Perpetue
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Perpétuos. Conceito teoricamente simples de generalizar, porém complexo de explicar o que eles são, de fatos. Deuses, para alguns; conceituado como pecado para outros ou até definido como as subdivisões da força motriz do Universo. Em suma, nem eles sabem o que são, porém sabem que são irmãos e têm uma função a cumprir.
Delírio, que um dia foi Deleite, mais novo dos Perpétuos. De várias formas e quando está a fim, aparece de variadas formas. Hoje, Delírio aparece para um humano como Phichit Chulanot. Oferece uma droga ilícita que deixa a consciência bem alterada através e mostra o som das cores mais a luz do som. Boa parte dos humanos costumam delimitar suas ações dentro do inconsciente, o que os homens chamam de ID, ora como luxúria, ora como ira, ou até mesmo usam o adjetivo “loucura” para fazer isso, porém para Delírio era apenas cumprir seu papel.
Desespero, segundo mais novo dos Perpétuos, estava na forma humana de Yuri Plisetsky e cumpria sua função de dar vazão a uma extrema raiva, um torturante sentimento de culpa, a incômoda sensação de ser a pior pessoa do mundo e de ter o orgulho ferido a um humano que come compulsivamente um bolo de chocolate inteiro. Ele não enxergava Yuri. Vários humanos chamam isso de pecado da gula ou até mesmo de compulsão por comida, em casos extremos como esse, segundo a semântica patológica convencionada pelo Homem.
“É apenas minha função, fazer o quê.” — refletiu Plisetsky.
Desejo, sem gênero definido, irmão(ã) gêmeo(a) segundos mais velho(a) que Desespero, era associado(a) diretamente ao que os humanos chamam de pecado da luxúria ou soberba e até outros pecados como a avareza. Está dentro de uma balada gótica em formato humano, com seus longos cabelos cinzentos e vívidos olhos azuis. Alguém aproxima—se, era a hora de cumprir sua função:
— Oi, tudo bem?! Me chamo Chistophé Giacometti, prazer. Seu nome?
— Vitya, o prazer é todo meu.
Destruição, “O Pródigo” ou simplesmente “O Irmão”, Perpétuo que abandonou suas responsabilidades em algum momento do passado e agora lê atentamente a prosa de humano através da forma humana de Jean-Jacques Leroy. Quer despertar o instinto contrário do destruir e através de críticas apuradas no que pode melhorar, passa sua avaliação para humano, que refaz e refaz sua escrita para alcançar a satisfação convencionada de ambos quando tudo estiver finalizado. Do seu jeito, Destruição rebela-se e dá-se a Construção; pois Perpétuos, quando necessário, antagonizam também.
Sonho, ou Devaneio, terceiro Perpétuo mais velho, está em seus raros dias na Terra na forma humana de Seung-gil Lee, apesar de sua forma mais famosa ser Morpheus. A ocasião dá—se para cumprir sua função, mas antes precisa visualizar o andamento do trabalho de Desejo em mais um humano feito há um tempo. Realmente, ele(a) implementou bem o querer ficar o dia inteiro na cama, fazendo maratona de filmes até dormir em cima do computador, o que a humanidade chama de pecado da preguiça, mas agora era hora de cumprir sua função de aflorar o inconsciente humano enquanto o corpo descansa.
Destino, mais velho dos Perpétuos, está sentado em seu jardim e segurando seu “melhor amigo”. O livro acorrentado que contém todas as linhas de tempo, espaço e tudo relacionado ao Universo. Contudo, está no formato humano de Minako Okukawa, mas, ainda assim, com sua cegueira característica. Folheava cuidadosamente a folha em braile de um humano para quem Morte, segundo mais velho dos Perpétuos, deveria fazer uma visita e cumprir sua função de guiar a alma para onde o livro indicava.
Morte, na forma humana de Yuuri Katsuki, sentado em uma canoa com um humano, enquanto remava em um calmo rio, divagava com ele sobre o final:
— Por quais pecados serei julgado, Senhor Morte? Pela minha inveja daquele safado brilhar mais do que eu e ter que matá-lo para finalmente conseguir meu lugar ao sol? Ou as pessoas que entreguei minha libido e tesão antes do casamento? Ou até mesmo quando comi com gosto aquele sanduíche com quatro hambúrgueres só para postar nas minhas redes sociais, sem estar com fome, de fato? — perguntou o humano
— Digamos… que eu e meus irmãos são tudo que essa humanidade chamada de pecado. Soberba, Avareza, Luxúria, Inveja, Gula, Ira e Preguiça somos nós. Somos, acima de tudo, vocês. Apenas cumprimos nossa função. Agora conte-me mais sobre essa aventura do hambúrgueres, fiquei curioso. Ah, e antes que eu me esqueça, Senhor, não, por favor. Apenas Yuuri, afinal estamos conversando há bastante tempo.
E assim, o Universo segue seu peculiar equilíbrio.
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