Persecuted
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Boa leitura! =)
Há medida que os dias foram passando o assunto “Karin” ia-se esquecendo. Fui bastante falada, uns por maus motivos, outros por bons, mas na realidade alguns alunos começaram a respeitar-me mais e a cumprimentarem-me, incluindo a própria Karin. Eu realmente não conseguia habituar-me a isso, era demasiado estranho.
Estava no intervalo da tarde e sentei-me num dos bancos a ouvir música, como sempre. Uma rapariga parou à minha frente e eu ignorei-a concentrando-me na música que tocava. Sem delicadeza arrancou-me os auriculares do ouvido e exclamou:
- Estou a falar contigo, anormal!
Olhei para ela, era uma daquelas garotas populares… Que saco… O que ela queria? Chatear-me?
- E agora estou a ouvir… — respondi seca.
- Vim-te dar um aviso. – disse ela olhando séria e com um pouco de irritação.
- Um aviso? – perguntei sarcástica.
- Sim, um aviso. Afasta-te do Sasuke, pois ele é meu.
Naquele momento apeteceu-me rir. Ela estava com ciúmes? De mim? E primeiro não era eu que ia ter com o Sasuke, ele é que sempre me perseguia e sempre vinha ter comigo. Por isso quem se devia afastar de mim, por falar nisso eu nem sei o que ele via em mim, para estar sempre a fazer-me companhia. E depois apeteceu-me rir-me do que ela tinha dito. “Ele é meu” Oh meu deus como as raparigas podem ser patéticas.
- É todo teu. – disse eu sinceramente.
- Então afasta-te do meu caminho.
- Tu não mandas em mim! Se o queres conquista-o, eu não tenho nada a ver com isso.
- Como te atreves a falar assim sua anormal? – dito isto deu-me uma bofetada e quase que caí no chão.
O contacto da estalada foi tão breve que nem tive tempo de ver alguma imagem, mas mesmo assim fiquei zonza e com a mente baralhada.
Senti alguém ao pé de mim e quase deixei de respirar quando ouvi a sua voz perto de mim.
- Sakura, estás bem?
Era o Sasuke, ele sempre aparecia onde eu estava, mas como ele fazia isso?
- E- Estou…
- Sa- Sasuke? – a tal garota estava congelada por ver o Sasuke.
- Deves pensar que alguma vez vou olhar para ti? Fica tu no teu lugar e não te aproximes mais da Sakura. – disse ele furioso e ajudou-me a levantar.
- Tu preferes ficar ao lado dessa anormal? Vê-se mesmo que és novo aqui, se ainda não te apercebes-te essa anormal é uma bruxa!
- Chega! A única anormal aqui és tu. – dito isto ele agarrou no braço e levou-me para fora dali.
Eu estava um pouco em estado de choque com o que tinha acabado de acontecer, e os outros alunos ali também.
O Sasuke tinha realmente me defendido? Eu nem queria acreditar, que pela primeira vez na vida alguém tinha -defendido. Eu… Sentia-me feliz, eu estava realmente feliz.
Quando me apercebi estavas numa parte da escola deserta e eu parei.
- Eu… Muito obrigada realmente. – disse chocada.
- Não tens nada de agradecer.
- Mas é que… Nunca ninguém me tinha defendido… e…
- Eles não têm o direito de te rebaixarem, tu és muito superior a eles. – disse ele um pouco frio.
- S- Superior? Eu sou uma anormal… — disse baixo.
- Para de dizer isso! Tu não és nenhuma anormal, simplesmente és especial… — falou ele agora calmamente olhando-me com aquele olhos negros profundos.
- Especial? Eu, só podes estar a brincar comigo…
- Não, não estou… Eu não sei o que tens, mas não importa o que seja é porque és especial e os outros deviam respeitar isso. E se tu queres ser respeitada, primeiro respeita-te a ti própria e não te desvalorizes dessa maneira. – ele olhava seriamente para mim, quase como se estivesse a ralhar-me.
Fiquei a pensar naquelas palavras… Parar de me desvalorizar? Realmente eu sempre me rebaixa-me e pensava o pior de mim…
- Eu… Tens razão… Desculpa… — fiquei um pouco em baixo, ele tinha mesmo razão.
- Não tens de pedir desculpa, Sakura. – levantei a cabeça e o viu-o sorrir. Agora que reparava, o sorriso dele era lindo.
Ainda sorrindo ele aproximou-se de mim e acariciou-me a cara. Fechei os olhos para melhor aproveitar aquela sensação de paz e senti a minha face aquecer.
- Tu vales muito, acredita. Não deixes que os outros te pisem. Tu mereces melhor que isso Sakura. – olhei para ele e o Sasuke olhava-me tao intensamente, e naquele momento senti-me tao bem, tão segura. Sem me aperceber sorri.
- Obrigada. – agradeci muito sincera, o que ele tinha dito fez-me abrir os olhos. E eu senti-me feliz, pois acho que pela primeira vez alguém, sem ser o Sasori ou os meus pais adotivos, aceitava-ma como eu era. – Realmente, muito obrigada.
E então um pouco desajeitada abracei-o. Ele logo correspondeu e apertou-me contra si com mais força. O seu abraço era caloroso e confortável, e agora também reparava noutra coisa… Ele cheirava bem… Como nunca tinha reparado nestas coisas pequenas? Ele apoiou a sua cabeça no meu ombro. Arrepiei-me ao sentir a sua respiração perto do meu ouvido e ele sussurrou:
- Não tens de agradecer. Tudo o que eu disse é verdade.
Corei um pouco e deixei-me ficar ali confortável naquele abraço.
-------------------
A última aula passou muito depressa. E não conseguia parar de pensar nas palavras que o Sasuke me tinha dito. E durante a aula de vez em quando olhava para ele, pois ele ficava ao meu lado.
A campainha tocou, e todos se começaram a levantar. O Sasuke pôs-se ao meu lado e perguntou:
- Bem, queres companhia como sempre?
- Mesmo que eu dissesse não, tu virias. – disse um pouco séria.
- Pois iria. – disse ele sorrindo.
Também sorri um pouco. Saímos os dois juntos e quando chegámos à entrada parei ao ver o Sasori.
- Está ali o Sasori! Parece estar à minha espera. – disse sem perceber o porque de ele estar ali.
Caminhamos até ele e ele cumprimentou-me como sempre. Eles olhavam-se os dois de uma maneira estranha e eu sem saber bem o que fazer apresentei-os um ao outro.
- Ah… Bem… Sasori, este é o Sasuke, e Sasuke este é o Sasori. – disse um pouco embaraçada. Os dois olharam-se por um momento e cumprimentaram-se.
O Sasuke olhou para mim e perguntou:
- Bem… Sakura sempres queres companhia para casa?
Mas antes que pudesse responder fui interrompida.
-Estava a pensar em levar-te hoje para casa, vim aqui de propósito e tudo.- disse logo o Sasori sem tirar os olhos do Sasuke.
-Sendo assim, até amanhã, Sakura. – e deu-me um leve beijo na cara. Como não estava à espera daquilo fiquei vermelha e o Sasori ainda fez um olhar mais estranho.
- A-Até amanhã. – murmurei e ele logo se foi embora deixando-me sozinha com o Sasori.
Quando o Sasuke já estava um pouco longe e o Sasori encarou-me e disse com uma voz seca:
- Não gosto dele, Sakura.
- Porque? – perguntei tentando perceber.
-Não sei, não me inspira confiança e também não gosto da maneira como ele olha para ti. – o Sasori parecia estar um pouco irritado.
Da maneira como ele me olha?
-Pois, mas ele é meu amigo. – disse friamente.
- Vou estar de olho nele.
- Faz o que quiseres. Mas não vais mudar nada. – tentei não dar importância ao assunto.
O Sasori não tinha trazido o seu carro e fomos os dois juntos a pé para casa.
Este dia fez com que eu pensasse muito. E determinada decidi fazer o que o Sasuke disse. Eu iria deixar de desprezar-me, começar a andar de cabeça erguida sem me sentir vergonhada pelo o que sou.
Uma coisa que ainda não sabia era o que eu e o Sasuke somos… Será que o posso considerar um amigo? Eu nem sei bem o que essa palavra significa já que nunca tive nenhum, tirando o Sasori.
Hum… Acho que lhe irei perguntar isso amanhã.
----------
Acordei bem disposta e logo me apressei a levantar-me.
Como sempre, tomei um banho, fiz a minha higiene matinal e vesti-me.
Depois de me vestir olhei-me ao espelho. Estava como todos os dias.
Calças de ganga, camisola comprida com capuz e uns ténis. Sorri confiante, tirei a camisola e fui ao roupeiro à procura de alguma da roupa que a minha mãe adotivas sempre me comprava com esperança que a usasse. Tirei uma camisola branca com uns padrões coloridos, se fosse ontem nunca usaria isto. Era simples mas muito bonita. Vesti-a e olhei-me de novo ao espelho. Senti-me um pouco estranha, mas mesmo assim gostei daquilo que vi. Vesti um casaco quente cintado azul e desci.
Quando o Sasori me viu até ficou surpreso.
- Estás bonita, Sakura.
Corei um pouco e não disse nada. Era demasiado estranho não andar com o meu habitual capuz a tapar-me a cara.
Comemos em silêncio e ele desejou-me boa sorte como todos os dias.
Saí e sorri por dentro ao ver o Sasuke na rua à minha espera.
Ele também ficou surpreendido quando me viu, mas não disse nada, apenas me cumprimentou como habitualmente e sorriu.
- Bom dia.
- Bom dia.
Isto começava a tornar-se uma rotina, e tinha de admitir eu gostava desta minha nova rotina.
Lembrei-me da dúvida.
- Sasuke, posso-te fazer uma pergunta?
- Claro que podes. – respondeu olhando para mim curioso.
- Nós somos amigos? – perguntei um pouco a medo.
- Amigos… Por enquanto essa palavra soa-me bem… — respondeu e lançou-me um meio sorriso.
Não era bem a resposta que eu esperava, mas fiquei feliz. Eu tinha um amigo. Comecei a andar feliz, mas senti o Sasuke a agarrar-me.
- Sasuke? – perguntei depois de me virar, ele tinha um ar pouco confuso como se quisesse dizer alguma coisa.
- Sakura… Bem… Eu… Sakura, gostavas de sair comigo? – ele olhava-me nos olhos, e estes tinham algo diferente.
Fiquei em estado choque. Nunca em toda a minha vida alguma vez algum rapaz me convidou para sair. Eu nem sabia o que dizer.
- Es- Estás a convidar-me para um encontro? – perguntei sem acreditar.
- Acho que sim… aceitas?
- Ah… S- Sim… — respondi ainda sem acreditar naquilo.
- Só não sei o que as pessoas normais fazem nesta cidade. – disse ele sincero.
- Ah… Pois… Nem eu… — disse embaraçada, eu nunca saí com amigos ou tive um encontro.
Sasuke parou de repente e disse:
- Tive uma ideia.
- Oh, qual? – perguntei curiosa.
Viu-o apontar e olhei na direção para a qual tinha apontado. Um cartaz com o parque de diversões de uma cidade aqui próxima. Já tinha ouvido falar, mas nunca tinha ido lá. Mas não sei… Devia ter muita gente e isso iria fazer-me dores de cabeça…
- Não sei… Não me dou bem com multidões…
- Eu sei que não, mas eu irei estar sempre de mãos dadas contigo, já reparei que isso te acalma bastante. – disse ele docemente.
Mais uma vez ele apanhou-me desprevenida. Nada lhe escapava. Nada.
- Ah… O-Ok.
Ele sorriu mais uma vez e agarrou-me suavemente na mão. Senti o coração saltar e logo de seguida senti a sensação de paz. Ele apertou-a ligeiramente e senti um calor e escondi a cara um pouco envergonhada.
Era a isto que chamavam de amor?
Notas finais
Logo postarei o proximo
Kiss
Fale com o autor