Persecuted

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Mais um capítulo!!! ^^
Espero que gostem, e se houver algum erro peço desculpa ^^'
Bem, aqui vai!
Boa leitura!

Este dia realmente está a ser um inferno… Realmente acho que nunca tinha tido um dia tãoo mau… Só tinha vontade de chorar, mas eu sou forte… Eu já sofri tanto que não vai ser por um dia ter sido um pouco pior que irei chorar.

Mas tudo correu mal, apanhei com chuva, aquele novo aluno não me parou de me chatear, ainda me viu a ser humilhada por uma garota, e agora deve achar que sou uma completa anormal depois do que aconteceu no laboratório.

Ouvi a campainha a tocar, finalmente a última aula tinha acabado. Levantei-me devagar e saí dali. Olhei pela janela, chovia torrencialmente… Bem… Iria ter que esperar que a chuva parasse, já que não tinha chapéu-de-chuva…

- A anormal está ali!

- Não a deixem fugir!

Olhei para trás e vi a garota que tinha caído por minha culpa, e as suas amigas. Antes que pudesse reagir ou fazer alguma coisa uma delas agarrou-me e outra ajudou-a, e levaram-me para dentro de uma casa de banho. Senti os meus auriculares caírem.

“Vais pagá-las sua bruxa! Ahahaha”

“Vamos faze-la sofrer”

“ahahahah”

- Sabes por tua culpa passei uma vergonha, o Sasuke viu a minha queda e por isso agora vais pagá-las! Pode ser que assim aprendas onde é o teu lugar anormal.

Uma delas empurrou-me para o chão e logo senti um pontapé no estomago. A dor atingiu-me e arquejei de dor.

- Ahahahah E isto ainda não é nada!

Senti mais pontapés, o ar começava-me a faltar, a dor era enorme… Já nem distinguia pensamentos… Só ouvia risos e gargalhadas… Como é que elas podem fazer isto? As pessoas podem ser tão desprezíveis e desumanas…

Levei um pontapé na cara, gemi de dor e senti sangue a escorrer-me pela face. Tinha o corpo todo dorido, se elas continuarem desta maneira daqui a pouco nem conseguirei andar.

- Ok ok ,chega chega… Mas agora tenho uma última coisa para fazer, para ver se nunca mais te metes comigo. Alguém tem uma tesoura?

- Eu tenho.

- Que bom. É que esta anormal parece gostar muito do cabelo dela.

Uma delas tirou-me o capuz para trás e o meu longo cabelo rosa foi exposto.

- Ahahaha ela é tão anormal, que o cabelo dela é rosa!

Ouvi as outras todas a rirem-se. Eu só queria gritar e fugir dali.

Quando a vi aproximar-se com a tesoura na mão apercebi-me do que ela ia fazer. Não! Não! O meu cabelo não! Era a única coisa que eu realmente estimava e gostava em mim, a única coisa que me fazia lembrar a minha mãe, mesmo que ela me tivesse abandonado. Ele era importante para mim…

Tentei mexer-me, mas logo as outras raparigas agarraram-me.

- Para! Por favor! – comecei a suplicar, mas isso só fez com que ela se risse mais.

Agarrou-me na cara, mal senti o contacto da sua pele com a minha, a minha mente encheu-se de imagens. Fiquei zonza, com ainda mais dores, comecei a ouvir inúmeras vozes e ver vários acontecimentos da vida dela. Sentia a minha cabeça a rodar, só queria acabar com aquilo. De repente apareceu uma imagem. Vi água, acho que devia ser uma piscina… Havia um corpo na agua… A visão aproximou-se e reconheci quem era… Era a Karin, a garota que estava-me a fazer isto. Ela estava morta, tinha-se afogado, e se não me enganava era na piscina da escola… Na minha mente apareceu uma data, algumas vezes nas minhas visões do futuro apareciam datas ou horas… A ligação foi cortada e encontrava-me de novo no chão da casa de banho.

Olhei para o chão e vi o meu cabelo espalhado, por momentos senti as lágrimas a virem-me aos olhos, mas logo as contive.

Ouvi todas a rirem-se e não consegui suportar a minha raiva e tristeza. Levantei-me um pouco a custo e olhei-as cheia de fúria, e tive uma ideia. Já que tenho a fama de bruxa, bem que posso usá-la.

Comecei a rir-me, eu realmente não estava a pensar no que ia fazer.

- Estás-te a rir? Queres levar mais? – começou a provocar aquela cabra da Karin.

- Levar mais? Eu não me importo! Sabes porque? Porque tu já vais receber o teu castigo! E pela primeira vez estou contente por saber que uma pessoa vai morrer! Daqui a uns dias vais morrer!

Ela olhou para mim assustada, todas se calaram e ficaram sérias.

“Ela não pode estar a falar a sério…”

“Ela só está a tentar assustar-me”

“Está a meter-me medo… Aquele olhar”

- Morrer? Ahahaha Agora já lanças maldições? És mesmo uma bruxa! Olha eu cheia de medo! Ahahah – ironizou ela.

As amigas também começaram a rir-se. Eu já sabia que elas não iriam acreditar, mas também pouco me importava, já que sabia que ela ia mesmo morrer.

- Sabem, meninas? Vamos é sair daqui que já fizemos o nosso serviço. E não quero ela nos pegue com a sua anormalidade.

E aconteceu o que eu queria. Elas foram-se embora finalmente.

Olhei-me ao espelho. Tinha feridas na cara e tinha o meu corpo todo negro. Eram muitas feridas, iria demorar bastante a sarar… Talvez duas horas. Olhei para o meu cabelo… Deu-me um nó no coração. Caí no chão e comecei a chorar.

De tudo o que me podiam fazer teve que ser logo isto. Realmente este era o pior dia da minha vida… Depois de me acalmar um pouco, levantei-me cheia de dores e lavei a cara.

Tapei-me com o capuz, apanhei os auriculares e vi que eles tinham-se estragado. Malditas!

Saí dali e dirigi-me para a saída. Ainda chovia bastante e já começava a escurecer. Fiquei ali parada a olhar para a chuva.

- Então, não queres boleia?

Reconheci logo a voz, olhei para trás e vi o Sasuke com o seu chapéu de cuva aberto e um sorriso na cara. Ao virar-me o Sasuke reparou na minha cara e a expressão dele mudou completamente. Passou de sorridente para preocupado.

- O que te aconteceu? – e logo acariciou-me no lugar da ferida que tinha na cara. Senti de novo aquela sensação de paz, tranquilidade, porque é que ele me fazia sentir tao bem?

Virei a cara para baixo e disse:

- Não foi nada, não tem nada a ver contigo. Por favor, vai-te embora e não piores ainda mais o meu dia.

- Mas o que é qu-

- VAI-TE EMBORA! NÃO ESTRAGUES AINDA MAIS A MINHA VIDA!

- Mas do que estás a falar? – perguntou ele sem entender nada.

Explodi de raiva. Eu não aguentava mais, só queria deitar tudo cá para fora.

- EU SOU UMA ANORMAL! UMA ABERRAÇÃO! SOU TÃO ANORMAL QUE FUI ABANDONADA PELOS MEUS PRÓPRIOS PAIS! Contente? Estou tão farta disto tudo… Tão farta… Só quero que esta porcaria de vida acabe, mais vale morrer! Mas nem isso consigo fazer! – estava furiosa, sem me aperceber o meu capuz caiu expondo o meu cabelo.

- O teu cabelo… — murmurou ele chocado.

- O MEU CABELO, NÉ? TA LINDO, NÃO ESTÁ? Esta é a maneira como esta gente se diverte comigo já que sou uma anormal! E sabes uma coisa? ELES TÊM RAZÃO! EU SOU REALMENTE UMA ANORMAL! Tive a sorte de ser adotada, mas eu só os faço sofrer! Nunca serei a filha que eles querem! Nunca! Não tenho amigos, nunca tive um momento de felicidade, nem uma mãe nem um pai! Nem sei o que significa a palavra amor, se é que existe isso… Eu… Eu… Sinto-me tão revoltada… Tão excluída… Como se não pertencesse a este mundo… — comecei a chorar compulsivamente, eu não queria mostrar o meu lado fraco, principalmente à frente dele. Ele com certeza deverá ir-se embora agora a pensar que sou uma aberração.

Mas o que ele fez deixou-me completamente surpresa.

Antes que me apercebesse ele abraçou-me fortemente. Fiquei sem reação, e simplesmente apoiei a minha cabeça no seu peito. Era reconfortante e senti-me segura… Ficámos ali algum tempo e senti-o acariciar o meu cabelo levemente. Ele aproximou os seus lábios ao meu ouvido e sussurrou:

- Continuas linda à mesma.

Fiquei petrificada e completamente sem reação. Ele afastou-se e colocou um dos seus braços sobre os meus ombros. Nenhum de nós os dois disse alguma coisa e simplesmente caminhamos juntos até minha casa, debaixo do seu chapéu ao som da chuva.

Notas finais
Este foi até agora um dos capitulos que mais gostei de escrever, nao sei porque XD
Bem, espero que tenham gostado ^^
E logo postarei o próximo =)
Kiss