Pernico!
5 Cap 4 - Confissão
Notas iniciais
Pouco depois, quase todos os semideuses saíram para investigar um local ao qual a profecia os guiara. No navio, ficaram apenas Hazel e Nico, encarregados de vigiar o Argo II. Era um dia tranquilo e eles praticamente não precisavam ficar alertas. Então sentaram na proa e ficaram admirando a imensidão do céu no qual o navio flutuava e conversando. Hazel percebeu o quanto Nico parecia nervoso. Ela sentiu que ele estava escondendo algo e começou a questionar indiretamente. Não demorou muito até que Nico cedesse e desabafasse com a irmã como sempre fazia. Só que dessa vez, era um assunto muito mais sério. Talvez aquela fosse a situação mais complicada pela qual ele passara, desde a época em que vagava sem rumo e sem lar pelas ruas. Ele tinha medo de ser julgado. Percebeu que teria que testar aquela confiança imensa que tinha em Hazel.
– Escuta... Posso confiar em você?
– Você sabe que pode. Para tudo. — Hazel respondeu com firmeza, estranhando o fato de Nico ter desconfiado dela. Devia ter uma confissão terrível, mas ela não poderia imaginar o que era.
– É que... Aconteceu uma coisa. – Ele estava tão nervoso que as palavras se recusavam a sair.
– Quer me contar?
Nico respirou fundo.
– Eu e o Percy. Ele entrou na minha cabine ontem, tarde da noite.
Hazel arregalou os olhos dourados mas não disse nada. Nico continuou aos sussurros, como se temesse que alguém além dela pudesse ouvir.
– Tivemos uma conversa muito estranha. Você acredita que ele lembra de mim? Eu contei a verdade a ele, como você pediu. E aí... – Nico hesitou. Já era tarde demais para desistir.
– E aí o que?
– Nós nos beijamos. E foi só isso.
Era óbvio que não fora só isso. Foi bem mais que um beijo. Nico e Percy se jogaram na cama e ficaram se agarrando até que Percy o empurrou, como se de repente tivesse tomado consciência do que estava fazendo, e saiu do quarto às pressas sem dizer uma palavra. Nico ficou largado na cama, ofegante, se perguntando se foi um sonho. Mas ele estava bem acordado e teria que lidar com isso. Era o que ele queria, e ele se sentia culpado por isso. Percy estava feliz com Annabeth e parecia ser totalmente hetero. Pelo menos era isso o que parecia. Talvez ele havia simplesmente esquecido daquilo. De qualquer jeito, aquilo não devia ter acontecido e não deveria se repetir. E Nico sentia que haveriam consequências.
Hazel não ousou dizer uma palavra, mas lentamente segurou a mão do irmão, tentando parecer compreensiva. Aquilo era tabu nos anos 40 e infelizmente continuava sendo. Mas era bem pior quando era com o seu amigo, seu amigo comprometido.
– Está tudo bem. – Hazel disse baixinho. Realmente, para ela, estava tudo bem. Ela amava seu irmão de qualquer forma e o ajudaria a superar aquilo.
Nico não respondeu. Lágrimas rolaram pelas suas bochechas pálidas silenciosamente. Eles ouviram os passos dos amigos que entravam a bordo novamente. Nico se levantou apressado e desapareceu nas sombras, recusando-se a encarar qualquer um. Hazel ficou sentada ali, tentando processar o que aconteceu e sentindo-se péssima. Perguntaram o que aconteceu mas ela não diria de jeito nenhum.
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