coisas não vão terminar em um grande desastre.
Depois de pacientemente esperar o sino tocar e todos serem liberados para o intervalo eu corri para o Grêmio e resolvi alguns pequenas assuntos ainda pendentes, em seguida comecei a procura por Lis. Eu precisava falar com ela. Depois de refletir muito, eu realmente precisava contar tudo o que havia ocorrido comigo depois de sai de Dreux, como minha vida deu voltas e que em hipótese alguma ela poderia mencionar o meu passado a ninguém daquele colégio, em especial para Peggi ou Castiel, caso alguns deles soubessem que ela me conhecia (e muito bem) no fundamental, todo o mundo que eu havia construído em Le Havre durante esses últimos 5 anos estaria destruído.
Dobrei o corredor, e procurei ela no mar de gente, quado vejo a loira baixinha conversando alegremente com alguém, e lá estava ela se divertindo e sorrindo ao lado de...Castiel! Céus, meu coração deu um pulo dentro do peito e eu corri em direção a Lis, quando ela percebeu que eu me movia em sua direção instantaneamente ficou muda e imóvel. Eu precisava de uma desculpa então me aproveitei da posição como presidente.
– Lis, precisamos conversar sobre sua inscrição no colégio.
– Mas você disse que estava tudo certo.
– É, mas, enfim, venha é importante.
– Hey, loirinha, o que você quer com ela? Ainda não parou de pegar no pé dela depois de tantos anos? — Castiel se entrometeu e puxou a garota mais para si.
– Não sei do que está falando, eu apenas preciso resolver assuntos importantes.
– E com assuntos importantes você quer dizer o que? — ele sibilou entre os dentes.
– Quero dizer assuntos sobre sua matrícula. — tomei a garota pelo braço e a guiei pela multidão de pessoas que assistiam a cena pelo canto dos olhos.
Atrás de nós Castiel bufava e gritava xingamentos. Abri uma sala de aula aleatória e pedi para que Lis adentrasse, e antes que eu começasse a implorar ela começou:
– Eu já contei tudo ao Castiel e ele também me contou coisas, não adianta mais nada, isso é um pequeno preço do que você deve pagar.
– Lis, a vida já me castigou por tudo o que eu fiz com você. Você errou feio ao contar pra ele ao invés de ter apenas jogado tudo na minha cara.
– A vida já te castigou? Eu duvido muito! Você construiu um mundinho isolado, onde você é o cara mais legal e bacana, onde as pessoas adoram o exemplar presidente do grêmio estudantil! Eu permaneci naquele inferno de cidade sendo rotulada como a coitada, sendo deixada de lado por culpa tua! Você é o vilão disso tudo! Você! Agora não venha dizer que eu estou errada ao te dar o troco!
– Você não tem noção de como é difícil manter esse mundinho perfeito! A pessoas, elas olham para mim, e elas sorriem, elas ficam felizes comigo, me apoiam e no fundo? No fundo eu sou um monstro Lis, no fundo eu… no fundo eu estou arrependido.
– Eu não acho o seu arrependimento o suficiente para curar todas as feridas que você provocou, além das cicatrizes é claro.
Permaneço em silêncio, ela tinha toda razão do mundo para me odiar.
– O engraçado é que eu queria tanto esquecer tudo isso, queria tanto fugir do meu passado e agora eu estou aqui, bem na frente dele, trancada em uma sala de aula junto com ele, só que toda essa circunstância me faz refletir e pensar: “Por que não uma vingança?”. Você merece uma afinal.
– Lis. A vida já te vingou, pode ter certeza. Eu já sofri o bastante isso eu lhe garanto.
– Pois eu continuo achando que não. Agora, deixe me sair.
Dei um passo para a esquerda e liberei o caminho para que ela passe. Em silêncio ela abriu a porta e voltou para os corredores abafados.
Fale com o autor