Perla del Capo

1 Capítulo 1 - O começo de tudo


Notas iniciais
Algumas partes estarão em outro idioma, colocarei a tradução em asterisco (*) logo em seguida.

Lembro que eu estava no quarto brincando com meu porquinho de pelúcia. Toda distraída até ouvir vozes no andar abaixo. Fui em direção às escadas e pude ver meus pais na sala, um de frente para o outro. Minha mãe estava com os olhos vermelhos e lágrimas escorriam por seu rosto. Pensei em correr até ela e dizer que não chorasse. Mas, permaneci parada no topo da escada. Afinal eles não sabiam que eu estava ouvindo e que podia vê-los dali. Pude ouvir minha mãe dizendo:

— Não faça isso Antonni. Sei que podemos dar um jeito em tudo. Vamos embora, para bem longe, vamos todos nós... Pense em Olivia! Ela é apenas uma criança, não irá entender.

— Eu estou fazendo isso por vocês. Não posso imaginar que algo de ruim possa acontecer com minha família. Isso é culpa minha e, se for necessário me afastar para protegê-las, eu o farei. Mas não se preocupe estarei sempre vigiando vocês.

Do que eles estavam falando afinal? Pensava Olivia, bem quietinha no topo da escada.

— Por favor, meu querido... Não vá. – Indo em direção a ele –

Valentina se aninhou no peito do esposo, sendo abraçada por ele. E assim ficaram por um tempo, Antonni sabia que o melhor a fazer era partir. Não podia colocar a vida de sua mulher e filha em perigo novamente. Quando tudo se acalmou e nada mais foi dito. Olivia voltara ao seu quarto e ali ficou pensativa.

— Olivia, desça por um momento! – Chamou sua mãe –

Desci as escadas devagar, esperando uma bronca por ter escutado a conversa escondida. Minha mãe estava com um lenço em suas mãos limpando as lágrimas que insistiam em cair.

— Por que esta chorando Mama? – Perguntei ficando ao seu lado –

Ela sorriu fracamente, porém nada disse. Meu pai estava ao lado da porta com uma grande mala aos seus pés. Seu olhar era triste.

— Onde o Papa vai? Vamos passear? – Olhei para minha mãe que chorava sem parar –

Antonni caminhou até a pequena menina, alisou seus lindos cabelos e olhando em seus grandes olhos disse.

— O Papa vai ficar fora por um tempo. – Sorriu levemente –

— Mas por quê?

— Porque será melhor assim. É tudo por você minha pérola. – Uma lágrima teimosa escorreu por seu rosto –

E desse modo beijou os cabelos de sua Olivia, limpou as lágrimas e sem dizer mais nada saiu pela porta.

Olivia tinha seis anos.

Por muito tempo perguntei a minha mãe o motivo pelo qual meu pai havia nos deixado. Mas ela sempre desconversava e mudava de assunto, ou dizia que era uma viagem muito importante a trabalho. E que, se eu parasse para pensar eu nunca soube realmente qual era o trabalho dele. Era tudo muito frustrante. Mas mesmo assim, por revolta ou qualquer outro sentimento parei de tentar entender esses reais motivos.

Haviam se passado quatro anos após a partida de meu pai. Nesse meio tempo mamãe foi diagnosticada com câncer, um tumor cerebral. Mesmo sendo muito nova eu já entendia a gravidade da situação. E em menos de três anos, ela se foi. Eu tinha quase treze anos. Seu velório e enterro ficaram aos cuidados de minha tia e irmã mais velha dela. Bianca era uma mulher viúva e sem filhos, extremamente bondosa dona de um coração imenso. Ela morava em Portugal, e nos abrigou depois que meu pai nos deixou.

Muitas pessoas fizeram presença no velório, e a maioria delas eu não conhecia. Sei que naquele momento, não me importava com ninguém me chamando ou dando palavras de consolo. Eu não os ouvia. Fiquei perto de minha mãe durante todo o tempo. Ela estava tão serena, parecia realmente estar dormindo. Por diversas vezes a olhei esperando que ela abrisse os olhos, tão viva quanto antes e me desse um sorriso dizendo que tudo ficaria bem outra vez. Mas é claro que nada disso aconteceu. Ela estava morta e eu sozinha. Depois de horas ali parada ao lado de seu caixão. Minha tia veio ao meu encontro.

— Querida, você não quer comer nada? – Perguntou ela alisando meus cabelos –

— Não tia, eu estou bem.

— Você está ai o dia todo! Ao menos beba um pouco d’água. Saia um pouco para tomar ar, eu ficarei aqui. – Insistiu –

— Tudo bem, eu volto logo. – Concordei revirando os olhos –

Bianca sorriu levemente. Sabia que estava sendo difícil para a menina. Ela havia perdido sua irmã, mas Olivia perdeu a mãe. E não tinha a presença do pai em sua vida desde muito pequena. Podia ver que no fundo a menina tinha muitas perguntas sem resposta, mas também sabia que logo ela descobriria tudo e que muita coisa estava por vir. Como esperado, Antonni já sabia de tudo, havia entrado em contato com Bianca pedindo que a filha ficasse agora aos cuidados dele. Bianca concordou, porém não havia contado nada para a menina ainda. Mas não havia nada que pudesse ser feito em relação a isso, Olivia precisava ficar com o pai. Ela voltaria para Itália em uma semana.

O salão onde estava sendo feito o velório, estava cheio de coroas de flores, dedicatórias a minha mãe e muitas pessoas de luto. Umas choravam; outras apenas ficavam em silencio como se soubessem que nada dito ali diminuiria a dor. O salão ficava próximo ao um penhasco, eu estava a certa distancia do velório olhando para o mar esmeralda. Meus pensamentos estavam uma bagunça e apesar de permanecer calada, minha mente gritava. Uma única lágrima desceu pelo meu rosto.

— O que vai ser de mim agora sem você Mama? – Limpei meu rosto –

Recompus-me e decidi que já havia tomado ar o bastante. Voltando ao salão vi que um carro preto e brilhante havia parado ali perto. Fiquei de longe vendo o motorista sair de dentro do carro, com um enorme buque de orquídeas amarelas. Amarelo era a cor preferida da minha mãe. Pude ver que havia alguém no banco de trás, mas não pude ver quem, pois o vidro escuro não permitia. O carro ficou parado por um tempo lá e depois se foi bem devagar. Entrei no salão e vi minha tia com o buque de orquídeas na mão. Ela o colocou dentro do caixão. Estava me aproximando quando minha tia disse.

— Está na hora querida. – Estava com os olhos cheios de lágrimas –

Apenas concordei com a cabeça. Aproximei-me de minha mãe que parecia dormir e me despedi.

— Eu te amo Mama. Por favor, fique sempre comigo. – Dei um beijo em sua testa –

Limpei uma de minhas lágrimas que havia caído em seus olhos fechados, estava lhe dando uma ultima olhada tentando guardar cada detalhe em minha mente, quando vi melhor o buque em suas mãos. Lindas orquídeas de um amarelo vivo que exalavam um perfume único. Notei também que havia um pequenino papel plastificado e nele estava escrito “Ti ameró ogni giorno della mia vita mia Dea, con amore, Antonni Neri Bertuollo”.

*Te amarei todos os dias de minha vida minha Deusa, com amor, Antonni Neri Bertuollo*

Notas finais
Esse foi um capitulo bem curtinho justamente para ver como vocês reagem hahaha... Espero de coração que tenham gostado pelo menos um pouquinho. Me deem ideias, me iluminem e não esqueçam de deixar o comentário para eu saber se estou caminho certo. Beijão e até o próximo capitulo, que por sinal já está quase finalizado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.